{"id":3022,"date":"2025-05-13T12:06:07","date_gmt":"2025-05-13T11:06:07","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=3022"},"modified":"2025-05-13T12:06:07","modified_gmt":"2025-05-13T11:06:07","slug":"comunidade-de-amigos-de-jesus-homilia-na-solenidade-de-santa-joana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2025\/05\/13\/comunidade-de-amigos-de-jesus-homilia-na-solenidade-de-santa-joana\/","title":{"rendered":"Comunidade de amigos de Jesus &#8211; Homilia na Solenidade de Santa Joana"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00ab<em>Eu sei que posso contar com todos e cada um de v\u00f3s para caminhardes comigo, enquanto como Igreja, como comunidade de amigos de Jesus e como fi\u00e9is continuamos a anunciar a Boa Nova, a anunciar o Evangelho<\/em>\u00bb (Papa Le\u00e3o XIV).<\/p>\n\n\n\n<p>Estas palavras pronunciadas pelo Papa Le\u00e3o XIV no in\u00edcio da homilia da passada sexta-feira na Capela Sixtina com os cardeais presentes na Eucaristia refletem um pouco o seu estilo de vida como mission\u00e1rio, frade da Ordem de santo Agostinho e pastor de uma diocese e agora sucessor de Pedro: caminhar juntos em comunidade de amigos de Jesus e anunciar o Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje celebramos a festa de Santa Joana Princesa, nossa padroeira, e estes dois tra\u00e7os da sua vida como crist\u00e3 e monja da ordem de S. Domingos est\u00e3o bem presentes na sua curta vida: viver em comunidade de amigos de Jesus e tudo fazer para que Ele seja mais conhecido e amado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Memorial da Infanta Santa Joana refere que \u00aba dita Senhora Infanta come\u00e7ou a prosseguir com mui grande fortaleza e fervor do seu esp\u00edrito a miss\u00e3o que tinha tomada como verdadeira e nunca vencida batalhadora de Cristo Jesus, a que toda se tinha dado. E com muito ardente desejo seguia todos os lugares da comunidade, seguindo muito devotamente de noite e de dia o coro e of\u00edcio divino, rezando e cantando com as outras irm\u00e3s e estando na cadeira das novi\u00e7as segundo o seu grau, estando \u00e0 estante com elas, indo e vindo como a mais pequena delas, inclinando e fazendo tudo muito inteiramente sem em nenhuma coisa falecer\u00bb (fol. 70 r a). O amor para com o seu Amado fazia que \u00abcada vez mais se acendia seu esp\u00edrito e alma em amor divino e caridade fraternal, em tal modo que por obras e falas e grande zelo e desejo da salva\u00e7\u00e3o das almas parecia arder em chama de caridade e dar a si mesma por todos se salvarem e irem \u00e0 gl\u00f3ria eterna\u00bb (fol 85 v a).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A palavra de Deus que foi proclamada nesta Eucaristia remete-nos para a constru\u00e7\u00e3o de um novo c\u00e9u e de uma nova terra, onde todas as coisas s\u00e3o renovadas, o conhecimento de Jesus Cristo \u00e9 fundamental, como bem supremo da nossa vida e de um tesouro que devemos descobrir para dar sentido \u00e0 nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Este foi o caminho de Santa Joana e deve ser tamb\u00e9m o nosso. Jesus n\u00e3o s\u00f3 anuncia e prop\u00f5e o Reino de Deus, como convida ao seguimento, a entrar no seu modo de ser, de pensar e de agir. Saber-se chamado pessoalmente por Deus \u00e9 a experi\u00eancia chave de toda a voca\u00e7\u00e3o e de todo o projeto de vida. Este seguimento nasce do encontro pessoal com o Ressuscitado, num dinamismo de convers\u00e3o, entrega e ren\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o de Jesus, que prega e cura, p\u00f5e em evid\u00eancia a necessidade de uma evangeliza\u00e7\u00e3o que se faz n\u00e3o apenas da Palavra anunciada, mas da Palavra vivida e testemunhada. Ele continua a vir todos os dias ao nosso encontro como o Ressuscitado, para nos convidar a caminhar para um horizonte sempre novo. \u00abSe Ele vive, isso \u00e9 uma garantia de que o bem pode triunfar na nossa vida e de que as nossas fadigas e trabalhos servir\u00e3o para qualquer coisa\u00bb (<em>CV<\/em> 127). Devemos viver com a certeza de que Cristo caminha a nosso lado.