Novos Ventos – 07 de Dezembro

II Domingo do Advento – Ano A
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste II domingo de Advento é-nos apresentada a figura de João Baptista que lança o desafio a uma mudança de vida, deixa-se transformar pelo encontro com Cristo «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos céus». João Baptista não coloca a centralidade na sua pessoa, mas anuncia Aquele que vem instaurar o reino dos céus. Muitas vezes, podemos cair na tentação de nos autorreferenciar, isto é, de nos colocar no mesmo patamar de deus substituindo o próprio Deus.

Tal como o filósofo Nietzsche ao afirmar: “Deus está morto”, esta afirmação não era apenas com base na paixão de Cristo, mas o procurar a centralidade sobre si mesmo. Também nós podemos cair na mesma tentação de querer prescindir de Deus, excluindo-O das nossas vidas. Por seu lado, João Baptista, não se coloca no centro, mas exorta os seus contemporâneos a «endireitar os caminhos tortuosos e a preparar o caminho onde Deus tem um lugar onde habitar. Muitas vezes, é necessário ter a coragem e a ousadia de mudar as coisas na nossa vida que não tão lineares ou corretas. Este é o apelo deixado por João no evangelho deste domingo.

A leitura do Livro de Isaías, o profeta Isaías propõe, com a linguagem de um poeta e a convicção de um profeta, o projeto que Deus se propõe realizar em favor do Seu povo: no tempo oportuno irá chegar um “ungido” de Javé, nascido da família do rei David, que inaugurará um reino de justiça e de paz sem fim. Nesse mundo belo e harmonioso que então nascerá, “o lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora”. Esta janela de sonho permite-nos entrever, ao longe, o Menino de Belém.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Romanos, o apóstolo Paulo, dirigindo-se aos cristãos de Roma, lembra-lhes algumas das exigências que resultam do compromisso que assumiram com Cristo. Sendo, junto dos seus concidadãos, o rosto visível de Cristo, eles devem dar testemunho de união, de harmonia, de fraternidade, acolhendo e ajudando os irmãos mais débeis e sendo sinais desse mundo novo que Cristo veio inaugurar.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus, João Baptista deixa um aviso a todos aqueles que vão procurá-lo no vale do rio Jordão: a concretização do Reino de justiça e de paz, outrora anunciado por Deus, está próxima. Para acolher o enviado de Deus, é necessário primeiro “converter-se”. Converter-se é abandonar os caminhos sem saída em que se anda e “voltar para trás”, ao encontro de Deus. Os que aceitarem fazer esse “caminho de conversão”, estarão preparados para acolher o Reino de Deus e para fazer parte da comunidade do Messias.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus

Naqueles dias, apareceu João Batista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». João tinha uma veste tecida com pelos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre. Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão; e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Praticai ações que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu batizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu, e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Tem a pá na sua mão: há de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Dezembro 2025)

«Todos os confins da Terra verão a salvação do nosso Deus» (Is 52, 10) 

Exilado na Babilónia, o povo de Israel tinha perdido tudo: a sua terra, o seu rei, o Templo e, por isso, a possibilidade de prestar culto ao seu Deus, Àquele que no passado o tinha feito sair do Egipto.  Mas eis que a voz de um profeta faz um anúncio surpreendente: chegou a hora de regressar a casa. Uma vez mais, Deus agirá com poder e reconduzirá os israelitas para além do deserto, até Jerusalém. Desse acontecimento prodigioso serão testemunhas todos os povos da Terra: 

«Todos os confins da Terra verão a salvação do nosso Deus» 

Também hoje os noticiários estão repletos de notícias alarmantes: pessoas que perdem o trabalho, a saúde, a segurança e a dignidade. Sobretudo jovens que têm o futuro em risco por causa da guerra ou da pobreza provocada por alterações climáticas nos seus países. Há povos sem terra, sem paz, sem liberdade.  Um cenário trágico, de dimensões planetárias, que nos faz ficar sem fôlego e obscurece o horizonte. Quem nos salvará da destruição de tudo aquilo que considerávamos ter alcançado? Parece não haver razões para a esperança. Contudo, o anúncio do profeta é também para nós: Preparado por Letizia Magri 


Jesuítas querem acompanhar jovens que terminaram ensino superior, com propostas adequadas a esta fase da vida

