{"id":117,"date":"2015-01-20T17:44:23","date_gmt":"2015-01-20T17:44:23","guid":{"rendered":"https:\/\/princesajoanadeportugal.wordpress.com\/?p=117"},"modified":"2015-01-20T17:44:23","modified_gmt":"2015-01-20T17:44:23","slug":"httpwww-prof2000-ptusershjcoaderavpatrimoniospatrim10_111-htm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2015\/01\/20\/httpwww-prof2000-ptusershjcoaderavpatrimoniospatrim10_111-htm\/","title":{"rendered":"A Vinda de Santa Joana para Aveiro e seu impacto local"},"content":{"rendered":"<pre>AUTOR:\u00a0Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Rebocho Christo\nFONTE:\u00a0\"Patrim\u00f3nios\" \u2013 n.\u00ba 10, Julho 2013, Ano XXXIV, 2\u00aa s\u00e9rie, p\u00e1gs. 111 a 142.<\/pre>\n<p><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/157_aveiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-118 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/157_aveiro.jpg?w=191\" alt=\"157_Aveiro\" width=\"375\" height=\"576\" \/><\/a><\/p>\n<p>Desde Marques Gomes, que publica em 1879 o \u201cEsbo\u00e7o Biogr\u00e1fico de D. Joanna de Portugal\u201d, que s\u00e3o levantadas v\u00e1rias quest\u00f5es acerca da historicidade de muitos elementos que, nos textos hagiogr\u00e1ficos, ou seja os que saem da pena de elementos do clero, eram veiculados como correspondendo \u00e0 exist\u00eancia aut\u00eantica da Princesa, e sobre os quais se divulga a sua hist\u00f3ria de vida e se constr\u00f3i a sua iconografia.<\/p>\n<p>Diz este histori\u00f3grafo aveirense: \u00abOs bi\u00f3grafos de D. Joana sa\u00eddos com rar\u00edssimas excep\u00e7\u00f5es dos claustros, n\u00e3o podiam talvez deixar de cercar de sucessos milagrosos o vulto simp\u00e1tico da filha de D. Afonso V, e \u00e9 s\u00f3 assim que se explica a sua convic\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s na apar\u00eancia sincera, com que relatam factos, que de forma alguma podiam ter lugar, como s\u00e3o os dos casamentos com alguns daqueles monarcas. Seria demasiado longo, e at\u00e9 mesmo fastidioso, o rebater, nesta parte, os bi\u00f3grafos, cada um de per si, e mesmo \/ p. 112 \/ porque todas as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o compendiadas na Hist\u00f3ria de S\u00e3o Domingos, pelo cl\u00e1ssico e brilhante cronista desta ordem. Frei Lu\u00eds de Sousa, seguiu \u00e9 verdade, pela vereda dos mais cronistas, mas f\u00ea-lo t\u00e3o primorosamente, escreveu num estilo t\u00e3o arrebatador, que a ele s\u00f3 devemos pedir as narra\u00e7\u00f5es dos factos de que nos estamos ocupando e que temos de condenar como absurdos.\u00bb<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Assim como para os tr\u00eas casamentos propostos, de que adiante se falar\u00e1, igualmente se questionam, em termos de consist\u00eancia hist\u00f3rica: o t\u00edtulo de princesa jurada em cortes e o seu uso perp\u00e9tuo; as motiva\u00e7\u00f5es para a vida claustral \u2013 se por um lado Rui de Pina aponta como raz\u00e3o do envio da Infante para Odivelas, aos 18 anos, a vontade de seu pai pois vivia \u201ccom t\u00e3o grande casa de donas e donzelas e oficiais como se fora Rainha; e porque fazia sem necessidade grandes despesas, e assim por se evitarem alguns esc\u00e2ndalos que em sua casa por n\u00e3o ser casada se podiam seguir\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> por outro lado, a sua estimada <em>bi\u00f3grafa<\/em>, e contempor\u00e2nea no Mosteiro de Jesus, Soror Margarida Pinheira, apresenta apenas uma vontade f\u00e9rrea e inabal\u00e1vel da Princesa em tomar votos de clausura, pela sua grande \u201cdeva\u00e7am\u201d, e relata a vida particular de D. Joana no Pa\u00e7o como profundamente devota e decorosa, proibindo os malabaristas e \u201cevitando jogos e vaydades\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, colocando-a em quase permanentes benfeitorias aos necessitados e em ora\u00e7\u00e3o frequente no seu orat\u00f3rio privativo e secreto, vestindo \u201cmordente l\u00e3\u201d e usando sil\u00edcios por debaixo dos \u201creais vestidos e toucado\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>; e, por \u00faltimo, tamb\u00e9m a reg\u00eancia que lhe \u00e9 atribu\u00edda, em 1471, aquando da campanha de Arzila em que participaram o Pai e \u00fanico Irm\u00e3o, o futuro D. Jo\u00e3o II, \u00e9 motivo de disson\u00e2ncia entre as fontes, pois quem fica na reg\u00eancia \u00e9 o Duque de Bragan\u00e7a, D. Fernando<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Nem os cronistas Dami\u00e3o de G\u00f3is nem Rui de Pina relatam a Infanta como regente, e a carta patente de D. Afonso V \u00e9 clara quando incumbe a reg\u00eancia a D. Fernando.<\/p>\n<p>Concordam, contudo, estes diversos autores nos seus atributos de beleza, de bondade e de \u201conesta e muy virtuosa vida\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> e a sua vasta cultura.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Biografia\">Biografia<\/a>, que \u00e9 parte da <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hist%C3%B3ria\">Hist\u00f3ria<\/a>, o hagiol\u00f3gio n\u00e3o tem a preocupa\u00e7\u00e3o com o registo de factos \u2013 mas sim da vida piedosa do biografado, o que mais importa \u00e0s religiosas. Isso significa uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com os fen\u00f3menos da f\u00e9 e uma valora\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es e lendas em detrimento dos factos hist\u00f3ricos, propriamente ditos. \u00c9 este o caso da grande fonte para o conhecimento da vida de D. Joana, na qual podemos reconhecer todo o repert\u00f3rio de exemplo moral e iconogr\u00e1fico, o inestim\u00e1vel c\u00f3dice quinhentista \u201cCr\u00f3nica da Funda\u00e7\u00e3o do Mosteiro de Jesus, de Aveiro, e Memorial da Infanta Santa Joana Filha Del Rei Dom Afonso V. Nele encontramos o <em>memorial da muito excelente princesa e muito virtuosa Senhora a senhora Infante dona Joana nossa Senhora<\/em>, texto que certamente recebeu contributos v\u00e1rios das religiosas que conviveram com a Princesa e que se tornar\u00e1 a base dos processos can\u00f3nicos, Ordin\u00e1rios e Apost\u00f3licos, organizados para a causa da beatifica\u00e7\u00e3o da Infanta a partir de 1626, que atesta \/ p. 113 \/ o <em>culto, venera\u00e7\u00e3o, prod\u00edgios e maravilhas da Infanta<\/em> que viria a ser beatificada em 1693, pelo Papa Inoc\u00eancio XII. O Processo Apost\u00f3lico posterior, que visava a Canoniza\u00e7\u00e3o, corrido em Coimbra, de 1749 a 1752, n\u00e3o foi consequente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" aligncenter\" src=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10\/Patrim10_113A.jpg\" alt=\"\" width=\"518\" height=\"603\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" aligncenter\" src=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10\/Patrim10_113B.jpg\" alt=\"\" width=\"531\" height=\"558\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><i>Cr\u00f3nica da Funda\u00e7\u00e3o do Mosteiro de Jesus de Aveiro e Memorial da Princesa D. Joana.<\/i><\/p>\n<p align=\"center\">Margarida Pinheira (atr.) \u2013 S\u00e9c. XV-XVI (1513).<br \/>\nMuseu de Aveiro \u2013 Sec\u00e7\u00e3o de Reservados \u2013 Inv.\u00ba 33\/CD<\/p>\n<p>Em termos de textos impressos, eles n\u00e3o acrescentam novidades substantivas em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cMemorial\u201d, como, por exemplo obra de Frei Nicolau Dias, \u201cVida da Seren\u00edssima Princesa Dona Ioana\u201d (Lisboa, 1585), a primeira biografia impressa da filha de D. Afonso V; a \u201cVirtuosa Vida e Sancta Morte da Princesa Dona Joana\u201d de D. Fernando Correa de Lacerda, Bispo do Porto (1674); o \u201cC\u00e9o aberto na terra\u201d do Padre Francisco de Santa Maria (1697); e deixando por referir muitos outros textos escritos em portugu\u00eas, latim, castelhano e franc\u00eas, serm\u00f5es e Ora\u00e7\u00f5es paneg\u00edricas dadas ao prelo, a obra de D. Ant\u00f3nio Caetano de Sousa, \u201cHist\u00f3ria Geneal\u00f3gica da Casa Real Portuguesa\u201d, dedicada a D. Jo\u00e3o V em 1737) e o \u201cFlos Sanctorum\u201d de Frei Diogo do Ros\u00e1rio, impresso em Lisboa em 1741.