XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia destes próximos domingos apresentar-nos-á o discurso do Pão da Vida. Neste domingo o evangelista São Mateus descreve um dia completo da vida de Jesus e salienta algumas atitudes perante as multidões: «Jesus vê as multidões e enche-se de compaixão e cura os doentes». Os discípulos ao ver o dia a terminar e que o local é deserto e as multidões que não vão embora, aproximam-se de Jesus e dizem-Lhe para mandar embora toda aquela gente. Antes de realizar o milagre, Jesus procura comprometer os discípulos com a multidão: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Este é o desafio da Igreja hoje estar atenta às multidões que vivem em situações de vida precárias, ou de tantos imigrantes que chegam ao nosso país vazios de tudo, ou como nos refere o texto do vaticano sobre o tráfico de pessoas humanas e que Jesus continua a repetir-nos hoje: «Dai-lhes vós mesmos de comer».
A leitura do livro de Isaías, Deus convida o seu Povo a deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a felicidade sem fim.
A Epistola de São Paulo aos Romanos, é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor – do qual nenhum poder hostil nos pode afastar – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.
O Evangelho de São Mateus, apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram- n’O a pé. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”. Mas Jesus respondeu-lhes: “Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”. Disseram-Lhe eles: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”.
Disse Jesus: “Trazei-mos cá”. Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
Palavra da Salvação
Palavra de Vida (Agosto)
“Quem poderá separar-nos do amor de Cristo?” (Rm 8,35).
A carta que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de Roma é um texto extraordinariamente rico de conteúdo. De facto, Paulo revela aqui a força do Evangelho na vida das pessoas que o acolhem, a revolução que este anúncio traz: o amor de Deus liberta-nos!
Paulo fez esta experiência e quer testemunha-la, com as palavras e com o exemplo. A sua fidelidade ao chamamento de Deus vai levá-lo precisamente a Roma, onde terá ocasião de dar a vida pelo Senhor.
Letizia Magri

Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, Czerny: terrível aumento durante o lockdown
Homens, mulheres e crianças vítimas de trabalho forçado, prostituição, tráfico de órgãos. Crimes que não pararam com a pandemia e que devem ser combatidos em todos os níveis da sociedade. O cardeal subsecretário do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral reflete sobre o compromisso da Igreja e a urgência de questionar o comportamento social que alimenta a “demanda” de exploração.
Fausta Speranza, Silvonei José
Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas são vítimas no mundo do tráfico de seres humanos. De acordo com o relatório do Escritório das Nações Unidas contra a droga e o crime (UNODC) sobre o tráfico de seres humanos, quase um terço são menores de idade. Além disso, 71% do total são mulheres e meninas. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) denuncia que 21 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado, muitas vezes também ligado à exploração sexual. Depois há o dramático fenômeno do tráfico de órgãos, que escapa às estimativas, mas que continua sendo um fato inegável. Conversamos com o cardeal Michael Czerny, subsecretário do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, sobre a natureza dramática e a abrangência do fenômeno, que afeta todos os países, de origem, de trânsito ou destino das vítimas:
R. – A maior resposta de toda a Igreja se encontra no compromisso das irmãs da rede Thalita Khum. E assim, para a Seção refugiados e migrantes do Dicastério, a primeira prioridade é acompanhar a rede, colaborar, apoiar, sugerir, facilitar… Fazemos o que podemos porque em tantos países do mundo as irmãs estão realmente respondendo em nome da Igreja e em nome de Cristo. É muito importante reconhecer este trabalho, porque elas não falam, mas agem. Então, nós podemos falar um pouco sobre isso.
Sem dúvida, a pandemia tem sido um fator de complicação em todo esse esforço…
R. – Claro. Complicou o compromisso das irmãs, mas graças a Deus, com a ajuda do Espírito Santo, elas sempre encontraram os meios para continuar a exercer o ministério. Elas não se resignaram a três meses ou seis meses de lockdown. Não: elas mudaram os meios ou métodos e continuaram. A grande tristeza é que nestes meses de pandemia houve um terrível aumento do tráfico e isto nos deve escandalizar. Enquanto todos nós – “os bons” – estamos trancados em casa, como é que a demanda está aumentando e não diminuindo? Isto indica que as raízes do problema estão nas casas, nos corações das pessoas, dos cidadãos, dos irmãos e irmãs ao nosso redor. Esta conexão entre o tráfico e a vida aparentemente normal de pessoas aparentemente normais é um grande escândalo que deve nos fazer refletir, pedir perdão a Deus, para buscar a conversão necessária para reduzir e eliminar a demanda que é o motor do tráfico…
Vaticano, 30 de Julho de 2020
