Novos Ventos – 16 de Novembro

XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

O Evangelho deste domingo apresenta uma linguagem escatológica, isto é, um ramo da teologia que se dedica ao destino final da humanidade e do mundo. Jesus começa por anunciar a destruição do Templo de Jerusalém. A história mostra que o Templo de Jerusalém foi alvo de diversas destruições, devido a diversos fatores de âmbito social e religioso, como sucedeu no ano 70 depois de Cristo.

Todavia, a liturgia procura realçar que o cristão vive da esperança. Esperança neste novo mundo em construção, fora e dentro da própria Igreja, e que teve o seu início com a Ressurreição de Cristo e de forma mais concreta atingirá o seu termo na segunda vinda do Senhor. O cristão procura viver animado pela esperança de um mundo melhor, começando a viver já aqui na terra, mas na expetativa de uma realidade futura no reino dos céus. Apesar, da linguagem Apocalíptica descrita neste evangelho como sinais espantosos no céu, terramotos, perseguições à própria Igreja, os cristãos vivem na esperança de um novo céu e uma nova terra. Jesus expressa mesmo que o mundo nos odiará por causa da nossa fé N’Ele. Todavia, ainda que possamos passar por muitas provações nesta vida, a promessa de Jesus é clara «nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas». Na verdade, o Único que nos pode garantir algo que vai para além desta nossa condição mortal é o próprio Jesus ao dar-nos a possibilidade de viver no Reino Eterno.

A leitura do Livro de Malaquias, um “enviado de Deus” anuncia a uma comunidade desanimada que, ao contrário do que dizem alguns céticos, Javé não abandonou o seu Povo nem deixou o mal assumir as rédeas da história dos homens. No tempo oportuno Deus vai atuar, vai limpar o mundo, vai derrotar as forças da opressão e da morte que privam os homens de vida. Das cinzas do mundo velho Deus vai fazer nascer um mundo novo, iluminado pela luz da salvação.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Tessalonicenses, o apóstolo Paulo pede aos cristãos de Tessalónica – e aos cristãos de todas as épocas e lugares – que não se instalem na mediocridade, na apatia, na ociosidade, mas sejam protagonistas da história, gente comprometida com a construção do Reino de Deus. Viver de olhos postos em Deus não significa colocar-se à margem da construção do mundo.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, Jesus conversa com os seus discípulos sobre o sentido da história humana. Garante-lhes que a história dos homens não terminará num fracasso: no final do caminho estará Deus para oferecer aos seus queridos filhos a salvação, a vida definitiva. Essa certeza deve proporcionar-nos a força de que necessitamos para enfrentar as crises, os abalos, as convulsões da história, até mesmo as condenações e perseguições que se apresentarão em cada curva do caminho.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas». Palavra da Salvação


Palavra de Vida (Novembro 2025)

«Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5,9)

«Cada povo, cada pessoa sente um anseio profundo pela paz, pela concórdia, pela unidade. Não obstante, apesar dos esforços e da boa vontade, depois de milénios de história, encontramo-nos incapazes de alcançar uma paz estável e duradoura. Jesus veio trazer-nos a paz, uma paz – diz-nos – que não é como aquela que “o mundo dá”[1] porque não é apenas ausência de guerra, de litígios, de divisões, de traumas. A “sua” paz é também isso, mas é muito mais: é plenitude de vida e de alegria, é salvação integral da pessoa, é liberdade, é justiça e fraternidade no amor entre todos os povos»[2]. A palavra de vida deste mês é a sétima das bem-aventuranças, que constituem o início do Sermão da Montanha (Mt5-7). Jesus, que as encarna todas, dirige-se aos seus discípulos para os instruir. Note-se que as oito bem-aventuranças estão formuladas no plural. Por isso, podemos deduzir que a ênfase não é dada a um comportamento individual ou a virtudes pessoais, mas a uma ética coletiva que se concretiza em grupo. Texto preparado por Augusto Parody Reyes


Tolentino no CILPE2025: as línguas são uma “uma prática efetiva de fraternidade”

Motor de compreensão recíproca

Línguas que “são grandes e necessários mapas para o conhecimento dos territórios humanos, e oferecem-nos a possibilidade de entrar em relação com eles e connosco próprio”, segundo o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, cardeal José Tolentino de Mendonça. O purpurado português, representante da Santa Sé, junto com a secretária da Pontifícia Comissão para América Latina, Emilce Cuda, no CILPE2025, vê as línguas como “um motor para as práticas de compreensão recíproca”, mas também como “um contributo cultural que fomenta a justiça, o desenvolvimento e a paz”. As línguas como “aliadas de uma visão plural e harmoniosa” é uma das propostas que o prefeito da Cúria vaticana fez aos participantes do CILPE2025, dentre eles representantes dos Ministérios de Cultura e Chancelarias de diversos países ibero-americanos e do país sede. Tolentino fez um chamado a ver as línguas como marcadores de empatia, de relação, de hospitalidade, de inclusão, nunca de estranheza e de hostilidade.

Língua como mátria

Citando papa Leão XIV, mostrou a necessidade de “uma educação que involucre a mente, o coração, o coração e as mãos”, em vista de uma educação para a paz, de passar à “linguagem da misericórdia”. O cardeal refletiu sobre a língua como mátria, um conceito que o leva, desde o conceito de língua materna, a ver as línguas como “um modo irremovível e incomparável de dizer-se”. Seguindo o pensamento de Fernando de Pessoa, Tolentino disse que “uma relação assim profunda com a língua nenhuma máquina ou tecnologia são capazes de reproduzir”, dado o “nível matricial, vernacular, maternal” da língua. Ao refletir sobre o papel das línguas como “recursos indispensáveis ao serviço da confiança, da fraternidade e da paz”, Tolentino reforçou a importância das línguas como “laboratórios interculturais de esperança e de futuro”, que “embalam e iluminam o coração dos sujeitos e dos povos”. Línguas que, para a Igreja católica, possibilitaram “formular a mensagem de Cristo por meio dos conceitos e línguas dos diversos povos”, dando “a possibilidade de exprimir a mensagens de Cristo segundo a sua maneira própria”. Uma dinâmica que que faz com que a língua se torne “uma alavanca de justiça internacional”.

A língua como frátria

Além de mátria, cada língua é uma frátria, “uma prática efetiva de fraternidade, um avizinhamento afetivo entre as diversas culturas e uma experiência de cidadania aberta e partilhada”, segundo Tolentino. Nessa perspectiva, as palavras aparecem como “a verbalização do desejo que sentimos do outro”, que nos leva a ver a língua como “uma consequência espantosa da necessidade de relação”. Daí o chamado final do prefeito vaticano para “que a educação nos ajude a perceber a diversidade como uma experiência sem a qual a unidade não se tece”, que o leva a desejar que “a língua se torne a arte de tecer laços entre as culturas. E que a consciência reconciliada com a pluralidade funde uma cidadania baseada na fraternidade universal”.

Leão XIV: a guerra é um “massacre inútil”, nada é melhor do que a paz

“No último sábado, em Kochi, no estado indiano de Kerala, foi beatificada Madre Eliswa Vakayil, que viveu no século XIX, fundadora da Ordem Terceira das Carmelitas Teresianas Descalças. O seu corajoso empenho em favor da emancipação das meninas mais pobres é fonte de inspiração para todos aqueles que trabalham, na Igreja e na sociedade, pela dignidade da mulher.” Assim o Papa Leão XIV recordou da beatificação da madre Eliswa Vakayl durante a saudação aos peregrinos italianos na Audiência Geral desta quarta-feira (12/11). Na catequese do dia, o Pontífice insistiu que acreditar na morte e na ressurreição de Jesus nos dá esperança e nos encoraja a investir no bem e, especialmente, a fomentar a fraternidade.

“Nada é absolutamente melhor” que a paz

Nos dias de hoje principalmente, continuou ele, diante das tensões sociais e guerras espalhadas pelo mundo. Para dissipar essas sombras, é preciso buscar luz e força no Ressuscitado, para nos amarmos e dar a vida pelos outros. Assim, mais uma vez Leão XIV ressaltou o valor da paz ao se dirigir inclusive aos fiéis de língua polonesa, lembrando do fim do “massacre inútil” da Primeira Guerra Mundial, como a definiu Bento XV, que foi recordado nesta terça-feira, 11 de novembro: “”Saúdo cordialmente os poloneses. Ontem recordamos o fim do ‘massacre inútil’ da Primeira Guerra Mundial, após a qual, para muitos povos, incluindo o de vocês, chegou o amanhecer da independência. Somos gratos a Deus pelo dom da paz, da qual — como afirmava Santo Agostinho — ‘nada é absolutamente melhor’. Que a preservemos com o coração enraizado no Evangelho, no espírito de fraternidade e de amor pela pátria. A todos, a minha bênção!””

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