A Companhia de Jesus em Portugal (Jesuítas) assumiu a vontade de ajudar os jovens na fase da vida após a universidade, entre os 25 e os 35 anos, a encontrar o seu papel e vocação, enquanto cristãos e pessoas. “Olhando para a Pastoral dos Jesuítas, desde o início de vida e para a frente, enquanto Pastoral Juvenil até aos 35 anos, percebemos que havia ali uma lacuna na geração pós-universitária”, afirmou Isabel Sousa Guedes, da equipa Pastoral Juvenil Universitária dos Jesuítas, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido segunda-feira, na RTP2. O distanciamento da Igreja e falta de acompanhamento a estes jovens adultos levou à elaboração do relatório “Escutar para Acompanhar: um olhar pastoral sobre a geração jovem adulta”, que resultou de inquérito que teve como objetivo compreender melhor os anseios, desafios e esperanças desta geração. “O que é que nós queremos? Primeiro, com este estudo, confirmar não só a inquietação, mas também termos um relatório que nos confirme as nossas intuições”, referiu o padre Nelson Faria, coordenador da Pastoral Juvenil Universitária dos Jesuítas. “E depois, principalmente nos nossos centros universitários, mas não só, começarmos a fazer deles uma espécie de laboratório, através daquilo que chamamos a geração K, ou geração 25-35, para começar a construir propostas para eles”.

Miguel Viana, adjunto da direção do Centro Universitário Padre António Vieira (CUPAV), explica que o estudo teve uma amostra de 100 pessoas, que os jesuítas tentaram que fosse o mais díspar possível, para que os dados “fossem minimamente credíveis”. As respostas revelaram que as relações interpessoais e a comunidade são um “ponto importantíssimo” e basilar para os jovens, dá conta Isabel Sousa Guedes, assinalando que os dois fatores estão “completamente alinhado com a mensagem de Jesus”. “A ligação com a vida e o não distanciamento da fé à vida real, ou à vida do dia-a-dia, mas a questão da comunidade e das relações, e não ser uma coisa só estandarte, mas próxima, é muito valorizada e está lá explícito nas conclusões”.

«A pessoa com deficiência tem vindo a ser colocada progressivamente mais às margens»

A irmã Marta Couto, da associação dos Silenciosos Operários da Cruz, alertou, em entrevista à Agência Ecclesia, para o clima de exclusão que as pessoas com deficiência são alvo na sociedade. “A pessoa com deficiência tem vindo a ser colocada progressivamente mais às margens”, afirmou a leiga consagrada, acrescentando que era desejável que acontecesse o contrário, com o desenvolvimento das sociedades. O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência é celebrado anualmente a 3 de dezembro, com o objetivo de promover os direitos e bem-estar das pessoas com esta condição, na sociedade e a sua participação nos vários domínios social, cultural, económico e político, segundo o Centro de Informação Europeia Jacques Delors. “Infelizmente, muitas das vezes, e atualmente vemos a crescer a sombra à volta das pessoas com deficiência”, lamentou a irmã Marta Couto. Em Fátima, a data que hoje se assinala é celebrada pelo Grupo da Diferença, que engloba as cinco instituições do concelho de Ourém que dão apoio à pessoa com deficiência (CRIF – Centro de Reabilitação e Integração de Fátima, Centro João Paulo II e Escola de Educação Especial “Os Moinhos”, CRIO – Centro de Reabilitação e Integração de Ourém e Casa do Bom Samaritano). “Tem um programa celebrativo e muito importante para que estas instituições também possam criar relações e partilhar experiências entre elas. É sempre um dia muito bonito e cheio de alegria”, assinalou a entrevistada.

Além deste dia, as pessoas com deficiência e seus cuidadores são convidados a participar no jubileu a eles dedicado agendado para o dia 13 de dezembro, no Santuário de Fátima, inserido no Ano Santo 2025. “O nosso objetivo quando pensámos neste Jubileu da Pessoa com Deficiência foi precisamente não fazermos um jubileu para as pessoas com deficiência, mas com as pessoas com deficiência”, explica Marta Couto. Nesse sentido, a leiga consagrada evidencia que o tema desta celebração é “Refletir a Esperança: ser espelho do amor de Deus”. “É uma chamada de atenção para que as pessoas com deficiência e os seus cuidadores não sejam vistos pela Igreja, essencialmente, mas também pela sociedade, como um objeto de caridade […], mas que sejam eles próprios os atores desta pastoral”, destaca a leiga consagrada. O dia jubilar é constituído por um programa com duas propostas complementares: uma dedicada às pessoas com deficiência, cuidadores e outros interessados – com dimensões de reflexão e partilha -, e outra dedicada, especificamente, às pessoas com deficiência psíquica – com um teor mais sensorial. “Depois teremos também alguns momentos em conjunto nos quais teremos a oportunidade de compreender e de partilhar aquilo que é vivido em cada um dos programas”.

As duas propostas coincidem nos momentos de acolhimento, às 10h00, no Centro Pastoral de Paulo VI, no convívio ao almoço, às 13h00, e no encerramento, às 17h45, no mesmo lugar, e na missa com que se conclui o programa, às 18h30, na Basílica da Santíssima Trindade, presidida por D. José Traquina, bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

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