Novos Ventos – 08 de Dezembro

Solenidade da Imaculada Conceição – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Neste II Domingo de Advento celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, isto é, Maria foi preservada da manha de pecado desde a Sua Concepção de modo que pura como Ela é Pura recebesse no Seu seio virginal o Deus feito Homem. O Evangelho deste domingo põe em evidência o acontecimento do mistério da Encarnação, o Anjo ao dirigir-se onde Maria se encontrava dirige-Lhe uma saudação. Num primeiro momento é importante nos deixarmos interpelar onde estaria Maria? Talvez, mergulhada num profundo recolhimento interior, talvez a meditar na Sagrada Escritura. Vemos que a iniciativa parte sempre de Deus ao enviar o Anjo, para Lhe comunicar que tinha sido escolhida e agraciada por Deus, para ser a Mãe de Jesus.

Gostaria de deixar uma interpelação a partir deste excerto; Maria, não entende aquelas palavras dirigidas pelo Anjo, nem tão pouco o grande mistério que estava a acontecer por meio daquela saudação, parece ter diante d’Ela um obstáculo: «como será isso se não conheço homem? Todavia, Maria não fica bloqueada diante do obstáculo, mas numa total confiança responde com enorme confiança «Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a Tua Vontade». Diante dos obstáculos e dificuldades da vida como é que eu me coloco diante de Deus, fico bloqueado e tenho medo de arriscar, ou sou capaz de ter uma atitude de confiança? Ao longo desta semana, procuremos não ficar retidos diante dos obstáculos da vida, mas como num trampolim saibamos dar o salto numa atitude de confiança em Deus.

A leitura do Livro dos Génesis, recorrendo às figuras míticas de Adão e Eva, a catequese de Israel mostra-nos a humanidade que rejeita as propostas de Deus e prefere trilhar caminhos de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência, à margem de Deus. Essa opção afasta os seres humanos da vida verdadeira; atira-os para um horizonte de sofrimento, de destruição, de infelicidade e de morte.

A leitura da Epistola de São Paulo aos Efésios, Paulo reflete sobre “o mistério”, o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Esse projeto, inscrito desde sempre na mente do próprio Deus, foi-nos revelado por Jesus Cristo. Com a sua vida, as suas palavras, os seus gestos, o seu amor até ao extremo, Cristo disse-nos como devíamos viver para encontrar vida em plenitude. Cada um de nós terá de fazer a sua opção e de dar a sua resposta à oferta que Deus nos faz.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas, apresenta a resposta de Maria ao plano de Deus. Ao contrário de Adão e Eva, Maria rejeitou o orgulho, o egoísmo e a autossuficiência e preferiu conformar a sua vida, de forma total e radical, com os planos de Deus. Do seu “sim” total, resultou salvação e vida plena para ela e para o mundo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». Palavra da Salvação


Palavra de vida (Dezembro)

«Nada é impossível a Deus» (Lc 1,37)

Estamos na narração da Anunciação. O anjo Gabriel dirige-se a Maria de Nazaré para lhe dar a conhecer os planos de Deus sobre ela: conceberá e dará à luz um filho, Jesus, que «será grande e será chamado Filho do Altíssimo»[1]. Este episódio está em continuidade com outros acontecimentos do Antigo Testamento em que foram concedidos nascimentos prodigiosos a mulheres estéreis ou de idade avançada, cujos filhos seriam chamados a realizar missões importantes na história da salvação. Neste momento, Maria, mesmo querendo aderir em plena liberdade à missão de se tornar a mãe do Messias, pergunta como pode isso acontecer, sendo ela uma virgem. Gabriel garante que não será obra humana: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra»[2]. E acrescenta: «Nada é impossível a Deus»[3]. Augusto Parody Reyes

Neste novo ano litúrgico somos desafiados a “Ser peregrinos a cominho do Natal”, isso implica preparar o interior e também o exterior para percorrer o caminho. Quando me proponho a peregrinar devo antes de mais preparar a «mochila, os sapatos/sandálias, o cajado, o cantil e a tenda, mas também é necessário treinar algum tempo para poder aguentar as diversidades do caminho, as montanhas, os declives, a aridez e a solidão dos montes e colinas. Mas não basta ter o exercício físico para ultrapassar as dificuldades do caminho é sobretudo necessário preparar o interior que nos poderá fazer chegar a bom termo o nosso peregrinar. Nesta semana é a figura de Maria que nos acompanhará tal como Ela precisamos de dar o nosso «sim» e disponíveis para o serviço.

Fita – “Anunciadores da Boa Nova”

Nesta semana, robusteçamos a nossa fé, procurando escutar mais atentamente a voz de Cristo que caminha connosco e que nos diz “não tenhas medo” Eu estou contigo. Hoje vamos colocar no nosso presépio a imagem de «Maria», Ela que não teve receio de dar o seu «Sim», mesmo sem compreender o desígnio de Deus sobre Ela. Vamos registar aqueles que nos ajudaram a crescer e a encontrar-nos com Cristo.


