{"id":171,"date":"2015-01-22T01:25:59","date_gmt":"2015-01-22T01:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/princesajoanadeportugal.wordpress.com\/?p=171"},"modified":"2015-01-22T01:25:59","modified_gmt":"2015-01-22T01:25:59","slug":"artigo-a-santa-princesa-de-aveiro-por-padre-moreira-das-neves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2015\/01\/22\/artigo-a-santa-princesa-de-aveiro-por-padre-moreira-das-neves\/","title":{"rendered":"ARTIGO | \u00abA Santa Princesa de Aveiro\u00bb, por Padre Moreira das Neves"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00abA Santa Princesa de Aveiro\u00bb<\/strong>, por Padre Moreira das Neves<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><strong>A Santa Princesa de Aveiro<\/strong><\/p>\n<p>Filha de Dom Afonso V e da Rainha Dona Isabel, a Infanta Joana nasceu em Lisboa em 6 de Fevereiro de 1452. Infort\u00fanios da vida come\u00e7aram cedo: a pequena princesa tinha apenas 3 anos quando ficou \u00f3rf\u00e3 de m\u00e3e, pelo que a sua educa\u00e7\u00e3o veio a ser assegurada por uma das damas da corte, Dona Brites de Meneses.<br \/>\nMais tarde, ela e o seu irm\u00e3o, o futuro Rei Dom Jo\u00e3o II, receberam forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica com uma tia, a Princesa Dona Filipa.<br \/>\nDesde muito cedo, Dona Joana teve fama de senhora extremamente piedosa e detentora de muito tino. Ali\u00e1s, tinha apenas 19 anos quando foi chamada a desempenhar fun\u00e7\u00f5es de regente do Reino, embora sob a tutela protectora do Duque de Bragan\u00e7a, Dom Afonso. O motivo de t\u00e3o alta distin\u00e7\u00e3o prendeu-se com o facto de seu pai e seu irm\u00e3o, o pr\u00edncipe herdeiro, terem demandado as terras africanas para levarem a cabo a conquista da marroquina pra\u00e7a de Arzila. Na volta bem sucedida dos irm\u00e3os africanos, a princesa alcan\u00e7a de seu pai a permiss\u00e3o para por em pr\u00e1tica o sonho que acalentava: a vida religiosa.<br \/>\nAveiro foi a localidade escolhida e o humilde Mosteiro de Jesus o local onde Dona Joana recolheu em clausura. Durante 4 anos viveu como h\u00f3spede do mosteiro, at\u00e9 que, em 25 de Janeiro de 1475 tomou h\u00e1bito.<\/p>\n<p>Contudo, por raz\u00f5es de sa\u00fade e, tamb\u00e9m, por raz\u00f5es de estado a princesa desistiu da profiss\u00e3o solene, permanecendo, por\u00e9m no Convento com o h\u00e1bito, mas sem obriga\u00e7\u00f5es de votos p\u00fablicos. Fazendo assim vida comunit\u00e1ria por simples devo\u00e7\u00e3o, tal n\u00e3o impediu que em 1471 emiti-se um voto particular de castidade perp\u00e9tua.<br \/>\nDurante todos estes epis\u00f3dios n\u00e3o faltaram a Dona Joana propostas de casamento com v\u00e1rios pr\u00edncipes, todas elas recusadas, em prol da sua religiosidade.<br \/>\nProva da estima que por ela tinha seu irm\u00e3o Dom Jo\u00e3o II confia-lhe, em 1481 a educa\u00e7\u00e3o de um seu bastardo, o pequeno Dom Jorge, que caso in\u00e9dito, e por privil\u00e9gio singular em Portugal, se realizou dentro da clausura do Convento. Mais tarde, reconhecidamente, o jovem dedicou \u00e0 tia v\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas, exaltando-lhe as virtudes e o bom gosto.<br \/>\nDurante toda esta vida de recolhimento, Dom Afonso V outorgou-lhe uma ten\u00e7a para sustento das suas necessidades. Renda acrescida, mais tarde, por Dom Jo\u00e3o II \u2013 e para educa\u00e7\u00e3o de Dom Jorge \u2013, por v\u00e1rios senhorios e rendas, entre eles o da vila de Aveiro.