XXII Domingo do Tempo Comum – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste XXII Domingo do Tempo Comum a liturgia salienta que devemos ter uma atitude de simplicidade e humildade e não a procurar obter honras ou protagonismos. É no contexto de uma refeição que Jesus se encontra na casa de um fariseu importante e Jesus observa que os convidados iam escolhendo os melhores lugares à mesa. Ao ver tal atitude Jesus conta-lhes uma parábola (história) em que os convidados também tinham escolhido os melhores assentos e depois o dono da casa pediu que ocupassem outros lugares. Muitas vezes, pode acontecer com cada um de nós ter esta atitude de os lugares melhores, ou a pretensão de um certo protagonismo na sociedade, Jesus mostra que o verdadeiro protagonismo está naqueles que têm uma atitude de humildade e simplicidade e também em não fazer coisas com o pretexto de ser retribuído pelos homens, mas a verdadeira recompensa será dada por Deus.
Ainda que o nosso modo de atuar e viver não seja reconhecido pelos homens, o Senhor promete que essa recompensa será dada na ressurreição dos justos. Que a conduta da nossa vida seja pautada por «fazer o bem sem olhar a quem», isto é, sem estar à espera de receber recompensa.
A leitura do Livro de Ben-Sirá, um sábio judeu dos inícios do séc. II a.C. exorta os seus concidadãos a não se deixarem deslumbrar pela arrogante cultura helénica. Sugere-lhes que, fiéis aos valores dos antepassados, rejeitem a soberba e escolham a humildade. Dessa forma, agradarão a Deus e aos homens. A humildade não é a virtude dos fracos; é a opção daqueles que estão apostados em viver uma vida plena de sentido.
A leitura da Epistola aos Hebreus, um pregador cristão da segunda metade do séc. I convida os crentes a reavivarem a sua opção por Cristo. Afinal, a experiência cristã é uma experiência que nos leva até Deus, que nos insere na família de Deus, que nos faz entrar na Jerusalém celeste, que nos irmana aos “santos” cujos nomes estão inscritos no céu. Como não viver com alegria e entusiasmo esta escolha?O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, faz-nos entrar em casa de um fariseu que tinha convidado Jesus para a “refeição de sábado”. Aos convivas que lutavam pelos “primeiros lugares”, Jesus fala de humildade e de simplicidade. Ao dono da casa, rodeado de amigos unidos pela mesma rede de interesses, Jesus convida a sair fora daquele círculo exclusivo e privilegiado, para abraçar o amor gratuito e desinteressado a todos. Humildade, simplicidade, amor universal, acolhimento misericordioso de todos: segundo Jesus, é a partir desses valores que será possível contruir o Reino de Deus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos. Palavra da Salvação


Encontro de Rimini: Frassati e Acutis santos sem superpoder, símbolo de “normalidade”
O santo não tem “superpoderes”, mas “adere ao ideal para o qual foi criado”. Na “normalidade”, ele agita as coisas e é “uma reação ao marasmo geral”. Ele sabe “aprofundar-se” na vida cotidiana, “aproveitando ao máximo” a própria existência, inclusive por meio do humor e da ironia. E talvez seja propriamente um santo a “salvar, em última análise, a sociedade”. Ou melhor, uma “sociedade de santos”. As figuras de Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati, que serão canonizados juntos em 7 de setembro, foram o foco do painel “Novos Santos”, realizado na quarta-feira, 27 de agosto, último dia do encontro de Rimini, norte da Itália. Entre os palestrantes, estavam Paolo Asolan, professor de Teologia Pastoral Fundamental e decano do Pontifício Instituto Pastoral Redentor Hominis da Pontifícia Universidade Lateranense; Marco Cesare Giorgio, presidente do Centro Cultural Pier Giorgio Frassati; Antonia Salzano, mãe de Carlo Acutis (presente por videoconferência); dom Domenico Sorrentino, bispo de Assis – Nocera Umbra – Gualdo Tadino e Foligno. O encontro foi moderado por Bernhard Scholz, presidente do Encontro para a Amizade entre os Povos (ETS).
