Novos Ventos – 19 de Outubro

XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste domingo o Evangelho de São Lucas apresenta uma temática muito comum referente à sociedade quotidiana, temos duas personagens que nos faz interpelar o sentido da justiça e a importância de ser persistentes na oração. O juiz nem teme a Deus nem respeita os homens e a pobre viúva que não cessa de clamar por justiça.

Numa época marcada por uma sociedade laica é comum encontrar este tipo de juízes que nem temem a Deus e nem respeitam os homens. Este juiz não queria atender esta viúva, que insistentemente lhe pedia que lhe fizesse justiça contra o seu adversário. A pobre viúva por seu lado estava a ser vítima nas mãos de pessoas mais poderosas; contudo, apesar das dificuldades que pudesse atravessar nunca desistiu de pedir auxílio. O juiz acabou por atendê-la não por compaixão, mas para que de alguma forma se pudesse ver livre da pobre viúva e esta não continuasse a incomodá-lo indefinidamente. Este Evangelho procura realçar a insistência da oração, pois o evangelista conclui de forma interpelativa: «Quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?». Sabemos que Jesus Cristo virá para julgar a humanidade, mas será que encontre gente de fé? Será que encontre pessoas orantes e perseverantes na fé?

A leitura do Livro do Êxodo, traz-nos um episódio da caminhada do povo de Deus pelo deserto: durante um confronto de Israel com os amalecitas, Moisés ficou em oração, no cimo de um monte, pedindo a Deus que salvasse o seu povo. Ao contar esta história, a catequese de Israel pretende sublinhar o poder da oração. O crente só conseguirá enfrentar as duras batalhas que a vida lhe impõe se puder contar com a ajuda e a força de Deus; e essa ajuda e essa força brotam de um diálogo contínuo, nunca interrompido e nunca acabado, com esse Deus salvador e libertador que acompanha o seu povo em cada passo do caminho.

A leitura da Epistola de São Paulo a Timóteo, um mestre cristão do final do primeiro século convida os crentes a terem sempre em conta, na construção do edifício da sua fé, a Sagrada Escritura. Ela é um lugar privilegiado de encontro entre Deus e o homem. Escutar a Escritura é escutar o Deus que fala e que mostra o caminho que conduz à vida verdadeira. A oração também passa pela escuta desse Deus que nos fala através da Sua Palavra escrita.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, Jesus conta aos discípulos uma parábola sobre “a necessidade de orar sempre sem desanimar”. Segundo Jesus, Deus escuta sempre a oração dos seus filhos e, no tempo oportuno, há de dar resposta a tudo aquilo que eles lhe dizem. Entretanto, independentemente da resposta de Deus, a oração faz bem: aproxima os crentes de Deus, fá-los entender o projeto de Deus, leva-os a confiar incondicionalmente em Deus, na sua misericórdia, na sua bondade, no seu amor.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!… E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?». Palavra da Salvação


Palavra de Vida (outubro 2025)

«O meu auxílio vem do Senhor, que fez o Céu e a Terra». (Sal 121[120],2)

Afirma Chiara Lubich: «Nos momentos de incerteza, de angústia e de suspensão, Deus quer que acreditemos no seu amor e pede-nos um ato de confiança: (…) quer que aproveitemos estas circunstâncias dolorosas para Lhe demonstrarmos que acreditamos no seu amor. E isto significa: ter fé que Ele é o nosso Pai e que cuida de nós. Confiar-lhe todas as nossas preocupações. Entregar-lhas a Ele»[5]. Mas de que modo o auxílio que vem de Deus chega a cada um de nós? A Escritura narra muitos episódios em que isto se concretiza através do agir de homens e mulheres, como Moisés, Elias, Eliseu ou Ester, chamados a serem instrumentos da solicitude divina pelo povo ou por alguma pessoa em particular. Também nós, se “levantarmos o olhar”, reconheceremos a ação de pessoas que, conscientemente ou não, vêm em nosso auxílio. Ficaremos gratos a Deus, de quem vem, em última instância, todo o bem (Ele criou o coração de cada um) e podemos testemunhá-lo aos outros. Claro que é difícil darmo-nos conta disso se ficarmos fechados em nós mesmos e se, nos momentos difíceis, pretendermos resolver as situações só com as nossas forças. Quando, pelo contrário, nos abrimos, olhamos à nossa volta e levantamos os olhos, descobrimos que também podemos ser instrumentos de Deus que cuida dos seus filhos. Apercebemo-nos das necessidades dos outros e podemos ser uma ajuda preciosa para eles.

«O meu auxílio vem do Senhor, que fez o Céu e a Terra» 

Conta o Roger, da Costa Rica: «Um sacerdote que eu conhecia informou-me que viria ter comigo uma pessoa para levar fraldas para adultos que, com o grupo de solidariedade do qual faço parte, tínhamos colocado à disposição, sabendo que alguns seus paroquianos precisavam. Quando estava à espera dele, vi passar à frente da minha casa uma vizinha que estava a viver uma situação muito difícil, e dei-lhe os últimos sete ovos que tinha, juntamente com outros alimentos. Ficou surpreendida, porque não tinha nada para comer nem para dar ao seu marido e aos seus filhos. Recordei-lhe o convite de Jesus “pedi, e ser-vos-á dado” (Mt 7,7), sublinhando que Ele é muito solícito com as nossas necessidades. Ela voltou para casa feliz e grata a Deus. Na parte da tarde chegou a pessoa mandada pelo sacerdote. Ofereci-lhe um café. Era camionista e, conversando, perguntei-lhe o que transportava. “Ovos”, respondeu-me, e quis oferecer-me uma embalagem de trinta e dois ovos». Preparado por Silvano Malini


