Novos Ventos – 22 de Fevereiro

I Domingo da Quaresma – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Queridos irmãos e irmãs, neste I Domingo da Quaresma o evangelista Mateus põe em evidência as Tentações de Jesus. Após ter passado quarenta dias no deserto e ter jejuado, é normal que Jesus tenha sentido fome. Todavia, a grande questão é quando a busca deste alimento essencial na vida do ser humano se torna fonte de excessos, ou seja; obter «o pão» a todo o custo nos deixamos seduzir pelo dinheiro, o sucesso, ou o prazer imediato. Jesus nos recorda que existe uma fome mais profunda; de encontrar Deus.

É neste sentido que o Diabo se dirigindo a Jesus diz-Lhe: “Transforma estas pedras em pão.” Contudo, Jesus responde com firmeza: “Nem só de pão vive o homem…” Jesus nos mostra que a necessidade do alimento é real, mas não é de forma alguma o mais importante. É verdade, que o corpo precisa de alimento, mas a alma precisa da Palavra de Deus. Quantas vezes estamos “bem nutridos” fisicamente, mas o nosso interior permanece vazio? Vivemos mergulhado com abundância de coisas, mas por vezes vazios, falta-nos o sentido da vida, a verdadeira paz. No evangelho deste domingo, Jesus adverte em procurar outro alimento que nos sacie verdadeiramente, esse alimento é a sua Palavra.

A leitura do Livro de Génesis, a catequese de Israel esboça, em grandes linhas, o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Deus criou-nos para a felicidade e mostrou-nos como viver para alcançar a vida verdadeira. Contudo, enquanto seres livres, temos de ser nós a fazer a nossa opção fundamental. Se decidirmos abraçar as indicações de Deus, conheceremos uma felicidade sem limites e uma plena realização; mas, se optarmos por dar ouvidos à tentação do egoísmo, da autossuficiência, da prepotência, da ganância, viveremos rodeados de coisas efémeras, vazias, que nunca saciarão plenamente a nossa sede de felicidade.

A leitura do Apóstolo São Paulo aos Romanos, o apóstolo Paulo coloca diante de nós dois exemplos, dois modelos de vida, dois homens: Adão e Jesus. Adão representa o homem que optou por ignorar as propostas de Deus e decidir, por ele próprio os caminhos que deveria percorrer para se realizar plenamente; Jesus é o homem que decidiu escutar as indicações de Deus, obedecer aos projetos de Deus, percorrer o caminho que Deus Lhe indicava, mesmo se esse caminho tivesse de passar pela cruz. A desobediência de Adão trouxe ao mundo egoísmo, sofrimento e morte; a obediência de Jesus tornou-se, para o mundo e para todos os homens, uma fonte inesgotável e amor, de graça e de vida.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, o Evangelista Mateus propõe-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Ele recusou sempre as propostas e os valores que punham em causa o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Para Jesus, os valores de Deus tiveram sempre primazia sobre os bens materiais, a embriaguez oferecida pelo êxito fácil, a sede de poder. Aos seus discípulos Jesus pede que sigam um caminho semelhante.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Diabo conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo deixou-O, e aproximaram-se os Anjos e serviram-n’O. Palavra da Salvação


Palavra de vida (Fevereiro 2026)

«Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21, 5)

Não podemos saber quando e como é que isto vai acontecer e é inútil querer indagar. Mas o certo é que vai acontecer. «As páginas finais da Bíblia mostram-nos o derradeiro horizonte do caminho do crente: a Jerusalém do Céu, a Jerusalém celeste. Ela é imaginada antes de tudo como uma imensa tenda, onde Deus irá acolher todos os homens para habitar definitivamente com eles (cf. Ap 21, 3). Esta é a nossa esperança. E o que fará Deus quando, finalmente, estivermos com Ele? Terá uma ternura infinita por nós, como um pai ao receber os seus filhos que estão cansados e sofreram intensamente. No Apocalipse, João profetiza: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens! […Ele] enxugará todas as lágrimas dos seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição […] Eis que eu faço novas todas as coisas!” (21, 3-5). O Deus na novidade!»[2].

«Eis que faço novas todas as coisas»

Como viver a Palavra de vida deste mês? «Ela garante-nos que nos encaminhamos para um mundo novo, que se prepara e se constrói desde já. Portanto, não é de modo nenhum um convite ao descompromisso ou à fuga do mundo. De facto, Deus quer renovar todas as coisas: a nossa vida pessoal, a amizade, o amor conjugal, a família; quer renovar a vida social, o mundo do trabalho, da escola, da cultura, do lazer, da saúde, da economia, da política…, numa palavra, todos os setores da atividade humana. E, para fazer isso, Ele precisa de nós. Precisa de pessoas que deixem viver em si mesmas a sua Palavra, que sejam a sua Palavra viva, outros Jesus nos ambientes onde vivem»[3]. Alice, uma jovem cristã, compreendeu que para seguir a sua vocação era necessária uma mudança profunda, de modo a permitir que Deus agisse plenamente na sua vida e a tornasse nova. Como uma “dádiva enorme”, teve a oportunidade de viver uma experiência na India. Ali, experimentou uma alegria autêntica e sentiu-se imersa na graça de Deus, até nos momentos difíceis. Dedicou os seus dias à oração, à vida comunitária e ao serviço de voluntariado. As crianças do orfanato tocaram-na profundamente: apesar de não possuírem nada, mostravam um entusiasmo incrível e ensinaram-lhe muito sobre a vida. Não foi apenas uma viagem, foi uma peregrinação, um caminho feito de “subidas e descidas”, onde teve que “esvaziar a mochila”, encontrando enriquecimento e libertação. Texto preparado por Augusto Parody Reyes


