{"id":3304,"date":"2025-12-29T16:34:15","date_gmt":"2025-12-29T16:34:15","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=3304"},"modified":"2025-12-29T16:34:15","modified_gmt":"2025-12-29T16:34:15","slug":"converter-se-em-portas-abertas-para-os-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2025\/12\/29\/converter-se-em-portas-abertas-para-os-outros\/","title":{"rendered":"Converter-se em portas abertas para os outros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Eucaristia de encerramento do Jubileu 2025<\/strong> <strong>&#8211; Homilia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><\/strong><strong>A fam\u00edlia de Jesus<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Encerramos, com esta Eucaristia, o Jubileu da Esperan\u00e7a, convocado pelo saudoso Papa Francisco e iniciado o ano passado na festa da Sagrada Fam\u00edlia. A sua conclus\u00e3o ser\u00e1 pelo Papa Le\u00e3o XIV, a quem queremos manifestar a nossa comunh\u00e3o como princ\u00edpio e fundamento vis\u00edvel da unidade de f\u00e9 e da comunh\u00e3o na caridade<\/p>\n\n\n\n<p>A festa da Sagrada Fam\u00edlia foi institu\u00edda pelo Papa Le\u00e3o XIII, em 1893, para promover a santidade e os valores da vida familiar perante os desafios do mundo moderno, e o Papa Bento XV estendeu-a a toda a Igreja em 1921. Contemplemos a fam\u00edlia de Nazar\u00e9 e a partir dela saibamos olhar e contemplar as fam\u00edlias de hoje. Como referia o Papa Bento XVI, a Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 \u00fanica e irrepet\u00edvel, mas, ao mesmo tempo, ela \u00e9 \u201cmodelo de vida\u201d para todas as fam\u00edlias, mesmo para aquelas que se encontram em dificuldade. O Papa Francisco, olhando para esta realidade que afeta hoje a tantas fam\u00edlias, diz-nos que \u201cna fam\u00edlia cada pessoa \u00e9 valiosa porque \u00e9 diferente das outras, cada pessoa \u00e9 \u00fanica. Mas as diferen\u00e7as tamb\u00e9m podem causar conflitos e feridas dolorosas. E o melhor rem\u00e9dio para curar a dor de uma fam\u00edlia ferida \u00e9 o perd\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura de S. Paulo aos Colossenses apresenta-nos um \u201cc\u00f3digo \u00e9tico e familiar\u201d porque nos fala do comportamento dos crist\u00e3os entre si, em comunidade. O que se pede \u00e0 comunidade crist\u00e3 \u2013 miseric\u00f3rdia, bondade, humildade, mansid\u00e3o e paci\u00eancia \u2013 s\u00e3o valores que devem ser vividos por todos os crist\u00e3os, por todas as fam\u00edlias e, de um modo particular, pelas fam\u00edlias que vivem o seu amor \u00e0 luz do amor de Deus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo de Nazar\u00e9, que aparece a primeira vez em S. Lucas na Anuncia\u00e7\u00e3o do anjo e no evangelho de hoje, \u00e9 um tempo de sil\u00eancio onde Jesus cresce como homem, onde a sua personalidade \u00e9 moldada pelas tradi\u00e7\u00f5es do seu povo e onde amadurece o projeto do Reino de Deus, pelo qual vai dar a sua vida. Nazar\u00e9, hoje como ontem, \u00e9 um chamamento a escutar a voz de Deus e a responder-lhe como responderam Maria e Jos\u00e9, e o ensinaram a Jesus. Eles falaram-lhe de Deus e ensinaram-no a ler as Escrituras. Jesus, o Messias, anunciado pelos profetas, teve uma fam\u00edlia como n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 e Maria, a sagrada fam\u00edlia, mostram, com a sua simplicidade, que somente no cuidado ao irm\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o, no servi\u00e7o, se pode encontrar a verdadeira felicidade. Este \u00e9 o motivo pelo qual os pobres s\u00e3o os destinat\u00e1rios privilegiados do nascimento de Jesus. Os poderosos, os que tinham casa n\u00e3o deram conta do Natal. O choro do Menino n\u00e3o chegou ao calor e ao bem-estar das casas aquecidas e das mesas cheias de iguarias. Apenas deram conta do nascimento do Menino os que passavam a noite a guardar os rebanhos, \u00e0 intemp\u00e9rie, porque partilhavam as mesmas condi\u00e7\u00f5es que o Menino Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>No Jubileu das fam\u00edlias e dos av\u00f3s, o Papa disse-nos que as fam\u00edlias s\u00e3o um canto silencioso de esperan\u00e7a, capaz de difundir a luz de Cristo atrav\u00e9s das suas vidas, porque o \u201cmundo de hoje precisa da alian\u00e7a conjugal para conhecer e acolher o amor de Deus e superar, com a sua for\u00e7a que une e reconcilia, as for\u00e7as que desagregam as rela\u00e7\u00f5es e as sociedades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>2. <strong>A gra\u00e7a do