{"id":409,"date":"2018-01-31T18:00:30","date_gmt":"2018-01-31T18:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/?p=409"},"modified":"2018-01-31T18:00:30","modified_gmt":"2018-01-31T18:00:30","slug":"santa-joana-no-caminho-do-amor-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2018\/01\/31\/santa-joana-no-caminho-do-amor-de-deus\/","title":{"rendered":"SANTA JOANA NO CAMINHO DO AMOR DE DEUS"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>SANTA JOANA NO CAMINHO DO AMOR DE DEUS<\/b><\/p>\n<p align=\"center\">HOMILIA \u2013 12\/05\/2014<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0A finalizar a liturgia da Palavra na celebra\u00e7\u00e3o desta Eucaristia em honra de Santa Joana, padroeira da cidade e da diocese de Aveiro, apenas desejo evoc\u00e1-la como modelo de vida segundo o evangelho de Jesus Cristo. Conforme referiu a memorialista conventual, em c\u00f3dice escrito logo ap\u00f3s a sua morte, \u00abcrescia nesta excelente infanta e singular princesa um grande fervor, amor divinal do reino e gl\u00f3ria eternal\u00bb. Desde nova, evitava toda a ociosidade em ver, ouvir e contar coisas v\u00e3s e sup\u00e9rfluas; apetecia-lhe mais a reflex\u00e3o espiritual, porque o seu feitio e a sua forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se coadunavam com o \u00abreino terreal de que continuadamente tinha todo o prazer e abastan\u00e7a de riquezas, vi\u00e7os e deleites, segundo convinha a seu real e de el-rei, seu pai\u00bb. Ocultando-se no seu orat\u00f3rio particular em ora\u00e7\u00e3o e assim se mergulhando na sua consci\u00eancia, qual santu\u00e1rio em que se encontrava consigo e com Deus, admirava e contemplava espiritualmente as maravilhas do Amor Eterno; e, quanto mais admirava e melhor contemplava, mais livre se sentia, porque a liberdade de Deus era a sua liberdade. Servindo-me das par\u00e1bolas de Cristo, D. Joana achou um tesouro escondido num campo e procurou possui-lo para repartir os seus valores pelos necessitados; descobriu uma p\u00e9rola preciosa e, com ela, procurou dar beleza \u00e0 sua vida<\/p>\n<p>A princesa saberia cultivar a alegria s\u00e3, para a partilhar com os demais; \u00e9 esta uma forma admir\u00e1vel de caridade, por vezes heroica, e \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de verdadeira exist\u00eancia crist\u00e3. Poderia sofrer interiormente; mas sentir-se-ia em paz e procuraria ser superior a tudo o que a perturbasse, porque tinha a certeza de que Deus era a causa da sua imensa alegria. Apesar dos anos jovens, j\u00e1 procurava criar um ambiente de serenidade, de calma e de felicidade, do qual tanto carecia o pai, saudoso da esposa e onerado de trabalhos e preocupa\u00e7\u00f5es!\u2026<\/p>\n<p>Propondo-lhe o pai e, mais tarde, o irm\u00e3o poss\u00edveis casamentos, D. Joana retorquia, delicadamente mas com vigor, que sentia desgosto em ouvir falar sobre tal assunto, pois o que primeiramente pretendia era servir e oferecer-se a Deus. Na princesa, o amor consagrava-se a um ideal superior, bem vivo, que era Cristo \u2013 esse Cristo que, sendo embora Filho de Deus, trabalhou e viveu como qualquer um de n\u00f3s, exceto no pecado. E, quando algu\u00e9m se entusiasma por este Senhor e Amigo, \u00e9-lhe decerto exigido o amor, o qual ser\u00e1 ainda mais puro em dedica\u00e7\u00e3o total. As p\u00e1ginas secretas da vida de muitos homens e de muitas mulheres, que deste modo sublimaram o amor, s\u00e3o o que h\u00e1 de mais refulgente na hist\u00f3ria dos seus dias. Na nossa padroeira temos disso mesmo um magn\u00edfico exemplo.<\/p>\n<p>Em Santa Joana, o amor era aut\u00eantica doa\u00e7\u00e3o e \u00edntima uni\u00e3o; por isso, ela partilhava dos sofrimentos de Jesus Cristo. Informou a bi\u00f3grafa que, desde a mocidade, sempre destinara quotidianamente uma hora para, de rosto por terra e com l\u00e1grimas nos olhos, estar sozinha a reviver as dores de Cristo e a repetir as suas angustiosas palavras. Foi efetivamente em Cristo que a princesa descobriu Aquele que lhe trazia a liberdade baseada na verdade e que a desembara\u00e7ava de tudo o que a pudesse limitar. \u00c0 semelhan\u00e7a daquilo que o ap\u00f3stolo S. Paulo revelou sobre os seus pr\u00f3prios sentimentos, tamb\u00e9m Santa Joana poderia dizer dela mesma: \u2013 \u00abConsidero todas as coisas como preju\u00edzo, comparando-as com o bem supremo, que \u00e9 conhecer Cristo, meu Senhor, por quem renunciei a todas as coisas e julguei tudo como lixo, para ganhar a Cristo e n\u2019Ele me encontrar\u00bb. Ela pr\u00f3pria estava a dar um admir\u00e1vel testemunho disto mesmo porque, gra\u00e7as a Deus, alcan\u00e7ava a verdadeira autonomia e a manifestava com firmeza voluntariosa.