{"id":1925,"date":"2024-02-19T10:35:42","date_gmt":"2024-02-19T10:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=1925"},"modified":"2024-02-28T09:03:00","modified_gmt":"2024-02-28T09:03:00","slug":"peregrinacao-arciprestado-de-aveiro-homilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2024\/02\/19\/peregrinacao-arciprestado-de-aveiro-homilia\/","title":{"rendered":"Peregrina\u00e7\u00e3o arciprestado de Aveiro &#8211; Homilia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Peregrina\u00e7\u00e3o jubilar de Aveiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. A Alian\u00e7a de Deus com a humanidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O homem criado por Deus, do p\u00f3 da terra, n\u00e3o foi capaz de permanecer na alian\u00e7a de amizade e harmonia (Gn 1,26-31). A degrada\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero humano ap\u00f3s o pecado de Ad\u00e3o faz com que Deus se arrependa de ter criado o homem (Gn 6,5-6) e decida mandar o dil\u00favio como purifica\u00e7\u00e3o da humanidade pecadora (Gn 7,17-24). Come\u00e7a assim, uma nova etapa na hist\u00f3ria da humanidade, com No\u00e9, porque ele \u201cera agrad\u00e1vel aos olhos do Senhor (6,8).<\/p>\n\n\n\n<p>Depois das \u00e1guas baixarem e No\u00e9 ter sa\u00eddo da arca com a sua fam\u00edlia e os animais, Deus faz com ele uma nova alian\u00e7a, a segunda entre Deus e os homens. Esta nova etapa do plano de Deus, tal como a primeira, precisa da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. A Ad\u00e3o e Eva Deus \u201caben\u00e7oou-os dizendo-lhes: \u2018Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra\u201d (Gn 1,28), e nesta nova etapa \u201cDeus aben\u00e7oou No\u00e9 e os seus filhos\u201d, com a mesma ordem \u201cSede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra\u201d (Gn 9,1).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta alian\u00e7a, b\u00ean\u00e7\u00e3o e o compromisso de Deus, representa uma nova cria\u00e7\u00e3o, um come\u00e7ar de novo, fruto da miseric\u00f3rdia de Deus e apesar da condi\u00e7\u00e3o do homem diante de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelista S. Marcos leva-nos at\u00e9 ao deserto com Jesus para vivermos com ele os quarenta dias de tenta\u00e7\u00e3o e assistirmos ao in\u00edcio da sua vida p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Imediatamente ap\u00f3s o Batismo de Jesus, o Esp\u00edrito desce sobre ele e, imediatamente, \u201cimpeliu Jesus para o deserto\u201d. Marcos revela um Jesus com pressa. A sua miss\u00e3o \u00e9 urgente e n\u00e3o se pode perder tempo. A urg\u00eancia \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o do homem, por isso, n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder.<\/p>\n\n\n\n<p>O deserto \u00e9 o lugar das for\u00e7as do mal, das for\u00e7as tentadoras, representadas por Satan\u00e1s e pelos animais selvagens. Ali, onde reinam as for\u00e7as do mal, tamb\u00e9m se pode manifestar a for\u00e7a salvadora de Deus. Por isso, S. Marcos afirma que no meio das tenta\u00e7\u00f5es Jesus \u00e9 servido pelos anjos. A vit\u00f3ria \u00e9 de quem vence a tenta\u00e7\u00e3o e domestica as feras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.<\/strong> <strong>O Batismo, fonte de vida nova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira carta de Pedro \u00e9 dirigida a crist\u00e3os de origem pag\u00e3 da regi\u00e3o da \u00c1sia Menor que vivem momentos de persegui\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da sua ades\u00e3o a Cristo, o que preocupa o ap\u00f3stolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os crist\u00e3os recebem o Batismo que \u00e9 um mergulho nas \u00e1guas mais poderosas que as do dil\u00favio. No\u00e9 salva-se passando pela experi\u00eancia das \u00e1guas, os crist\u00e3os salvam-se pela purifica\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia no Batismo que \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Pelo mist\u00e9rio do sofrimento de Cristo, cujo fruto recebemos no Batismo, at\u00e9 os \u201cesp\u00edritos incr\u00e9dulos\u201d do tempo de No\u00e9 se salvam, \u201cfoi pregar tamb\u00e9m aos esp\u00edritos cativos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Da consulta sinodal realizada na nossa Diocese, h\u00e1 uma ideia sempre presente: n\u00e3o ter medo de arriscar quando se trata de fazer op\u00e7\u00f5es pastorais. Querer resultados diferentes com os mesmos processos, n\u00e3o \u00e9 o que o Esp\u00edrito pede \u00e0 Igreja e a cada um de n\u00f3s. Aquilo que hoje parece imposs\u00edvel, o Esp\u00edrito Santo se encarregar\u00e1 de abrir nos caminhos. Depois das tenta\u00e7\u00f5es, Jesus regressa \u00e0 Galileia. Com a sua prega\u00e7\u00e3o, Cafarnaum e arredores viram uma grande luz, era a Boa Nova pregada a todos. Sabemos n\u00f3s ver essa luz hoje nas nossas par\u00f3quias?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Desafios da peregrina\u00e7\u00e3o jubilar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos a viver o Ano Jubilar da nossa Catedral, queremos tomar consci\u00eancia de quem somos, para onde queremos caminhar, e do que falamos quando nos referimos \u00e0 catedral como Igreja-M\u00e3e. Para os arciprestados e par\u00f3quias esta \u00e9 uma ocasi\u00e3o de crescimento na f\u00e9 e na comunh\u00e3o eclesial. Porque o crist\u00e3o nasce da Igreja e para a Igreja, o grande desafio \u00e9 testemunhar a alegria e a vontade em viver os desafios do Evangelho num mundo que n\u00e3o se conhece e numa cultura que n\u00e3o se compreende.