Jubileu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Encerramos hoje o Jubileu dedicado \u00e0 Esperan\u00e7a, no qual fomos convidados a beber a esperan\u00e7a na gra\u00e7a de Deus, e a descobri-la nos sinais dos tempos que o Senhor nos oferece. Quando chegou a plenitude dos tempos, veio tamb\u00e9m a plenitude da divindade, sendo a paz o sinal por excel\u00eancia que Deus Pai nos enviou. Como refere S. Bernardo, \u201cn\u00e3o se trata de uma paz prometida, mas enviada; n\u00e3o adiada, mas concedida; n\u00e3o profetizada, mas presente. Deus Pai a enviou \u00e0 terra, por assim dizer, um saco cheio da sua miseric\u00f3rdia. Um saco, que devia romper-se na paix\u00e3o, para derramar o pre\u00e7o do nosso resgate que nele se continha; um saco pequeno, mas cheio. Na verdade,<em> um menino nos foi dado<\/em> (cf. Is 9,5), mas <em>neste Menino habita toda a plenitude da divindade<\/em> (Cl 2,9). Os sinais dos tempos, depositados no cora\u00e7\u00e3o humano, carecido da presen\u00e7a salv\u00edfica de Deus, pedem para serem transformados em sinais de esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o que encerramos n\u00e3o \u00e9 a gra\u00e7a divina, mas sim um tempo especial da Igreja; o que continua aberto \u00e9 sempre o cora\u00e7\u00e3o misericordioso de Deus. Fecham-se as portas santas em Roma, encerra o Jubileu nas diversas Catedrais e Igrejas espalhadas pelo mundo, mas a porta do nosso cora\u00e7\u00e3o continua aberta para escutar a Palavra de Deus, para acolher o irm\u00e3o que sofre e para perdoar. O Jubileu foi um dom e uma gra\u00e7a, e a nossa miss\u00e3o para o futuro \u00e9 sermos portas abertas para os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Quero dar gra\u00e7as convosco pelo Jubileu diocesano que celebr\u00e1mos entre 2023 e 2024, nos 600 anos da nossa Catedral, e por este Jubileu universal que estamos a concluir. S\u00f3 Deus conhece os frutos e o bem realizado na nossa Diocese, nas nossas par\u00f3quias e no cora\u00e7\u00e3o dos nossos diocesanos. Para al\u00e9m dos v\u00e1rios jubileus dos arciprestados ou sectoriais, desejo real\u00e7ar a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, os gestos de caridade para com os mais pobres, e a iniciativa que tivemos em ter no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora de Vagos a adora\u00e7\u00e3o a Jesus Eucaristia todos os dias. \u00c9 uma iniciativa a continuar com uma inten\u00e7\u00e3o que diz respeito a toda a Diocese: rezarmos pelas voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida matrimonial e de consagra\u00e7\u00e3o \u2013 sacerdotais e religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Emanuel, o Deus connosco, n\u00e3o se cansa de nos esperar, porque apesar dos nossos erros, dos nossos esquecimentos, e at\u00e9 erros e pecados, Deus continua a esperar porque se fez homem e habitou entre n\u00f3s, na nossa hist\u00f3ria humana. O seu verdadeiro poder est\u00e1 em que nos espera para que O acolhamos na nossa vida e na vida das nossas fam\u00edlias, e na sociedade da qual fazemos parte. A esperan\u00e7a que Ele nos d\u00e1 \u00e9 a esperan\u00e7a que nunca desilude, porque Deus \u00e9 Pai. Deus tem cora\u00e7\u00e3o de Pai e est\u00e1 sempre com os seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 aben\u00e7oe todas as fam\u00edlias e a nossa fam\u00edlia diocesana.<\/p>\n\n\n\n<p>Amen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Aveiro, 28 de dezembro de 2025.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u2020<\/em> <em>Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eucaristia de encerramento do Jubileu 2025 &#8211; Homilia Encerramos, com esta Eucaristia, o Jubileu da Esperan\u00e7a, convocado pelo saudoso Papa Francisco e iniciado o ano passado na festa da Sagrada Fam\u00edlia. A sua conclus\u00e3o ser\u00e1 pelo Papa Le\u00e3o XIV, a quem queremos manifestar a nossa comunh\u00e3o como princ\u00edpio e fundamento vis\u00edvel da unidade de f\u00e9 e da comunh\u00e3o na caridade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3305,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","footnotes":""},"categories":[46,31],"tags":[],"class_list":["post-3304","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bispo","category-homilias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3304"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3304\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3306,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3304\/revisions\/3306"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}