{"id":1919,"date":"2024-02-05T10:19:44","date_gmt":"2024-02-05T10:19:44","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/?p=1919"},"modified":"2024-02-28T09:03:18","modified_gmt":"2024-02-28T09:03:18","slug":"peregrinacao-arciprestado-de-ilhavo-homilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/v3\/2024\/02\/05\/peregrinacao-arciprestado-de-ilhavo-homilia\/","title":{"rendered":"Peregrina\u00e7\u00e3o Arciprestado de \u00cdlhavo &#8211; Homilia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Peregrina\u00e7\u00e3o Jubilar de \u00cdlhavo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong><\/strong><strong>Um dia na vida Jesus<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A primeira leitura oferece um texto do livro de Job. Trata-se de uma reflex\u00e3o sobre o sentido do sofrimento, sobretudo no homem justo, e de como o sofrimento interfere nas rela\u00e7\u00f5es com os outros e com Deus. Job, personagem principal, \u00e9 aquele que Deus v\u00ea e que \u00e9 visto pelos seus, os da sua casa. \u201cviste o meu servo Job?\u201d diz Deus a Satan (1,8). Atrav\u00e9s deste personagem s\u00e3o muitas as quest\u00f5es que se colocam ao homem sobre o sentido do sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo, em sua defesa, adverte que espera uma outra recompensa que n\u00e3o a dos direitos de ap\u00f3stolo. Espera a recompensa maior que \u00e9 participar dos bens do evangelho. Porque anunciar o evangelho \u00e9 \u201cum encargo\u201d e n\u00e3o \u201cum t\u00edtulo de gl\u00f3ria\u201d, porque ele n\u00e3o o faz, \u201cpor minha iniciativa\u201d, mas porque \u201c\u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o que me foi imposta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer com que muitos, e ele pr\u00f3prio, possam participar dos bens, das b\u00ean\u00e7\u00e3os, do evangelho e n\u00e3o sejam apenas ouvintes.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto do evangelho divide-se em tr\u00eas cenas. <em>Na primeira<\/em>, Jesus deixa a sinagoga e vai a casa de Pedro, s\u00edmbolo da Igreja reunida, ainda que seja a pequena comunidade constitu\u00edda por Jesus, Sim\u00e3o, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o. Algu\u00e9m, fundamental na casa, est\u00e1 doente, \u00e9 a sogra de Pedro. \u201cLogo lhe falam dela\u201d, quer dizer, sem perder tempo apresentam a Jesus a situa\u00e7\u00e3o daquela mulher. O assunto \u00e9 importante e Jesus, tamb\u00e9m de modo imediato, se aproxima, agarra-a pela m\u00e3o e levanta-a. A mulher, tocada pela for\u00e7a de Jesus, responde com os crit\u00e9rios do mestre, que n\u00e3o veio \u201cpara ser servido mas para servir\u201d e coloca-se de imediato a servi-los, prova de que est\u00e1 curada de um mal que a impedia de estar ao servi\u00e7o dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na segunda<\/em> parte do evangelho, Marcos, mostra a casa de Pedro de portas abertas para todos, os doentes, os possu\u00eddos de esp\u00edritos impuros e toda a cidade. \u201cAo cair da tarde, j\u00e1 depois do sol-posto\u201d quando as for\u00e7as do mal entram em a\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma casa aberta de onde surge a luz da esperan\u00e7a para todos os que experimentam o sofrimento. Na casa est\u00e1 Jesus que devolve a esperan\u00e7a aos que eram trazidos at\u00e9 ele. Jesus \u00e9 o rosto de Deus que cura as chagas da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na terceira<\/em> cena do evangelho Jesus sai para um lugar isolado, um lugar de encontro e intimidade. \u00c9 assim quando se encontra com o Pai e quando se encontra com os disc\u00edpulos. Um lugar para estar a s\u00f3s, neste caso, para rezar. Ali o encontram, pela manh\u00e3, Sim\u00e3o e os outros disc\u00edpulos e fazem-lhe saber que \u201ctodos te procuram\u201d, como que a desafiar Jesus a ficar ali porque teve sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o de Jesus, por\u00e9m, n\u00e3o termina ali naquela povoa\u00e7\u00e3o nem naquela casa. Devem ir, Jesus e os disc\u00edpulos, \u201cproclamar\u201d em outros lugares, fora da comunidade, o que ali j\u00e1 foi proclamado.<\/p>\n\n\n\n<p>2. <strong>Ai de mim se n\u00e3o anunciar o Evangelho!