VI Domingo do Tempo Comum – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
No Evangelho de hoje, Jesus desafia os seus discípulos a viver coerentemente segundo uma nova conduta de vida expressa no «mandamento novo do amor». Jesus é claro ao afirmar que não veio anular a Lei, mas completá-La. Não se trata de fazer uma correção à Lei como se esta estivesse errada. É algo mais profundo: é a manifestação da autoridade de Jesus que dirige um convite a praticar a justiça, de forma mais radical, mais verdadeira e autêntica. A Lei procurava sobretudo regular comportamentos. Jesus vai mais além, Ele deseja e quer transformar os corações.
Ser cristão não se resume apenas em evitar o mal; mas exige uma conversão interior, isto é, uma purificação de intenções, de pensamentos e de sentimentos. Jesus afirma: “Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. De facto, a justiça dos fariseus, muitas vezes, estava subjacente em meras aparências; exerciam rituais vazios que não levavam à transformação interior, eles até podiam fazer jejuns e orações, mas com o intuito de serem elogiados pelos homens. Jesus, rejeita o farisaísmo e adverte os seus discípulos a não viver segundo as aparências, mas que o modo de proceder seja concreto no amor para com os outros. Também para nós, cristãos, é evidente que a fé não se resume a regras externas. Não se trata apenas de “não fazer o mal”, mas de deixar que o coração seja transformado. Cristo quer ir além da aparência. Ele quer a conversão interior de cada um de nós.
A leitura do Livro de Ben-Sirá, diz-nos, no entanto, que somos livres de escolher entre as propostas de Deus (que conduzem à vida e à felicidade) e a nossa autossuficiência (que conduz, quase sempre, à morte e à desgraça). Para aqueles que escolhem a vida, Deus oferece-lhes os seus “mandamentos”: são os “sinais” que mostram o caminho da salvação.
A leitura do Apóstolo São Paulo aos Coríntios, o apóstolo Paulo apresenta o plano salvador de Deus (aquilo a que ele chama a “sabedoria de Deus” ou o “mistério”). É um projeto que Deus preparou desde sempre “para aqueles que o amam”, que esteve oculto aos olhos dos homens, mas que Jesus Cristo revelou com a sua pessoa, com as suas palavras, com os seus gestos e, sobretudo, com o dom da sua vida até ao extremo. Na cruz onde Jesus entregou a vida vemos – ao vivo e a cores – o amor que Deus tem por nós; nesse amor descobrimos o caminho que leva à salvação, à nossa plena realização.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, Jesus pede aos seus discípulos – àqueles que aceitam a oferta da salvação que Ele traz e se dispõem a caminhar com Ele – que não se limitem a “serviços mínimos”, isto é, ao cumprimento da letra da “Lei”, mas adiram a Deus de todo o coração e busquem a vontade do Pai com paixão, com entusiasmo, com total compromisso.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à geena de fogo. Portanto, se fores apresentar a tua oferta ao altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher com maus desejos já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um só dos teus olhos do que todo o corpo ser lançado na geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor que se perca um só dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar sua mulher dê-lhe certidão de repúdio’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que repudiar sua mulher, salvo em caso de união ilegítima, expõe-na ao adultério. E quem se casar com uma repudiada comete adultério. Ouvistes ainda que foi dito aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás diante do Senhor o que juraste’. Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo. A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».
Palavra da Salvação

Palavra de vida (Fevereiro 2026)
«Eis que faço novas todas as coisas» (Ap 21, 5)
O livro do Apocalipse queria transmitir esperança às comunidades perseguidas: apesar de aquele momento ser difícil e cheio de violência, e mesmo se o futuro era incerto, o bem acabará por triunfar e Deus fará novas todas as coisas.
Também hoje, vendo «o telejornal ou as manchetes dos jornais, há muitas tragédias, e descrevem-se notícias tristes, às quais todos nós corremos o risco de nos habituarmos. […] Mas há um Pai que chora connosco; um Pai que se comove e chora lágrimas de piedade infinita pelos seus filhos. Temos um Pai que sabe chorar, que chora connosco. Um Pai que está à nossa espera para nos consolar, porque conhece os nossos sofrimentos e preparou para nós um futuro diferente. Esta é a grandiosa visão da esperança cristã, que se expande por todos os dias da nossa existência e que nos quer reerguer»[1]. Texto preparado por Augusto Parody Reyes

