Novos Ventos – 14 de Dezembro

III Domingo do Advento – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Novamente a liturgia deste domingo põe em evidência a figura de João Baptista, embora se encontrasse preso chega aos seus ouvidos as obras que Jesus realizava, então João Baptista enviou os seus discípulos a Jesus para Lhe perguntar: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». A resposta de Jesus é clara, não utiliza discursos vazios ou banais, mas fundamentado pelo Testemunho e pela Palavra «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados…».

Na verdade, é sobre aquilo que Jesus realiza que os discípulos vão contar a João Baptista. Depois, Jesus dirigindo-se às multidões interpela-as dizendo: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Um homem vestido com roupas delicadas? Um profeta?». Estas perguntas levam a uma reflexão e a um conhecimento profundo daqueles a quem seguimos. Será que também eu já me questionei sobre a verdadeira identidade de Jesus e qual a importância que tem na minha vida? Por vezes, é necessário ir para além das ideias pré-concebidas das pessoas e tentar descobrir o que representam e qual a sua relevância na nossa vida quotidiana. Somente quando somos capazes de entender com o coração compreenderemos que sem Jesus a nossa existência é vazia.

A leitura do Livro de Isaías, um profeta anónimo anuncia aos habitantes de Judá, exilados na Babilónia, que estão a acabar os anos de tristeza e que vão finalmente chegar os tempos novos da alegria e da esperança. Porquê? Porque Deus “aí está para fazer justiça”. Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo, em procissão triunfal, possa regressar a Sião. Deus nunca desiste dos seus queridos filhos.

A leitura da Epistola de São Tiago, um tal Tiago, que se apresenta como “servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”, avisa os pobres, vítimas das prepotências dos poderosos, que o Senhor, o “juiz” dos homens, está a chegar para fazer justiça. A sua vinda irá libertá-los da opressão a que têm estado sujeitos. Enquanto esperam, os pobres devem colocar a sua confiança em Deus e continuar a percorrer, com fidelidade e sem desânimo, o seu caminho que têm à frente.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, o próprio Jesus define a missão que o Pai lhe confiou quando o enviou ao encontro dos homens: dar vista aos cegos e tirá-los da escuridão onde se afundam, libertar os coxos de tudo aquilo que os impede de caminhar, curar os leprosos e reintegrá-los na família de Deus, abrir os ouvidos dos surdos que vivem fechados no seu mundo autossuficiente, devolver a vida àqueles que se sentem às portas da morte, anunciar aos pobres a “Boa Notícia” do amor de Deus. Com Jesus, o Reino de Deus chegou à vida e à história dos homens.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naquele tempo, João Batista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele». Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Dezembro 2025)

«Todos os confins da Terra verão a salvação do nosso Deus» (Is 52, 10) 

A sua palavra revela a ação de Deus na história pessoal e coletiva e convida a abrir os olhos para os sinais desse projeto de salvação. De facto, este já está presente: na paixão educativa de uma professora, na honestidade de um empresário, na retidão de uma administradora, na fidelidade de dois esposos, no abraço de uma criança, na ternura de um enfermeiro, na paciência de uma avó, na coragem de homens e mulheres que se opõem pacificamente à criminalidade, no acolhimento de uma comunidade. 

«Todos os confins da Terra verão a salvação do nosso Deus» 

Aproxima-se o Natal. No sinal da inocência desarmada do Menino, podemos reconhecer, mais uma vez, a presença paciente e misericordiosa de Deus na história humana e dar testemunho dela com as nossas escolhas coerentes e contracorrente: «[…] A um mundo como o nosso – em que se enaltece a luta, a lei do mais forte, do mais esperto, a astúcia sem escrúpulos, onde tudo parece paralisado pelo materialismo e pelo egoísmo – a resposta que podemos dar é o amor ao próximo. É este o remédio que pode curar. […] É como uma onda de calor divino que irradia e se propaga, penetrando nos relacionamentos de pessoa a pessoa, entre grupo e grupo e transformando pouco a pouco a sociedade»[1].  Como para o povo de Israel, também para nós, este é o momento de nos pormos a caminho, a ocasião propícia para dar um passo em frente, com decisão, ao encontro de todos os que – jovens ou idosos, pobres, migrantes, desempregados ou sem-abrigo, doentes ou na prisão – esperam um gesto de atenção e de proximidade, testemunho da presença humilde mas eficaz do amor de Deus no meio de nós.  Atualmente as fronteiras que é preciso ultrapassar para levar este anúncio de esperança são naturalmente as geográficas, que muitas vezes se tornam muros ou dolorosas linhas de guerra, mas há também as divisões culturais e existenciais. Além disso, nas comunidades digitais, frequentemente utilizadas pelos jovens, pode também ser dado um contributo eficaz para combater a agressividade, a solidão e a marginalização.  Como escreveu o poeta congolês Henri Boukoulou: «[…] Ó, divina esperança! Eis que no soluço desesperado do vento, se formam os primeiros versos do mais belo poema de amor. E amanhã, é a esperança!»[2]Preparado por Letizia Magri 


Papa nomeia novo núncio apostólico em Portugal

O Papa nomeou hoje o arcebispo espanhol D. Andrés Carrascosa Coso, de 69 anos, como núncio apostólico em Portugal, anunciou a sala de imprensa da Santa Sé. O novo núncio em Portugal nasceu em Cuenca (Espanha) a 16 de dezembro de 1955; foi ordenado sacerdote em Cuenca a 2 de julho de 1980. D. Andrés Carrascosa Coso formou-se em Teologia Bíblica na Universidade Pontifícia Gregoriana em 1981, seguindo depois o percurso de serviço à diplomacia pontifícia, ao entrar na Academia Eclesiástica Pontifícia. Ao serviço da Santa Sé passou pela Nunciatura Apostólica de Monróvia, que cobria a Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri e Gâmbia, e posteriormente foi secretário da Nunciatura Apostólica de Copenhaga, acreditado junto dos governos da Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia.