Laicato, vocação e obras: o legado de Frassati
“Piergiorgio soube ser feliz nas circunstâncias ordinárias da vida”, afirmou Cesare Giorgio, que em seguida leu as palavras do escritor Stefano Iacomuzzi, que teve a oportunidade de conhecer alguns amigos de Frassati. “Gostei dele também porque ele serviu de contrapeso às imagens distantes dos grandes santos.” A imagem proposta lembra o que já havia sido delineado por padre Giussani e Bento XVI: o santo “não é alguém com superpoderes, mas alguém que adere ao ideal para o qual foi criado”. “Mas o que fez de extraordinário Piergiorgio?”, perguntou Cesare Giorgio, provocativo. “Ele viveu tudo de forma integral e unida.” Entre seus legados estão “o papel dos leigos”, o chamado à santidade aberto a “todos” e as muitas obras nascidas ao redor do mundo dedicadas a Frassati.
“Uma multidão de indecisos, e ele, determinado”
Em seu discurso, Asolan observou como o jovem de Turim deixou “a vida de Cristo fluir em sua vida”, segundo “um encanto” que se sentiu desde o primeiro encontro, desde o primeiro olhar: um “algo a mais, que é explicável”. Em seguida, Asolan coletou três citações significativas sobre Frassati. A primeira é do político italiano Filippo Turati, que escreveu em julho de 1925: “O que se lê sobre ele é tão novo e inusitado que enche de reverente espanto até mesmo aqueles que não compartilhavam de sua fé”. A segunda é uma frase “gritada” por Frassati certa noite, após receber um ataque motivado politicamente e um soco: “Vossa violência não pode superar a força de nossa fé, porque Cristo não morre”. A terceira é o testemunho de um amigo, que explicou sua impressão sobre Frassati da seguinte forma: “Uma multidão de indecisos, e ele, determinado. Um enxame de desorientados, e ele, orientado. Uma fila interminável de decepcionados, e ele, contente”. Um jovem que, para seus coetâneos, representava “a reação ao marasmo geral”, louvado por aquela “normalidade” que era a manifestação da “presença de Jesus Cristo” nele.
Uma sociedade de santos
“Quem, em última análise, salvará a sociedade não será um diplomata, um douto ou um herói, mas um santo, ou melhor, uma sociedade de santos.” O arcebispo Sorrentino escolheu as palavras do beato Giuseppe Toniolo, “conselheiro de Leão XIII para a Rerum Novarum“, para descrever as figuras de Carlo Acutis e Piergiorgio Frassati: “Carlo, como Piergiorgio, insere-se nesta lógica.” Em seguida, dedicou um trecho a outro santo, Francisco de Assis, cujo Cântico das Criaturas – observou Sorrentino – “Carlo o vive”, através do seu amor pela “beleza da vida”.
Leão XIV: “A esperança cristã não é evasão, mas determinação”
A Sala Paulo VI acolheu milhares de fiéis para a Audiência Geral desta quarta-feira, 27 de agosto. Quem não conseguiu entrar, foi acomodado do lado de fora do auditório e na Basílica Vaticana e também recebeu a saudação do Papa antes e depois do encontro semanal. Em sua catequese, Leão XIV deu continuidade ao ciclo no âmbito deste Ano Santo, dedicado ao tema “Jesus Cristo nossa Esperança”. O tema, «Quem procurais?” (Jo 18,4) fala do início da Paixão de Jesus, em que é preso no Jardim das Oliveiras.
O evangelista João não apresenta um Jesus assustado, em fuga, mas um homem livre, que se deixa levar. Ao responder “Eu Sou”, o Mestre revela que a esperança cristã não é evasão, mas determinação. “Esta atitude é o resultado de uma oração profunda em que não pedimos a Deus que nos poupe ao sofrimento, mas que tenhamos a força para perseverar no amor”, explicou o Pontífice. Aliás, Jesus viveu cada dia da sua vida como preparação para esta hora dramática e sublime. Sabe que perder a vida por amor não é um fracasso, mas possui uma misteriosa fecundidade. Como o grão de trigo que, caindo na terra, morre e se torna fecundo. “É aí que reside a verdadeira esperança: não em tentar evitar a dor, mas em acreditar que, mesmo no coração do sofrimento mais injusto, reside a semente de uma nova vida.”