<\/p>\n<p>Esta lista, se melhor m\u00e9rito n\u00e3o tem, pelo menos certifica que o texto produzido em Aveiro tem uma sobrevida secular, espalhando n\u00e3o s\u00f3 no Reino de Portugal, como em Espanha, Fran\u00e7a, Flandres e It\u00e1lia a fama e virtudes caritativas de D. Joana, a Princesa de Aveiro. <span style=\"color:#ff0000;font-family:Arial;font-size:xx-small;\">\u00a0\/ p. 114 \/<\/span><\/p>\n<p>Num mundo em que o saber ler era invulgar, estes textos serviam de igual modo de base \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de imagens, de conte\u00fado acess\u00edvel a um p\u00fablico alargado, franqueando n\u00e3o apenas a vida mas sobretudo o exemplo maior das qualidades da Princesa que deviam ser mimetizadas pelos devotos. A partir da beatifica\u00e7\u00e3o (1693), e com a faculdade de ser venerada nos altares, as freiras do Mosteiro de Jesus encetam diversas campanhas art\u00edsticas que enobrecem os espa\u00e7os conventuais e potenciam o fervor pela Beata Joana. O museu de Aveiro, sucessor neste esp\u00f3lio not\u00e1vel, a ele deve ser considerado o museu do barroco em Portugal. A euforia era geral e os esfor\u00e7os das monjas iam no sentido de enaltecer a sua Princesa Santa, entrando em vastos programas decorativos a ela dedicados e que agora nos guiar\u00e3o ao perscrutar a sua <i>biografia<\/i>. No mosteiro de Jesus existem tr\u00eas grandes programas narrativos elaborados entre 1711 e 1734. Os dois primeiros situam-se na capela-mor da igreja, e o terceiro, mais tardio, \u00e9 o da Sala de Lavor, que data de 1734 e do qual nos socorreremos para ilustrar os passos mais expressivos da exist\u00eancia da Beata D. Joana de Portugal. S\u00e3o cerca de 20 anos que bem demonstram o esp\u00edrito da casa e a necessidade que sentem, em p\u00fablico ou privado, de ter acess\u00edvel e divulgar a not\u00edcia da sua virtuosa vida e dos seus milagres.<\/p>\n<p>Comum a todos \u00e9 o anacronismo do vestu\u00e1rio e dos ambientes, sendo o representado correspondente ao tempo da execu\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n<div style=\"width: 933px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10\/Patrim10_114.jpg\" alt=\"\" width=\"923\" height=\"718\" \/><p class=\"wp-caption-text\">nascimento de Santa Joana<\/p><\/div>\n<p>A Princesa D. Joana nasce no dia 6 de Fevereiro de 1452, no Pa\u00e7o Real, fruto do cons\u00f3rcio de D. Afonso V com D. Isabel de Coimbra e teve como ama D. Brites de Meneses, aia da rainha que havia sido casada com Aires Gomes da Silva, Senhor de Vagos, homem da confian\u00e7a do Infante D. Pedro. Diz o Memorial que \u201cvindo o tempo do parto e alumiando-a Deus (refere-se \u00e0 Rainha D. Isabel) pariu uma filha a mais formosa e bela criatura que neste mundo pudesse ser achada e vista\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> a qual teve por nome de baptismo Joana, pela grande devo\u00e7\u00e3o e favor que a sua M\u00e3e tinha com S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista. O acontecimento foi vivamente festejado, uma vez que do casal ainda n\u00e3o havia descend\u00eancia que garantisse o trono, quest\u00e3o que acompanhar\u00e1 a Princesa por toda a vida: a fragilidade na linha de sucess\u00e3o e a eventual necessidade de ser ela a dar-lhe continuidade como \u201cPrincesa Jurada\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o testemunho das suas contempor\u00e2neas, a Princesa \u201cEra no rosto e no corpo mui aposta. A frente mui graciosa. Os olhos verdes mui fermosos. O nariz me\u00e3o e de boa fei\u00e7\u00e3o. A boca grossa e revolta. Rostro redondo, o car\u00e3o alvo com algua canta quer cor bem posta. Muito fermosa graganta e m\u00e3os mais do que se pudesse achar e ver noutra mulher, alta e grande de corpo direito. Mui aposto e airoso.\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> E \u201cVoava por todas as partes da cristandade a fama de excelencia de formosura\u2026 desta infante princesa. E a todos os reis e pr\u00edncipes dos diversos reinos punha em grande cobi\u00e7a de a ver e ouvir. E porque lhes era imposs\u00edvel pela grande dist\u00e2ncia e alongamento dos reinos e terras mandavam pintores mui perfeitos que a vissem e tirassem polo natural. Para poderem assi pintada gozar de tanta formosura\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10\/Patrim10_116.jpg\" alt=\"\" width=\"902\" height=\"651\" \/><\/p>\n<p>Auxilia-nos agora o programa narrativo mais extenso, provavelmente desenhado pelas encomendantes dom\u00ednicas, o da Sala de Lavor, espa\u00e7o em que morreu a Princesa e que primitivamente era a Casa dos Bordados. Ficando D. Joana doente levaram-na para este lugar, maior e mais arejado que os seus aposentos e onde podia usufruir de maior companhia e assist\u00eancia. \u00c0 sua morte, e por ter desde logo fama de santidade, n\u00e3o mais foram feitos trabalhos manuais nesta depend\u00eancia, tendo servido de cart\u00f3rio onde se reuniram os documentos dos processos de beatifica\u00e7\u00e3o e, depois desta, \u00e9 transformada em capela relic\u00e1rio dedicada \u00e0 sua mem\u00f3ria. <span style=\"color:#ff0000;font-family:Arial;font-size:xx-small;\">\u00a0\/ p. 117 \/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:Arial;\">Era natural que D. Afonso V e o Pr\u00edncipe Perfeito quisessem um enlace com uma casa real europeia mas, em boa verdade, nenhum dos cronistas refere estas dilig\u00eancias. Seriam tratadas em \u201cprivado\u201d? Parece<\/span><strong>&#8211;<\/strong>nos um argumento pouco consistente pois estas uni\u00f5es pressupunham grandes media\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das quais n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia. No entanto existem refer\u00eancias em Rui de Pina, Dami\u00e3o de G\u00f3is ou em Garcia de Resende de manobras diplom\u00e1ticas com as cortes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais se ambiciona, como atesta o \u201cMemorial\u201d, o enlace, e s\u00e3o elas a Inglaterra, a Fran\u00e7a e o Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico. Pode, \u00e0 falta de dados mais consistentes, imaginar-se que, tendo acesso ao conte\u00fado daquelas cr\u00f3nicas, fossem os dados metamorfoseados em esponsais. Al\u00e9m do mais era altamente dignificante e significativo que, para al\u00e9m de prescindir dos apan\u00e1gios de Princesa, D. Joana tenha tamb\u00e9m abdicado das coroas reais, pondo em evid\u00eancia a op\u00e7\u00e3o feita de viver pobre e em clausura, apartada de toda a mundanidade. E toda esta encena\u00e7\u00e3o ganhava ainda cr\u00e9ditos quando, por vontade divina, os pretendentes morriam antes que o contracto dos nubentes pudesse ser realizado &#8211; n\u00e3o era esse o esposo que queria a Infanta, mas sim o Alt\u00edssimo como refere o \u201cMemorial\u201d, pondo-se o pr\u00f3prio Deus solid\u00e1rio com a op\u00e7\u00e3o tomada e tomando-se a alegoria por milagre! Daqui nasce o seu elemento iconogr\u00e1fico mais marcante: as tr\u00eas coroas reais ca\u00eddas a seus p\u00e9s.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 circunst\u00e2ncia do seu eventual casamento, e que nem sempre \u00e9 notada, nunca \u00e9 referida, p. ex, no Memorial, est\u00e3o as dilig\u00eancias para a casar com D. Diogo, Duque de Viseu, cunhado de D. Jo\u00e3o II e irm\u00e3o do futuro D. Manuel I. D. Diogo, ap\u00f3s ter conjurado contra o soberano ser\u00e1 assassinado pelo pr\u00f3prio Pr\u00edncipe Perfeito, em Palmela, no ano de 1484.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117a.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-119\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117a.jpg?w=209\" alt=\"Patrim10_117A\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117a.jpg 479w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117a-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117b.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-120\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117b.jpg?w=205\" alt=\"Patrim10_117B\" width=\"205\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117b.jpg 458w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_117b-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118a.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-121\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118a.jpg?w=205\" alt=\"Patrim10_118A\" width=\"205\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118a.jpg 462w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118a-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118b.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-122\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118b.jpg?w=198\" alt=\"Patrim10_118B\" width=\"198\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118b.jpg 464w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_118b-198x300.jpg 198w\" sizes=\"(max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A primeira tela da s\u00e9rie (\u00e0 esquerda) mostra um rei que recebe um embaixador, o qual lhe exibe um retrato de D. Joana, evidentemente uma alus\u00e3o a estas afamadas propostas de casamento. A segunda \u00e9 a f\u00f3rmula pintada da recep\u00e7\u00e3o que a Princesa faz ao Pai no regresso vitorioso de Arzila, conquista do Africano que as m\u00edticas Tape\u00e7arias de Pastrana virtuosamente real\u00e7am e engrandecem, para a qual vestiu de verde, conforme os relatos do \u201cMemorial&#8221;. \u00c9 o momento em que a sua elevada cultura humanista se revela pois, uma vez que n\u00e3o era vontade geral que entrasse em vida claustral engendra pedir ao Africano que, seguindo o exemplo dos grandes imperadores da antiguidade que entregavam ao templo uma filha em gratid\u00e3o por uma vit\u00f3ria, assim ele, grande monarca o deveria fazer e deix\u00e1-la cumprir os seus desejos.