V Domingo da Quaresma – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Neste quinto domingo da Quaresma, o Evangelho de São João relata-nos o episódio da mulher adultera. O grupo dos escribas e fariseus encontra-se numa atitude meramente acusatória apresentam a Jesus uma mulher surpreendida em flagrante adultério, dizendo: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Diante desta atitude de acusação, Jesus inclina o rosto para o chão e começa a escrever na terra e depois diz-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Podemos tirar daqui algumas lições de vida: em primeiro lugar onde se encontra o homem que tinha estado com a mulher? Afinal, tal acto tinha de ter a intervenção de um homem. Porventura, não seria nenhum daqueles que acusavam a mulher? Porque não trazem a pessoa que estava com a mulher? Neste sentido, vemos a reação de Jesus que é incapaz de condenar, mas leva aqueles que tinham atitude acusatória a olhar para os seus próprios erros e defeitos; «aquele que estiver sem pecados atire a primeira pedra. Saíram todos a começar pelos mais velhos ficando apenas Jesus e a mulher. Muitas das vezes, também nós temos a mesma reação daqueles escribas e fariseus, prontos a condenar e acusar; na escola acusamos os colegas por alguma falta cometida, no trabalho acusamos os outros para obter uma posição de carreira mais aliciante e não somos capazes de ver que também erramos e falhamos. Saibamos reconhecer as nossas fragilidades e não apenas ter uma atitude farisaica.
A leitura do Livro de Isaías, o Deus que libertou os hebreus da escravidão do Egito anuncia aos exilados na Babilónia que irá concretizar uma nova intervenção salvadora em favor do seu povo. Os exilados irão ser libertados; e, acompanhados por Deus, percorrerão um caminho que os trará novamente para a terra de onde tinham sido arrancados, a terra onde corre leite e mel. É esse o desafio que Deus deixa também a nós, neste tempo de Quaresma: caminharmos da escravidão para a liberdade, da vida velha para a vida nova.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Filipenses, Paulo de Tarso partilha com os cristãos da cidade de Filipos a sua experiência: desde que se encontrou com Cristo, Paulo deixou para trás todo o “lixo” que lhe limitava os movimentos e que o impedia de correr ao encontro de Cristo. A sua grande preocupação é identificar-se cada vez mais com Cristo e correr para a meta final, onde espera encontrar a vida definitiva.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus mostra, a partir da história de uma mulher acusada de cometer adultério, como é que Deus lida com as nossas decisões erradas: “Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar”. O perdão de Deus, fruto do seu amor, falará sempre mais alto do que o nosso pecado. A grande preocupação de Deus não é castigar quem falhou; mas é apontar aos seus queridos filhos um caminho novo, de liberdade, de realização e de vida sem fim.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo, e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar». Palavra da Salvação

Palavra de vida (Abril 2025)
«Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?» (Is 43,19)
O exílio na Babilónia e a destruição do Templo de Jerusalém tinham provocado um trauma coletivo no povo de Israel e suscitavam uma interrogação teológica: será que Deus ainda está connosco ou será que nos abandonou? O objetivo desta parte do livro de Isaías é ajudar o povo a compreender o que Deus está a realizar, a confiar n’Ele e, assim, poder regressar à pátria. É precisamente na experiência do exílio que se revela o rosto criador e salvador de Deus. Patrizia Mazzola