<\/p>\n\n\n\n<p>As peregrina\u00e7\u00f5es arciprestais \u00e0 Catedral, com iniciativas de encontro, di\u00e1logo e colabora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o momentos de escuta da Palavra e lugar de eleva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito e de encontro com Deus. Sempre que um arciprestado peregrina at\u00e9 \u00e0 Igreja-M\u00e3e, vemos reunida uma Igreja\/ Diocese que anuncia, celebra e vive a sua f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixo-vos, como vosso pastor, tr\u00eas desafios para o nosso arciprestado de Aveiro e para cada uma das suas par\u00f3quias e comunidades crist\u00e3s:<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba Em todas as Eucaristias de encerramento da visita pastoral, em Aveiro foi no dia 31 de maio de 2018, solenidade do Corpo de Deus, referi a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 mais profunda, de modo que cada um de n\u00f3s saiba dar as raz\u00f5es da sua f\u00e9. Sem uma paix\u00e3o pela Palavra de Deus \u2013 a pessoa de Jesus \u2013 n\u00e3o teremos o fogo necess\u00e1rio para sermos evangelizadores. E isto nasce da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. N\u00f3s temos de saber dar as raz\u00f5es da nossa f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba A evangeliza\u00e7\u00e3o aos que andam afastados da f\u00e9 ou mesmo n\u00e3o crentes passa pela vitalidade da f\u00e9 dos crist\u00e3os e das par\u00f3quias no an\u00fancio da Boa Nova de Jesus. Urge renovar a nossa pastoral, dedicando tempo e energias atrav\u00e9s de retiros, encontros sistem\u00e1ticos de forma\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o espiritual\u2026. \u00c9 necess\u00e1rio revitalizar a pastoral juvenil, dando mais voz aos jovens de modo que eles sejam os evangelizadores de outros jovens. O mesmo se diga das fam\u00edlias que t\u00eam os seus filhos na catequese e pedem para eles os sacramentos. Temos de apostar nos movimentos apost\u00f3licos e nos dinamismos que eles trazem ao conjunto da vida de uma par\u00f3quia. Sem eles \u00e9 mais dif\u00edcil a evangeliza\u00e7\u00e3o a que todas as par\u00f3quias s\u00e3o chamadas.<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba Empenharmo-nos todos numa convers\u00e3o pastoral t\u00e3o necess\u00e1ria nas nossas par\u00f3quias. A convers\u00e3o pastoral \u00e9 o caminho de renova\u00e7\u00e3o da Igreja, de mudan\u00e7a estrutural e metodol\u00f3gica e at\u00e9 de mentalidade. \u00abA Igreja deve aprofundar a consci\u00eancia de si mesma, meditar sobre o seu pr\u00f3prio mist\u00e9rio (&#8230;). Desta consci\u00eancia esclarecida e operante deriva espontaneamente um desejo de comparar a imagem ideal da Igreja, tal como Cristo a viu, quis e amou, ou seja, como sua Esposa santa e imaculada (<em>Ef <\/em>5,27), com o rosto real que a Igreja apresenta hoje. (\u2026) Em consequ\u00eancia disso, surge uma necessidade generosa e quase impaciente de renova\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, de emenda dos defeitos, que aquela consci\u00eancia denuncia e rejeita, como se fosse um exame interior ao espelho do modelo que Cristo nos deixou de si mesmo\u00bb (<em>EG<\/em> 26).<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o exige participa\u00e7\u00e3o consciente e respons\u00e1vel. Procuremos estar em di\u00e1logo cont\u00ednuo uns com os outros sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Todos devem assumir que a renova\u00e7\u00e3o exige convers\u00e3o das pessoas e das comunidades. N\u00e3o tenhamos medo de arriscar quando se trata de fazer op\u00e7\u00f5es pastorais. A diocese de Aveiro sonha com comunidades crist\u00e3s que coloquem Cristo ressuscitado no centro da sua vida, vivam a comunh\u00e3o como o sinal vis\u00edvel dessa presen\u00e7a e formem disc\u00edpulos mission\u00e1rios que saibam dar raz\u00f5es da sua f\u00e9. Abrace cada um o caminho do renovamento conforme lhe for inspirado pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus, lembrando que para um conhecimento mais profundo da palavra de Deus \u00e9 fundamental a ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apoiados na pedra angular que \u00e9 Cristo, e sustentados com o seu amor, juntemos todas as pedras do nosso caminho, como refere a nossa caminhada quaresmal, e sejamos verdadeiras pedras vivas desta Igreja que \u00e9 a nossa diocese de Aveiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Que Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, titular da nossa Catedral, e a Princesa Santa Joana, nossa padroeira, e cada um dos padroeiros das vossas par\u00f3quias, nos ajudem a viver e a dar frutos de santidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Aveiro, 18 de fevereiro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peregrina\u00e7\u00e3o jubilar de Aveiro 1. 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