<\/p>\n<p>Assim aconteceu. Ap\u00f3s uma curta passagem por Odivelas ruma ao norte, na viagem, tendo primeiramente dito ao soberano que iria para Coimbra, onde ficaria no Mosteiro de Santa Clara satisfazendo as preocupa\u00e7\u00f5es paternas, pede para que este destino seja trocado por Aveiro onde conhecia, por ep\u00edstolas trocadas com D. Leonor de Meneses, a virtuosidade e beatitude do Mosteiro de Jesus.<\/p>\n<p>Chegou acompanhada do Pai e do irm\u00e3o assim como a tia, D. Filipa, e escoltada por D. Micia Alvarenga. Para a receberem, na portaria do convento, estavam a Prioresa, D. Brites Leit\u00e3o, a Madre Maria de Ata\u00edde e outras religiosas das mais antigas. Ao fundo vemos as carruagens que transportaram o s\u00e9quito que veio de Lisboa a acompanhar<span style=\"color:#ff0000;font-family:Arial;font-size:xx-small;\"> \/ p. 119 \/ <\/span>D. Joana e, sobre o lado esquerdo da tela, \u00e9 poss\u00edvel ver o portal da Igreja do mosteiro dos Dominicanos, respons\u00e1vel pela assist\u00eancia espiritual ao Convento de Jesus. Sobre o campan\u00e1rio est\u00e1 o \u201ccometa\u201d, a estrela brilhante que paira nos c\u00e9us de Aveiro anunciando a chegada da Princesa e que se extingue no dia da entrada, a 4 de Agosto de 1472 e faz conjunto com diversas premoni\u00e7\u00f5es que aludem \u00e0 sua vinda para a Bruges portuguesa ou a Paris de Portugal, ep\u00edteto com que um autor se refere a Aveiro pela eleg\u00e2ncia das suas gentes e da pr\u00f3pria vila, nobre e not\u00e1vel, que Pinho Queimado, no final de Seiscentos, descreve cheia de cor, jardins e fontes.<\/p>\n<p>Do lado direito vemos a \u201cTomada de h\u00e1bito\u201d. Esta revela-nos o epis\u00f3dio que tem lugar na Sala do Cap\u00edtulo, a 25 de Janeiro de 1475, quando Santa Joana decide vestir o h\u00e1bito da Ordem Dominicana, \u00e0 rebeldia do Pai e irm\u00e3o e contra a vontade da corte e povos do reino que veementemente se insurgiam contra a sua entrada em religi\u00e3o. Desde sempre pesou sobre ela a necessidade de poder ter de vir a garantir a sucess\u00e3o na coroa, o que era incompat\u00edvel com os votos de clausura, raz\u00e3o pela qual viver\u00e1 como \u201cReligiosa n\u00e3o professa\u201d, com h\u00e1bito branco de novi\u00e7a, cumprindo escrupulosa e benignamente todas as tarefas e limita\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 vida claustral, e apaziguando, por esta via, os que lhe eram contr\u00e1rios. \u00c9 a prioresa, D. Brites Leit\u00e3o, que cumpre o ritual do corte do cabelo, protesto de humildade e ren\u00fancia de vaidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119a.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-123\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119a.jpg?w=208\" alt=\"Patrim10_119A\" width=\"208\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119a.jpg 486w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119a-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119b.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-124\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119b.jpg?w=185\" alt=\"Patrim10_119B\" width=\"185\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119b.jpg 441w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_119b-185x300.jpg 185w\" sizes=\"(max-width: 185px) 100vw, 185px\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family:Arial;\">Apesar de estar j\u00e1 no Mosteiro aveirense, o Pr\u00edncipe Perfeito faz diversas investidas para que a sua \u00fanica irm\u00e3 renuncie \u00e0 clausura. Num destes epis\u00f3dios, D. Brites, a Prioresa, escusa-se com D. Jo\u00e3o por n\u00e3o mandar para fora do convento a Princesa, pois, argumenta, como poderia ter autoridade para tal face \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de nascimento de D. Joana; no claustro superior est\u00e1 D. Garcia de Menezes, Bispo de \u00c9vora, que a tenta convencer a partir para a corte. Esta vinda a Aveiro provocou a ira ao Pr\u00edncipe Perfeito que d\u00e1 asas ao \u201cseu g\u00e9nio mal sofrido\u201d amea\u00e7ando a irm\u00e3 de lhe rasgar o h\u00e1bito e de a levar \u00e0 for\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>Os surtos de peste que ent\u00e3o assolavam o territ\u00f3rio nacional traziam preocupa\u00e7\u00f5es acrescidas quanto \u00e0 sa\u00fade e sobre vida da Princesa e levar\u00e3o a que por algumas vezes tenha de ser retirada do claustro aveirense. Na tela do lado direito vemos a Infanta quando \u00e9 for\u00e7ada a sair do convento, em 1479, por um surto de peste ter assolado a Vila. Acompanha-a D. Brites Leitoa que facilmente se denuncia pelo bord\u00e3o de Prioresa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_120.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-125\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_120.jpg?w=180\" alt=\"Patrim10_120\" width=\"180\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_120.jpg 415w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_120-180x300.jpg 180w\" sizes=\"(max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na presente cena d\u00faplice vemos, em primeiro plano, D. Jo\u00e3o que tenta convencer a irm\u00e3 a aceitar uma nova uni\u00e3o; em segundo plano a denominada \u201cVis\u00e3o do Anjo\u201d. Mais uma vez se retoma o tema das propostas de casamento e, estando a Princesa desesperada com a press\u00e3o que sofria aparece-lhe um anjo que lhe traz esta missiva \u201cn\u00e3o entriste\u00e7as Joana pois o teu Divino Esposo ouviu o teu rogo\u201d e n\u00e3o tardou a not\u00edcia da morte de mais este pretendente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_121.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-126\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_121.jpg?w=241\" alt=\"Patrim10_121\" width=\"241\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_121.jpg 553w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_121-241x300.jpg 241w\" sizes=\"(max-width: 241px) 100vw, 241px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o da Morte da Princesa, ocorrida a 12 de Maio de 1490, encima o altar da capela. No leito jaz D. Joana e \u00e9 o momento em que a sua alma sai pela boca e entra nos c\u00e9us, onde a esperam em g\u00e1udio os anjos e os Santos. Todo o cen\u00e1rio \u00e9 conforme ao \u201cMemorial\u201d destacando-se o crucifixo que tinha na m\u00e3o quando morreu, assim como o cirial que tocou momentos antes. O aparato desta representa\u00e7\u00e3o faz jus a Cataldo S\u00edculo, grande poeta e humanista que estava encarregue da educa\u00e7\u00e3o do sobrinho da Princesa, D. Jorge que com ela vivia, quando o letrado escreve \u201cEst\u00e1s de cama, enferma, em leito que, segundo corre fama, \u00e9 opulento\u201d .<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" width=\"50%\">\u00c9 com profundo pesar e copiosas l\u00e1grimas que todos se despedem da Senhora D. Joana e, no seu funeral, acontece um dos seus mais solenizados milagres. Para ele vieram \u201cos bispos de Coimbra e do Porto revestidos em pontifical, com tudo o que havia de cl\u00e9rigos e religiosos na vila lhe fizeram as ex\u00e9quias e amortalhada no h\u00e1bito de S\u00e3o Domingos foi metida num caix\u00e3o e levada \u00e0 sepultura\u201d<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> sendo nesta altura que a natureza se revela, murchando todas as flores \u00e0 passagem do cad\u00e1ver da Princesa.<\/td>\n<td width=\"50%\">\u00a0<a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_122.