II Domingo da Quaresma – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
No II Domingo da Quaresma o evangelista Lucas apresenta o episódio da Transfiguração do Senhor. Jesus subiu ao Monte com Pedro, João e Tiago para orar, enquanto estão em oração acontece um facto extraordinário ao entrar numa profunda e intima comunhão com Deus vêm Jesus com o rosto resplandecente e as vestes de uma enorme brancura e dois homens que estão a falar com Jesus (Moisés e Elias), que falavam da morte de Jesus em Jerusalém. Os discípulos entram nesta experiência mística de contemplar o CÉU, isto é, o Paraíso. Ao ponto de já não querer sair daquele lugar como disse Pedro a Jesus «Mestre, como é bom estarmos aqui! Se quiseres faremos aqui três tendas uma para Ti outra para Moisés e outra para Elias». Serão os nossos momentos de oração assim fortes ao ponto de não querermos sair da igreja? Será que faço da Eucaristia um momento de profunda intimidade com Deus? Será a minha oração eficaz ao ponto de ficar com o meu rosto e semblante iluminado pela comunhão com Deus?
A leitura do livro do Génesis, apresenta-nos Abraão, o modelo do crente. Com Abraão, somos convidados a “acreditar”, isto é, a uma atitude de confiança total, de aceitação radical, de entrega plena aos desígnios desse Deus que não falha e é sempre fiel às promessas.
A Leitura de São Paulo aos Filipenses, convida-nos a renunciar a essa atitude de orgulho, de auto-suficiência e de triunfalismo, resultantes do cumprimento de ritos externos; a nossa transfiguração resulta de uma verdadeira conversão do coração, construída dia a dia sob o signo da cruz, isto é, do amor e da entrega da vida.
O Evangelho de São Lucas, apresenta-nos Jesus, o Filho amado do Pai, cujo êxodo (a morte na cruz) concretiza a nossa libertação. O projecto libertador de Deus em Jesus não se realiza através de esquemas de poder e de triunfo, mas através da entrega da vida e do amor que se dá até à morte. É esse o caminho que nos conduz, a nós também, à transfiguração em Homens Novos.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.
Palavra do Senhor
Palavra de Vida – Março
“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” (Mt 6,12)
São palavras importantes, que exprimem, antes de tudo, a consciência de que precisamos do perdão de Deus. O próprio Jesus as confiou aos discípulos, e, portanto, a todos os batizados, para que possam dirigir-se ao Pai com simplicidade de coração.
Tudo começa quando descobrimos que somos filhos no Filho, irmãos e imitadores de Jesus, que foi o primeiro a fazer da sua vida um caminho de adesão cada vez maior à vontade amorosa do Pai.
Só depois de termos aceitado o dom de Deus, o seu amor sem medida, é que podemos pedir tudo ao Pai. Podemos até pedir-lhe que nos torne cada vez mais semelhantes a Ele, também na capacidade de perdoar aos irmãos e às irmãs com um coração generoso, dia após dia.
Cada ato de perdão é uma escolha livre e consciente, que tem de ser sempre renovada com humildade. Nunca é uma rotina. É um percurso exigente, pelo qual Jesus nos pede para rezar diariamente, tal como pelo pão.
Letizia Magri

Lviv, Krajewski: refugiados ucranianos gratos à Europa pela ajuda
A solidariedade percorre as estradas que as bombas ameaçam, onde levar caixas de alimento e pacotes de medicamentos pode ser uma viagem sem volta. É a solidariedade sustentada pelo coração de Francisco, que decidiu, numa área como a Ucrânia, onde o combustível começa a custar uma fortuna, contribuir com as despesas dos grandes veículos que vão, carregados de ajuda, até onde uma carreta corre o risco de encontrar um tanque. A notícia vem das áreas ao redor de Lviv onde o “braço” desta proximidade, o cardeal Konrad Krajewski, chegou depois de sua parada na Polônia, em meio ao oceano de refugiados que continua aumentando. O esmoleiro pontifício passou a fronteira ucraniana, viu e contou à mídia vaticana o enorme esforço feito pela relativa segurança de Lviv para alcançar aqueles que ainda estão sob as trajetórias de mísseis e estão lutando ou são impedidos de fugir pelos corredores humanitários que são ainda muito frágeis.
“Estou perto de Lviv e por razões de segurança não direi onde”, disse o cardeal. “Aqui chegam as grandes quantidades de ajuda da Comunidade Europeia através da Polônia. Tudo é descarregado em grandes depósitos e daqui as carretas partem para Kiev, para Odessa, em direção ao sul do país”. A boa notícia, disse o cardeal Krajewski com satisfação, é que “toda essa ajuda ainda chega ao seu destino, apesar dos bombardeios”. Isto foi confirmado pelos bispos de Kiev, de Odessa e de Karkhiv e pelo próprio núncio apostólico, com quem ele está em contato. Foi sobre este aspecto em particular, que o apoio do Papa interveio de maneira prática: “Aqui eles têm dificuldade em encontrar combustível e através da Esmolaria apostólica, o Santo Padre pagou muitas viagens das carretas, dos grandes caminhões que levam ajuda humanitária para a Ucrânia”.


Núncio na Ucrânia à AIS: qualquer ajuda que vier será bem-vinda
O Núncio Apostólico na Ucrânia, dom Visvaldas Kulbokas, numa entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) descreveu a situação em Kiev: “Desde 24 de fevereiro, todos os dias e todas as noites tem havido ataques de foguetes em diferentes partes da cidade. Nós na Nunciatura não estamos numa área central, então por enquanto não vimos nenhum bombardeio de perto. Em outras cidades, como Kharkiv, as áreas residenciais foram gravemente atingidas. Kiev é relativamente calma, em alguns aspectos, em comparação com outras cidades: Irpin, que é um subúrbio de Kiev, ou Kharkiv, Chernihiv ou Mariupol. Kiev ainda está ligada ao mundo exterior, no entanto, a crise humanitária é muito grave aqui e em algumas outras cidades da Ucrânia”, acrescentou o arcebispo. “Quando a guerra começou, éramos menos organizados. Agora, estamos mais bem preparados. Parece que o Exército russo está se aproximando da cidade. Por isso, as organizações humanitárias foram mais ativas nestes dias”.
Quanto ao apoio do Papa, dom Kulbokas explicou que o Santo Padre “está fazendo todo o possível para pôr fim a esta guerra. E não apenas com palavras, porque sei muito bem que ele está procurando todos as estradas possíveis para a Igreja, espirituais e diplomáticas. Tudo o que é humanamente possível para contribuir para a paz. Certamente, o Papa, e eu sei disso bem através de seus colaboradores, com os quais estou em contato várias vezes ao dia, está considerando muitas possibilidades. Sei que o esmoleiro do Papa, cardeal Krajewski, já está na fronteira entre a Polônia e a Ucrânia, então amanhã ele deve entrar na Ucrânia para dar apoio e ver como e até onde ele pode ir, até onde ele pode levar ajuda humanitária e também a presença do Papa”.