{"id":3479,"date":"2026-05-12T13:19:19","date_gmt":"2026-05-12T12:19:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=3479"},"modified":"2026-05-12T13:19:19","modified_gmt":"2026-05-12T12:19:19","slug":"santa-joana-modelo-de-santidade-homilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2026\/05\/12\/santa-joana-modelo-de-santidade-homilia\/","title":{"rendered":"Santa Joana, modelo de santidade &#8211; homilia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"554\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0118-_low-1024x554.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3480\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0118-_low-1024x554.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0118-_low-300x162.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0118-_low-768x416.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0118-_low-1536x832.jpg 1536w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0118-_low-2048x1109.jpg 2048w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/DSC_0118-_low-1320x715.jpg 1320w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A santidade, que significa gastar a vida ao servi\u00e7o dos outros, tendo como modelo a Jesus Cristo, \u00e9 um convite de Deus que irrompe na vida de cada pessoa, nos une a Deus e aos irm\u00e3os e nos estimula a ter sentimentos pr\u00f3prios de Deus. A santidade \u00e9 \u201candar na presen\u00e7a de outro\u201d, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma vida com Deus, uma amizade, tal como afirmava a Santa Joana: \u00abTrabalhai muito, estimais sobre todas as coisas por andar com a consci\u00eancia sempre limpa, sempre percebidas e como quem tem o fim desta carreira t\u00e3o incerta\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida de Santa Joana Princesa reporta-nos para algo de parecido com a procura da p\u00e9rola pela qual vale a pena vender tudo quanto se possui para adquirir ou ao tesouro escondido pelo qual vale a pensa lutar para o encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda leitura de S. Paulo aos filipenses diz-nos que o conhecimento de Cristo \u00e9 o bem supremo a que todos devemos aspirar, e tudo o mais \u00e9 lixo em compara\u00e7\u00e3o com ganhar a Cristo e n&#8217;Ele nos encontrarmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da vida, a santidade vai-se fazendo com familiaridade e intimidade com Deus, que nos abre \u00e0 rela\u00e7\u00e3o aos outros. Na viagem da nossa vida h\u00e1 oportunidades, h\u00e1 obst\u00e1ctulos, h\u00e1 momentos tristes e alegres, mas em todos se vai forjando a amizade com Deus. Por isso, a santidade \u00e9 uma obra de artesanato paciente: a arte de aprender a amar e de aprender a ser amados por Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O convite \u00e0 santidade tem de moldar toda a exist\u00eancia crist\u00e3: <em>\u00abEsta \u00e9 a vontade de Deus: a vossa santifica\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em> (1<em>Tes<\/em> 4,3). \u00c9 um compromisso que diz respeito n\u00e3o apenas a alguns, as, como refere o <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, \u00abos crist\u00e3os de qualquer estado ou ordem s\u00e3o chamados \u00e0 plenitude da vida crist\u00e3 e \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da caridade\u00bb (CCE 2013).<\/p>\n\n\n\n<p>A santidade, \u00e0 qual todos somos chamados, interpela a vida crist\u00e3, porque ela \u00e9 um reflexo da beleza de Deus no mundo. Pela f\u00e9, \u00abo homem entrega-se total e livremente a Deus\u00bb (<em>DV<\/em> 5) e, por ela, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus, revestir-se do seu amor. Unida \u00e0 virtude teologal da f\u00e9 est\u00e1 a virtude cardeal da fortaleza &#8211; a que levar\u00e1 Santa Joana a responder ao irm\u00e3o, o rei D. Jo\u00e3o II, quando lhe pede que abandone a vida religiosa, que <em>\u00abfossem todos muito certos que isto que, com a gra\u00e7a e a ajuda divinal, come\u00e7ado tinha, por nenhuma coisa sem embargo o n\u00e3o havia de deixar\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O <em>Memorial da Infanta Joana<\/em>, conservado aqui ao lado no Mosteiro de Jesus, resume, no momento da sua morte, toda a sua vida de santidade: \u00ab<em>Amando mais seguir a Cristo pobre e humilde, perseverou at\u00e9 ao seu santo falecimento, ajudando a ele muito misericordiosamente p\u00f4r fim todas as obras merit\u00f3rias com todo fervor e amor de Deus\u00bb.<\/em> A sua vida foi uma corrida de fundo para alcan\u00e7ar a Cristo, uma vez que j\u00e1 tinha sido alcan\u00e7ado por Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>O Papa Francisco afirmava que \u00abpara ser santo, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tantato a pensar que a santidade esteja reservada apenas \u00e0queles que t\u00eam possibilidade de se afastar das ocupa\u00e7\u00f5es comuns, para dedicar muito tempo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o pr\u00f3prio testemunho nas ocupa\u00e7\u00f5es de cada dia, onde cada um se encontra\u00bb (GetEx 14).