Novos Ventos – 26 de Julho

XVII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

No evangelho deste domingo, Jesus continua a falar do «Reino dos Céus» apresentando-O através de parábolas. A parábola que hoje fala-nos que esse “«reino» é semelhante ou comparado a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a esconde-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo”. De facto, penso que não haverá maior riqueza do que encontrar um tesouro tão valioso, não há dinheiro algum que possa pagar esse tesouro «o Reino dos Céus».

Importa salientar duas coisas: este homem descobre esse valor incalculável e tem o cuidado de o proteger daí voltar a esconder de modo que ninguém lhe possa roubar o mais precioso dom. Outro aspecto importante é o desapego e desprendimento deste homem, que diante de todos os outros haveres e bens que possuía já nada mais lhe interessa e vai vender tudo aquilo que tem para ficar apenas com aquele «tesouro». A outra parábola apresentada por Jesus compara esse «Reino dos Céus» a uma pérola preciosa de inestimável valor, o homem que o encontrou teve semelhante atitude foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. Após a analise destas duas parábolas, penso que é claro para nós que o «Reino dos Céus» prometido por Jesus é algo que não se pode comprar por dinheiro e que o seu valor é demasiado grande. Quem descobre esse tesouro é de facto a pessoa mais rica e que não existe nenhum dinheiro que possa pagar tal pérola.

Diante desta instrução dada por Jesus devíamos questionar onde é que está alicerçado o nosso coração, nas coisas perecíveis e passageiras, nos bens deste mundo, nas riquezas que se corrompem? No sermão da montanha Jesus diz: «Bem aventurados ou Felizes», claro que quem descobre esse «tesouro ou essa pérola» é feliz, porque tem a certeza de ter vivido uma vida plena neste mundo e que tem como recompensa a vida eterna.

A leitura do Primeiro Livro dos Reis, apresenta-nos o exemplo de Salomão, rei de Israel. Ele é o protótipo do homem “sábio”, que consegue perceber e escolher o que é importante e que não se deixa seduzir e alienar por valores efémeros.

A leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, convida-nos a seguir o caminho e a proposta de Jesus. Esse é o valor mais alto, que deve sobrepor-se a todos os outros valores e propostas.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, recorrendo à linguagem das parábolas, Jesus recomenda aos seus seguidores que façam do Reino de Deus a sua prioridade fundamental. Todos os outros valores e interesses devem passar para segundo plano, face a esse “tesouro” supremo que é o Reino.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos, e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?». Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas». Palavra da Salvação


Venezuela: Bispos reclamam reconstrução transparente e livre de corrupção

Os bispos católicos da Venezuela reclamaram uma reconstrução profunda e transparente das áreas devastadas pelos sismos de 24 de junho, alertando contra os perigos da corrupção e da inércia governamental. “Todos devemos zelar para que nos trabalhos de reconstrução não se repitam os mesmos erros do passado, pois, caso contrário, os mais fracos voltarão a sofrer as consequências da corrupção e da indolência”, adverte a Conferência Episcopal (CEV), em nota enviada às comunidades católicas.

O documento sublinha que a recuperação das comunidades afetadas implica a garantia de acesso à habitação e ao trabalho digno para que as famílias superem a tragédia “sem dependências nem paternalismos”. Os responsáveis católicos fazem eco da indignação dos cidadãos perante as falhas no socorro inicial, lembrando que “é obrigação das instâncias do Estado estar preparadas” para enfrentar os desastres naturais. A mensagem pastoral rejeita categoricamente as interpretações fundamentalistas que classificam a catástrofe geológica como um suposto castigo ou “uma espécie de vingança divina”.

O documento destaca que a presença divina se encontra ativamente nas vítimas e nos “samaritanos compadecidos” que prestam auxílio. O episcopado católico pede que a atual intervenção de emergência não ofusque o dever moral de lutar pela dignidade de outros grupos marginalizados, nomeadamente os “presos políticos, os trabalhadores e os pensionistas”. A CEV elogia a proximidade solidária do Papa Leão XIV e apelou à manutenção da ajuda humanitária continuada, através das redes paroquiais da Cáritas. As comunidades católicas vão dinamizar a celebração de Eucaristias no dia 24 de julho para sufragar os falecidos e pedir a rápida reabilitação da nação sul-americana. O duplo sismo provocou 5398 mortes, segundo o último balanço oficial divulgado esta quarta‑feira, incluindo 130 portugueses e lusodescendentes.

Dois abalos de magnitude 7,2 e 7,5 sacudiram a 24 de junho o norte do país, em particular o estado costeiro de La Guaira, próximo de Caracas, deixando milhares de feridos e desaparecidos, além de elevados danos materiais. A Arquidiocese de Caracas apresentou esta quarta-feira um balanço oficial de apoio aos sobreviventes dos recentes sismos, revelando a distribuição de quase meia tonelada de ajuda humanitária. Segundo nota de imprensa, a rede diocesana, em articulação com a Cáritas, “coordenou a entrega de aproximadamente 490 toneladas de bens essenciais”, abrangendo desde “alimentos, água, medicamentos” a “materiais de abrigo”. Esta operação de emergência contou com o envolvimento de paróquias, empresas e de “mais de 500 voluntários destacados nos centros de recolha”, referiu a instituição. A intervenção mobilizou o clero em zonas vulneráveis de Caracas e do litoral, promovendo a presença pastoral em “centros de saúde, abrigos transitórios e espaços públicos”. A prioridade incidiu em proporcionar “contenção emocional, auxílio sacramental e primeiros socorros psicológicos” aos sobreviventes acolhidos em escolas e recintos improvisados. As celebrações litúrgicas transitaram para “espaços abertos adjacentes”, perante o risco de novos abalos sísmicos.


