Novos Ventos – 19 de Abril

III Domingo de Páscoa – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

No terceiro Domingo de Páscoa, o evangelho descreve a experiência dos Apóstolos e a dificuldade que sentiram em compreender os sinais da Ressurreição de Jesus. Dois dos discípulos desanimados com o que tinha sucedido naqueles dias em Jerusalém, com a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, dois dos discípulos abandonam tudo e colocam-se a caminho de Emaús. Enquanto caminhavam uma terceira pessoa se põe a caminho com eles, durante a viagem falam do que se tinha passado em Jerusalém, embora, os olhos dos discípulos estivessem fechados incapazes de reconhecer Jesus, o coração deles ardia por dentro quando Jesus lhes explicava as Escrituras.

Todavia, só O reconhecem ao partir o Pão. Quantas vezes, também nós passamos por estas crises de fé que não vemos, nem sentimos Jesus, no entanto, Ele caminha connosco e nós somos incapazes de O reconhecer. Na vida, encontramos muitos vazios momentos em que ouvimos a Sua Palavra, até podemos estar em adoração diante de Jesus e não temos consolação interior. De facto, é necessário abrir os olhos e ver que em cada Eucaristia, é ELE mesmo, que pelo milagre da [Transubstanciação] = mudança de substância deixa de ser pão e vinho e se transforma no Corpo e Sangue de Jesus.

A leitura do livro dos Actos dos Apóstolos, é um extrato do discurso de Pedro na manhã de Pentecostes. Anuncia aos habitantes de Jerusalém e ao mundo que, aquele Jesus assassinado pelas autoridades judaicas, derrotou a maldade, a injustiça, a violência e a própria morte. Pedro, com ousadia profética, garante: “disso todos nós somos testemunhas”. É esta Boa Notícia que os discípulos de Jesus de todas as épocas continuam a anunciar ao mundo.

A leitura do Apóstolo São Pedro, um autor cristão do séc. I lembra aos batizados a vocação fundamental a que são chamados: a santidade. Para dar mais força ao seu apelo a uma vida santa, recorda-lhes que foram resgatados por um preço bem alto: pelo sangue precioso de Cristo. Ao ressuscitar e glorificar o seu Filho Jesus, Deus caucionou a proposta de vida que Ele nos veio oferecer.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, o “catequista” Lucas convida-nos a acompanhar dois discípulos que, abalados pela aparente falência do projeto de Jesus, desistem da comunidade cristã e põem-se a caminho de uma outra vida. No entanto Jesus, sem se identificar, acompanha-os no caminho, ajuda-os a encontrar respostas, devolve-lhes a esperança. Eles só reconhecem Jesus quando, à mesa, Ele parte e reparte o pão. O relato – com um evidente “sabor” eucarístico – é uma maravilhosa parábola sobre os nossos desencontros e encontros com Jesus ressuscitado: Ele nunca deixará de nos acompanhar no caminho, de nos explicar o sentido da vida e de nos alimentar com a sua Palavra e o seu Pão.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão. Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Abril 2026)

«Fica connosco, porque anoitece» (Lc 24,29)

Escreveu Chiara Lubich: «Talvez nada explique tão bem como estas palavras a experiência que nós, focolarinas, fizemos desde o início: viver com Jesus no meio de nós. Jesus é sempre Jesus e, quando está presente – ainda que só espiritualmente –, explica as Escrituras e faz arder no peito a sua caridade: a vida. Faz-nos dizer com infinita saudade, depois de O termos conhecido: “Fica connosco, Senhor, pois a noite vai caindo, sem Ti a noite é escura (…)”»[3]. A noite é símbolo das trevas, do desconhecido, daquela luz que não conseguimos encontrar, porque não acreditamos na Sua presença, que continua sempre a acompanhar-nos. É a noite que cobre o nosso planeta, ferido e violentado por lutas fratricidas, por guerras que continuam a ser orquestradas pela ganância de poder e de dinheiro. É a noite em que vivem milhões de pessoas, que já não têm voz para gritar contra as injustiças e as prepotências. E nós, como podemos tomar consciência da presença de Jesus, que nem sempre se manifesta de acordo com as nossas expectativas? Como compreender que Ele caminha connosco e procura fazer-nos reconhecer os sinais da Sua presença? E, sobretudo, como criar as condições para que Ele se manifeste e permaneça connosco? São perguntas para as quais talvez nem sempre tenhamos uma resposta, mas que nos impelam a não descurar a procura de Jesus, a concentrar o nosso olhar num Companheiro de viagem que habitualmente não vemos, a reconhecer Aquele que se pode tornar presente se, entre nós, vivermos o amor recíproco. A estrada de Emaús é o símbolo de todos os nossos caminhos, é a estrada do encontro com o Senhor, é a estrada que nos devolve a alegria do coração, nos leva de volta à comunidade para testemunharmos juntos que Cristo ressuscitou. Preparado por Patrícia Mazzola.


