XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
O evangelho deste domingo reforça a ideia do perdão. De facto, é uma realidade comum em todos os tempos e em todas as épocas «a ofensa». Este é o tema central da liturgia de hoje, como sabemos não é fácil perdoar a quem nos ofende. No entanto, Jesus quer trazer uma novidade aos cristãos, isto é, «amar até aqueles que nos odeiam ou querem mal». Todos nós temos consciência de que amar os nossos amigos é fácil e isso não é necessário ser cristão, também os não crentes ou agnósticos «amam aqueles que os amam».
Como os discípulos entendem que «perdoar» não é fácil colocam a pergunta a Jesus: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». A esta pergunta de Pedro, Jesus responde com radicalidade, ou seja, o perdão não tem limites é incondicional. Claro, que para perdoar é necessário possuirmos uma graça muito especial «estarmos robustecidos ou plenos da Graça de Deus, porque o perdão não é uma coisa mecânica ou natural, eu diria é uma graça sobrenatural. Perdoar é diferente de esquecer. Eu não esqueço que aquela pessoa me fez mal, que aquela pessoa me tentou tirar a vida (ex: caso do Santo Padre Papa João Paulo II), mas que foi à prisão perdoar. Perdoar significa não guardar ódio nem rancor, não desejar mal ao outro. O cristão possui uma caraterística que é diferente de todos os outros, que não professam uma fé, o cristão tem um modelo que é Jesus Cristo, amar sem limites. Claro, que a nossa frágil humanidade fica magoada e ressentida com o mal que nos fazem, mas temos as palavras de Jesus que nos fortalece como Jesus disse a Paulo: «Basta-te a minha graça».
Por vezes, somos tentados a guardar um certo ressentimento criando um espaço de vazio no nosso coração, sejamos capazes de pedir ao Senhor um coração misericordioso semelhante ao d’ELE. Termino a minha breve reflexão com as palavras de Jesus que caraterizava os primeiros cristãos: «Nisto conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros». Então, a única coisa que devemos fazer é «amar».
A leitura do Livro de Ben-Sirá, deixa claro que a ira e o rancor são sentimentos maus, que não convêm à felicidade e à realização do homem. Mostra como é ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão; e avisa que a nossa vida nesta terra não pode ser estragada com sentimentos, que só geram infelicidade e sofrimento.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, Paulo sugere aos cristãos de Roma que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. Ninguém deve desprezar, julgar ou condenar os irmãos que têm perspectivas diferentes. Os seguidores de Jesus devem ter presente que há algo de fundamental que os une a todos: Jesus Cristo, o Senhor. Tudo o resto não tem grande importância.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, fala-nos de um Deus cheio de bondade e de misericórdia que derrama sobre os seus filhos – de forma total, ilimitada e absoluta – o seu perdão. Os crentes são convidados a descobrir a lógica de Deus e a deixarem que a mesma lógica de perdão e de misericórdia sem limites e sem medida marque a sua relação com os irmãos.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?». Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’. E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração». Palavra da Salvação

Palavra de Vida (Setembro 2026)
«A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei» (Rm 13,10)
Ninguém pode dar o que não tem. Santo Agostinho tinha-o compreendido bem quando dizia, dirigindo-se diretamente a Deus: «Concede-me o que me ordenas e ordena-me o que quiseres»[1]. Recebemos a dávida inestimável do amor de Deus e somos chamados a não o guardarmos para nós, mas a fazê-lo circular. De destinatários do amor de Deus, podemos tornar-nos protagonistas desse amor. De amados, somos chamados a tornarmo-nos amantes, participando assim na própria vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo: o Amante, o Amado e o Amor. São Paulo assegura-nos que não temos qualquer outra dívida para com ninguém, senão a do amor recíproco, porque quem ama o próximo cumpriu a Lei[2].
«A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei»
«O verdadeiro amor ao próximo – afirma Chiara Lubich – não faz mal algum. Leva-nos a viver todos os mandamentos de Deus, sem exceção, pois o seu primeiro objetivo é ajudar-nos a evitar todas as formas de mal em que poderíamos cair, tanto contra nós mesmos como contra os nossos irmãos e irmãs»[3]. Assim compreendidos, os mandamentos da Lei deixam de ser apenas uma obrigação para se tornarem uma dádiva do amor de Deus: não limitam o nosso amor, mas libertam-no plenamente. Preparado por Claudio Cianfaglioni

Número de suicídios é superior às mortes por acidente de viação, afirma Vítor Cotovio
O psicoterapeuta Vítor Cotovio afirmou-se preocupado com a perda do “registo comunitário” na sociedade, no âmbito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (10 de setembro), alertando que se “morre mais por suicídio” do que em acidentes de viação. “Estamos sempre a falar do impacto dos acidentes de viação, e bem, mas ter a noção que se morre mais por suicídio, que é uma coisa que, às vezes, as pessoas não têm perceção”, disse o diretor clínico da Casa de Saúde do Telhal, instituição dos Irmãos de São João de Deus, em entrevista emitida hoje, à Agência ECCLESIA.
Vítor Cotovio revelou preocupação que “como sociedade” não se perca “o registo comunitário”, aquilo pode ser um ‘kit de Saúde Mental’, que, segundo o psicoterapeuta, “tem uns ‘P’: a pertença, a partilha, a participação e a prudência”. “Partilha o que é que é? São histórias, identidades, sentido. Nós precisamos de partilhar histórias para dar significado, para saber que não estamos sozinhos no mundo”, explicou, questionando como é que se garante, para além da pertença, quando andam “todos a correr”, e podem-se esquecer que “o ser humano não vive sem pertença”. ‘Mudando a Narrativa sobre o Suicídio’, com o tópico ‘Comece a Conversa’, é o tema trienal 2024-2026 para o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, que se assinala a 10 de setembro, organizado pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP), com a Organização Mundial de Saúde (OMS) da ONU. Para o diretor clínico da Casa de Saúde do Telhal é preciso garantir que “as pessoas têm lugares de escuta”, tenham pessoas para “as ouvir na angústia e no seu sofrimento”, porque senão tiverem vivem com essas ideias dentro delas “até que as possam eventualmente consumar”. A OMS (Nações Unidas) contabilizou que mais de 720 mil pessoas se suicidam anualmente em todo o mundo, e é a quarta maior causa de morte nos jovens entre os 15 e os 29 anos.
Segundo Vítor Cotovio “é complexo” resgatar um jovem de 15 ou 16 anos porque “inclusive ele pode estar sozinho no quarto dentro desse processo”, nas redes sociais, “a partilhar com os Chat GPT coisas bizarras” que lhe dá uma resposta padronizada “e ele acha que está a ser entendido, e aquilo pode resultar mal”. “Neste mundo atual, estar sozinho, num sofrimento, com acesso a explicações desafetadas acerca do seu sofrimento, e com respostas algorítmicas não é propriamente o melhor caminho. E, portanto, senão são pais, são amigos, quem é que são as figuras significativas destes jovens, e como é que estes jovens não se estão a isolar?”
O psicoterapeuta observa que se esses jovens estão a se isolar, “não estão a ter o mesmo desempenho, não estão a ter atividades lúdicas e desinvestiram”, se eles estão deslaçados e desinvestidos em termos de projeção, já estão “na zona de risco”. “A preocupação é como é que nós ajudamos a criar laços ou resgatar ou recuperar laços, sejam eles quais forem: sejam dentro da Igreja, sejam eles no espaço psicoterapêutico, sejam eles nos grupos de jovens onde a Igreja tem um papel fundamental”, acrescentou, realçando que a dimensão comunitária é essencial “em qualquer contexto”.


A dignidade dos idosos não diminui com a fragilidade
A dignidade da pessoa é “um dom de Deus” e não se apaga, mesmo quando as capacidades, o intelecto e a consciência se enfraquecem ou desaparecem. Foi o que reafirmou ontem o arcebispo Ettore Balestrero, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas e às outras organizações internacionais em Genebra, por ocasião da 63ª sessão ordinária do Conselho dos Direitos Humanos. Em sua declaração durante o diálogo interativo com o Especialista Independente sobre o exercício de todos os direitos humanos pelas pessoas idosas, o núncio apostólico destacou o “grave risco” – apontado em um relatório ad hoc anterior – de que, quando as capacidades cognitivas estão comprometidas, a pessoa “possa ser cada vez mais frequentemente representada por outros em vez de ser ouvida, como se uma capacidade reduzida significasse uma personalidade reduzida”.
Membros valiosos da sociedade
Ao citar a encíclica Magnifica humanitas, de Leão XIV, o arcebispo Balestrero recordou que a pessoa não é definida por sua consciência, seu intelecto ou suas capacidades: essas qualidades “podem se enfraquecer ou até mesmo desaparecer”, mas a dignidade da pessoa – reconhecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos “como fundamento de direitos iguais e inalienáveis” – “não desaparece com elas”. O reconhecimento da dignidade, destacou, acontece “sobretudo” no âmbito da família e da comunidade, onde cada pessoa é ouvida e apoiada. “Quando as pessoas idosas afetadas por déficits cognitivos podem viver nesses contextos, não são consideradas um peso a ser colocado de lado, mas – ressaltou – são vistas, ao contrário, como membros valiosos da sociedade”. A dependência e a fragilidade, acrescentou, “não negam nem obscurecem essa dignidade”; pelo contrário, “são uma manifestação da condição humana”.
Diálogo, compreensão e acompanhamento
Os idosos com déficits cognitivos, prosseguiu o observador permanente, “continuam a deter e exercer seus direitos, muitas vezes por meio de formas de apoio e de relacionamento”. É justamente por isso que “a resposta não deve ser a substituição, mas o diálogo, a compreensão e o acompanhamento”, para que permaneçam “membros ativos da sociedade, capazes tanto de receber quanto de oferecer sua contribuição”.