Novos Ventos – 20 de Fevereiro

VII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

A liturgia deste VII domingo do Tempo Comum realça atitude de “perdão” que devemos usar com os outros. Com bastante frequência somos muito audazes em fazer juízos precipitados dos outros, olhamos mais facilmente através de sombras, isto é, uma visão ofuscada do que o outro aparenta ser e não somos capazes de o ver como realmente ele é. Por isso, é necessário ver o outro com “olhos novos”, à medida do Amor de Jesus Cristo. O evangelho deste domingo revela-nos que devemos usar uma medida diferente com a qual queremos ser medidos. Se amamos aqueles que nos amam que fazemos de extraordinário? Os não crentes também amam os amigos. Jesus quer implementar no mundo uma novidade, isto é, «Amar os inimigos, aqueles que nos fazem mal e levantam calúnias ou nos injuriam». Este é um processo que requer de cada um de nós uma alquimia, ou seja, ser capaz de ter um olhar diferente sobre os outros, apagando do nosso pensamento as sombras dos relacionamentos que nos retraem e dificultam os verdadeiros relacionamentos e usar um olhar de «Misericórdia segundo o Coração de Jesus».

A leitura do livro de Samuel,  apresenta-nos o exemplo concreto de um homem de coração magnânimo (David) que, tendo a possibilidade de eliminar o seu inimigo, escolhe o perdão.

A Leitura de São Paulo aos Coríntios,  continua a catequese iniciada há uns domingos atrás sobre a ressurreição. Podemos ligá-la com o tema central da Palavra de Deus deste domingo – o amor aos inimigos – dizendo que é na lógica do amor que preparamos essa vida plena que Deus nos reserva; e que o amor vivido com radicalidade e sem limitações é um anúncio desse mundo novo que nos espera para além desta terra.

O Evangelho de São Lucas,  reforça esta proposta. Exige dos seguidores de Jesus um coração sempre disponível para perdoar, para acolher, para dar a mão, independentemente de quem esteja do outro lado. Não se trata de amar apenas os membros do próprio grupo social, da própria raça, do próprio povo, da própria classe, partido, igreja ou clube de futebol; trata-se de um amor sem discriminações, que nos leve a ver em cada homem – mesmo no inimigo – um nosso irmão.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: «Digo-vos a vós que Me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam. A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir e ao que levar o que é teu, não o reclames. Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também. Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».

Palavra do Senhor


 Palavra de Vida – Fevereiro

«Àqueles que vêm a Mim, não os rejeitarei». (Jo 6,37)

No Québec (Canadá), uma comunidade cristã que vive a Palavra dedica-se a apoiar muitas das famílias que chegam ao seu país, de variadas proveniências: França, Egito, Síria, Líbano, Congo… todos são acolhidos e ajudados, também no esforço de inserção. Isso significa responder às suas múltiplas necessidades: preencher os formulários relativos ao estatuto de refugiado ou residente, fazer a ligação com a escola dos filhos, acompanhá-los a descobrir o seu bairro. É também importante a inscrição em cursos de francês e a procura de trabalho.

Guy e Micheline escrevem: «Uma família da Síria que, fugindo da guerra, tinha vindo para o Canadá, encontrou outra família que tinha acabado de chegar e ainda se encontrava muito desorientada. Através das redes sociais, ativou a rede de solidariedade e muitos amigos conseguiram arranjar o que era necessário: camas, sofás, mesas, cadeiras, utensílios de cozinha, vestuário. Livros e jogos para as crianças foram espontaneamente oferecidos por algumas crianças das nossas famílias, sensibilizadas pelos pais. Tendo recebido mais do que precisavam, ajudaram também outras famílias pobres do seu prédio. A Palavra de vida daquele mês tinha sido muito apropriada: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”».

Letizia Magri


Ucrânia. Bispos italianos: “não há mais lugar para as armas na história da humanidade!”

“O que está acontecendo na fronteira entre Ucrânia e Rússia – lê-se no apelo – preocupa o mundo inteiro. O risco concreto de uma guerra – ou até mesmo a hipótese de que um conflito possa ser desencadeado – perturba a alma, abala as consciências, aumenta as muitas preocupações que a humanidade já está vivendo por causa da pandemia e outras ‘pandemias’ que estão atravessando o planeta: pobreza, doenças, ausência de educação, conflitos locais e regionais.”

Por uma coexistência respeitosa e de cooperação na Europa

“No dia em que recordamos os Santos Cirilo e Metódio, co-patronos da Europa (celebrados em 14 de fevereiro), escrevem os bispos italianos, apelamos às nossas raízes comuns na fé cristã, que é uma mensagem de paz, para que no Velho Continente haja sempre uma coexistência respeitosa, colaboração no nível econômico, respeito e diálogo duradouros.”

Jamais desistir da paz

“A paz é um bem precioso do qual a humanidade não pode e nunca deve desistir. Invocamos nosso Senhor Jesus Cristo, Príncipe da Paz, e a Santíssima Virgem, particularmente venerada na Ucrânia na Basílica da Mãe de Deus de Zarvanytsia, para que um terrível flagelo possa ser poupado. Convidamos todas as Igrejas da Itália a unirem-se a esta intenção de oração”, exortam por fim os bispos.

Igreja da Polônia faz apelo aos bispos da Rússia e Ucrânia

Um grito para prevenir a morte e sofrimento

Na carta Gądecki apresentou-se como irmão e pastor de um “país adjacente”, ligado às terras russas e ucranianas “por uma história comum e pela santa fé cristã”. Referindo-se às notícias da mídia sobre um sério risco armado no país, escreve: “Que as nossas orações sejam um grito para evitar o sofrimento e a morte de milhares de seres humanos inocentes, especialmente os mais fracos e indefesos, que não terão a força ou a oportunidade de escapar quando explodir a guerra”. “Toda guerra é uma tragédia da humanidade” que destrói a vida de milhares de pessoas, de ambos os lados, e de suas famílias, salientou o presidente do Episcopado polonês: “Muitos de ambos os lados ficam mutilados, e milhares de outros carregam feridas internas que são difíceis de cicatrizar”.

Amizade e respeito recíproco

A natureza dramática da guerra entre a Rússia e a Ucrânia é agravada pelo fato de serem ambos povos cristãos e eslavos: “Do ponto de vista humano e do ponto de vista do julgamento divino, estes dois povos deveriam ter muito em comum e deixar de lado o ódio, dando lugar ao respeito recíproco e à amizade. Porém, uma condição indispensável é o respeito pelos direitos dos povos, incluindo o direito à autodeterminação e à integridade territorial”, afirma Gądecki. Ao recordar as duas grandes guerras ocorridas no século passado, o arcebispo polonês lembrou das palavras de São João Paulo II em sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz em 2000: “As guerras são frequentemente causa de outras guerras, porque alimentam ódios profundos, criam situações de injustiça e espezinham a dignidade e os direitos das pessoas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *