Novos Ventos – 01 de Junho

Domingo da Ascensão do Senhor – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste Domingo da Ascensão do Senhor a liturgia convida a assumir a nossa responsabilidade de discipulado, isto é, de um estrito relacionamento com Cristo. Sabendo que só o conseguimos verdadeiramente quando animados pela força do Espírito Santo: «recebereis a força do alto». Na verdade, quando dependemos apenas das nossas capacidades humanas ou das nossas qualidades, nada fazemos de bom porque impera o nosso egoísmo, a vaidade e não confiamos na graça de Deus. O próprio Jesus é quem nos diz: «sem Mim nada podeis». Embora, Jesus subiu ao Céu e hoje celebramos essa liturgia, mas Ele enviou o Espírito da Verdade, o Consolador, para fortalecer a Igreja nos momentos de provações e dificuldades. O Evangelho revela que depois de terem visto Jesus a ser elevado ao Céu, os discípulos voltaram para Jerusalém cheios de alegria. Porquê essa alegria ao verem o seu Mestre a subir ao Céu? Porque fazem a experiência de uma realidade nova, a Jerusalém Celeste e também porque Jesus enviou o Espírito Santo sobre eles e prometeu «ficar com eles até ao fim dos tempos».

Agora a presença de Jesus já não é meramente Humana, já não está limitada a um espaço físico, uma aldeia ou cidade, mas a Sua presença é Real no Sacramento da Eucaristia, na comunidade crente que se reúne para rezar e que permite Ser Omnipresente, isto é, estar em todo o lado.

A leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos, repete a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter comunicado aos homens o projeto do Pai, entrou na Vida definitiva da comunhão com Deus, a mesma vida que espera todos os que percorrem o “caminho” que Jesus percorreu. Os discípulos, testemunhas da partida de Jesus, não podem ficar a olhar para o céu; mas têm de ir para o meio dos homens, seus irmãos, continuar o projeto de Jesus.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Efésios, convida os discípulos a terem consciência da “esperança” a que foram chamados: a Vida plena de comunhão com Deus. É essa “esperança” que ilumina o horizonte daqueles que fazem parte da Igreja, o “corpo” do qual Cristo é a “cabeça”.

Conclusão do Evangelho Segundo São Lucas, Jesus ressuscitado despede-se dos discípulos e passa-lhes o testemunho. Os discípulos, formados na “escola” de Jesus, têm como missão levar o Evangelho a todas as nações, anunciar a todos os homens e mulheres o amor e a misericórdia de Deus. Não estarão sozinhos: Jesus vai enviar-lhes, como ajuda, o “prometido do Pai”, a “força do alto, o Espírito Santo. Esse Espírito dar-lhes-á a força necessária para enfrentar os obstáculos e ajudá-los-á a discernir os caminhos que devem percorrer.


Conclusão do Santo Evangelho Segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus. Palavra da Salvação


Palavra de vida (Maio 2025)

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». (Jo 21,17)

Também, a cada um de nós, Jesus faz a mesma pergunta: amas-me? Queres ser meu amigo?

Ele sabe tudo: conhece os talentos que Dele mesmo recebemos, como também as nossas fraquezas e feridas, por vezes a sangrar. Não obstante, renova a sua confiança, não nas nossas forças, mas na amizade com Ele. Nesta amizade, Pedro encontraria também a coragem para testemunhar o amor por Jesus até dar a sua própria vida. «Todos nós passamos por momentos de fraqueza, de frustração, de falta de coragem: […] adversidades, situações dolorosas, doenças, mortes, provas interiores, incompreensões, tentações, fracassos […] E há quem se sinta incapaz de ultrapassar certas provas que desabam sobre o físico e sobre a alma, e por isso já não pode contar com as suas forças, e fica na condição de confiar só em Deus. E Ele intervém, atraído por esta confiança. Onde Ele atua, faz coisas grandes, que parecem ainda maiores, precisamente porque brotam da nossa pequenez»[3]. Na vida quotidiana podemos apresentar-nos a Deus tal como somos e pedir a Sua amizade que cura. Neste abandono confiante na sua misericórdia, podemos regressar à intimidade com o Senhor e retomar o caminho com Ele.

«Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo»

Esta Palavra de vida pode tornar-se também uma oração pessoal, a nossa resposta para nos confiarmos a Deus, com as nossas poucas forças e agradecer-Lhe pelos sinais do Seu amor:  «[…] Amo-Te, Senhor, porque entraste na minha vida mais do que o ar nos meus pulmões, mais do que o sangue nas minhas veias. Entraste onde ninguém podia entrar, quando ninguém me podia ajudar, sempre que ninguém me podia consolar. […] Faz com que eu Te seja grata – ao menos um pouco – no tempo que me resta, por este amor que derramaste sobre mim, e me impeliu a dizer-Te: Amo-Te»[4]. Também nos nossos relacionamentos em família, na sociedade e na Igreja, podemos usar o estilo de Jesus: amar a todos, tomar a iniciativa de amar, “lavar os pés”[5] aos nossos irmãos, sobretudo aos mais pequenos e vulneráveis. Aprenderemos a aceitar cada um com humildade e paciência, sem julgar, estando disponíveis para pedir e receber o perdão, para compreender juntos como caminhar lado a lado na vida. Letizia Magri


Papa: cesse guerra na Ucrânia. De Gaza, se eleva o pranto de quem perdeu um filho

Os corpos de crianças sem vida, as casas destruídas, o desespero daqueles que permanecem e lidam com uma dor inexplicável e sem fim. Estas são as imagens que a guerra na Ucrânia e a ofensiva na Faixa de Gaza evocam com força. O Papa Leão XIV não é indiferente ao que está acontecendo e, desde que foi eleito à Cátedra de Pedro, não se cansa de clamar pela paz e pela proteção dos civis. Seu primeiro pensamento, ao final da audiência geral desta quarta-feira (28/05), vai para o povo ucraniano “atingido por novos e graves ataques contra civis e infraestrutura”. Ações que continuam enquanto, no nível diplomático, o trabalho está em andamento após a proposta do presidente ucraniano Zelensky de uma cúpula tripartite com os presidentes estadunidense Trump e russo Putin, na tentativa de aprovar o cessar-fogo. Asseguro minha proximidade e minhas orações por todas as vítimas, especialmente pelas crianças e famílias. Renovo com força o apelo para que cessem a guerra e apoiem todas as iniciativas de diálogo e de paz. Peço a todos que se unam à oração pela paz na Ucrânia e onde quer que se sofra com a guerra.

Um abrigo seguro

O cenário muda, mas o sofrimento permanece o mesmo na Faixa de Gaza, e o Papa Leão pensa nas crianças mortas. Da Faixa de Gaza, o pranto de mães e pais que abraçam os corpos sem vida de crianças e que são continuamente forçados a se deslocar em busca de um pouco de comida e um abrigo mais seguro contra os bombardeios se eleva cada vez mais intensamente. O Unicef, hoje mesmo, divulgou números impressionantes: mais de 50 mil crianças foram mortas ou feridas desde outubro de 2023. O pedido do Papa é claro: Aos responsáveis, renovo meu apelo: cesse o fogo; todos os reféns sejam libertados; seja respeitado integralmente o direito humanitário.

Leão XIV: sem pressa e como o Bom Samaritano, ter compaixão e parar para ajudar o próximo

O Bom Samaritano

A parábola usada desta vez por Leão XVI foi uma das mais famosas de Jesus, aquela do Bom Samaritano (ver Lc 10,25-37), quando um doutor da Lei que, centrado em si mesmo e sem se preocupar com os outros, interroga Jesus sobre quem é o “próximo” a quem deve amar. O Senhor procura mudar a ótica contando a parábola que “é uma viagem para transformar a questão”: não se deve perguntar quem é o próximo, mas fazer-se próximo de todos os que necessitam. O cenário da parábola é “o caminho percorrido por um homem que desce de Jerusalém, a cidade sobre o monte, para Jericó, a cidade abaixo do nível do mar”, um caminho “difícil e intransitável, como a vida”, comentou o Pontífice. Durante o percurso, aquele homem “é atacado, espancado, roubado e deixado meio morto”. Uma experiência vivida diariamente, quando nos encontramos com o outro, com a sua fragilidade, e podemos decidir cuidar das suas feridas ou passar longe: “A vida é feita de encontros, e nesses encontros nos revelamos quem somos. Encontramo-nos perante o outro, perante a sua fragilidade e a sua fraqueza e podemos decidir o que fazer: cuidar dele ou fingir que nada acontece.”

A compaixão é uma questão de humanidade

Um sacerdote e um levita, que “vivem no espaço sagrado”, passam pelo mesmo caminho. No entanto, “a prática do culto não leva automaticamente à compaixão”, recordou Leão XVI, porque “antes de ser uma questão religiosa, a compaixão é uma questão de humanidade! Antes de sermos crentes, somos chamados a ser humanos”. Muitas vezes a pressa, “tão presente nas nossas vidas”, também pode nos impedir de experimentar a compaixão, que deve ser expressa em gestos concretos. “Aquele que pensa que a sua própria viagem deve ter prioridade não está disposto a parar por um outro”, alertou o Pontífice, diversamente do samaritano que se fez próximo daquele que estava ferido. “Este samaritano para simplesmente porque é um homem perante um outro homem que precisa de ajuda. A compaixão é expressa através de gestos concretos. O evangelista Lucas detém-se nas ações do samaritano, a quem chamamos ‘bom’, mas que no texto é simplesmente uma pessoa: o samaritano se aproxima, porque se se quer ajudar alguém não se consegue pensar em manter a distância, é preciso envolver-se, sujar-se, talvez contaminar.” O Bom Samaritano toma conta dele, “porque realmente se ajuda quem está disposto a sentir o peso da dor do outro”, ressaltou Leão XIV, porque “o outro não é um pacote para ser entregue, mas alguém para cuidar”. Como Jesus faz conosco, assim devemos fazer com nossos irmãos necessitados de auxílio: “Queridos irmãos e irmãs, quando é que nós também seremos capazes de parar a nossa viagem e ter compaixão? Quando compreendermos que aquele homem ferido na estrada representa cada um de nós. E então a recordação de todas as vezes que Jesus parou para cuidar de nós, vai nos tornar mais capazes de sentir compaixão. Rezemos, então, para que possamos crescer em humanidade, para que as nossas relações sejam mais verdadeiras e ricas em compaixão.”

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