D. Virgílio Antunes é o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, é o novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). D. Virgílio Antunes, com 64 anos de idade, foi vice-presidente da CEP nos dois últimos mandatos; foi ainda um dos representantes do episcopado português na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, em 2023 e 2024, no Vaticano. “É uma missão, é um cargo que se assume dentro da Igreja, dando continuidade àquilo que é a nossa vida de serviço à Igreja, em muitos e diferentes lugares, em muitas e diferentes circunstâncias, mas é sempre o mesmo espírito”. O novo presidente da CEP assumiu a intenção de dar continuidade ao trabalho dos últimos anos, que considerou “muito meritório”, aludindo a áreas como “evangelização” ou “os abusos sexuais na Igreja e a proteção de menores”. “Na Igreja não há dossiês fechados, nem que se possam fechar, e alguns deles têm a premência da continuidade, do aprofundamento”. O bispo de Coimbra assumiu a necessidade de estar atentos às “questões fraturantes” na sociedade e às consequências da guerra. “Não pode haver uma Conferência Episcopal, em Portugal ou no mundo, que esteja alheia às questões fundamentais que se passam dentro da própria Igreja e dentro da sociedade”. O responsável católico elogiou a liderança de Leão XIV e a sua “voz carregada da energia que vem do Evangelho e não é outro objetivo nem é outra agenda, senão procurar que o Evangelho esteja presente e que seja o Evangelho”. A nível interno, o presidente da CEP assinalou a chegada de novos bispos, com uma “nova energia”. “Gostaria de deixar uma palavra de saudação aos meus irmãos e irmãs católicos, de uma forma muito geral a toda a sociedade portuguesa, dizendo que a Conferência Episcopal vai continuar determinada a levar por diante os seus objetivos, de uma forma atenta, de uma forma livre e, naturalmente, aberta à colaboração de todos”. O bispo de Coimbra deixou também uma palavra ao trabalho da comunicação social, com “tanta relevância” nas sociedades modernas, e convidou as comunidades católicas a “levar por diante este projeto da Igreja”, de uma forma “muito dinâmica, muito ativa e muito confiante”.

Semana de Oração pelas Vocações

Para melhor viver a Semana de Oração pelas Vocações, que se celebra entre o III Domingo de Páscoa ao IV Domingo de Páscoa — Domingo do Bom Pastor, de 19 a 26 de Abril de 2026, foram preparados materiais de apoio para a oração, para a liturgia e para a animação da Semana de Oração pelas Vocações estão a ser disponibilizados no site: http://euestoucontigo.pt

Semana de ação missionária «missão anima», como eles viveram essa semana

Entre os dias 6 e 12 de abril, a Missão Anima esteve na Torreira com o objetivo de servir os torrecos e levar a alegria de Jesus a todos.

Os missionários dividiram-se em diferentes companhias, ou grupos, e estiveram presentes no lar, onde fizeram companhia aos moradores mais velhos, partilhando momentos de alegria através de conversas, cantos e muita proximidade.

Foi também organizado um campo de férias na escola, dirigido às crianças. Durante esses dias, houve catequese, confeção de bolos, jogos de futebol, atividades de pintura, ginástica e muitas outras dinâmicas. Todos deram o melhor de si para proporcionar às crianças umas férias da Páscoa cheias de alegria.

Ao longo da semana, alguns missionários dedicaram-se também ao chamado “porta a porta”, visitando as casas da comunidade, para dar a conhecer a todos a nossa missão e o proposito de virmos para a Torreira. Nessas visitas ofereceram ajuda para o que fosse preciso e, sobretudo, disponibilidade para escutar e fazer companhia.

Por fim, houve ainda missionários envolvidos em trabalhos mais práticos, contribuindo para a comunidade através de tarefas como pintar móveis, limpar os canteiros do centro de dia e criar o mural da missão, deixando assim uma marca visível da nossa grande semana na Torreira.

Nenhuma destas atividades teria sido possível sem a população da Torreira que nos recebeu de braços abertos. Mostraram constantemente que são uma comunidade disponível e acolhedora, tentando ao máximo que nos sentíssemos em casa. Viemos para fazer a diferença e espalhar a alegria de Cristo e acabamos por ser atingidos com uma onda de felicidade imensa e gratidão.  Não conseguimos expressar por palavras a forma como nos fizeram sentir, podemos apenas garantir que faremos de tudo para regressar.

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