O Papa visita os mosteiros de São Bento e Santa Escolástica

No final da manhã desta quarta-feira, 22 de julho, o Papa Leão XIV partiu do Santuário da Santíssima Trindade, um dos locais de culto mais venerados do Apenino Central, e, por volta do meio-dia (hora local), chegou de carro ao Mosteiro de São Bento em Subiaco, a cerca de trinta quilômetros de distância. Ao visitar o complexo monástico, segundo informa a Sala de Imprensa do Vaticano em sua conta no Telegram, ele parou em silêncio para meditar diante do afresco do século XIII de São Francisco e, no “Sacro Speco”, beijou o joelho da estátua de São Bento, conforme a tradição, e recitou o Pai Nosso com os presentes. Ao final, subiu ao Mosteiro de Santa Escolástica, onde almoçou com a comunidade beneditina e visitou os claustros e o convento. O Papa depois voltou a Castel Gandolfo.

A alegria e a gratidão da comunidade beneditina

“A Comunidade beneditina de Subiaco acolhe com alegria e gratidão a visita de Sua Santidade, o Papa Leão XIV, aos Sagrados Mosteiros, local onde São Bento deu início à sua jornada espiritual”. Foi o que declarou à Agência SIR o abade ordinário de Subiaco, padre Mauro Meacci. “A presença do Santo Padre – prossegue – renova o vínculo entre a Igreja e o carisma beneditino, convidando a todos à primazia da oração, da escuta da Palavra e da busca pela paz”.

O verão, tempo para viver o Evangelho da paz e da misericórdia

O Papa responde a um leitor da revista “Piazza San Pietro” que lhe pergunta como viver as férias não apenas como “uma pausa na rotina diária”, mas como um caminho espiritual na própria vida de fé, e exorta a vivenciar a fraternidade e a comunhão. Em seguida, ele dirige seus pensamentos àqueles que não podem desfrutar nem mesmo de “um breve período de descanso” e recomenda que, “durante as férias”, se evitem “os excessos e o desperdício, o materialismo e o consumismo”. Disse o Papa  “As férias” devem ser “um momento de descanso das ocupações e das preocupações, no qual se possa viver experiências autênticas de amizade e de compartilhamento”, para “experimentar uma antecipação daquela fraternidade e comunhão que podemos viver e viveremos no Reino de Deus”.  É esse o desejo que Leão XIV expressa ao responder à carta que lhe foi enviada por Maurizio, de Roma, e publicada na edição de julho e agosto da revista “Piazza San Pietro”. O leitor, grato ao Papa “por seu empenho constante e incansável em nos guiar, fiéis, com palavras de paz, esperança e luz neste tempo de grande instabilidade entre os povos”, em meio ao “agravamento dos conflitos”, questiona-se “sobre o significado da fé na vida cotidiana” e sobre como “alimentar uma espiritualidade mais consciente e mais verdadeira”, que saiba “traduzir-se em gestos concretos” para com os “outros”. E pede ao Pontífice um conselho “sobre como viver este período de verão de modo que se torne também um caminho espiritual e não apenas uma pausa na rotina diária”. “Para fortalecer nossa fé”, responde Papa Leão, é preciso “aproveitar também o tempo do verão para viver o Evangelho da paz e da misericórdia”.

Não se esqueçam dos mais vulneráveis

Ao refletir sobre este período de férias, o Papa dirige, em primeiro lugar, seus pensamentos aos “pobres” e a “todos aqueles que nem mesmo podem desfrutar de um breve período de descanso, pois estão oprimidos pelo peso de dificuldades de todo tipo”, “aos doentes, às pessoas que perderam a confiança na vida”, àqueles que estão dominados “pela dor pela perda de seus entes queridos, às vítimas das guerras, do ódio, do terrorismo e da violência”, e ainda “aos perseguidos por causa da fé e da justiça, aos presos, àqueles que ficaram sem trabalho, sem casa, aos migrantes que não são acolhidos humanamente”. Em seguida, ele deseja “aos cristãos” que o período de verão seja “uma oportunidade para experiências sociais e religiosas frutíferas, para aprofundar a missão na Igreja e na sociedade”. “Que aos doentes não falte, durante esses meses de verão, a proximidade dos familiares e dos voluntários”, prossegue ele, desejando que haja quem decida “passar parte das férias em um compromisso fraterno de solidariedade”. Na resposta do Pontífice, há também o convite às famílias para que não deixem os idosos sozinhos e “aos voluntários” para que se empenhem em “levar humanidade e esperança aos que sofrem”. “Vocês verão frutos da graça” e “quanto amor”, “alegria” e “felicidade” preencherão “a vida de vocês”, acrescenta ele, explicando, além disso, que é um “privilégio” apoiar “os pobres” e testemunhar “a pobreza evangélica. Este é um serviço que prestamos ao próprio Cristo”.

Recomendações para as férias

Leão XIV recomenda, além disso, “durante as férias”, evitar “os excessos e o desperdício, o materialismo e o consumismo” e cultivar “a sobriedade”; lembra “que o acúmulo de bens dificulta a evangelização” e exorta à coerência “com um estilo cristão de vida”. “O amor e a graça de Deus nos alcançam todos os dias, sempre”, assegura ele, incentivando a ajuda mútua “em todas as comunidades”, para que não se perca “esse patrimônio objetivo de humanidade e de paz, a única esperança de dar um futuro ao mundo ameaçado pela guerra”, que poderá ser salvo não pelo “poder terreno, mas somente pelo ‘poder divino do amor que é Jesus’”.