Novo núncio apostólico reza pelas vítimas das tempestades, em Missa no Santuário
O novo núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, presidiu hoje à Missa no Santuário de Fátima, onde rezou pelas vítimas da depressão Kristin, antes de visitar as populações mais afetadas em Leiria. “Quis vir para rezar pelos falecidos, pelas famílias atingidas, pelos feridos, pelos desalojados, pelas pessoas que ficaram tão afetadas”, afirmou o representante diplomático do Papa, na homilia da celebração, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário.
Um dia após ter apresentado as cartas credenciais ao presidente da República Portuguesa, D. Andrés Carrascosa Coso deslocou-se à Cova da Iria para confiar o início da sua missão à Virgem Maria e associar-se ao “momento difícil” que a região vive, fazendo “eco das palavras do Papa Leão XIV”, enviadas a 30 de janeiro. “Venho fazê-lo aos pés da Mãe. Maria, como toda a mãe, e ainda mais Ela, conhece-nos, compreende aquilo que os filhos estão a viver, espera-nos, escuta-nos, é o nosso consolo e a nossa esperança”. Eu quis estar aos pés da Mãe, como filho, para colocar toda esta situação que estamos vivendo nestes dias, mas também colocar esta minha nova missão, à qual o Papa Leão XIV me envia, como seu representante em todo este país, Portugal, o que é uma alegria e uma honra para mim.”
Partindo da liturgia do dia, o núncio apostólico alertou para o risco do “formalismo exterior”, criticando quem dá prioridade a normas humanas ou práticas externas “acima da caridade, do amor ao próximo e da justiça”. “O coração de um cristão está perto de Deus quando, ao amor a Deus, une o amor ao irmão que sofre. Por isso, após esta celebração, eu vou a Leiria para me aproximar das pessoas que estão a sofrer, porque eles também são uma presença de Deus”. O responsável diplomático da Santa Sé citou o Concílio Vaticano II para sublinhar que “a separação entre a fé e a vida quotidiana deve ser considerada como um dos erros mais graves”. “Não podemos absolutizar somente o templo e o culto, se esquecermos o amor aos nossos irmãos”, insistiu, pedindo que a solidariedade não seja esquecida sob “desculpas” ou “preguiça”. O amor a Deus, o amor e a devoção à Nossa Senhora, têm de estar sempre unidos ao amor ao próximo, especialmente àqueles que sofrem.” D. Andrés Carrascosa Coso, de 70 anos, chegou a Lisboa no dia 3 de fevereiro e apresentou esta segunda-feira as cartas credenciais a Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.


Papa alerta para palavras «vazias» e convida fiéis a «beber» da fonte da Bíblia
O Papa alertou hoje, no Vaticano, para as palavras “vazias” que preenchem o quotidiano contemporâneo, contrapondo-as à riqueza da Bíblia, que definiu como um “diálogo” vivo entre Deus e a humanidade. “Vivemos rodeados de tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Por vezes, ouvimos até palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino final. A Palavra de Deus, pelo contrário, sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas”, declarou, durante a audiência pública semanal.
Na catequese, dedicada à ligação entre a Palavra de Deus e a Igreja, Leão XIV prosseguiu o ciclo de reflexões sobre a constituição dogmática ‘Dei Verbum’, do Concílio Vaticano II, para afirmar que a Bíblia não é um livro isolado, mas tem o seu “habitat” na comunidade cristã. “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida”, assinalou, citando o documento conciliar.
O Papa recuperou a célebre expressão de São Jerónimo – “A ignorância da Escritura é a ignorância de Cristo” – para explicar que ler a Bíblia não é um ato académico, mas uma forma de entrar em “conversa” com Deus. “Isto acontece quando lemos a Bíblia numa atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo connosco”.
O pontífice evocou ainda o magistério de Bento XVI e a exortação ‘Verbum Domini’, publicada em 2010, após o Sínodo sobre a Palavra de Deus, reforçando que a interpretação da Bíblia “só pode ser feita na fé eclesial”. “O que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus chegue a cada membro e alimente a sua caminhada de fé”, disse o Papa, dirigindo-se de forma particular aos bispos, sacerdotes e catequistas, para que tenham “amor” e “familiaridade” com o texto bíblico.
No final do encontro, Leão XIV deixou uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa. “A leitura orante da Palavra de Deus, que é sempre um alimento extraordinário, torna-se nos momentos de fraqueza também um remédio revigorante. A partir da liturgia diária, proposta pela Igreja, convido-vos a intensificar o diálogo amigo com o Pai, haurindo dele luz e conforto. Que o Senhor vos abençoe, a vós e às vossas famílias”.