Leão XIV preside missa com canonização de 7 beatos em 19 de outubro

O Papa Leão XIV vai presidir a celebração eucarística com o rito de canonização de 7 beatos em 19 de outubro, na Praça São Pedro, Dia Mundial das Missões. A missa com transmissão ao vivo dos canais do Vatican News e comentários em português começa às 10h30 do horário local, 5h30 no Horário de Brasília. A informação foi divulgada pelo Departamento de Celebrações Litúrgicas Pontifícias. Segundo comunicado assinado pelo mestre de Cerimônias Litúrgicas Pontifícias, Mons. Diego Ravelli, os novos santos serão: Inácio Maloyan, Pedro To Rot, Vincenza Maria Poloni, Carmen Rendiles Martínez, Maria Troncatti, José Gregorio Hernández Cisneros e Bartolo Longo.

Inácio Choukrallah Maloyan nasceu na Turquia em 1869, foi bispo de Mardin dos Armênios e morto durante ações violentas contra os cristãos perpetradas naquela região. Por se recusar a abraçar outra fé, foi fuzilado junto com muitos outros correligionários. Na prisão, chegou a consagrar o pão para o conforto espiritual dos companheiros. Ele foi beatificado em 2001 pelo Papa João Paulo II. Segundo o Dicastério das Causas dos Santos, em vista da canonização e reconhecendo a atualidade do seu exemplo, foi acolhida a súplica feita por Sua Beatitude Raphaël Bedros XXI Minassian, Catolicos, Patriarca da Cilícia dos Armênios Católicos, em fevereiro de 2024, dispensando o estudo de um suposto milagre, junto à documentação que ilustra os motivos que sustentam a canonização. A devoção a Maloyan é particularmente forte pela Igreja Católica Armênia e há provas da sua intercessão, manifestada pela obtenção de graças materiais e espirituais.

Pedro To Rot nasceu na Papua Nova Guiné em 1912. Mártir, pai de família e catequista, foi preso durante a Segunda Guerra Mundial por ter perseverado em seu ministério e sofreu o martírio com uma injeção de veneno letal. Ele foi beatificado por João Paulo II em 1995. Em 2024, os bispos do país e também das Ilhas Salomão fizeram um pedido para dispensar o primeiro beato de Papua do milagre para seguir com a canonização, o que foi acolhido junto a muitas provas que demonstraram a dificuldade de constatação do mesmo.

Vincenza Maria Poloni nasceu na Itália em 1802. Fundadora do Instituto das Irmãs da Misericórdia; o carisma do Instituto foi marcado pela sua experiência, que se dedicou constantemente a assistir doentes, idosos e órfãos até à morte após anos de tratamento de um câncer. A Venerável em 2006 foi beatificada por Papa Bento XVI em 2008.

Papa: cuidado com a instrumentalização da fé, pode anestesiar o coração

O Papa Leão presidiu à Santa Missa por ocasião do Jubileu da Espiritualidade Mariana, com a participação de reitores e responsáveis de santuários, membros de movimentos, confrarias e grupos marianos de oração. Na Praça São Pedro, o Santo Padre se deteve diante da imagem original de Nossa Senhora de Fátima, que excepcionalmente deixou o santuário mariano português para estar presente também no Terço pela paz conduzido pelo Pontífice na tarde de 11 de outubro.

A espiritualidade mariana tem Jesus como centro

A homilia do Pontífice foi inspirada numa frase do apóstolo Paulo a Timóteo: “Tem sempre bem presente Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos e nascido da linhagem de David” (2 Tm 2, 8). “A espiritualidade mariana, que alimenta a nossa fé, tem Jesus como centro”, explicou o Papa. “«Tem sempre bem presente Jesus Cristo»: só isso importa e faz a diferença entre as espiritualidades humanas e o caminho de Deus.”

É preciso  que o domingo nos faça cristãos, recomendou o Santo Padre. Ou seja, que encha o nosso sentir e o nosso pensar com a memória incandescente de Jesus, modificando a nossa convivência, a nossa habitação na terra. Toda a espiritualidade cristã se desenvolve a partir deste fogo e contribui para torná-lo mais vivo. Quanto menos títulos se possa ostentar, mais claro aparece que o amor é gratuito. “Deus é puro dom, somente graça, mas quantas vozes e convicções podem separar-nos ainda hoje desta verdade nua e disruptiva!”, observou. “Irmãos e irmãs, a espiritualidade mariana está a serviço do Evangelho, revelando a sua simplicidade. O afeto por Maria de Nazaré torna-nos, com Ela, discípulos de Jesus, educa-nos a voltar para Ele, a meditar e a relacionar os acontecimentos da vida nos quais o Ressuscitado ainda nos visita e chama. (…) Ela compromete-nos a saciar os famintos, a exaltar os humildes, a recordar a misericórdia de Deus e a confiar no poder do seu braço.” 

Cuidado com a instrumentalização da fé

Com efeito, prosseguiu o Papa, os leprosos que no Evangelho não voltam para agradecer nos lembram que a graça de Deus também pode vir até nós e não encontrar resposta, pode curar-nos e não nos envolver. “Tenhamos cuidado, portanto, com aquele subir ao templo que não nos faz seguir Jesus. Existem formas de culto que não nos ligam aos outros e anestesiam o nosso coração”, advertiu Leão XIV. Deste modo, não vivemos verdadeiros encontros com aqueles que Deus coloca no nosso caminho; não participamos, como fez Maria, da mudança do mundo e na alegria do Magnificat.

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