{"id":389,"date":"2018-01-31T17:37:45","date_gmt":"2018-01-31T17:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/?p=389"},"modified":"2018-01-31T17:37:45","modified_gmt":"2018-01-31T17:37:45","slug":"homilia-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2018\/01\/31\/homilia-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-2011\/","title":{"rendered":"Homilia na Solenidade de Santa Joana Princesa &#8211; 2011"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Homilia na Solenidade de Santa Joana Princesa<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>S\u00e9 de Aveiro, 12 de Maio de 2011<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201cEis a morada de Deus com os homens\u201d ( Apoc. 21, 3)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>1.Celebramos nesta S\u00e9 Catedral a solenidade de Santa Joana Princesa, Padroeira da cidade e diocese de Aveiro. Esta celebra\u00e7\u00e3o testemunha o respeito de todos os aveirenses pela nossa Santa Padroeira, estende-se a todas as comunidades crist\u00e3s da diocese e prolonga-se pela tarde deste dia na solene prociss\u00e3o que percorre as ruas da nossa cidade.<\/p>\n<p>Para compreender a Igreja, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer os santos, que s\u00e3o o seu fruto mais amadurecido e o seu testemunho mais eloquente. Para contemplar o rosto de Cristo nas diversas situa\u00e7\u00f5es do mundo contempor\u00e2neo, \u00e9 preciso olhar para os santos em cuja vida se desenha e espelha o rosto de Cristo (cf Novo millennio ineunte).<\/p>\n<p>Mas a santidade n\u00e3o diz apenas respeito apenas \u00e0 f\u00e9. Toca de perto, tamb\u00e9m, a cultura de uma terra, a mem\u00f3ria e o des\u00edgnio do seu povo. Os santos permitiram que se criassem na sociedade novos modelos culturais, novas respostas aos problemas, novas oportunidades diante dos desafios e novos sentidos dados aos desenvolvimentos da humanidade no caminho da hist\u00f3ria. A heran\u00e7a dos santos \u201c\u00e9 uma heran\u00e7a que n\u00e3o se deve perder. Esta heran\u00e7a deve frutificar num perene dever de gratid\u00e3o e num renovado prop\u00f3sito de imita\u00e7\u00e3o\u201d ( Novo millennio ineunte, 7).<\/p>\n<p>Os santos s\u00e3o como far\u00f3is. Eles indicam \u00e0s pessoas e \u00e0s comunidades as possibilidades de que o ser humano disp\u00f5e. Os santos traduzem o divino no humano e transportam o eterno para o tempo.<\/p>\n<p>Em \u00e9pocas de crise, em per\u00edodos de desconfian\u00e7a e em momentos de desconforto diante do futuro, mais necess\u00e1ria se afirma uma renovada aten\u00e7\u00e3o para com os santos na singularidade pr\u00f3pria de exist\u00eancias com um sentido de vida a conhecer, a descobrir com interesse, a amar com devo\u00e7\u00e3o e a seguir como exemplo.<\/p>\n<p>2.A cidade e a diocese de Aveiro t\u00eam em Santa Joana, nossa Padroeira, um exemplo de vida onde os valores maiores de humanidade e de f\u00e9 se conjugam em s\u00e1bia e perfeita harmonia, despertando em todos os aveirenses a afirma\u00e7\u00e3o do melhor de si mesmos.<\/p>\n<p>Santa Joana nasceu em Lisboa, em 6 de Fevereiro de 1452. Era filha do nosso rei \u00a0D. Afonso V e de sua esposa D. Isabel. Portugal vivia um tempo feliz em que se alargavam as fronteiras geogr\u00e1ficas e se abriam novos caminhos nos campos do saber e do conhecimento. Os reis eram promotores do progresso, incentivadores da cultura e testemunhas da f\u00e9. A Princesa Joana e seu irm\u00e3o, o Pr\u00edncipe Jo\u00e3o, viviam e cresciam neste ambiente.<\/p>\n<p>Para a Infanta Joana, a f\u00e9 era raz\u00e3o bastante dos seus sonhos e o desejo de se consagrar a Deus era convic\u00e7\u00e3o firme da sua vida.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de Agosto de 1472 decide entrar no convento de Jesus em Aveiro e aqui se dedica a uma vida de ora\u00e7\u00e3o em di\u00e1logo com Deus e em servi\u00e7o caritativo aos irm\u00e3os mais desfavorecidos, possu\u00edda de ternura e de compaix\u00e3o pelos mais pobres de Aveiro, a \u201csua pequenina Lisboa\u201d que tanto amou e a quem tanto se deu. Faleceu em 12 de Maio de 1490, no Convento dominicano de Jesus e foi sepultada no coro do convento. Aveiro come\u00e7ou a vener\u00e1-la como santa, desde logo e a invoc\u00e1-la mais tarde como protectora da cidade. O seu culto foi confirmado pelo Papa Inoc\u00eancio XI, em 1693 e em Janeiro de 1965 o Santo Padre Paulo VI declarou-a padroeira de Aveiro, cidade e diocese.<\/p>\n<p>3.Quando o livro do Apocalipse nos falava na primeira leitura da Jerusal\u00e9m nova, a cidade santa, que desce do c\u00e9u, de junto de Deus, falava do seu esplendor semelhante ao das pedras preciosas, do esplendor das muralhas e das suas portas. Mas ele descrevia sobretudo a cidade como s\u00edmbolo de um povo, aquele povo das doze tribos de Israel, cujos nomes dos seus cidad\u00e3os est\u00e3o inscritos\u00a0 sobre cada uma das suas portas. N\u00e3o se trata apenas de sonhar com uma nova Jerusal\u00e9m mais bela do que a cidade real. O autor deste texto leva-nos a descobrir que a nova Jerusal\u00e9m conduz \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o da cidade: ser cidade aberta sobre os quatro pontos cardeais e manifestar assim que o povo de Deus tem como voca\u00e7\u00e3o abrir-se \u00e0 humanidade inteira.