Missão País: Universitários levaram «lufada de ar fresco» a Valado dos Frades

A localidade de Valado dos Frades, na Nazaré, despediu-se, no último domingo, dos universitários da ‘Missão País’ que, pelo 2º ano consecutivo, dedicaram uma semana à comunidade e trouxeram ânimo, depois da passagem intempérie nas últimas semanas. “Alguém me dizia a semana passada, depois destas tempestades e como isto estava, que era melhor eles [jovens] nem virem, e eu disse: ‘Deixem vir, porque isto é uma lufada de ar fresco que vai entrar nesta paróquia, ou nesta terra, porque anda tudo muito deprimido com o que está a acontecer à nossa volta’”, afirmou Celeste Boleixa, natural desta povoação do Oeste. No ano passado, a moradora recorda que os jovens deixaram marca na localidade, enfatizando que “as pessoas adoraram” a presença dos estudantes, acolheram-nos e sentiram-se gratas pela “boa disposição”: “Eles ajudam as pessoas a deslocarem-se, fazem-lhes companhia”.  “Penso que este ano vai acontecer o mesmo, o tempo hoje já está a dar um ar da sua graça. O ano passado, Valado ficou a chorar com a partida deles. Este ano penso que vai acontecer o mesmo”.

Apesar de Valado dos Frades não ter sido muito afetado com o mau tempo que se fez sentir em todo o país, devido às sucessivas tempestades, registaram-se consequências do mau tempo. Tomás Maria Leonardo, que participa pela primeira vez na ‘Missão País’, explica que aos jovens chegou a informação de que havia um muro que tinha tombado por inteiro “na horta da vizinha” e que era preciso removê-lo. “Acabou por ser uma atividade muito gira, apesar de ser uma atividade de carga”, conta, acrescentando que as pessoas estavam “disponíveis para ajudar”. “Acho que, no fundo, isso é o que se resume esta comunidade de Valado dos Frades. São pessoas muito disponíveis, pessoas muito alegres”. A Faculdade de Direito I da Universidade Católica de Lisboa é a responsável pela ‘Missão País’ nesta localidade, no entanto nem todos os membros que a integram estudam nesta instituição, como é o caso de Tomás, que frequenta o 2º ano do Curso de Enfermagem. Era uma coisa que eu queria fazer há algum tempo, e vim um bocado por impulso, lá está, de familiares e amigos, e calhou ter uma amiga minha, que é estudante na Faculdade de Direito da Católica, que me disse: ‘Olha eu sei que queres fazer isto há imenso tempo, porque não vens comigo?’”, recorda. O jovem dá conta que acabou por dar jeito ter um estudante de enfermagem no grupo, devido a um acidente que aconteceu e em que foi preciso prestar apoio. “Fiquei muito contente quando me agradeceram por isso. Lá está, da mesma maneira que faço a missão, como todos os outros missionários, fazemos por boa vontade, fazemos por boa disposição, e eu aplico a mesma coisa à minha profissão”.

Papa pede «inversão de marcha», numa pastoral centrada na «administração dos sacramentos»

O Papa defendeu hoje, perante o clero da Diocese de Roma, uma “clara inversão de marcha” na pastoral paroquial, colocando o anúncio do Evangelho como prioridade absoluta perante a “crescente erosão da prática religiosa” nas grandes cidades. “Precisamos de uma clara inversão de marcha; de facto, a pastoral ordinária está estruturada segundo um modelo clássico que se preocupa, antes de mais, em garantir a administração dos sacramentos”

Para Leão XIV, o modelo atual pressupunha que a fé era transmitida pelo ambiente social e familiar.

“Na realidade, as mudanças culturais e antropológicas que ocorreram nas últimas décadas indicam que já não é assim; pelo contrário, assistimos a uma crescente erosão da prática religiosa”, advertiu. “É urgente, portanto, voltar a anunciar o Evangelho: esta é a prioridade”, acrescentou, instando os sacerdotes a não se deixarem desanimar por uma “sacramentalização sem outras formas de evangelização”.

O Papa usou a imagem de quem “sopra sobre o fogo para reavivar a chama”, reconhecendo que o contexto atual de missão é marcado pelo cansaço, pela rotina e pelo desinteresse religioso. “É necessário que a pastoral paroquial volte a colocar no centro o anúncio, para procurar vias e formas que ajudem as pessoas a entrar novamente em contacto com a promessa de Jesus”.

Leão XIV pediu também ao clero que aprenda a “trabalhar juntos, em comunhão”, superando a “tentação da autorreferencialidade” e a dispersão de iniciativas entre paróquias vizinhas. “A paróquia por si só não é suficiente para iniciar algum caminho de evangelização capaz de intercetar quem não pode viver uma participação adequada”, observou.

Um dos pontos centrais do discurso foi a proximidade com os jovens, muitos dos quais “vivem sem qualquer referência a Deus e à Igreja”, mergulhados num “profundo mal-estar existencial” e fenómenos de violência ou isolamento virtual. O Papa dirigiu ainda uma palavra específica de encorajamento aos padres mais jovens, alertando para o risco de esgotarem as energias e caírem na frustração. “Não tenhais medo de vos confrontardes, mesmo sobre o vosso cansaço e as vossas crises, especialmente com os confrades que considerais que podem ajudar-vos”, apelou, reforçando que o cuidado da vocação exige uma fraternidade presbiteral onde todos cuidem uns dos outros.

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