{"id":378,"date":"2018-01-31T17:24:19","date_gmt":"2018-01-31T17:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/?p=378"},"modified":"2018-01-31T17:24:19","modified_gmt":"2018-01-31T17:24:19","slug":"homilia-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-descobrir-tesouros-do-amor-de-deus-e-perolas-de-servico-aos-irmaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2018\/01\/31\/homilia-na-solenidade-de-santa-joana-princesa-descobrir-tesouros-do-amor-de-deus-e-perolas-de-servico-aos-irmaos\/","title":{"rendered":"Homilia na solenidade de Santa Joana Princesa  &#8211; \u201cDescobrir tesouros do amor de Deus e p\u00e9rolas de servi\u00e7o aos irm\u00e3os\u201d."},"content":{"rendered":"<p><strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n<p>1.No texto do evangelho agora proclamado, Jesus contou duas pequenas par\u00e1bolas para explicar o sentido e o valor do Reino de Deus. Queria semear no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos, que o ouviam, uma interroga\u00e7\u00e3o decisiva para quem est\u00e1 \u00e0 porta da f\u00e9: \u00abN\u00e3o haver\u00e1, na nossa vida, segredos que ainda n\u00e3o descobrimos, tesouros que ainda n\u00e3o encontramos, p\u00e9rolas que ainda n\u00e3o adquirimos?<\/p>\n<p>Todos entenderam estas par\u00e1bolas. Quem n\u00e3o sente, como sua a alegria do lavrador pobre que cuida do campo e encontra um tesouro? Quem n\u00e3o saboreia o encanto do comerciante rico que compra e vende p\u00e9rolas, mas nunca vira uma p\u00e9rola como esta, de tanto valor?<\/p>\n<p>As par\u00e1bolas apenas s\u00e3o exemplos a interpretar e formas pedag\u00f3gicas a aprender, que Jesus usa, com invulgar sabedoria, para nos chamar para outros horizontes e para nos abrir o cora\u00e7\u00e3o para outros \u00e2mbitos da compreens\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 Deus, para n\u00f3s, como foi para Seu Filho Jesus, este tesouro \u00fanico, belo e atraente ou esta p\u00e9rola preciosa, inigual\u00e1vel e verdadeira? Uma coisa \u00e9 certa: encontrar Deus e colocar o nosso cora\u00e7\u00e3o no essencial \u00e9 ter a imensa fortuna de possuir o que o ser humano mais anseia e procura, que \u00e9 a felicidade e a bem-aventuran\u00e7a.<\/p>\n<p>Encontrar Deus significa saborear a alegria da descoberta deste tesouro escondido e olhar com fasc\u00ednio a beleza desta p\u00e9rola encontrada.<\/p>\n<p>2.Jesus, ao contar estas duas par\u00e1bolas desloca o centro da mensagem e o protagonismo das situa\u00e7\u00f5es para duas pessoas concretas: o lavrador ocupado no amanho da terra e o comerciante a bra\u00e7os com o seu neg\u00f3cio. Ambos reagem da mesma forma: vendem e deixam tudo para possuir o tesouro e adquirir a p\u00e9rola preciosa. E ambos sentem a alegria desta decis\u00e3o.<\/p>\n<p>A descoberta do reino de Deus muda, tamb\u00e9m hoje, a vida de quem o descobre e justifica que se deixem todas as coisas para se adquirir aquela que basta. O reino de Deus est\u00e1 em Jesus, na sua vida, na sua mensagem, na sua cruz, de que a Igreja \u00e9 sinal e presen\u00e7a.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Os estudos sociol\u00f3gicos, (ainda h\u00e1 dias a Igreja em Portugal publicou um), dizem-nos que um dos sintomas do tempo presente \u00e9 a indiferen\u00e7a religiosa: uma indiferen\u00e7a que coloca a sociedade alheia a todo o posicionamento sobre Deus. Contudo, s\u00e3o tamb\u00e9m cada vez mais numerosos, aqueles que, batem \u00e0 porta da Igreja, movidos por uma certa \u00abnostalgia de Deus\u00bb e sentem muito forte a interpela\u00e7\u00e3o: Como procurar e encontrar Deus?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Sabemos todos que n\u00e3o basta procurar Deus nos livros, nos debates, nas discuss\u00f5es. Uma coisa \u00e9 discutir religi\u00e3o e outra coisa muito diferente \u00e9 buscar Deus com cora\u00e7\u00e3o sincero. Recordemos Santo Agostinho: \u00abS\u00f3 o que faz bom o homem o pode tornar feliz\u00bb.<\/p>\n<p>A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma conquista te\u00f3rica nem um alcance racional. Sempre que debati com algu\u00e9m formas te\u00f3ricas da f\u00e9, fiquei com a impress\u00e3o de que n\u00e3o estava a falar do importante.<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio de Deus, segundo Jesus, \u00e9 semelhante a um tesouro escondido no campo. Quem um dia o encontra desprende-se de tudo para ficar com ele. Assim aconteceu com Santa Joana.