Isto serve de lição a nós, que, ao defendermos nossos projetos, nossas certezas, acabamos sozinhos. O Evangelho de Marcos fala também de um jovem que, quando Jesus é preso, foge nu (Mc 14,51). No final do Evangelho, é precisamente um jovem quem anuncia a ressurreição às mulheres, já não nu, mas vestido com uma túnica branca.
Para o Santo Padre, se trata de uma imagem profundamente evocativa, pois também nós, ao tentarmos seguir Jesus, somos despojados das nossas certezas e tentados a abandonar o caminho do Evangelho, porque o amor parece uma viagem impossível. “Queridos irmãos e irmãs, aprendamos também nós a entregar-nos à boa vontade do Pai, permitindo que a nossa vida seja uma resposta ao bem que recebemos. A vida não tem de ter tudo sob controlo. Basta escolher amar livremente todos os dias. Esta é a verdadeira esperança: saber que, mesmo na escuridão da provação, o amor de Deus nos sustenta e permite que o fruto da vida eterna amadureça em nós”.


ONU: “até o final do ano, 640 mil pessoas em Gaza correm risco de passar fome”
“Mais de meio milhão de pessoas sofrem atualmente de fome, miséria e risco de morte em Gaza. Até o final de setembro, esse número pode ultrapassar 640 mil. Praticamente ninguém está imune à fome, e prevê-se que pelo menos 132 mil crianças menores de 5 anos sofrerão de desnutrição aguda até meados de 2026”. A denúncia vem de Joyce Msuya, vice-chefe de Assuntos Humanitários da ONU, durante a reunião do Conselho de Segurança, na qual ela reiterou que “esta fome não é resultado da seca ou de alguma forma de desastre natural. É uma catástrofe criada, e também é o resultado de 22 meses de distribuição limitada e comprometida de suprimentos humanitários e comerciais essenciais”. Nas últimas horas, as autoridades da Faixa de Gaza comunicaram a morte de mais quatro pessoas devido à fome. Uma crise que se agrava — afirmam ainda as Nações Unidas — devido ao bloqueio que Israel está impondo também ao envio de tendas para os refugiados.
O PMA lança um apelo para reativar a rede alimentar
O Programa Mundial de Alimentos alertou que Gaza está “à beira do colapso” e lançou um apelo para reativar urgentemente sua rede de 200 pontos de distribuição de alimentos para evitar a propagação de bolsões de fome. “O desespero está aumentando vertiginosamente, e eu vi isso em primeira mão”, disse a diretora executiva do WFP, Cindy McCain, após encontrar crianças palestinas famintas, que ela descreveu como “irreconhecíveis” em comparação com as fotos tiradas quando estavam saudáveis. Nestas horas, espera-se a chegada de um comboio de 25 caminhões com ajuda alimentar da Jordânia.
Pizzaballa: “transferir populações é imoral”
Na quarta-feira, a “ordem de evacuação” da cidade de Gaza pelo exército israelense chegou aos fiéis da paróquia ortodoxa de São Porfírio. O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém dos latinos, que no dia anterior, juntamente com o patriarca ortodoxo Teófilo III, havia expressado o desejo de que as comunidades religiosas e os fiéis não deixassem Gaza, intervindo em streaming em uma reunião na igreja do Carmine, em Pavia, reiterou que “transferir populações é imoral, além de contrário às convenções internacionais”. A situação que se vive hoje “é muito grave”, acrescentou. “A parte sul da cidade foi quase completamente arrasada, no norte, onde fica nossa paróquia, 80% está destruída. Falta comida”. Depois, há o problema da educação. “Ninguém fala sobre isso”, disse o patriarca latino, mas “pelo terceiro ano consecutivo, as crianças não poderão ir à escola”. Por fim, “os medicamentos não chegam: sem antibióticos, é complicado tratar os feridos. Muitos vivem em tendas, sem nada”.