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-127\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_122.jpg?w=236\" alt=\"Patrim10_122\" width=\"236\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_122.jpg 547w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_122-236x300.jpg 236w\" sizes=\"(max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"50%\">\u00d3leo s\/ tela \u2013 c.1734 \u2013 Sala de Lavor \u2013 Museu de Aveiro<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>E \u00e9 este o registo que nos deixa da princesa aquela que \u00e9 considerada a ultima grande cr\u00f3nica medieval portuguesa, sobre o qual se vai projectar a sua memoria que, at\u00e9 hoje, na esfera emotiva e devota, preservamos e atrav\u00e9s da qual se atesta o seu culto imemorial, fundamento primacial do seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o. No entanto importa n\u00e3o deixar no esquecimento a sua hist\u00f3ria, o que as fontes que n\u00e3o religiosas nos transmitem, talvez uma imagem outra, mas seguramente complementar, da entourage desta Infante-Princesa que nos permite conhec\u00ea-la melhor e melhor compreender a sua import\u00e2ncia nacional e local. \/ p. 123 \/<\/p>\n<p>Da m\u00e3e, D. Isabel de Coimbra, que morre em 1455, tendo a menina 3 anos, bebe o exemplo do homem excepcional que foi o seu av\u00f4, o Infante D. Pedro, \u00e1vido de cultura, viajado e de uma craveira not\u00e1vel. Como era uso no seu tempo ter\u00e1 sido amamentada at\u00e9 aos 2 ou 4 anos por amas de leite, cuja fun\u00e7\u00e3o era garantir a sua boa sa\u00fade e crescimento, as quais sabemos terem sido M\u00e9cia de Siqueira e Beatriz Alvares, cuvilheira da Princesa. Do pai, e sustentado nas indica\u00e7\u00f5es para a educa\u00e7\u00e3o dos pr\u00edncipes propostas um s\u00e9culo antes por Gil de Roma no seu <em>De regimine principum<\/em>, ter\u00e1 recebido orienta\u00e7\u00f5es que, por ser do sexo feminino, levavam a guard\u00e1-la e evitar passeios, sobretudo a partir dos 12 anos. Esteve rodeada ao longo do seu crescimento de nobres de reputada fama e bons costumes, como D. Beatriz de Meneses, D. Beatriz de Vilhena ou mesmo a Tia, D. Filipa. Esta uma senhora de reconhecida e elevada cultura que possu\u00eda livros de Ora\u00e7\u00f5es e de Gram\u00e1tica. Na sua forma\u00e7\u00e3o ter\u00e1 sido ainda presente o <em>Livro das tr\u00eas virtudes<\/em>, ou <em>Espelho de Cristina<\/em>, de Christine de Pisan, cuja tradu\u00e7\u00e3o fora ordenada pela rainha D. Isabel. Uma obra que, como refere Cristina Pimenta, poder\u00e1 ter feito parte dos seus horizontes de interesse, destinado a todas as princesas e outras damas de elevado estatuto social pretende dot\u00e1-las de um modelo de comportamento inspirado pela devo\u00e7\u00e3o a Deus (e cujo reflexo pode visto no uso elegante e assertivo da linguagem, nos gestos, no vestu\u00e1rio, etc) que pudesse ser imitado por todas as outras mulheres, como refere Pisan, \u201ctoda a princesa e grande senhora assy como e levantada em estado e honra sobre as outras que assy o deve ser em bondades e costumes e condi\u00e7\u00f5es por que ella seja exemplo\u201d, e mais adianta que quando \u201cfor de idade aprenda a leer e sayba suas horas\u201d. N\u00e3o se deve ainda descartar a import\u00e2ncia da leitura das <em>Confiss\u00f5es<\/em> de Santo Agostinho, para al\u00e9m da <em>B\u00edblia<\/em>, <em>Actos dos Ap\u00f3stolos<\/em> ou dos <em>Brevi\u00e1rios<\/em>, e continuamente os livros, fonte de conhecimento, que tanto a v\u00e3o preocupar por serem escassos no mosteiro promovendo a sua aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A par desta forma\u00e7\u00e3o mais erudita, foi igualmente adestrada a costurar e a bordar.<\/p>\n<p>Coube a \u201cboa crea\u00e7\u00e3o, i ensino da Princeza D. Joanna (\u2026)\u201d, como refere Jorge Cardoso no seu <em>Agiologio,<\/em> a Frei Jo\u00e3o Rodrigues, do Convento de Santo El\u00f3i em Lisboa, a quem alguns autores associam a figura de Vasco Tenreiro, tal qual a de Gil Peres, e para seu confessor, no Pa\u00e7o, Jo\u00e3o de Airas que a acompanhar\u00e1 a Odivelas. J\u00e1 em Aveiro seriam seus confessores Frei Ant\u00e3o de Santa Maria de Neiva, Frei Jo\u00e3o Dias e Frei Paio de Lira e seu capel\u00e3o Diogo Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>A vinda da Princesa para Aveiro, a que carinhosamente chamava a \u201cminha Lisboa, a pequena\u201d, \u00e9 certamente um dos epis\u00f3dios mais relevantes que a urbe conheceu e nos fez a cidade e povo que hoje somos, conscientemente ou n\u00e3o. A express\u00e3o que usa de imediato nos deve servir de indicador. Havia poucos anos que o Infante D. Pedro patrocinara o estaleiro do convento da Miseric\u00f3rdia e a constru\u00e7\u00e3o da muralha que mais tarde permitiria a seguran\u00e7a da sua neta. Aveiro, a pequena Vila, crescia e nobilitava-se com particular aten\u00e7\u00e3o por parte de Afonso V. Procedendo de uma das capitais mais cosmopolitas e importantes do seu tempo, fervilhante de gentes e riquezas, \u00e9 interessante interpretar a designa\u00e7\u00e3o da Infante, como se assinava, e debuxar uma vila que, apesar de pequena, reunia condi\u00e7\u00f5es para receber uma Princesa que para ela capitalizava a aten\u00e7\u00e3o de todo um Reino. Uma vila cuja luz, especial pela presen\u00e7a excepcional da \u00e1gua, \/ p. 124 \/ atl\u00e2ntica e fluvial, faz lembrar a capital, e uma povoa\u00e7\u00e3o de voca\u00e7\u00e3o mar\u00edtima como o era Lisboa, onde pontuavam homens com a notoriedade de Jo\u00e3o de Albuquerque, Senhor de Angeja, por\u00e9m mais recatada e apta a cumprir os desejos de Dona Joana.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124a.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-128\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124a.jpg?w=210\" alt=\"Patrim10_124A\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124a.jpg 487w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124a-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124b.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-129\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124b.jpg?w=202\" alt=\"Patrim10_124B\" width=\"202\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124b.jpg 466w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_124b-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/a>Regra &#8211; As Ordens Religiosas s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es ou institutos religiosos reconhecidos pela Igreja Cat\u00f3lica, cujos membros (comummente conhecidos como &#8220;religiosos&#8221;) desejam alcan\u00e7ar o objectivo comum de dedicar formalmente sua vida a Deus. Assim, vivem unidos por uma regra estabelecida pelo fundador da dita ordem ou pela Igreja. A Ordem Dominicana rege-se pela Regra de Santo Agostinho. S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o MA Inv\u00ba 3\/A<\/p>\n<p>Em Aveiro a Princesa, apesar de satisfazer escrupulosamente os rigores claustrais, n\u00e3o deixava de ser quem era. Vivia em moradas pr\u00f3prias dentro do convento, edificadas em terrenos que pertenceram a Aires Gomes e teve a prerrogativa de criar o sobrinho D. Jorge, o qual era filho de D. Jo\u00e3o II que o teve em Ana de Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p>Pelas suas cartas apercebemo-nos do papel que continuava a ter como membro da casa real, caso da que passa, em 1471, aos \u201cju\u00edzes, vereadores, procurador, fidalgos, cavaleyros e escudeyros e poboo da muy nobre e leal cidade de Coimbra\u201d aos quais sa\u00fada e d\u00e1 a magna not\u00edcia das vit\u00f3rias de Arzila e T\u00e2nger, ou a datada de 4 de Outubro de 1487, escrita em Montemor, na qual pede, evitando a intromiss\u00e3o real directa e decididamente mais veemente, aos \u201cju\u00edzes, vereadores e procurador, e cavaleyros e escudeyros e poboo da muy nobre e sempre leal cidade do Porto\u201d para que libertem o embargo ao Cadamoz Novo, navio que tinha vindo da Madeira trazendo \u201cp\u00e3o\u201d e que urgia fazer chegar \u00e0 Vila que tinha dele grande necessidade pela peste que ent\u00e3o grassava. \/ p. 125 \/<\/p>\n<p>A partir de 19 de Agosto de 1485 \u00e9-lhe concedido o Senhorio de Aveiro, compreendendo os lugares de Eixo, Requeixo, \u00d3is, Paus, Vilarinho e Balasaima com todos os seus reguengos, foros e tributos, competindo-lhe a gest\u00e3o da vila e seus r\u00e9ditos, pedindo apenas escusa \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c0 hora da morte toda a comunidade religiosa se re\u00fane junto da Princesa e ao an\u00fancio do passamento Aveiro veste de luto pois perdera a magn\u00e2nima generosidade com que socorria a todos. \u00c0s freiras, suas companheiras, havia desaparecido aquela que com elas repartia as tarefas di\u00e1rias, fossem elas varrer, carretar p\u00e3o, tijolo, telha ou lenha, abdicando dos luxos inerentes \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o comendo e bebendo em malgas e n\u00e3o em baixela, haveria maior abnega\u00e7\u00e3o?! E se falamos em legado ter\u00e1 a primazia o exemplo na caridade, o dom que na Carta aos Cor\u00edntios se nos apresenta como a mais elevada virtude e a que mais agrada a Deus fazendo a sua escolha em plena liberdade, exemplo que nos fica como comunidade que tanto estima, abona e combate por este valor!<\/p>\n<p>Abordar a import\u00e2ncia local desta personagem \u00e9 redutor e de algum modo complexo, pois a sua monta ultrapassa em muito as fronteiras aveirenses e os limites do tempo, sendo Aveiro quem recolhe os dividendos da sua presen\u00e7a, no passado como hoje. Atrav\u00e9s dela o nome da Vila, depois Cidade, corre esferas por vezes surpreendentes. E falamos de algo que \u00e9 dif\u00edcil de mensurar: prest\u00edgio e notoriedade!