<\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 simultaneamente evocar o esplendor do dom de Deus atrav\u00e9s da sua pr\u00f3pria beleza e revelar a universalidade do des\u00edgnio de Deus que quer na cidade estabelecer alian\u00e7a com os seus habitantes. Esta bela palavra do Apocalipse oferece \u00e0 Igreja de hoje uma refer\u00eancia original e uma vis\u00e3o que definem a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o: ser no mundo sinal do esplendor do dom de Deus e instrumento do destino universal deste dom. As altas muralhas da cidade santa n\u00e3o se destinam a impedir as pessoas de entrar mas permitem que a cidade seja vista de todos os lados. As portas franqueadas nos quatro lugares da cidade s\u00e3o como que um apelo a acolher nos diferentes \u00e1trios da cidade os homens e mulheres de toda a terra, vindos de todos os lados, independentemente da sua origem, cultura, situa\u00e7\u00e3o social ou cren\u00e7a religiosa.<\/p>\n<p>A Igreja \u00e9 chamada a ter esta visibilidade e a manifestar esta beleza atrav\u00e9s da harmonia dos seus templos, do calor humano das suas assembleias, da qualidade das suas liturgias mas principalmente atrav\u00e9s da viv\u00eancia crist\u00e3 dos seus membros e do testemunho vivo das suas comunidades, abrindo as portas da f\u00e9 ao mundo que nos rodeia.<\/p>\n<p>O dinamismo das nossas comunidades e a sua vitalidade espiritual s\u00e3o a mais bela manifesta\u00e7\u00e3o da beleza da Igreja. N\u00e3o nos pertence conduzir o povo de Deus para um abrigo bem protegido mas sim guiar e conduzir a Igreja de portas abertas para um di\u00e1logo com o mundo, para a\u00ed anunciar a boa nova da salva\u00e7\u00e3o, para lhe abrir o tesouro da alian\u00e7a e acolh\u00ea-lo com alegria. A nossa alegria consiste em anunciar o Evangelho ao mundo e em sermos testemunhas felizes do ardor mission\u00e1rio que nasce da P\u00e1scoa e do Pentecostes na textura humana e social da vida da nossa cidade e diocese.<\/p>\n<p>O cristianismo tem direito de cidadania entre n\u00f3s, tanto mais e quanto e melhor n\u00f3s o vivamos e saibamos acolher, celebrar e viver o evangelho e levar em n\u00f3s como tesouro encontrado no campo da vida, da fam\u00edlia, do trabalho e da miss\u00e3o a imagem de Cristo, como nos lembrava o texto do Evangelho.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>O primeiro sinal da f\u00e9 \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o que Santa Joana escolheu como meio imprescind\u00edvel da sua miss\u00e3o \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que em todas as circunst\u00e2ncias e em todos os lugares h\u00e1 Algu\u00e9m que vela por n\u00f3s e est\u00e1 dispon\u00edvel para responder aos nossos apelos. A ora\u00e7\u00e3o abre-nos um caminho de f\u00e9 e de sabedoria para a vida e constitui a fonte de toda a efic\u00e1cia n\u00e3o apenas pastoral mas tamb\u00e9m noutras frentes de trabalho e de miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Assim, tamb\u00e9m a Igreja de Aveiro quer ser Igreja orante, lugar de esperan\u00e7a para o mundo. E nesta Semana de ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es queremos aprender com Santa Joana no seu testemunho de vida consagrada a agradecer o dom aben\u00e7oado de todos os sacerdotes e consagrados (as) e a pedir insistentemente ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.<\/p>\n<p>4.Vamos proceder neste dia e nesta Catedral \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o da primeira pedra da Casa Sacerdotal, que a Diocese vai construir como santu\u00e1rio de gratid\u00e3o para os sacerdotes idosos ou doentes e para quantos dedicadamente os acompanharam ao longo da vida. Dedicamo-la a Santa Joana Princesa, n\u00e3o apenas no nome mas tamb\u00e9m no sonho e na decis\u00e3o de cumprirmos assim uma nobre e necess\u00e1ria miss\u00e3o ao servi\u00e7o de Aveiro. Confiamos-lhe mais este projecto como diariamente lhe pedimos que interceda pela nossa cidade e diocese e aben\u00e7oe e proteja todos os aveirenses.<\/p>\n<p><em>+Ant\u00f3nio Francisco dos Santos<\/em><\/p>\n<p><em>Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Solenidade de Santa Joana Princesa S\u00e9 de Aveiro, 12 de Maio de 2011 \u201cEis a morada de Deus com os homens\u201d ( Apoc. 21, 3) 1.Celebramos nesta S\u00e9 Catedral a solenidade de Santa<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2018\/01\/31\/homilia-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-2011\/\"> Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":141,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,22,12],"tags":[25,30,34,36,38],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=389"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":390,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389\/revisions\/390"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media\/141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}