Novos Ventos – 24 de Novembro

Solenidade de Cristo Rei – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

Hoje celebramos a Solenidade de Cristo Rei do Universo, a grande questão que trouxe ao longo dos tempos a dificuldade de aceitação da Pessoa de Jesus. A realeza de Jesus suscita diversas incompreensões; Herodes surpreendido pelos Magos ao empreender uma viagem para Adorar o «Rei que acabava de nascer», ficou assustado porque julgava que pusesse em causa a coroa de Herodes. Pilatos ao perguntar a Jesus «Tu és o Rei dos Judeus»? também fica perturbado. Na verdade, Jesus intitula-se como Rei, mas esse reino não é territorial nem perecível o «Reino de Jesus é eterno, não é deste mundo, não se restringe a uma nação, mas é um «reino universal. Jesus é «Rei do Universo» e as Palavras e ensinamentos de Jesus foi sempre de levar a humanidade abraçar a Sua mensagem salvífica. Enquanto, os reis temporais têm um trono revestido de ouro e das maiores riquezas o trono de Jesus é uma Cruz, as coroas dos reis perecíveis são de ouro, a coroa deste grande Rei é de espinhos. Todavia, os reinos governados por homens perecem e deixam de existir ao passo que o «Reino de Jesus é Eterno, jamais se extingue».

Será que eu também busco apenas as coisas perecíveis ou acolho as Palavras de Jesus? Jesus disse a Pilatos «Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

A leitura do Livro de Daniel, anuncia que Deus vai intervir no mundo, a fim de eliminar a crueldade, a violência e a opressão que marcam a história dos reinos humanos. Através de “filho de homem” que vai aparecer “sobre as nuvens”, Deus vai devolver à história a sua dimensão de “humanidade” e fazer com que os seus filhos caminhem em paz. Os cristãos verão na figura desse “filho de homem”, um anúncio da realeza de Jesus.

A leitura do Apocalipse de São João, o autor do Livro do Apocalipse apresenta Jesus como o Senhor do Tempo e da História, o princípio e o fim de todas as coisas, o “príncipe dos reis da terra”, Aquele que há de vir “por entre as nuvens” cheio de poder, de glória e de majestade para instaurar um reino definitivo de felicidade, de vida e de paz. É, precisamente, a interpretação cristã dessa figura de “filho de homem” de que falava a primeira leitura.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João, Jesus assume a sua realeza diante de Pilatos, o “prefeito” romano da Judeia. No entanto deixa claro que a sua realeza não assenta em lógicas de poder, de autoridade, de domínio, de ambição, como acontece com os reis da terra. A missão “real” de Jesus é dar “testemunho da verdade”; e concretiza-se no amor, no serviço, no perdão, na partilha, no dom da vida.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João

Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o rei dos Judeus?». Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?». Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz». Palavra da Salvação


Os Papas e as crianças, vozes a serem ouvidas para acolher o futuro

Todos os anos, em 20 de novembro, o Unicef comemora o Dia Mundial da Criança com o objetivo de aumentar a conscientização sobre os direitos das crianças e dos adolescentes. Essa data não é coincidência: em 20 de novembro de 1989, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança. Este ano, a mensagem do Unicef, ‘Ouça o futuro’, é uma exortação aos governos, ao setor privado, às famílias e a todos os adultos para que ouçam as vozes das crianças e dos jovens. Em todo o mundo, uma em cada quatro crianças vive em situação de extrema pobreza alimentar.

Francisco: as crianças são o futuro

O Papa Francisco, que desejou fortemente o primeiro Dia Mundial das Crianças realizado em maio passado em Roma, lembrou repetidamente as ameaças dramáticas que afetam as crianças mais jovens em várias regiões do planeta. Em 6 de novembro de 2023, o Papa se reuniu com mais de 6.000 crianças de 56 países. O discurso do Pontífice tem uma direção, a do futuro:

Gostaria de dar as boas-vindas a todos vocês assim, um por um, mas são muitos, e por isso digo a todos juntos, meninos e meninas, que vocês são uma coisa maravilhosa, sua idade é maravilhosa, e digo a vocês que sigam em frente. E vocês estão certos na Igreja. Pensem nas crianças que estão sofrendo neste momento – não esqueçamos – com os desastres climáticos, com a fome, com a guerra e com a pobreza. Você sabe que há pessoas más que fazem o mal, que fazem guerra, que destroem. Vocês querem fazer o mal? [resposta: “Não!”] Você quer ajudar? [resposta: “Sim!”] Eu gosto disso, eu gosto disso. Queridas crianças, sua presença aqui é um sinal que vai direto ao coração de todos nós, adultos, e nós, os adultos, devemos observar sua espontaneidade e ouvir sua mensagem.