<\/p>\n<p>Atrevemo-nos a buscar na tradi\u00e7\u00e3o da vida mon\u00e1stica uma m\u00e1xima que podemos replicar e aplicar a esta circunst\u00e2ncia: \u201cQuid quid monacus aquierat, monasterium aquiritur\u201d, neste caso com o sentido de que tudo o que foi adquirido ou obtido pela Princesa Santa Joana passou a ser nosso, como colectivo herdeiro dela!<\/p>\n<p>Ao Mosteiro, que deixa em testamento como legat\u00e1rio, outorga quase tudo de seu.<\/p>\n<p>Aveiro, n\u00e3o s\u00f3 o Mosteiro de Jesus, jamais seriam os mesmos a partir de 1472! N\u00e3o foi o acaso! Lembre-se, neste contexto e sem sermos fastidiosos ou termos a pretens\u00e3o de tudo conseguir elencar:<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que em 1492 leva \u00e0 concess\u00e3o ao Mosteiro de Jesus de um privil\u00e9gio, pelo qual eram escusados e guardados todos os seus caseiros, lavradores e v\u00e1rios servi\u00e7ais.<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que levou D. Jo\u00e3o II, em 1493, a conceder \u00e0 vila de Aveiro o relevante privil\u00e9gio de proibir que aqui morassem pessoas poderosas, para n\u00e3o serem prejudicados os seus habitantes que, na maioria, eram mareantes e pescadores.<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que em 1495 levou este mesmo rei a doar ao seu filho bastardo D. Jorge o senhorio de diferentes terras, entre as quais os lugares de S\u00e1 e de Verdemilho e a \u00abvilla de Aveiro com suas lez\u00edrias e ilhas de dentro da foz\u00bb, dando origem, no seu filho, D. Jo\u00e3o, ao ducado de Aveiro, com honras de parente, um t\u00edtulo de juro e herdade fora da lei mental que ficar\u00e1 na hist\u00f3ria pela sua grandeza e pelo receio que muitos poderosos, nos quais se contabilizam o Marqu\u00eas de Pombal, tinham da sua notoriedade, riqueza, cultura, poder e influ\u00eancia com lugar destacado na linha de sucess\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que levou D. Manuel I em 1499 a passar carta para o Mosteiro poder possuir todos e quaisquer bens de raiz j\u00e1 adquiridos, alargando-se em 1501 a poder haver e herdar bens de raiz ou outros, e a fazer ao Mosteiro a concess\u00e3o de a\u00e7\u00facar da Ilha da Madeira.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que elevou ao t\u00edtulo de Real o Mosteiro de Jesus, com todas as prerrogativas inerentes de protec\u00e7\u00e3o r\u00e9gia e que assim aparece nomeado desde 1499.<\/p>\n<div id=\"attachment_130\" style=\"width: 219px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_127b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-130\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-130\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_127b.jpg?w=209\" alt=\"Gravura a buril - 1621 \u2013  in, P. Ant\u00f3nio de Vasconcelos, Anacephalaeoses \u2013 MA, inv. 150\/Hg, e Gravura a buril - 1639 \u2013 in, Joanne Caramuel Lobkowitz, Philippus prudens Caroli V. Imp. Filius Lusitanae Algarbiae, Indiae, Brasiliae legitimus rex demonstratus \u2013 Col. Particular.\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_127b.jpg 497w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_127b-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-130\" class=\"wp-caption-text\">Gravura a buril &#8211; 1621 \u2013 in, P. Ant\u00f3nio de Vasconcelos, Anacephalaeoses \u2013 MA, inv. 150\/Hg, e Gravura a buril &#8211; 1639 \u2013 in, Joanne Caramuel Lobkowitz, Philippus prudens Caroli V. Imp. Filius Lusitanae Algarbiae, Indiae, Brasiliae legitimus rex demonstratus \u2013 Col. Particular.<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que fez com que os \u00c1ustrias tivessem acarinhado e privilegiado Aveiro. Este modelo de representa\u00e7\u00e3o da Princesa teve fortuna, desconhecendo-se em concreto por que via, sendo utilizado para a representar em gravura, na obra do P.e Jesu\u00edta, Ant\u00f3nio de Vasconcellos,<em>Anacephalaeoses<\/em>, em 1621, com desenho muito pr\u00f3ximo do original <em>vulto<\/em>, mas com um personagem de uma muito maior robustez. Dezoito anos mais tarde ser\u00e1 inclu\u00edda, com ligeiras altera\u00e7\u00f5es, na obra do monge cisterciense espanhol, Juan Caramuel Lobkowitz, na obra <em>Philipus Prudens<\/em>, de 1639. Rocha Madahil entende dever ser a mesma chapa, com altera\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel do colo que, por raz\u00f5es de decoro, foi tapado por uma camisa que o omite totalmente. O uso da ef\u00edgie nas duas obras, associado \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da linhagem dos monarcas portugueses, insere-se num programa de propaganda, tamb\u00e9m ela imag\u00e9tica que n\u00e3o apenas linhag\u00edstica, que justifica e legitima as pretens\u00f5es ao trono portugu\u00eas por parte de Filipe I, o Prudente, filho do Imperador Carlos V e da Infanta D. Isabel de Portugal (filha de D. Manuel) e casado com D. Maria \/ p. 128 \/ Manuela, esta filha de D. Jo\u00e3o III, estendendo-as a toda a sua gera\u00e7\u00e3o e integrando a coroa nacional na casa de Habsburgo.<\/p>\n<p>As \u00fanicas figuras femininas que Lobkowitz apresenta s\u00e3o a Rainha Santa Isabel e a Princesa Joana de Portugal, f\u00f3rmula que \u00e9 uma evidente tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o ao papado pois incluem sangue \u201csanto\u201d na sua linhagem, o que ganha realce se recordarmos que Carlos V promove o Saque de Roma, em 1527, com um banho de sangue que correu pelas ruas da cidade, e por todo o lado se verificaram pilhagens, viola\u00e7\u00f5es e torturas contra a popula\u00e7\u00e3o. Santa Isabel \u00e9 beatificada em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua santifica\u00e7\u00e3o, em 1625. Tamb\u00e9m o primeiro processo para beatifica\u00e7\u00e3o de D. Joana, 1626, data do tempo da monarquia dual, tal era o interesse dos \u00c1ustrias em apaziguar rela\u00e7\u00f5es com Roma e sacralizar a sua estirpe. Ainda em Aveiro, e sendo Prioresa D. In\u00eas de Noronha, que verificou n\u00e3o estar a Princesa Santa sepultada condignamente, foi dirigida uma peti\u00e7\u00e3o a Filipe II, em 1602, para que o monarca concedesse um subs\u00eddio para a execu\u00e7\u00e3o de um novo t\u00famulo, logo foi aceite concedendo 50 mil reis para a obra.<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"100%\">\u00a0<a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_128.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-medium wp-image-131 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_128.jpg?w=300\" alt=\"Patrim10_128\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_128.jpg 1025w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_128-300x200.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_128-768x513.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_128-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_128-780x521.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align:center;\" width=\"100%\">Convento de Santa Joana em Lisboa, Rua de Santa Marta.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que levou a que, em 1578, D. \u00c1lvaro de Castro, senhor de uma grande quinta situada adiante de Santa Marta, a tenha vinculado, antes de partir para \u00c1frica, \u00e0 comunidade dominicana do Convento de S. Domingos de Benfica, com a obriga\u00e7\u00e3o daquela at\u00e9 edificar um mosteiro da mesma ordem com todas as oficinas e afins. Esta congrega\u00e7\u00e3o desistiu do legado, passando-o para Frei Jos\u00e9 Galrano que, em 1699, mandou edificar, na dita propriedade, um Hosp\u00edcio de Mission\u00e1rios da \u00cdndia, dedicado a \/ p. 129 \/ El-Rei D. Pedro II e a Santa Joana, Princesa de Portugal, chamando para a obra o arquitecto r\u00e9gio Jo\u00e3o Antunes, o mesmo a quem D. Pedro encomenda o t\u00famulo de m\u00e1rmores policromos em que as rel\u00edquias da Padroeira se encontram hoje.<\/p>\n<p>Em 1755, o terramoto que assolou Lisboa fez alguns estragos neste convento que de masculino passava agora a receber as religiosas de Santa Joana. As freiras ali residentes, em sinal de agradecimento a Deus pelo facto de as ter preservado, acolheram in\u00fameras pessoas que ali recorriam, lutando para que ali se constru\u00edsse uma nova par\u00f3quia. Para ali transitaram as freiras do Mosteiro da Anunciada e algumas do Mosteiro da Rosa.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m n\u00e3o foi o acaso que levou a que neste cen\u00f3bio se fundasse a Irmandade dos Homens Pretos de Santa Joana, cujo objectivo era a missiona\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos escravos cristianizados, originalmente sob a \u00e9gide da Senhora do Ros\u00e1rio. J\u00e1 a Princesa, \u00e0s escravas que teve no Mosteiro tinha dado alforria em testamento, algumas das quais sabemos os nomes, Cristina, Joana e Catarina negra.