{"id":50,"date":"2015-01-20T14:44:35","date_gmt":"2015-01-20T14:44:35","guid":{"rendered":"https:\/\/princesajoanadeportugal.wordpress.com\/?p=50"},"modified":"2015-01-20T14:44:35","modified_gmt":"2015-01-20T14:44:35","slug":"santa-joana-princesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2015\/01\/20\/santa-joana-princesa\/","title":{"rendered":"Santa Joana Princesa"},"content":{"rendered":"<p>Prov\u00edncia Portuguesa da Ordem de S\u00e3o Domingos<br \/>\nFonte:\u00a0<a title=\"Santa Joana | Prov\u00edncia Portuguesa da Ordem de S\u00e3o Domingos\" href=\"http:\/\/dominicanos.pmeevolution.com\/index.asp?art=6602\">http:\/\/dominicanos.pmeevolution.com\/index.asp?art=6602<\/a><\/p>\n<p><strong>1 &#8211; <em>Nascimento <\/em>e <em>inf\u00e2ncia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O Rei D. Afonso V e sua mulher D. Isabel andavam desolados porque os anos iam passando sem conseguirem ter um filho para lhes suceder no trono de Portugal.<\/p>\n<p>Tendo tomado conhecimento que no cimo do Monte Fontelo, em Queimada, Armamar, havia uma capela dedicada a S. Domingos de Gusm\u00e3o, centro de grande devo\u00e7\u00e3o popular, resolveram ir l\u00e1 em peregrina\u00e7\u00e3o pedir a gra\u00e7a que desejavam. Foram ouvidos, pois em 16 de Fevereiro de 1452 nascia uma linda menina a quem puseram o nome de Joana. Aos oito dias foi solenemente baptizada com grande regozijo, e no pa\u00e7o real lhe foi religiosamente jurada fidelidade por todos os vassalos da pequenina herdeira ao trono de Portugal.<\/p>\n<p>Da\u00ed a tr\u00eas anos, nascia um filho var\u00e3o, o futuro D. Jo\u00e3o II, e Joana perdia assim o direito ao trono, a favor do seu irm\u00e3o por ser filho var\u00e3o.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois morre em \u00c9vora a rainha, e o rei D. Afonso procurou entre as damas da corte uma a quem pudesse entregar confiadamente os seus filhos para serem educados nas mais profundas virtudes humanas e crist\u00e3s.<\/p>\n<p>Caiu a escolha em D. Beatriz, filha de D. Pedro de Meneses, senhora exemplar que formou estas duas crian\u00e7as no temor de Deus e na aten\u00e7\u00e3o aos necessitados.<\/p>\n<p>Joana sentia-se chamada a uma grande intimidade com Deus, e, por amor dele, por baixo dos seus trajes reais usava cil\u00edcio para se mortificar e durante a noite passava horas a meditar na Paix\u00e3o e Morte do Senhor; de tal modo era a sua devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Paix\u00e3o de Cristo, que, quando o rei, seu pai, lhe pergunta qual o bras\u00e3o que desejava introduzir no seu escudo, ela respondeu: \u00abA Santa Coroa de Espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo\u00bb; e assim se fez, respeitando-se a sua vontade.<\/p>\n<p>Na Quinta-Feira Santa o seu escudeiro e confidente introduzia secretamente no pal\u00e1cio doze mulheres a quem Joana lavava e beijava os p\u00e9s, imitando o que o Senhor fez aos seus Ap\u00f3stolos, e entregava-lhes avultados donativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; <em>Casamento <\/em>ou <em>vida religiosa<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Apenas atingiu os dezasseis anos, logo se come\u00e7aram a fazer projectos para casar a princesa, que faria feliz o mais exigente admirador da beleza humana e espiritual, pois \u00e0 graciosidade risonha e af\u00e1vel se juntava a sua beleza numa linda figura de loiras tran\u00e7as e rosto fino onde brilhavam uns verdes olhos que irradiavam pureza e suavidade segundo o retrato deixado pelos seus contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Joana ia deixando falar, mas a sua aten\u00e7\u00e3o fixava-se no pretendente j\u00e1 por ela escolhido, Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Entre as damas mais queridas, Joana estimava particularmente D. Leonor de Meneses, por descobrir nela tend\u00eancias muito semelhantes \u00e0s suas. D. Leonor, que era mais livre que a princesa para agir, foi investigando quais eram as Comunidades religiosas mais fervorosas que havia no pa\u00eds e soube que tinha muita fama de vida religiosa o; convento das Dominicanas de Aveiro.