Vaticano: pregações do Advento dedicadas à esperança

As portas do estupor, da confiança, da pequenez

“Este ano o tempo do Advento não nos prepara somente para o Natal, mas também nos acompanha rumo ao próximo Jubileu” escreve padre Pasolini no convite da Prefeitura da Casa Pontifícia para a participação nas sextas-feiras de meditação, acrescentando que este período litúrgico é uma oportunidade para que a graça renove “a experiência viva do amor de Deus, que desperta no coração a esperança certa da salvação em Cristo”, como escreve o Papa na Bula que anuncia o Ano Santo 2025 Spes non confundit. “As vozes dos profetas, tão presentes e insistentes neste período litúrgico, exortam-nos com força a não perder a orientação do caminho para o Reino de Deus” sublinha o religioso, que nos convida a ouvir estas vozes para “reconhecer quais são as portas que nos introduzem no mistério da nossa humanidade com renovada esperança”. Estas portas, explica o pregador da Casa Pontifícia, são a “do estupor, para saber admirar as sementes do Evangelho presentes no mundo e na história”, a “da confiança, para caminhar-nos em direção aos outros com coração respeitoso e aberto” e, por fim, a “da pequenez, para não ter medo de finalmente nos tornarmos nós mesmos”.

“O passo da metamorfose interna”

Na iminência do Ano Santo, a Prefeitura da Casa Pontifícia propõe novamente as palavras pronunciadas por Paulo VI na abertura do Jubileu de 1975: “A celebração do Jubileu, com a sua simples mas profunda disciplina espiritual, e com a abertura simbólica das suas portas de misericórdia e de perdão, quer significar o passo da metamorfose interior, o passo corajoso da verdade moral (…) o passo da conversão do coração”. Palavras que nos levam a refletir sobre o significado do Ano da Graça e como vivê-lo.

Papa: rezemos para que o próximo Jubileu nos fortaleça na fé

A esperança é uma âncora

Durante o período da pandemia, durante a Statio Orbis na Praça São Pedro totalmente vazia, o Papa Francisco utilizou a metáfora evangélica do barco em meio da tempestade, para recordar a fragilidade e o desconcerto da humanidade diante das grandes provações. Num certo sentido, na intenção de oração deste mês, o Santo Padre volta a nos colocar nesse barco a fim de destacar a importância da âncora: Quando não sabes se amanhã poderás dar de comer a teus filhos, ou se o que estás estudando te permitirá ter um trabalho digno, é fácil cair no desânimo. Onde buscar a esperança? “A esperança é uma âncora. Uma âncora que se joga com a corda e afunda na areia. E nós temos de estar agarrados à corda da esperança. Bem agarrados.”

“A virtude da esperança nos dá tanta força para caminhar na vida”, disse o Papa Francisco na Audiência Geral de 28 de dezembro de 2016, dedicada à figura de Abraão, que, por um lado, não tem “receio de ver a realidade por aquilo que ela é” e, por outro, é capaz de “ir além dos raciocínios humanos, da sabedoria e da prudência do mundo, além daquilo que normalmente é considerado sensatez, para acreditar no impossível”. Como Abraão, os protagonistas do vídeo deste mês também se põem a caminho, partindo de suas próprias dificuldades: as preocupações de uma mulher diante de sua despensa vazia, as dúvidas de uma estudante a respeito de seu futuro. Ambas encontram, em seu caminho, uns “peregrinos da esperança” que as acolhem e as consolam, convidando-as a se unirem a seu caminho metafórico para a Porta Santa, que permanecerá aberta durante todo o Jubileu.

Que o Jubileu nos fortaleça na fé

O Jubileu 2025, cujo tema é “Peregrinos da esperança”, será um tempo de celebração e de profunda reflexão. O também chamado “Ano Santo” não é somente uma etapa no caminho da fé, mas é um chamado a reconhecer a Cristo no dia a dia. “Ajudemo-nos uns aos outros a descobrir este encontro com Cristo que nos dá a vida e coloquemo-nos a caminho como peregrinos da esperança, para celebrar a vida e dentro da vida está também o próximo Jubileu, como uma etapa.”

“Vamos encher nosso dia a dia com o dom da esperança que Deus nos dá e permitamos que através de nós ela chegue a todos que a procuram. Não se esqueçam: a esperança não decepciona nunca”, diz o Papa no vídeo elaborado pela Rede Mundial de Oração do Papa e produzido em parceria com a Fundação Pro Rede Mundial de Oração do Papa e com o Dicastério para a Evangelização. “Rezemos para que o próximo Jubileu nos fortaleça na fé, nos ajude a reconhecer Cristo ressuscitado presente em nossas vidas, e nos transforme em peregrinos da esperança cristã.”