Proteger os direitos das crianças

As palavras proferidas por Pio XII em 1949 durante sua reunião com crianças de escolas primárias em Roma ressoaram em um mundo que acabava de sair do drama da Segunda Guerra Mundial. Hoje, as rápidas mudanças globais estão questionando os próprios fundamentos da infância do futuro. Conflitos e graves violações de direitos minam um dos princípios fundamentais da humanidade: o cuidado e a proteção das crianças. O último relatório do Unicef, “A situação das crianças no mundo em 2024: O futuro da infância num mundo em mudança”, faz um apelo aos governos: ajam agora para proteger os direitos das crianças e dos adolescentes. É preciso implementar soluções para reduzir e se adaptar às mudanças climáticas, planejar as mudanças demográficas e garantir a boa governança no uso das tecnologias mais recentes.


Papa: Acutis e Frassati serão santos no Jubileu. No Vaticano, evento sobre direitos das crianças

O Papa anunciou a novidade na manhã desta quarta-feira (20/11) ao final da Audiência Geral, provocando aplausos na Praça de São Pedro, repleta de milhares de fiéis abrigados sob guarda-chuvas. Entre eles, também algumas crianças do comitê organizador de um grande evento que será promovido no Vaticano em 3 de fevereiro: o Encontro Mundial sobre os Direitos das Crianças, intitulado “Vamos amá-las e protegê-las”, que contará com a participação de especialistas e personalidades de diferentes países.

As canonizações

O pequeno Francisco (“Você se chama como eu!”, exclamou o Papa) e todos os outros apertaram a mão do Pontífice e tiraram uma foto juntos. Logo depois, Jorge Mario Bergoglio, ainda pensando nos pequenos, fez o anúncio das duas canonizações: “Quero dizer que no próximo ano, no Jubileu dos Adolescentes, canonizarei o Beato Carlo Acutis e, no Jubileu dos Jovens, no próximo ano, canonizarei o Beato Pier Giorgio Frassati.”

Dois “jovens” santos

Em 23 de maio, o Papa Francisco aprovou o decreto para a canonização de Carlo Acutis, o jovem leigo apaixonado pela Eucaristia e pela tecnologia da informação, descrito por muitos como “um influencer da santidade”. No Consistório ordinário de 1º de julho, ele havia anunciado que seria elevado às honras dos altares “em uma data a ser determinada”. O bispo de Assis, Domenico Sorrentino, havia antecipado nos últimos meses que a Providência, disse o bispo, “queria que a proclamação de sua santidade, a ’canonização’, ocorresse no ano jubilar que começará dentro de alguns meses”. Frassati, um jovem estudante de Turim, terciário dominicano e membro dos Vicentinos, da Fuci e da Ação Católica, é um dos beatos mais conhecidos entre as novas gerações de católicos, considerado um dos santos “sociais” da Itália. Membro de uma família rica, dedicado à oração e aos frágeis, era também um bom esportista: “um alpinista… sagaz”, chamou-o João Paulo II, que quis beatificar esse “menino das oito Bem-aventuranças” em 1990. Agora, outro Pontífice, de origem piemontesa, o eleva às honras dos altares em um ano dedicado a recuperar a esperança. Aquela que tanto Acutis quanto Frassati pregaram, não com palavras, mas com suas vidas.

Estudar a história para viver a fé hoje

Estudar a história da Igreja é uma forma de preservar a memória e construir o futuro. E é o modo melhor para interpretar a realidade que nos rodeia. Educar as jovens gerações a aprofundar o passado, a não confiarem nos slogans simplificadores, a moverem-se com destreza no labirinto de milhões de “notícias” muitas vezes falsas ou de qualquer forma tendenciosas e incompletas, é uma missão que diz respeito a todos nós. As palavras de São Filipe Néri insistem no vínculo peculiar da fé cristã com a história. A encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus é um acontecimento que dividiu em dois – um antes e um depois – a história da humanidade. A fé católica não é antes de tudo ideia, filosofia, moral, mas relação, vida, uma concreta, história. Somos cristãos graças a um testemunho transmitido de mãe para filho, de pai para filha, de avós para netos. E retrocedendo esta cadeia chegamos às primeiras testemunhas, os apóstolos, que partilharam, dia após dia, toda a vida pública de Jesus.

Este amor pela história, acompanhado pelo olhar de fé, faz olhar com atenção também para as páginas menos nobres e mais sombrias do passado da Igreja. «Estudar sem preconceitos porque a Igreja não tem necessidade de mentiras, mas somente da verdade», disse Leão XIII ao abrir o então Arquivo Secreto do Vaticano em 1889.

Certamente, aprofundar a história nos coloca em contato com as “manchas” e com “rugas” do passado. Francisco explica que «a história da Igreja ajuda-nos a olhar para a Igreja real para poder amar aquela que existe verdadeiramente e que aprendeu e continua a aprender com os seus erros e as suas quedas”. Reconhecendo a si mesma também nos momentos obscuros, a torna capaz de compreender «as manchas e feridas» do mundo de hoje. O olhar do Papa está, portanto, muito distante de qualquer preocupação apologética, voltada a apresentar uma realidade açucarada; bem como pelas tendências ideológicas que pelo contrário pintam a Igreja como um covil de malfeitores.

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