<\/p>\n\n\n\n<p>A Princesa Santa Joana, meditando na paix\u00e3o de Cristo, via nela a m\u00e1xima express\u00e3o do amor de Deus por n\u00f3s. A miseric\u00f3rdia \u00e9 o \u00abcaminho que une Deus e o homem, porque nos abre o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a de sermos amados para sempre, apesar da limita\u00e7\u00e3o do nosso pecado\u00bb (<em>Misericirdiae Vultus<\/em> 2). No leito de morte, Santa Joana afirma isto mesmo: <em>\u00abEu conhe\u00e7o que nunca em mim houve obras sen\u00e3o de muitas culpas e dignas de penas e tormentos; por\u00e9m, Senhor, a Ti pe\u00e7o que ponhas a tua morte e paix\u00e3o entre o teu julgamento e a minha alma\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de D. Joana em Aveiro marcou profundamente a hist\u00f3ria da pobre e humilde vila de ent\u00e3o, e do Mosteiro de Jesus, onde habitou. A sua morte, que cortaria t\u00e3o prematuramente uma vida, \u00abhonesta e mui virtuosa\u00bb, foi um duro golpe que traumatizou todos quantos se sabiam amparados pela prote\u00e7\u00e3o da irm\u00e3 de el-rei D. Jo\u00e3o II. Contudo, permaneceu o seu exemplo edificante de abnega\u00e7\u00e3o, de f\u00e9 e de amor, numa exist\u00eancia silenciosa e simples a projetar-se em luz sobre a sociedade do tempo e que ainda hoje, ap\u00f3s centenas de anos, nos faz recolher implorando a sua intercess\u00e3o. Quase parece continuar a ouvir-se da sua boda os conselhos que a enferma repetia nas \u00faltimas horas, como eco das palavras do ap\u00f3stolo S. Paulo: <em>\u00abProcurai conhecer plenamente a vontade de Deus com toda a sabedoria e intelig\u00eancia espiritual, para viverdes de maneia digna do Senhor e agradar-lhe inteiramente, realizando toda a esp\u00e9cie de boas obras e progredindo no conhecimento de Deus. Vivei com alegria; trabalhar pela vossa perfei\u00e7\u00e3o; animai-vos uns aos outros; tende os mesmos sentimentos; vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estar\u00e1 convosco\u00bb (cf. Col 1,9b-10; 2Cor 12,11-13).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A confian\u00e7a em Deus \u00e9 um sinal claro da viv\u00eancia da f\u00e9 numa entrega total \u00e0 vontade de Deus. A dimens\u00e3o eclesial da f\u00e9 manifesta-se no minist\u00e9rio da Igreja, isto \u00e9, no mist\u00e9rio do Deus incarnado, que permite ter f\u00e9 na mesma Igreja, porque s\u00f3 pela f\u00e9 temos acesso ao mist\u00e9rio, isto \u00e9, a Igreja deve ser entendida a partir da iniciativa de Deus &#8211; Deus toma a iniciativa de salvar a humanidade e, por isso, o mist\u00e9rio da Igreja \u00e9 um dom e um chamamento. Foi isto que nos ensinou Santa Joana \u00e0 Igreja e a todos n\u00f3s aveirenses. O documento final do S\u00ednodo de 2024 &#8211; <em>Para uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o<\/em> &#8211; afirmou que &#8220;a sinodalidade \u00e9 o caminhar juntos dos crist\u00e3os com Cristo e para o Reino de Deus, em uni\u00e3o com toda a humanidade; orientada para a miss\u00e3o, implica o encontro em assembleia dos diversos n\u00edveis da vida eclesial, a escuta rec\u00edproca, o di\u00e1logo, o discernimento comunit\u00e1rio, a forma\u00e7\u00e3o de consensos como express\u00e3o da presen\u00e7a de Cristo no Esp\u00edrito e a tomada de uma decis\u00e3o em corresponsabilidade diferenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a morte da Princesa, as irm\u00e3s dominicanas sepultaram o corpo da defunta no coro de baixo do mosteiro e, imediatamente, ap\u00f3s a sua morte que, referindo-se aos santos, \u00e9 o nascimento para o c\u00e9u, come\u00e7ou em Aveiro a venera\u00e7\u00e3o do nome e da mem\u00f3ria de Infanta santa Joana; tal venera\u00e7\u00e3o estender-se-ia por todo o nosso Pa\u00eds e ultrapassaria mesmo as fronteiras nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje pedimos \u00e0 nossa Padroeira que a vis\u00e3o do autor do livro do Apocalipse se realize na nossa cidade e na nossa Diocese: que haja um novo c\u00e9u e uma nova terra, onde n\u00e3o exista dor e sofrimento e onde todos possamos colaborar em &#8220;renovar todas as coisas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Amen.<\/p>\n\n\n\n<p>Aveiro, 12 de maio de 2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A santidade, que significa gastar a vida ao servi\u00e7o dos outros, tendo como modelo a Jesus Cristo, \u00e9 um convite de Deus que irrompe na vida de cada pessoa, nos une a Deus e aos irm\u00e3os e nos estimula a ter sentimentos pr\u00f3prios de Deus. 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