No pontificado de São João Paulo II trabalhou na Secretaria de Estado do Vaticano (Secção para as Relações com os Estados) antes de ser nomeado conselheiro da Missão da Santa Sé junto das Nações Unidas em Genebra (Suíça), da Nunciatura Apostólica no Brasil e da Nunciatura Apostólica no Canadá. Além da sua língua materna, fala inglês, francês, italiano, português e alemão. É autor do livro ‘A Santa Sé e a Conferência sobre a Segurança e a Cooperação na Europa’, publicado em Cuenca em 1990 e reeditado na Cidade do Vaticano em 1991. Em 2004, João Paulo II nomeou-o núncio apostólico na República do Congo e, em 26 de agosto de 2004, Núncio Apostólico também no Gabão. D. Andrés Carrascosa Coso foi ordenado bispo na Basílica de São Pedro a 7 de outubro de 2004, pelo cardeal Angelo Sodano, então secretário de Estado do Vaticano. A 10 de julho de 2008, o embaixador de Espanha, Miguel Fernández-Palacios, concedeu-lhe a Ordem de Isabel, a Católica, a pedido do Ministro dos Negócios Estrangeiros, pela “proximidade demonstrada aos missionários, em particular aos espanhóis”.

Foi nomeado núncio apostólico no Panamá por Bento XVI, a 12 de janeiro de 2009, antes de ser nomeado embaixador da Santa Sé no Equador pelo Papa Francisco, em 2017. Em nota divulgada online, a Conferência Episcopal Equatoriana destaca o serviço do arcebispo espanhol num “país que amou e que percorreu inúmeras vezes”. “Com a mesma simplicidade, gostaríamos apenas de lhe dizer ‘obrigado’ e assegurar-lhe as nossas orações nesta nova e importante missão que empreende em nome do Papa Leão XIV”, assinalam os bispos. Já D. Andrés Carrascosa Coso recorreu à sua conta na rede social Facebook para se despedir do país sul-americano. “Após oito anos e meio no Equador, onde admirei a bondade do seu povo e fui acolhido com grande cordialidade, esta etapa terminou numa terra que conheci profundamente e onde me senti profundamente amado. Não poupei esforços ao serviço do país e da Igreja. Os 30 bispos nomeados, com as respetivas consultas alargadas ao Povo de Deus, bem como as inúmeras visitas às dioceses, são fruto disso”, escreveu.

Patriarca destaca devoção dos primeiros sábados como «escola para habitar o amor»

O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, assinalou esta quarta-feira, na igreja de Nossa Senhora de Fátima, na capital portuguesa, o centenário da devoção dos primeiros sábados, associando este acontecimento ao amor. “Ninguém se torna construtor de paz apenas por querer a paz; torna-se construtor de paz quando aprende a habitar o amor. E os Primeiros Sábados são precisamente uma escola para habitar o amor: ao transformarem o coração, transformam a história; ao curarem a relação, desarmam a violência; ao educarem o tempo, libertam-nos da pressa e do vazio”, afirmou. A 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra (Espanha), aconteceu a primeira aparição do ciclo cordimariano de Fátima, na qual Nossa Senhora pediu à Irmã Lúcia de Jesus a reparação do seu Imaculado Coração através da devoção dos primeiros sábados. “Celebramos hoje um acontecimento que é mais do que uma data: é um centenário de graça. Cem anos de história iluminados pelo olhar materno da Virgem Santa Maria, que desde Fátima acompanha, protege e guia o nosso povo como Mãe vigilante”, destacou D. Rui Valério, na homilia da Eucaristia. Para o patriarca, “é impossível reler estes cem anos apenas com categorias humanas”: “A fé convida-nos a relê-los com os olhos de Maria, Ela que, como estrela da manhã, precede sempre o caminhar da Igreja”. D. Rui Valério realça que “este século mariano é, na realidade, o século de dois Corações — o de Jesus e o de Maria — que procuraram incansavelmente os seus filhos”. “Desde 1916, nas visões do Anjo, o Céu falava já desse amor atento às nossas súplicas; e, cem anos depois, damos graças porque a Mãe nunca se cansou de caminhar connosco”, referiu. O dia de celebração foi também de súplica, uma vez que, segundo o patriarca, mundo ainda não aprendeu “plenamente os caminhos da paz”. “Ainda não deixámos que a mansidão de Cristo cure as divisões; ainda não permitimos que a humildade de Deus transforme o mundo violento que criámos”, evidenciou. O patriarca de Lisboa centrou-se na palavra “reparação”, presente no coração da mensagem de Fátima e que é muitas vezes “incompreendida”, no entanto defendeu que “bem compreendida no seu sentido profundo, ela é uma das vias mais belas do amor cristão”. “Reparar não é ‘arranjar’ o que está partido, nem compensar Deus por uma dívida. Reparar é entrar numa comunhão de amor, numa sintonia coração a coração, em que o filho procura consolar a Mãe e unir-se ao seu sentir”, ressaltou.

D. Rui Valério definiu a reparação como “filial e confiante, nunca dramática ou culpabilizante: é o exercício mais puro da caridade cristã”. “E quando vivida nesta chave, a reparação alcança o seu fruto mais precioso: gera paz interior, porque cura o que está ferido no coração; e gera paz comunitária, porque abre um espaço onde o amor pode recomeçar”.

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