<\/p>\n<div id=\"attachment_132\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129a.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-132\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-132\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129a.jpg?w=300\" alt=\"Igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, Roma. Capela-mor, pormenor do lado da Ep\u00edstola. \u00d3leo s\/ tela. Michelangelo Cerruti - c. 1722\" width=\"300\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129a.jpg 978w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129a-300x207.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129a-768x529.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129a-780x538.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-132\" class=\"wp-caption-text\">Igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, Roma. Capela-mor, pormenor do lado da Ep\u00edstola. \u00d3leo s\/ tela. Michelangelo Cerruti &#8211; c. 1722<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_133\" style=\"width: 208px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-133\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-133\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129b.jpg?w=198\" alt=\"Igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, Roma. Capela-mor, pormenor do lado da Ep\u00edstola. \u00d3leo s\/ tela. Michelangelo Cerruti - c. 1722\" width=\"198\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129b.jpg 457w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_129b-198x300.jpg 198w\" sizes=\"(max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-133\" class=\"wp-caption-text\">Igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, Roma. Capela-mor, pormenor do lado da Ep\u00edstola. \u00d3leo s\/ tela. Michelangelo Cerruti &#8211; c. 1722<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que levou a que dentro da \u201cPolitica Romana\u201d Joanina a Princesa integrasse o programa de Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses, em Roma, cuja decora\u00e7\u00e3o se centra nas invoca\u00e7\u00f5es nacionais e onde tem lugar de destaque, quer nos frescos tardios da c\u00fapula ao lado das beatas Teresa, Sancha e Mafalda quer, no per\u00edodo que nos importa, por Michelangelo Cerruti numa extraordin\u00e1ria tela datada de c.1722, colocada na capela-mor, do lado da ep\u00edstola. Representa um epis\u00f3dio relatado no \u201cMemorial\u201d quando D. Afonso V, ainda em Lisboa, lhe prop\u00f5e um casamento que a Princesa recusa, estando\/ p. 130 \/ mais empenhada nas coisas do C\u00e9u, como se v\u00ea pela sua atitude. Interessa a notoriedade de Santa Joana neste templo, por excel\u00eancia a embaixada nacional junto do Papado.<\/p>\n<p>Se tivermos em conta o impulso e patroc\u00ednio de D. Pedro II no processo de beatifica\u00e7\u00e3o, ao qual adere o pr\u00f3prio D. Jo\u00e3o V, no sentido da canoniza\u00e7\u00e3o que infelizmente n\u00e3o ser\u00e1 consequente, percebemos claramente quanto \u00e9 verdade que a politica romana nos surge j\u00e1 claramente esbo\u00e7ada no tempo de D. Pedro II e \u00e9, de facto, no reinado do seu filho que ela se configura abertamente em termos de estrat\u00e9gia de poder.<a href=\"http:\/\/www.prof2000.pt\/users\/hjco\/aderav\/patrimonios\/Patrim10_111.htm#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_134\" style=\"width: 272px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_130.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-134\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-134\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_130.jpg?w=262\" alt=\"Visita ao Real Mosteiro de Jesus - D. Manuel II, em 1908\" width=\"262\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_130.jpg 496w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_130-262x300.jpg 262w\" sizes=\"(max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-134\" class=\"wp-caption-text\">Visita ao Real Mosteiro de Jesus &#8211; D. Manuel II, em 1908<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que trouxe a Aveiro, a venerar as suas rel\u00edquias, o Rei D. Lu\u00eds, a Rainha D. Maria Pia, o Pr\u00edncipe D. Carlos e o Infante D. Afonso, assim como mais tarde viria D. Manuel II, em 1908, ou, j\u00e1 na rep\u00fablica, a visita oficial do Presidente da Rep\u00fablica, Almirante Am\u00e9rico Tom\u00e1s, que presidiria \u00e0s solenidades comemorativas do primeiro milen\u00e1rio de Aveiro e do segundo centen\u00e1rio da eleva\u00e7\u00e3o da antiga vila a cidade.<\/p>\n<p>Recuando um pouco, e apenas como li\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi o acaso que levou \u00e0 edi\u00e7\u00e3o, em 1682, em Veneza, de uma pe\u00e7a teatral e obra moral <i>I fallimenti di Corte di Muti<\/i>, obtida da vida de Santa Joana e oferecida a D. Manuel Jos\u00e9 Cortizos, Marqu\u00eas de Vilaflores, na qual h\u00e1 um curioso Henrique, que se enamora da Princesa e se traveste de freira para a tentar.<\/p>\n<div id=\"attachment_135\" style=\"width: 421px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131a.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-135\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-135\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131a.jpg?w=152\" alt=\"\u00d3leo s\/ tela \u2013 S\u00e9c. XVIII (?) \u2013 Elvas \u2013 Igreja de S\u00e3o Domingos \" width=\"411\" height=\"814\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131a.jpg 341w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131a-152x300.jpg 152w\" sizes=\"(max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-135\" class=\"wp-caption-text\">\u00d3leo s\/ tela \u2013 S\u00e9c. XVIII (?) \u2013 Elvas \u2013 Igreja de S\u00e3o Domingos<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_136\" style=\"width: 426px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-136\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-136 \" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131b.jpg?w=144\" alt=\"Patrim10_131B\" width=\"416\" height=\"867\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131b.jpg 325w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131b-144x300.jpg 144w\" sizes=\"(max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-136\" class=\"wp-caption-text\">\u00d3leo s\/ tela \u2013 S\u00e9c. XVIII \u2013 Lisboa \u2013 Igreja do Col\u00e9gio do Bonsucesso<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_137\" style=\"width: 441px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131c.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-137\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-137 \" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131c.jpg?w=210\" alt=\"Patrim10_131C\" width=\"431\" height=\"616\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131c.jpg 399w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131c-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 431px) 100vw, 431px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-137\" class=\"wp-caption-text\">\u00d3leo s\/ tela \u2013 S\u00e9c. XVII-XVIII \u2013 Gaia \u2013<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o acaso que leva a sua imagem, que veremos rapidamente, pintada ou esculpida, a estar presente em algumas das principais igrejas e mosteiros do reino (por exemplo em Elvas, Lisboa ou Gaia).<\/p>\n<div id=\"attachment_138\" style=\"width: 258px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131d.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-138\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-138 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131d.jpg?w=248\" alt=\"Patrim10_131D\" width=\"248\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131d.jpg 543w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131d-248x300.jpg 248w\" sizes=\"(max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-138\" class=\"wp-caption-text\">Ret\u00e1bulo da Capela de S\u00e3o Jorge, que pertenceu aos Navarros de Andrade \u2013 Meados do S\u00e9c. XVII &#8211; Guimar\u00e3es \u2013 hoje no Museu Alberto Sampaio, inv.\u00ba ED 2.<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_139\" style=\"width: 239px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131e.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-139\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-139 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131e.jpg?w=229\" alt=\"Patrim10_131E\" width=\"229\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131e.jpg 496w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_131e-229x300.jpg 229w\" sizes=\"(max-width: 229px) 100vw, 229px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-139\" class=\"wp-caption-text\">\u00d3leo s\/ t\u00e1bua \u2013 Princesa Santa Joana \u2013 Meados do S\u00e9c. XVII &#8211; Guimar\u00e3es \u2013 hoje no Museu Alberto Sampaio<\/p><\/div>\n<p>Em Guimar\u00e3es no ret\u00e1bulo dos Navarros de Andrade<\/p>\n<div id=\"attachment_140\" style=\"width: 229px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132a.