<\/p>\n<p>Mas, o correr dos anos n\u00e3o perdoa e, depois de uma vida edificante em obras de benefic\u00eancia, Dona Joana morre as 38 anos (1490), suportando com a maior resigna\u00e7\u00e3o religiosa os sofrimentos decorrentes da doen\u00e7a que contraiu.<\/p>\n<p><strong>T\u00famulo da Princesa Santa Joana<\/strong><\/p>\n<p>No coro &#8211; santu\u00e1rio do Mosteiro de Jesus, envolvido por uma decora\u00e7\u00e3o parietal de talha, azulejos e m\u00e1rmores, sob tecto policromo, encontra-se este t\u00famulo, trabalho portugu\u00eas ao gosto italiano, bel\u00edssimo exemplar de m\u00e1rmores embutidos policromos. A arca tumular, sustentada por anjos-crian\u00e7as e assente num bloco central, onde de cada lado est\u00e1 esculpida uma f\u00e9nix a renascer, ostenta nas faces decora\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos entre motivos vegetalistas.<\/p>\n<p><strong>Advento da morte iniciou oculto<\/strong><\/p>\n<p>Longe de tudo acabar com a morte de Dona Joana, bem pelo contr\u00e1rio, teve in\u00edcio um culto popular em volta do local onde foi sepultada, junto aos degraus do coro baixo do Convento de Jesus. E o culto teve tal expans\u00e3o que, no dia 4 de Abril de 1693, o Papa Inoc\u00eancio XIII sancionou-o canonicamente pela emiss\u00e3o de uma bula. Mais tarde, foi aprovada a missa e o of\u00edcio lit\u00fargico para Portugal e toda a Ordem Dominicana.<br \/>\nJ\u00e1 em 1749, foi tentado o processo de canoniza\u00e7\u00e3o da Infanta Dona Joana, aprovado pelo Papa Bento XIV, a 17 de Mar\u00e7o de 1756, que, no entanto, por motivos desconhecidos, n\u00e3o chegou a ser formalizado. Santa Princesa \u00e9 o nome pelo qual ficou conhecida popularmente a Infanta Dona Joana, constitu\u00edda, pela Santa S\u00e9, em padroeira da diocese de Aveiro.<\/p>\n<p><strong>A lenda da morte da Princesa<\/strong><\/p>\n<p>Naquele m\u00eas de Maio, os jardins e o pomar do Mosteiro de Jesus, em Aveiro, estavam floridos e verdejantes como nunca se vira.<\/p>\n<p>Muitas plantas tinham sido dispostas e regadas carinhosamente pelas m\u00e3os da Princesa Santa Joana, que nesse Mosteiro vivia.<br \/>\nO melhor recreio da filha de Dom Afonso V era deixar a sua cela e passear com as outras freiras \u00e0 sombra daquelas \u00e1rvores e no meio daquelas flores.<br \/>\nChegara, por\u00e9m, o fim da Santa Princesa. Todos os sinos das igrejas dobravam a finados, e no Mosteiro ia um choro alto, porque ela deixara de viver.<br \/>\nPreparam-lhe o t\u00famulo no coro da igreja e organizam o cortejo funer\u00e1rio desde a cela, passando pelos jardins, para que a vissem pela \u00faltima vez as plantas que ela estimara tanto.<br \/>\nDeu-se ent\u00e3o um caso maravilhoso! \u00c0 passagem do enterro, come\u00e7aram a murchar todas as ervas e a desfolhar-se as flores. As folhas e os frutos novos secaram nas \u00e1rvores e foram caindo tristemente sobre o caix\u00e3o.<br \/>\nNingu\u00e9m p\u00f4de conter as l\u00e1grimas, ao ver que a pr\u00f3pria natureza tomava parte no sentimento que, pela morte da Santa, encheu a Corte e o Reino de Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abA Santa Princesa de Aveiro\u00bb, por Padre Moreira das Neves &nbsp; A Santa Princesa de Aveiro Filha de Dom Afonso V e da Rainha Dona Isabel, a Infanta Joana nasceu em Lisboa em 6 de<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2015\/01\/22\/artigo-a-santa-princesa-de-aveiro-por-padre-moreira-das-neves\/\"> Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":175,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[20,2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media\/175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}