Voltar a Niceia, como irmãos
Voltar a Niceia 1700 anos depois, durante o Jubileu de 2025, significa, antes de tudo, reencontrar-se como irmãos com todos os cristãos do mundo: a confissão de fé que brotou do primeiro concílio ecumênico é, de fato, compartilhada não só pelas Igrejas Orientais, pelas Igrejas Ortodoxas e pela Igreja Católica, mas também é comum às comunidades eclesiais nascidas da Reforma. Significa reencontra-se entre irmãos em torno do que é realmente essencial, porque o que nos une é mais forte do que o que nos divide: “Todos juntos, cremos no Deus trinitário, em Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, na salvação em Jesus Cristo, de acordo com as Escrituras lidas na Igreja e sob a ação do Espírito Santo. Juntos, acreditamos na Igreja, no batismo, na ressurreição dos mortos e na vida eterna”. Esse é o ponto central do documento “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” publicado pela Comissão Teológica Internacional para comemorar Niceia. Um dos objetivos do primeiro concílio ecumênico era determinar uma data comum para a celebração da Páscoa, uma questão controversa já na Igreja dos primeiros séculos: alguns a celebravam em concomitância com a Pesah judaica no dia 14 do mês de nisan, outros a celebravam no domingo seguinte à Pesah judaica. Niceia foi fundamental para encontrar uma data comum, definindo o domingo após a primeira lua cheia da primavera como a data para a celebração da Páscoa. A situação mudou no século XVI com a reforma do calendário de Gregório XIII: as Igrejas do Ocidente hoje calculam a data de acordo com esse calendário, enquanto as do Oriente continuam a usar o calendário juliano usado por toda a Igreja antes da reforma gregoriana. Mas é significativo e profético que, precisamente no aniversário de Nicéia deste ano, todas as Igrejas cristãs celebrem a Páscoa no mesmo dia, domingo, 20 de abril. É um sinal e uma esperança para se chegar o mais rápido possível a uma data aceita por todos.
O Papa: Jesus desce ao inferno de hoje das guerras e da dor dos inocentes
Jesus continua descendo ao inferno de hoje
De acordo com Francisco, “Jesus desceu até Jericó, uma cidade situada abaixo do nível do mar, considerada uma imagem do inferno, onde Jesus quer ir em busca daqueles que se sentem perdidos”.
“Na realidade, o Senhor Ressuscitado continua descendo ao inferno de hoje, aos lugares de guerra, de dor dos inocentes, nos corações das mães que veem morrer seus filhos, na fome dos pobres.”
“Num certo sentido, Zaqueu está perdido; talvez tenha feito algumas más escolhas ou talvez a vida o tenha colocado em situações das quais tem dificuldade de escapar. Lucas insiste em descrever as características deste homem: não é apenas um publicano, isto é, alguém que cobra impostos aos seus concidadãos para os invasores romanos, mas é o chefe dos publicanos, como se dissesse que o seu pecado é multiplicado.”
Lidar com as limitações que temos
O Papa escreve que “Lucas acrescenta então que Zaqueu é rico, insinuando que enriqueceu às custas dos outros, abusando da sua posição. Mas tudo isto tem consequências: Zaqueu sente-se provavelmente excluído, desprezado por todos”. “Ao ouvir que Jesus passava pela cidade, Zaqueu sente o desejo de O ver. Não se atreve a imaginar um encontro, bastaria apenas observá-Lo de longe. Mas os nossos desejos também encontram obstáculos e não se realizam automaticamente: Zaqueu é de baixa estatura! É a nossa realidade, temos limitações com as quais temos de lidar. Depois há os outros, que às vezes não nos ajudam: a multidão impede Zaqueu de ver Jesus. Talvez seja também um pouco de vingança”, ressalta o Pontífice.
Com o Senhor o inesperado acontece sempre
“Mas quando temos um desejo forte, não nos desanimamos. Encontramos uma solução. Mas é preciso ter coragem e não ter vergonha, é preciso ter um pouco da simplicidade das crianças e não nos preocuparmos tanto com a imagem“, escreve Francisco. “Zaqueu, como uma criança, sobe numa árvore. Tinha de ser um bom ponto de observação, principalmente para observar sem ser visto, escondendo-se atrás da folhagem”, ressalta. “Mas com o Senhor o inesperado acontece sempre: Jesus, quando se aproxima, olha para cima. Zaqueu sente-se exposto e provavelmente espera uma repreensão pública. O povo talvez assim esperasse, mas fica desiludido: Jesus pede a Zaqueu que desça imediatamente, quase surpreendido ao vê-lo na árvore, e diz-lhe: «Hoje é necessário que eu fique em tua casa». Deus não pode passar sem procurar os perdidos.”
O olhar de Jesus é de misericórdia
O evangelista Lucas “destaca a alegria do coração de Zaqueu. É a alegria de quem se sente visto, reconhecido e, sobretudo, perdoado”. “O olhar de Jesus não é de reprovação, mas de misericórdia. É aquela misericórdia que, por vezes, temos dificuldade em aceitar, especialmente quando Deus perdoa aqueles que achamos que não a merecem. Murmuramos porque gostaríamos de colocar limites no amor de Deus.”


Jubileu “Peregrinos na Esperança”
O Jubileu “Peregrinos de Esperança” tem sido um tempo propício à nossa conversão, não esquecendo os meios que nos são propostos: a peregrinação, o sacramento da reconciliação e a indulgência. A nossa peregrinação a Fátima, no início deste mês, foi um tempo de encontro com Deus, através de Maria, e da nossa Diocese no conjunto das suas comunidades cristãs.
A celebração do Jubileu dos doentes e, de um modo mais alargado da Pastoral da Saúde, deve acontecer nas paróquias com a Santa Unção, visitas aos doentes, encontro com os visitadores, ministros da comunhão.
Lembro, igualmente, que no dia 10 de maio, como está anunciado no Programa Pastoral deste ano, temos o Jubileu das crianças e adolescentes no Santuário de Vagos. Proximamente será enviado, pelo Departamento da Infância e Adolescência, o Programa elaborado para esse dia. Organizemos as catequeses para que nesse dia estejamos todos presentes e façamos festa.