XII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia deste domingo revela-nos o Amor e a misericórdia de Deus para connosco; São Paulo descreve que se a morte entrou pelo pecado de um só homem, por meio de Jesus Cristo se concedeu com abundância a graça a todos os homens; e o evangelho mostra-nos a importância que temos diante de Deus: «Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos». Será que respondo com a mesma gratuidade e generosidade de Deus? Sou muito importante para Deus. O que é que ofereço a Deus: a minha vida, a vida da minha família, as minhas simples orações? Ou apenas o final do dia quando já não me apetece orar?
A leitura do livro de Jeremias, O profeta ouve a voz maldosa dos seus adversários que espreitam a ocasião de o verem cair, e assim se vingarem dele. Mas ele apela para o Senhor, para a sua justiça e a sua proteção. Deus lê no coração do homem e compreende as suas intenções mais profundas. É com esta fé que ele continuará firme e fiel ao serviço da palavra de Deus; então como hoje e sempre.
A Epistola de São Paulo aos Romanos, O Apóstolo estabelece o confronto entre Adão, o primeiro homem, e Cristo, o novo Adão, entre a situação dos homens que viviam sob a lei de Moisés e os que vivem agora pela graça de Jesus Cristo. Por esta graça, somos a humanidade nova, que pelo dom gratuito do Senhor Jesus, novo Adão, triunfamos da própria morte, porque participamos do seu triunfo pascal.
O Evangelho de São Mateus, relata-nos que o Senhor Jesus, ao enviar os seus discípulos a anunciar a Boa Nova, previne-os de que irão encontrar oposições e contradições, mas de que não devem, por isso, perder a confiança.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus.
Mas àquele que me negar diante dos homens, também Eu o negarei
diante do meu Pai que está nos Céus”.
Palavra da Salvação
Palavra de Vida (Junho)
“Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Mt 10,40).
Enquanto discípulos, todos os cristãos têm uma missão: testemunhar com mansidão, primeiro com a vida e depois também com as palavras, o amor de Deus que eles próprios encontraram, para que se torne uma realidade aprazível para muitos, para todos. E, por se terem sentido acolhidos por Deus, apesar das suas fragilidades, o primeiro testemunho é precisamente o acolhimento caloroso dos irmãos. Numa sociedade marcada tantas vezes pela procura do sucesso e da autonomia egoística, os cristãos são chamados a mostrar a beleza da fraternidade, que sabe reconhecer as necessidades uns dos outros e atuar a reciprocidade.
“Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”
Assim escreveu Chiara Lubich a respeito do acolhimento evangélico: «[…] Jesus foi a manifestação do amor totalmente acolhedor do Pai celeste por todos nós, e do amor que nós, consequentemente, deveremos ter uns pelos outros. […] Procuremos então viver esta Palavra de vida sobretudo nas nossas famílias, comunidades, grupos de trabalho; eliminando os nossos juízos, as discriminações, os preconceitos, os ressentimentos, a intolerância com este ou aquele próximo. São atitudes em que caímos muitas vezes com facilidade, mas que muito esmorecem e comprometem os relacionamentos humanos e impedem, bloqueando como a ferrugem, o amor recíproco. […] O acolhimento do outro, do que é diferente de nós, está na base do amor cristão. É o ponto de partida, o primeiro degrau para a construção daquela civilização do amor, daquela cultura de comunhão, para a qual Jesus nos chama de modo especial nos dias de hoje».
Testemunho da Palavra de Vida

Refugiados
Sabendo que um jovem refugiado albanês estava à procura de alojamento, ajudámo-lo a procurar e, entretanto, hospedámo-lo na nossa casa. Alguns dos nossos familiares não concordaram. Alertavam-nos para possíveis problemas e diziam que éramos inconscientes. Mas, talvez até por esta rotura momentânea, encontrámos na unidade entre nós os dois a força para continuar, apesar de tudo.
Ao fim de alguns dias encontrámos um apartamento. Com o B., um artesão que tinha decidido dar trabalho a um albanês, fomos ao centro de acolhimento de refugiados a fim de regularizar o assunto. O impacto com aquele lugar foi duro: centenas de pessoas à espera de uma resposta, para o seu drama! Sentimo-nos impotentes, mas, no fim, B. decidiu contratar não um, mas três albaneses, um dos quais ainda menor, e do qual aceitou ser tutor.
Bastaram poucos meses para os jovens se inserirem no trabalho e se integrarem também na vida da povoação, onde procurámos envolver o maior número possível de pessoas, para que eles se sentissem parte de uma grande família.
S.E. – Itália