Domingo de Pentecostes – Ano B
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
Hoje celebramos o domingo do Pentecostes, a comunidade dos discípulos estava fechada e com medo dos Judeus, na verdade o que se tinha passada naqueles dias em Jerusalém havia deixado os Apóstolos com medo “o Mestre” deles tinha sofrido a Crucificação. Jesus vem ao encontro deles e transmite-lhes uma mensagem de paz. Todavia, enquanto não são capazes de abrir o coração o medo não se dissipa. Também cada um de nós com certeza que já experimentou o medo, isto é, falta de confiança. Quando estamos dominados pelo medo não somos capazes de tomar decisões de arriscar porque o medo bloqueia o nosso coração. Esta também foi a experiência dos discípulos de Jesus que não tinham ainda experimentado verdadeiramente os sinais do Ressuscitado.
Todavia, Jesus não só lhes transmite uma mensagem de paz como em seguida fortalece-os com os dons do Espírito Santo e dá-lhes a missão e o poder de reconciliar a humanidade.
A liturgia hoje coloca dois grandes desafios a cada um de nós os crentes: o primeiro consiste em não deixarmos que o medo nos atrofie e não impeça de colocar os nossos talentos ao serviço de Deus e da Igreja; o outro desafio é abrir o nosso coração à Ação do Espírito Santo, pois quando julgamos que a evangelização depende das nossas capacidades naturais, não estamos centrados em Cristo mas apenas em querer passar uma mensagem meramente humana é por isso necessário deixar atuar na Igreja os carismas e ministérios laicais nas nossas comunidades, pela força do Espírito Santo.
A leitura dos Actos dos Apóstolos, o autor dos Atos dos Apóstolos apresenta-nos o Espírito Santo como a Lei Nova que orienta e anima o Povo da Nova Aliança. O Espírito faz com que homens e mulheres de todas as raças e culturas acolham a Boa Nova de Jesus e formem uma comunidade unida e fraterna, que fala a mesma língua, a do amor.
A leitura da Epístola de São Paulo aos Coríntios, Paulo apresenta o Espírito como fonte de Vida para a comunidade cristã. É o Espírito que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros. Por isso, os dons do Espírito não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
O Evangelho de São João, apresenta-nos a comunidade da Nova Aliança reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, renovada, a partir do dom do Espírito. Fortalecidos pelo Espírito que Jesus ressuscitado lhes transmite, os discípulos podem partir ao encontro do mundo para o transformar e renovar.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Palavra da Salvação

Palavra de Vida (Maio)
«Quem não ama não conheceu Deus, porque Deus é amor». (1Jo 4,8)
Conhecer Deus – Aquele que nos criou, que nos conhece e conhece a verdade mais profunda de todas as coisas – é, desde sempre, um anseio do coração humano, mesmo se inconsciente. Se Ele é amor, podemos vislumbrar algo desta verdade quando amamos como Ele. Podemos crescer no conhecimento de Deus, porque vivemos essencialmente a Sua vida e caminhamos à Sua luz.
E isso realiza-se plenamente quando o amor é recíproco. De facto, se nos amarmos uns aos outros, «Deus permanece em nós»[2]. Acontece como quando os dois polos elétricos se tocam e a luz se acende, iluminando tudo à nossa volta. Silvano Malini

TESTEMUNHO DE VIDA
Conta o Mauro – Na escola, praticamente todos os dias, encontrava um ou mais azulejos na minha mochila. Descobri quem era o “culpado”. A vontade de reagir era tão grande e não sei como consegui conter. Um dia, ao contar o sucedido a um amigo, este disse me: “Não estás enganado, tenta falar com ele, mas lembra corretamente e mantendo a caridade. No dia seguinte, na escola, aproximei me discretamente do meu colega, falei com ele e convidei o a participar num evento dos Jovens para a Unidade. Não encontrei mais azulejos na minha mochila.

Abertos ao mistério, cuidar da fé das pessoas simples
“O magistério eclesial protege a fé dos simples… essa é sua tarefa democrática. Ele deve dar voz àqueles que não têm voz”. Vêm à mente essas palavras do cardeal Joseph Ratzinger depois de ler as normas sobre presumidos fenômenos sobrenaturais publicadas pelo Dicastério para a Doutrina da Fé. Um documento que reflete a abordagem pastoral que caracteriza o pontificado de Francisco e que foi necessário para superar as dificuldades, becos sem saída e as abertas contradições que ocorreram no último meio século, com pronunciamentos de sinais até mesmo opostos sobre o mesmo fenômeno.
A fé das pessoas simples é protegida, em primeiro lugar, porque o texto reafirma claramente que a Revelação se concluiu com a morte do último apóstolo e que nenhum fiel é obrigado a acreditar em aparições ou outros presumíveis fenômenos sobrenaturais, mesmo que tenham sido aprovados ao longo dos séculos pela autoridade eclesiástica e explicitamente declarados sobrenaturais. Ao mesmo tempo, reconhece-se que, em muitos casos, essas manifestações excepcionais causaram uma abundância de frutos espirituais e crescimento na fé e, portanto, a autoridade da Igreja não deve ter um a priori julgamento negativo, como se Deus ou a Virgem Maria precisassem da autorização de uma cúria ou de um dicastério vaticano para se manifestar.
Também é muito clara a intenção de proteger a fé das pessoas simples das ilusões, dos fanatismos, das fraudes, dos fenômenos de marketing religioso, bem como da obsessão de perseguir esta ou aquela mensagem apocalíptica, acabando por esquecer o essencial do Evangelho.
Chama a atenção também a escolha de não querer mais chegar – exceto em casos muito raros que envolvam diretamente a autoridade do Sucessor de Pedro – a declarações vinculantes sobre a autenticidade e a sobrenaturalidade do fenômeno. E essa é também uma forma de proteger a fé do Povo de Deus, deixando maior liberdade para aderir às devoções e peregrinações quando não houver razões contra isso. Continuando a estudar o fenômeno, a acompanhar os videntes sem deixá-los sozinhos e à deriva (como infelizmente ocorreu), a realizar atividades pastorais e catequéticas que ajudem a dar bons frutos espirituais.
Foram introduzidas seis categorias de voto conclusivo sobre os presumidos fenômenos, em vez das três categorias pré-existentes. De acordo com as antigas normas de 1978, o julgamento poderia concluir-se com uma declaração de sobrenaturalidade (constat de supernaturalitate), com uma declaração negativa, mas aberta a um possível desenvolvimento posterior (non constat de supernaturalitate) ou com uma declaração decididamente negativa quando a não sobrenaturalidade fosse evidente (constat de non supernaturalitate). Agora há mais possibilidades e nuances, sempre com o objetivo de proteger a fé das pessoas simples, e, como regra, o julgamento mais positivo se torna o de nihil obstat, um nulla osta que não força a Igreja a se pronunciar sobre a sobrenaturalidade, mas atesta que os elementos positivos prevalecem e, portanto, é um fenômeno a ser promovido.
O que ocorreu nas últimas décadas também ajuda a entender por que, de agora em diante, o envolvimento do Dicastério para a Doutrina da Fé será sempre previsto e o bispo diocesano sempre se pronunciará de acordo com a Santa Sé. Uma medida que se tornou necessária devido aos casos de pronunciamentos contraditórios no passado recente e também pela impossibilidade, agora evidente, de circunscrever esses fenômenos à esfera local.

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