<\/p>\n<p>As duas decidiram ir para l\u00e1, mas como as dificuldades levantadas \u00e0 partida de Joana eram cada vez maiores, seguiu D. Leonor para o convento de Aveiro, para onde viria mais tarde a princesa Joana, depois de vencer todos os obst\u00e1culos, que n\u00e3o foram poucos.<\/p>\n<p>Entretanto, o rei, seu pai, que n\u00e3o a autorizou de maneira alguma a ir para um convento, sobretudo onde se vivia em pobreza e trabalhos, mas n\u00e3o querendo contrariar demasiado a sua t\u00e3o amada filha, autorizou-a a viver, no; pal\u00e1cio, o g\u00e9nero de vida que lhe aprouvesse. Foi o suficiente para Joana se ir desprendendo dos seus bens materiais, dispensando as suas damas a quem dotou liberalmente, foi-se esquivando para n\u00e3o comparecer nos saraus elegantes da corte e entregou-se inteiramente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0s obras de caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; <em>Entrada para <\/em>o <em>Convento<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Aproveitando o regresso vitarioso de seu Pai, D. Afonso V, da conquista de Arzila e T\u00e2nger, a princesa Joana preparou-se e enfeitou-se para receber o rei vitorioso e aproveitou a ocasi\u00e3o para lembrar ao pai que, por t\u00e3o grandes vit\u00f3rias, o rei devia oferecer a Deus algum presente preciosa em que a v\u00edtima fosse apropriada \u00e0 dignidade de t\u00e3o grande rei, como era D. Afonso V. O rei, seu pai, achou que ela tinha raz\u00e3o: e perguntou que v\u00edtima entendia ela que devia oferecer-se, aro que Joana respondeu: \u00abEU MESMA, SENHOR\u00bb!<\/p>\n<p>Assim pediu licen\u00e7a para entrar em algum mosteiro do reino, pedida que o pai n\u00e3o foi capaz de recusar!<\/p>\n<p>Algum tempo depois, Joana entrou no real convento de Odivelas, onde tinha uma tia que a criara de pequenina. Mas esta tia contrariava o projecto de clausura da sobrinha, pelo que Joana pediu ao pai que a deixasse seguir para lugar mais retirada e tranquilo. O pr\u00f3prio pai foi buscar a filha e lev\u00e1-la ao Convento de Jesus, em Aveiro, na festa de S. Domingos em 1472.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4 &#8211; <em>Alegrias <\/em>e sofrimentos <em>por amor \u00e0 voca\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1 alegrias completas para quem quiser seguir a Cristo plenamente, o pr\u00edncipe D. Jo\u00e3o, seu irm\u00e3o, contrariava Joana o mais que podia e aproveitava todas as ocasi\u00f5es para ser desagrad\u00e1vel com a irm\u00e3, tentando dissuadi-la duma ideia que achava inconveniente para o reino. Queria a toda o custo ter a irm\u00e3 livre para que a jurassem herdeira, no caso de ele n\u00e3o: ter descend\u00eancia, ou para a casar como lhe aprouvesse.<\/p>\n<p>Quando Joana tomou h\u00e1bito, o pr\u00edncipe desesperou e foi at\u00e9 Aveiro, levando consigo: O Bispo de \u00c9vora, D. Garcia de Meneses, que teve a fraqueza de lhe querer agradar mais do que a Deus e se dirigiu a Joana nestes termos:<\/p>\n<p>\u00abSenhora, <em>este <\/em>modo de vida que tomastes foi decerto mais apetite de menina que escolha de princesa; mas adverti o risco que tendes de desgastar um irm\u00e3o que \u00e9 pr\u00edncipe e que, desabrido com a vossa inteireza, vos pode despir o h\u00e1bito e desterrar do mosteiro\u00bb.<\/p>\n<p>Corou a princesa e respondeu com simplicidade, mas com aquela eloqu\u00eancia e discri\u00e7\u00e3o que lhe eram pr\u00f3prias:<\/p>\n<p>\u00abSem d\u00favida, vener\u00e1vel Prelado, que a paix\u00e3o vos faz esquecer quem sois. Tanto obedeceis aos interesses da terra que n\u00e3o reparais em ser infiel a um Deus s\u00f3 para lisonjear um pr\u00edncipe? Mas tendo entendido que \u00e9 esta causa tanto de Deus que Ele a tomar\u00e1 por sua conta, e assim tamb\u00e9m o vosso castigo; que Ele saber\u00e1 favorecer o pr\u00edncipe meu senhor, pacificar-lhe o povo e prosperar-lhe o reino, assim como conservar-me nesta santa casa e como, tamb\u00e9m, abrir os olhos \u00e0 vossa cegueira\u00bb.