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro com Jesus, que os primeiros disc\u00edpulos reconheceram e proclamaram Messias e Senhor, faz nascer e alimenta a f\u00e9 nele. Professar a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9, pois, \u00abum facto privado, uma conce\u00e7\u00e3o individualista, uma opini\u00e3o subjetiva, mas nasce de uma escuta e destina-se a ser pronunciada e a tornar-se an\u00fancio\u00bb (cf. <em>LF<\/em> 22). \u00c9 a este an\u00fancio que os crist\u00e3os s\u00e3o chamados.<\/p>\n\n\n\n<p>No discurso aos cardeais de s\u00e1bado passado, o Papa Le\u00e3o XIV delineou os princ\u00edpios que est\u00e3o na base do seu pontificado e que v\u00eam na continua\u00e7\u00e3o do primeiro grande documento do Papa Francisco <em>A Alegria do Evangelho<\/em>: o regresso ao primado de Cristo no an\u00fancio da Boa Nova (cf. n. 11); a convers\u00e3o mission\u00e1ria de toda a comunidade crist\u00e3 (cf. n. 9); o crescimento na colegialidade e na sinodalidade (cf. n. 33); a aten\u00e7\u00e3o ao&nbsp;<em>sensus fidei<\/em>&nbsp;(cf. nn. 119-120), especialmente nas suas formas mais pr\u00f3prias e inclusivas, como a piedade popular (cf. n. 123); o cuidado amoroso com os marginalizados e os exclu\u00eddos (cf. n. 53); o di\u00e1logo corajoso e confiante com o mundo contempor\u00e2neo nas suas v\u00e1rias componentes e realidades (cf. n. 84; Conc\u00edlio Vaticano II, Const. past.&nbsp;<em>Gaudium et spes<\/em>, 1-2).<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, diz o Papa Le\u00e3o XIV, de princ\u00edpios do Evangelho que sempre animaram e inspiraram a vida e o agir da Fam\u00edlia de Deus, valores atrav\u00e9s dos quais o rosto misericordioso do Pai se revelou e continua a revelar-se no Filho feito homem, \u00faltima esperan\u00e7a de quem procura com sinceridade a verdade, a justi\u00e7a, a paz e a fraternidade (cf. Bento XVI, Cart. enc.&nbsp;<em>Spe salvi<\/em>, 2; Francisco, Bula&nbsp;<em>Spes non confundit<\/em>, 3).<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente por me sentir chamado a seguir nessa linha, pensei em adotar o nome de Le\u00e3o XIV. Na verdade, s\u00e3o v\u00e1rias as raz\u00f5es, mas a principal \u00e9 porque o Papa Le\u00e3o XIII, com a hist\u00f3rica Enc\u00edclica&nbsp;<em>Rerum novarum<\/em>, abordou a quest\u00e3o social no contexto da primeira grande revolu\u00e7\u00e3o industrial; e, hoje, a Igreja oferece a todos a riqueza de sua doutrina social para responder a outra revolu\u00e7\u00e3o industrial e aos desenvolvimentos da intelig\u00eancia artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justi\u00e7a e do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o os valores a que somos chamados a viver: defesa da dignidade humana, da justi\u00e7a e do trabalho nesta nova sociedade que nos h\u00e1 tocado viver e na qual devemos ser sal que d\u00ea sabor a este mundo e fermento para o transformarmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe\u00e7amos \u00e0 nossa Padroeira que junto de Deus interceda por n\u00f3s e que saibamos imit\u00e1-la no amor \u00e0 nossa terra e \u00e0s suas gentes, atrav\u00e9s do compromisso da nossa vida em favor da dignidade humana, da justi\u00e7a social e na defesa de um trabalho digno para todos. Amen.<\/p>\n\n\n\n<p>Aveiro, 12 de maio de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abEu sei que posso contar com todos e cada um de v\u00f3s para caminhardes comigo, enquanto como Igreja, como comunidade de amigos de Jesus e como fi\u00e9is continuamos a anunciar a Boa Nova, a anunciar o Evangelho\u00bb (Papa Le\u00e3o XIV). 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