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-140\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-140 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132a.jpg?w=219\" alt=\"Patrim10_132A\" width=\"219\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132a.jpg 552w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132a-219x300.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-140\" class=\"wp-caption-text\">Fresco &#8211; Taormina &#8211; San Domenico Palace &#8211; datado de 1621.<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_141\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-141\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-141 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132b.jpg?w=220\" alt=\"Patrim10_132B\" width=\"220\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132b.jpg 606w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132b-220x300.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-141\" class=\"wp-caption-text\">\u00d3leo s\/ tela \u2013 S\u00e9c. XVIII &#8211; Paris Col. particular<\/p><\/div>\n<p>Na Sic\u00edlia ou em Paris.<\/p>\n<div id=\"attachment_142\" style=\"width: 243px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132c.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-142\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-142 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132c.jpg?w=233\" alt=\"Patrim10_132C\" width=\"233\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132c.jpg 527w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132c-233x300.jpg 233w\" sizes=\"(max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-142\" class=\"wp-caption-text\">Madeira policromada e dourada \u2013 S\u00e9c. XVIII. Mosteiro de Santa Maria da Vit\u00f3ria da Batalha<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_143\" style=\"width: 233px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132d.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-143\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-143 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132d.jpg?w=223\" alt=\"Patrim10_132D\" width=\"223\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132d.jpg 505w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_132d-223x300.jpg 223w\" sizes=\"(max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-143\" class=\"wp-caption-text\">adeira policromada e dourada \u2013 S\u00e9c. XVIII. Igreja do Carmo &#8211; \u00c9vora<\/p><\/div>\n<p>Nas esculturas da Batalha e \u00c9vora ou mesmo a desaparecida escultura em N\u00e1poles, na Igreja do Mosteiro de S. Pedro e S. Sebasti\u00e3o, executada em m\u00e1rmore de Carrara da qual se conhece apenas a descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_144\" style=\"width: 175px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133a.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-144\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-144 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133a.jpg?w=165\" alt=\"Patrim10_133A\" width=\"165\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133a.jpg 432w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133a-165x300.jpg 165w\" sizes=\"(max-width: 165px) 100vw, 165px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-144\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de roca\/processional \u2013 S\u00e9c. XVIII \u2013 MA, inv.\u00ba 329\/B<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_145\" style=\"width: 232px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-145\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-145 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133b.jpg?w=222\" alt=\"Patrim10_133B\" width=\"222\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133b.jpg 509w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_133b-222x300.jpg 222w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-145\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de roca\/processional \u2013 S\u00e9c. XVIII \u2013 MA, inv.\u00ba 329\/B<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que levou a que, para impedir o empobrecimento das suas festividades se reconheceu que seria importante estabelecer uma confraria que tomasse a seu cargo a promo\u00e7\u00e3o dos seus festejos. Gera-se, ent\u00e3o, um grupo de cidad\u00e3os que ir\u00e1 elaborar os for\u00e7osos estatutos. S\u00e3o cento e dez signat\u00e1rios, entre os quais alguns dos nomes mais marcantes da urbe, fidalgos, capitalistas, pol\u00edticos e industriais. J\u00e1 aprovados pela autoridade administrativa foram assim sancionados pela autoridade eclesi\u00e1stica os \u201cEstatutos da Real Irmandade de Santa Joana Princeza de Portugal, Filha de ElRei D. Afonso V\u201d, que t\u00eam a data de 4 de Mar\u00e7o de 1877.<\/p>\n<p>Ainda hoje, e com o patroc\u00ednio dos nossos Bispos, com particular destaque para D. Jo\u00e3o Evangelista e D. Domingos da Apresenta\u00e7\u00e3o, a Real Irmandade toma a cargo a organiza\u00e7\u00e3o das festividades e a promo\u00e7\u00e3o junto das camadas mais jovens do exemplo de vida de Santa Joana.<\/p>\n<div id=\"attachment_146\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_134.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-146\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-146 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_134.jpg?w=300\" alt=\"Patrim10_134\" width=\"300\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_134.jpg 797w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_134-300x265.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_134-768x677.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_134-780x688.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-146\" class=\"wp-caption-text\">Santa Joanna, Livr\u00e1i-nos da p\u00e9ste &#8211; Gravura a buril \u2013 S\u00e9c. XIX \u2013 Col. Particular<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que nos fez socorrer, por sua intercess\u00e3o, do aux\u00edlio do Alt\u00edssimo em altura de grande afli\u00e7\u00e3o, como na peste oitocentista.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que fez com que o seu culto e mem\u00f3ria estivesse dispon\u00edvel em livros e revistas de larga difus\u00e3o, <i>A Branco e Negro<\/i>, em 1896, \u00e0 que se seguem e a t\u00edtulo de exemplo, a <i>Tal\u00e1briga<\/i>, em 1921, a <i>Beira Litoral<\/i>, em 1938, a <i>Flama<\/i>, a <i>Ilustra\u00e7\u00e3o Moderna<\/i>, a <i>Seara Nova<\/i>, a <i>Ilustra\u00e7\u00e3o Moderna<\/i>, a<i>Revista de cultura, economia e turismo, <\/i>a <i>Menina e Mo\u00e7a<\/i>, o <i>Portugal Ilustrado<\/i>, o <i>Guia de propaganda Comercial e industrial, <\/i>a <i>Revista Eva<\/i> que na edi\u00e7\u00e3o de Natal coloca, pela m\u00e3o da sua diretora a feminista e arrojada aveirense Carolina Homem Christo, a Princesa na capa. Reconhecem-se assim quer a superioridade da figura de D. Joana quer o significado que a sua presen\u00e7a em Aveiro tem, mesmo em termos de capta\u00e7\u00e3o de turistas que trazem consigo o desenvolvimento da economia local, criando emprego e riqueza.<\/p>\n<div id=\"attachment_147\" style=\"width: 227px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_135b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-147\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-147 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_135b.jpg?w=217\" alt=\"Patrim10_135b\" width=\"217\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_135b.jpg 253w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_135b-217x300.jpg 217w\" sizes=\"(max-width: 217px) 100vw, 217px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-147\" class=\"wp-caption-text\">Aveiro \u2013 o desfilar da prociss\u00e3o (Antiga Rua de Santa Joana, fronteira ao convento) In: Branco e Negro Semanario Illustrado, n.\u00ba 8, 24 de Maio de 1896.<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que salvou o vetusto Mosteiro de Jesus de Aveiro do destino da maioria das casas conventuais que a desamortiza\u00e7\u00e3o fez desaparecer, transformados em quart\u00e9is e servi\u00e7os p\u00fablicos. A presen\u00e7a das suas rel\u00edquias protegeu a Casa e permitiu que ainda hoje possamos usufruir dela, como museu, e nela perpetuar o culto.