<\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o se pense que Santa Joana apenas vivia a espiritualidade crist\u00e3 em momentos de ora\u00e7\u00e3o recolhida e secreta. De forma nenhuma, tanto mais que a f\u00e9, que celebra as maravilhas do Criador e se alimenta da palavra de Deus, necessariamente conduz, pelo dinamismo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, \u00e0 pr\u00e1tica do amor fraterno. N\u00e3o podendo exercer a caridade diretamente por n\u00e3o lho permitirem as circunst\u00e2ncias do seu estado, ordenava que, por sua conta, se cumprissem as obras de miseric\u00f3rdia, se vestissem os pobres, se visitassem os presos e os doentes e se ajudassem os desamparados, os peregrinos e os estrangeiros. A princesa sentiria como carv\u00f5es ardentes na sua delicada consci\u00eancia as palavras de S. Jo\u00e3o Evangelista: \u2013 \u00abSe algu\u00e9m possuir bens deste mundo e, ao ver seu irm\u00e3o passar necessidade, lhe fechar o cora\u00e7\u00e3o, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhos, n\u00e3o amemos com palavras ou com a l\u00edngua, mas com obras e em verdade\u00bb. Outrossim, ela tamb\u00e9m poderia repetir consigo pr\u00f3pria, mesmo por outras palavras, o que escreveu Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, falecido em 1231: \u2013 \u00abA linguagem \u00e9 viva, quando falam as obras; cessem, portanto, as palavras e falem as obras; estamos cheios de palavras, mas vazios de obras\u00bb. Em Santa Joana encontramos, pois, um belo modelo de quem serve a Deus, n\u00e3o esquecendo os irm\u00e3os\u2026 ou antes, de quem ama a Deus presente nos pobres e nos desprotegidos!\u2026<\/p>\n<p>O povo de Aveiro soube manifestar quanto queria \u00e0 sua protetora e amiga. N\u00e3o fora em v\u00e3o que ela aqui concretizara as aspira\u00e7\u00f5es da sua mocidade. Por isso, no dia da morte ocorrida em 12 de maio de 1490, puderam ouvir-se tristes coment\u00e1rios: \u2013 \u201cMorreu a m\u00e3e dos desamparados! Deus levou-nos a libertadora dos oprimidos!\u201d Todavia, estou certo de que a nossa padroeira, agora na cidade santa, na nova Jerusal\u00e9m, na morada onde Deus habita com os homens, porfia no seu valimento celeste em favor dos seus conterr\u00e2neos, porque a eternidade \u00e9 um ininterrupto e intermin\u00e1vel presente. Tamb\u00e9m n\u00e3o duvido de que Santa Joana continua a ser a inspiradora de sonhos de muitos jovens\u2026 como a incentivadora de atos de generosidade e de aten\u00e7\u00e3o em favor dos que mais precisam da nossa ajuda e do nosso amor.<\/p>\n<p align=\"right\"><i>Mons. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>Administrador diocesano de Aveiro<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SANTA JOANA NO CAMINHO DO AMOR DE DEUS HOMILIA \u2013 12\/05\/2014 \u00a0\u00a0A finalizar a liturgia da Palavra na celebra\u00e7\u00e3o desta Eucaristia em honra de Santa Joana, padroeira da cidade e da diocese de Aveiro, apenas<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2018\/01\/31\/santa-joana-no-caminho-do-amor-de-deus\/\"> Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":153,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[22],"tags":[25,27,30,32,34,38],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/409"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=409"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":410,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/409\/revisions\/410"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media\/153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}