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Santa Joana Princesa, nossa Padroeira, que hoje celebramos em forma solene, continua viva a proclamar o primado de Deus e dos valores espirituais. A vida da Santa Princesa e a serenidade com que, confiando em Deus se manteve firme neste santo prop\u00f3sito de consagra\u00e7\u00e3o religiosa, mostram que \u00e9 caminho de beleza, de f\u00e9 e de felicidade viver para amar a Deus e servir o pr\u00f3ximo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Filha de D. Afonso V e de D. Isabel, Santa Joana nasceu a 6 de Fevereiro de 1452, em Lisboa. \u00d3rf\u00e3 de m\u00e3e aos tr\u00eas anos de idade, sempre sentiu o afecto do pai e de toda a fam\u00edlia real que a envolvia de carinho e dedica\u00e7\u00e3o para que fosse mais suave o sofrimento provocado pela falta da M\u00e3e e para que se preparasse para as exig\u00eancias de uma vida humanamente destinada a grandes servi\u00e7os ao Pa\u00eds ou em qualquer outra Corte estrangeira.<\/p>\n<p>Educada num ambiente cultural de elei\u00e7\u00e3o, a jovem infanta aprofundava, dia a dia, a sua forma\u00e7\u00e3o religiosa, \u00abAmava sobretudo a Deus\u00bb, diz o seu bi\u00f3grafo, Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar (S.ta Joana, 2.\u00aa edi\u00e7\u00e3o p\u00e1g. 69). \u00abE os pobres eram tamb\u00e9m os seus mestres\u2026eles ensinavam-lhe o sentido da simplicidade, indicavam-lhe o valor do sofrimento, recordavam-lhe o evangelho das bem-aventuran\u00e7as, exigiam-lhe conv\u00edvio com eles, aconselhavam-na a deixar prestigio e bem-estar, ajudavam-na a aproximar do pensamento e a entrar no cora\u00e7\u00e3o de Deus\u00bb ( P\u00e1g. 70).<\/p>\n<p>Vencidas as resist\u00eancias do Pai e da Corte, Joana de Portugal entra no Mosteiro de S. Crist\u00f3v\u00e3o de Odivelas, da Ordem de S. Bernardo, e daqui caminha at\u00e9 Aveiro, onde chega no dia 30 de Julho de 1472, e ingressa no Mosteiro de Jesus, da Ordem Dominicana, em Aveiro, como foi sempre seu sonho. Em Aveiro, como aveirense e como religiosa vive, reza e trabalha durante dezoito anos at\u00e9 que parte ao encontro de Deus, em 12 de Maio de 1490.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Santa Joana em Aveiro marcou profundamente a hist\u00f3ria da ent\u00e3o vila de Aveiro como marca, tamb\u00e9m hoje, a hist\u00f3ria da nossa cidade. A sua presen\u00e7a no Convento ajudou a que o estilo de vida religiosa deste convento se tornasse paradigma da vida religiosa dominicana, em Portugal, e o convento fosse procurado por muitas jovens para a\u00ed ingressarem. N\u00e3o se estranha, por isso que a partir do convento de Aveiro e no espa\u00e7o de pouco tempo tenham sido criados conventos em Lisboa, Leiria, Set\u00fabal e Santar\u00e9m.<\/p>\n<p>Os seus pais e irm\u00e3o foram sepultados no mosteiro da Batalha, mausol\u00e9u da Casa de Avis. Santa Joana quis repousar no claustro do convento de Jesus, aqui ao lado da nossa Catedral, bem no cora\u00e7\u00e3o de Aveiro, para estar sempre mais pr\u00f3xima dos Aveirenses.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>O seu testemunho deixou marcas na hist\u00f3ria de Aveiro, o seu exemplo de santidade est\u00e1 impresso no cora\u00e7\u00e3o dos aveirenses e a sua protec\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente na vida da cidade e da diocese. O primeiro bispo de Aveiro dedicou-lhe o Semin\u00e1rio e quis aben\u00e7oar a primeira pedra da constru\u00e7\u00e3o no dia 12 de Maio de 1942. A cidade ergueu-lhe uma bela est\u00e1tua, s\u00edmbolo maior de sentida homenagem dos aveirenses e certeza necess\u00e1ria de b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s. Quero, agora, ao pensar nos sacerdotes idosos e doentes e para eles edificar uma Casa sacerdotal, que esta Casa, j\u00e1 quase constru\u00edda, seja dedicada, tamb\u00e9m ela, a Santa Joana Princesa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Em plena Caminhada diocesana das Fam\u00edlias, rumo \u00e0 Festa das Fam\u00edlias, a celebrar no pr\u00f3ximo dia 20, no Col\u00e9gio de Calv\u00e3o, e a pensar em cada fam\u00edlia da diocese, olho para Santa Joana, no seu exemplo de juventude e de f\u00e9, e pe\u00e7o-lhe protec\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o para esta sua Igreja para que seja fraternidade de fam\u00edlias a confirmar a alegria, a felicidade, o amor e a esperan\u00e7a no mundo.<\/p>\n<p>E confio-lhe com devo\u00e7\u00e3o e afecto a Miss\u00e3o Jubilar que vamos viver ao longo da celebra\u00e7\u00e3o dos setenta e cinco anos da diocese. Aqui viremos como peregrinos em momentos marcantes do nosso viver como Igreja nesta Ano Jubilar e aqui encontraremos \u00e2nimo e entusiasmo para viver cada dia com a alegria da f\u00e9 e com o encanto do amor a Deus e do servi\u00e7o aos irm\u00e3os, de que Santa Joana nos deu t\u00e3o belo exemplo e nos deixou t\u00e3o santo testemunho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Aveiro, 12 de Maio de 2012, Solenidade de Santa Joana Princesa, Padroeira de Aveiro<\/em><\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1.No texto do evangelho agora proclamado, Jesus contou duas pequenas par\u00e1bolas para explicar o sentido e o valor do Reino de Deus. 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