<\/p>\n<div id=\"attachment_149\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_136b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-149\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-149 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_136b.jpg?w=196\" alt=\"Patrim10_136B\" width=\"196\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_136b.jpg 467w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_136b-196x300.jpg 196w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-149\" class=\"wp-caption-text\">Imagem da Sta. Joana Princesa, em Votuporanga &#8211; Brasil<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_150\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137a.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-150\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-150 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137a.jpg?w=300\" alt=\"Patrim10_137A\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137a.jpg 1081w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137a-300x199.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137a-768x509.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137a-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137a-780x517.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-150\" class=\"wp-caption-text\">Igreja de Santa Joana Princesa, Alvalade-Lisboa<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_151\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137b.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-151\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-151 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137b.jpg?w=300\" alt=\"Patrim10_137B\" width=\"300\" height=\"113\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137b.jpg 1178w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137b-300x113.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137b-768x288.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137b-1024x384.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_137b-780x293.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-151\" class=\"wp-caption-text\">Inaugura\u00e7\u00e3o do Lar de Santa Joana Princesa, Lisboa (Rua Lagares D&#8217;El Rei), no \u00e2mbito das Comemora\u00e7\u00f5es do 514\u00ba Anivers\u00e1rio da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa<\/p><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-148\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_136ab.jpg?w=300\" alt=\"Patrim10_136Ab\" width=\"300\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_136ab.jpg 730w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_136ab-300x216.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Em Roma, em Lisboa, em Salselas, no Brasil em Votuporanga a Princesa leva consigo Aveiro da qual se tornou verdadeiro \u00edcone!<\/p>\n<p>Para o conhecimento e compreens\u00e3o da secular hist\u00f3ria de Aveiro e o seu conjunto de atores maiores \u00e9 for\u00e7oso incluir e entender o papel desempenhado por D. Joana de Portugal, Princesa e detentora do Senhorio da ent\u00e3o Vila, mas tamb\u00e9m, talvez<span style=\"color:#ff0000;font-family:Arial;font-size:xx-small;\"> \/ p. 138 \/ <\/span>sobretudo, a Santa que a devo\u00e7\u00e3o imemorial aveirense, popular e clerical, eleva aos altares. O devir de Aveiro, e em particular o do Convento de Jesus, s\u00e3o-lhe magnos devedores, captando a aten\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos, cobertos de honras e privil\u00e9gios, prestigiando-os sobremaneira e concedendo-lhes o seu protectorado espiritual. A sua import\u00e2ncia na esfera das quest\u00f5es pol\u00edticas e estrat\u00e9gicas nacionais \u00e9, ainda hoje, pouco conhecida, contrariamente aos abundantes relatos que nos presenteia a sua hagiografia de amor\u00e1veis contornos, os quais se constituem na fonte primeira para o corpus das suas representa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<table id=\"AutoNumber32\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" width=\"66%\">\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family:Arial;\">Mulher de grande beleza, culta, profundamente devota e operadora de incont\u00e1veis <i>sucessos<\/i> e milagres, \u00e9 a Protectora da cidade desde 1808, em que salva a urbe das investidas napole\u00f3nicas. Mais tarde, com D. Manuel de Almeida Trindade como Pastor da diocese, em 1964, ser\u00e1 dirigida a Sua Santidade o Papa Paulo VI uma peti\u00e7\u00e3o, rogando que, apesar de n\u00e3o ser Santa, a Beata Joana fosse designada Padroeira da cidade e da diocese de Aveiro. Ap\u00f3s ser ouvida a Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o dos Ritos, a 5 de Janeiro de 1965, Santa Joana \u00e9 declarada pela Santa S\u00e9 Padroeira de Aveiro e sua diocese, com festa lit\u00fargica de segunda classe e com missa e of\u00edcio pr\u00f3prios.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family:Arial;\"><span style=\"color:#ff0000;font-family:Arial;font-size:xx-small;\">\/ p. 139 \/ <\/span>Nos nossos dias, continuam a afluir milhares de devotos e curiosos a Aveiro no seu feriado municipal, 12 de Maio, dia do seu passamento, povoando n\u00e3o s\u00f3 o Museu em que as rel\u00edquias permanecem, mas as ruas da cidade para verem passar, no alto andor que pertence \u00e0s colec\u00e7\u00f5es do museu, a sua Santa Princesa.<\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div id=\"attachment_152\" style=\"width: 164px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_138.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-152\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-152 size-medium\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_138.jpg?w=154\" alt=\"Patrim10_138\" width=\"154\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_138.jpg 433w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_138-154x300.jpg 154w\" sizes=\"(max-width: 154px) 100vw, 154px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-152\" class=\"wp-caption-text\">Est\u00e1tua de Santa Joana, inaugurada em 2002, da autoria de H\u00e9lder Bandarra, situada na Pra\u00e7a do Milen\u00e1rio, Avenida Santa Joana, em Aveiro<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi o acaso que nos congregou aqui, hoje, sob a \u00e9gide da nossa Padroeira! N\u00e3o foi o acaso que levou o seu nome e imagem ao nosso semin\u00e1rio, \u00e0s avenidas, \u00e0s proas dos moliceiros, \u00e0s confeitarias, \u00e0 arte p\u00fablica\u2026 N\u00e3o foi evidentemente o acaso que levou a que, no dia 31 de Dezembro de 1984 fosse publicada no Di\u00e1rio da Rep\u00fablica a cria\u00e7\u00e3o, no concelho de Aveiro, da freguesia de Santa Joana com todas as suas merit\u00f3rias val\u00eancias, com destaque para as de car\u00e1cter social. N\u00e3o foi realmente o acaso, foi a presen\u00e7a indel\u00e9vel da Princesa Santa Joana, magno patrim\u00f3nio imaterial aveirense, que o poema de Mons. Moreira Neves, em 1959, nos transmite desta forma:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-153 alignright\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/patrim10_139.jpg?w=225\" alt=\"Patrim10_139\" width=\"424\" height=\"560\" \/><br \/>\n<em>Princesa Santa Joana!<\/em><br \/>\n<em> Diz o povo: N\u00e3o morreu!<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o morreu a flor humana<\/em><br \/>\n<em> Que em Aveiro floresceu.<\/em><\/p>\n<p><em>Anda um perfume no ar.<\/em><br \/>\n<em> A luz \u00e9 cheia de gra\u00e7a.<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o \u00e9 do C\u00e9u nem do mar,<\/em><br \/>\n<em> \u00c9 da Princesa que passa.<\/em><\/p>\n<p><em>Ouve-se um murm\u00fario lento,<\/em><br \/>\n<em> Todo piedade e pureza.<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o \u00e9 das asas do vento.<\/em><br \/>\n<em> \u00c9 da Princesa que reza.<\/em><\/p>\n<p><em>Vibram hinos argentinos<\/em><br \/>\n<em> Na alva que se levanta.<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o s\u00e3o de bronze os sinos.<\/em><br \/>\n<em> S\u00e3o da Princesa que canta.<\/em><\/p>\n<p><em>O sol que ardia, n\u00e3o arde,<\/em><br \/>\n<em> E entre neblinas descora.<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o \u00e9 da chuva da tarde.<\/em><br \/>\n<em> \u00c9 da Princesa que chora.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AUTOR:\u00a0Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Rebocho Christo FONTE:\u00a0&#8220;Patrim\u00f3nios&#8221; \u2013 n.\u00ba 10, Julho 2013, Ano XXXIV, 2\u00aa s\u00e9rie, p\u00e1gs. 111 a 142. Desde Marques Gomes, que publica em 1879 o \u201cEsbo\u00e7o Biogr\u00e1fico de D. Joanna de Portugal\u201d, que s\u00e3o<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/2015\/01\/20\/httpwww-prof2000-ptusershjcoaderavpatrimoniospatrim10_111-htm\/\"> Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":153,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[20,18],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media\/153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/santajoana\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}