<\/p>\n<p>Calou-se o Bispo, confuso, e fez-se luz no seu esp\u00edrito quanto \u00e0 voca\u00e7\u00e3o da princesa.<\/p>\n<ol>\n<li>Jo\u00e3o \u00e9 que se indignava cada vez mais e, tomando \u00e0 sua conta o agravo, declarou \u00e0 irm\u00e3 que aos peda\u00e7os lhe tiraria o h\u00e1bito!<\/li>\n<\/ol>\n<p>A dada altura, por\u00e9m, surgiu uma nova complica\u00e7\u00e3o e foi que a sa\u00fade se abalou perigosamente, pelo que os m\u00e9dicos declararam que lhe era imposs\u00edvel aguentar os rigores da regra.<\/p>\n<p>O rei, seu pai, radiante com o pretexto que se lhe oferecia, ordenou \u00e0 filha que deixasse o h\u00e1bito dominicano e renunciasse a fazer profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios Superiores da Ordem foram de opini\u00e3o que era melhor a princesa n\u00e3o insistir, visto que provavelmente nunca teria for\u00e7as para abra\u00e7ar a regra, e Joana sentiu ent\u00e3o a maior dor da sua vida, porque lhe parecia que o seu Divino Esposo a abandonava.<\/p>\n<p>Foi uma cerim\u00f3nia lancinante. Joana assinou um auto pelo qual renunciava a pronunciar os votos solenes, declarando ao mesmo tempo, contudo, que continuaria a habitar no convento de Jesus e a usar o h\u00e1bito por devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois, na linda igreja do convento, a princesa despojou-se do h\u00e1bito, no meio de uma torrente de l\u00e1grimas, beijando com ternura o v\u00e9u e o escapul\u00e1rio, e dizendo: \u00abVisto que o meu Senhor Jesus Crista n\u00e3o quer por sua esposa uma escrava t\u00e3o indigna e in\u00fatil, n\u00e3o deixarei de O servir em toda a escravid\u00e3o da vontade\u00bb.<\/p>\n<p>Choravam as Irm\u00e3s e os pr\u00f3prios Superiores se maravilhavam com a profunda humildade da princesa que retomou os vestidos seculares como prova da sua sinceridade. Algum tempo depois, contudo, passou a usar o h\u00e1bito novamente, por devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol>\n<li>Afonso, ent\u00e3o, satisfeito com a submiss\u00e3o da filha e para marcar melhor que ela n\u00e3o era religiosa, doou-lhe uma quinta magn\u00edfica, com numerosos criados e capel\u00e3es e fartos rendimentos. Joana aproveitou os bens e rendimentos que lhe foram doados para melhor socorrer os pobres e cuidar das alfaias e paramentos da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Dedicava-se aos trabalhos mais humildes e, sabendo assegurada a sucess\u00e3o do reino, fez de modo irrevog\u00e1vel o seu voto de castidade perp\u00e9tua pelo qual sempre lutara.<\/p>\n<p>Seu irm\u00e3o D. Jo\u00e3o, depois de v\u00e1rias tentativas falhadas de lhe arranjar casamento, porque entretanto os pretendentes morriam, reconheceu a santidade da sua irm\u00e3 e n\u00e3o voltou a importun\u00e1-la. Assim ela p\u00f4de dedicar-se inteiramente ao seu \u00fanico Senhor a quem tinha entregue, h\u00e1 muito, todo o seu cora\u00e7\u00e3o, dando \u00e0s outras religiosas um exemplo de vida humilde e santa. Aquela que tinha sido concebida por intercess\u00e3o de S. Domingos de Gusm\u00e3o, aos seus filhos havia de pertencer at\u00e9 ao fim da sua vida, tornando-se uma das suas gl\u00f3rias de santidade.<\/p>\n<p>Faleceu santamente aos 38 anos de idade no seu Mosteiro de Aveiro, em 1490, depois de uma vida humilde e penitente, como fica dito, pela convers\u00e3o dos pecadores e resgate dos crist\u00e3os cativos dos mouros em \u00c1frica. O papa Inoc\u00eancio XII confirmou o seu culto imemorial em 31 de Dezembro de 1692.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 a Padroeira principal da Diocese e da Cidade de Aveiro.<\/p>\n<p>A sua festa celebra-se a 12 de Maio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prov\u00edncia Portuguesa da Ordem de S\u00e3o Domingos Fonte:\u00a0http:\/\/dominicanos.pmeevolution.com\/index.asp?art=6602 1 &#8211; Nascimento e inf\u00e2ncia O Rei D. Afonso V e sua mulher D. 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