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No seu caminhar com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, Jesus aproxima-se, escuta os motivos da sua tristeza e desilus\u00e3o. \u00c9 no partir o p\u00e3o que o reconhecem e, sem demora, sentem a necessidade de compartilhar com os companheiros na f\u00e9 a alegria do encontro com o Mestre. Renasce neles o amor pela comunidade e o ardor pelo an\u00fancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caminhar, espera-se que os disc\u00edpulos suscitem outros disc\u00edpulos. \u00abA intimidade da Igreja com Jesus \u00e9 uma intimidade itinerante, e a comunh\u00e3o reveste essencialmente a forma de comunh\u00e3o mission\u00e1ria. Fiel ao modelo do Mestre, \u00e9 vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasi\u00f5es, sem demora, sem repugn\u00e2ncias e sem medo. A alegria do Evangelho \u00e9 para todo o povo, n\u00e3o se pode excluir ningu\u00e9m\u00bb (<em>EG<\/em> 23). A convers\u00e3o pastoral requer que as comunidades eclesiais sejam comunidades de disc\u00edpulos mission\u00e1rios ao redor de Jesus Cristo, Mestre e Pastor. Os disc\u00edpulos deixam-se transformar pelo encontro com Jesus e tornam-se Igreja em \u201csa\u00edda mission\u00e1ria\u201d, que leva necessariamente \u00e0 <em>convers\u00e3o pastoral<\/em>. \u00c9 preciso um \u201csair de para trazer a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No encerramento da visita pastoral ao arciprestado de \u00cdlhavo, na festa do Corpo de Deus de 2017, tracei alguns desafios pastorais que hoje quero recordar aqui nesta peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa igreja catedral.<\/p>\n\n\n\n<p><em>1\u00ba Desafio: Ser testemunhas de Cristo ressuscitado<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Papa Francisco insiste, uma e outra vez, que o&nbsp;<em>an\u00fancio de Cristo vivo e ressuscitado<\/em>&nbsp;deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renova\u00e7\u00e3o eclesial. Fazer parte da comunidade crist\u00e3 deve levar-nos a esta certeza: n\u00e3o s\u00e3o os disc\u00edpulos que procuram Jesus, mas \u00e9 Ele que vem ao nosso encontro. Foi o que aconteceu com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas que, frustrados e tristes, abandonavam Jerusal\u00e9m e regressavam \u00e0 sua terra: foi Jesus que se aproximou deles e se p\u00f4s com eles a caminho (Lc 24, 15).<\/p>\n\n\n\n<p><em>2\u00ba Desafio: Comunidades crist\u00e3s vivas e fraternas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Formar comunidades que sejam aut\u00eanticas escolas de viv\u00eancia da f\u00e9 e da comunh\u00e3o, gerando entre todos os seus membros la\u00e7os de fidelidade, de proximidade e de confian\u00e7a, que se traduzam no servi\u00e7o humilde da caridade fraterna. \u00c9 este o caminho para avivar o sentido de perten\u00e7a \u00e0 comunidade e para fortalecer os la\u00e7os da comunh\u00e3o, que \u00e9 a primeira forma de miss\u00e3o, de acordo com a Palavra de Jesus, Bom Pastor: \u00ab<em>Nisto todos saber\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros<\/em>\u00bb (Jo 13,35). Comunidades que rezam e, ao mesmo tempo, s\u00e3o ber\u00e7o de novas voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida matrimonial, \u00e0 vida sacerdotal e de consagra\u00e7\u00e3o. A vitalidade de uma comunidade crist\u00e3 tamb\u00e9m se mede pela capacidade de viver a vida crist\u00e3 como um caminho a percorrer, descobrindo o que Deus quer de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p><em>3\u00ba Desafio: A forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as Eucaristias de encerramento da respetiva visita pastoral \u00e0s v\u00e1rias par\u00f3quias do arciprestado referi a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 mais profunda, de modo que cada um de n\u00f3s saiba dar as raz\u00f5es da sua f\u00e9. Sem uma paix\u00e3o pela Palavra de Deus \u2013 a pessoa de Jesus, n\u00e3o teremos o fogo necess\u00e1rio para sermos evangelizadores. E isto nasce da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como Maria e Jos\u00e9 apresentaram Jesus no templo e hoje o arciprestado de \u00cdlhavo se desloca \u00e0 nossa Igreja m\u00e3e em peregrina\u00e7\u00e3o, assim saibamos concretizar na nossa vida as palavras de Jesus no Evangelho: \u00abSim\u00e3o e os companheiros foram \u00e0 procura d\u2019Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: \u00abTodos Te procuram\u00bb. Ele respondeu-lhes: \u00abVamos a outros lugares, \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es vizinhas, a fim de pregar a\u00ed tamb\u00e9m, porque foi para isso que Eu vim\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Que Santa Joana Princesa, nossa padroeira, n\u00e3o entusiasme no an\u00fancio do Evangelho nas par\u00f3quias que nos foram confiadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Aveiro, 3 de fevereiro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peregrina\u00e7\u00e3o Jubilar de \u00cdlhavo A primeira leitura oferece um texto do livro de Job. Trata-se de uma reflex\u00e3o sobre o sentido do sofrimento, sobretudo no homem justo, e de como o sofrimento interfere nas rela\u00e7\u00f5es com os outros e com Deus. 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