Novos Ventos – 23 de Janeiro

III Domingo do Tempo Comum – Ano C

Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto

A liturgia deste terceiro domingo do Tempo Comum põe em evidência a importância em dar atenção à escuta da Palavra de Deus e aplica-La para a vida. O profeta Neemias sublinha a ação dos sacerdotes e Levitas que liam o livro da Lei e explicavam o seu sentido ao povo que acolhia as palavras com atenção. São Lucas dirigindo-se às comunidades que lhe estavam confiadas procura em primeiro lugar fazer uma descrição da vida de Jesus e conta-nos um episódio no qual Jesus em Nazaré vai à Sinagoga e levanta-se para fazer a leitura do livro de Isaías. Talvez esperassem uma grande homilia da parte de Jesus e a única explicação da leitura que tinha proclamado e apenas dirigindo-se à multidão explica «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Jesus vem para anunciar a Boa Nova, para restituir a liberdade aos que andam oprimidos. Muitas vezes, também andamos oprimidos por tantas coisas que externas a nós podem nos bloquear é necessário perceber que Jesus oferece-nos a liberdade.

A leitura do livro de Neemias, exemplifica-se como a Palavra deve estar no centro da vida comunitária e como ela, uma vez proclamada, é geradora de alegria e de festa.

A Leitura de São Paulo aos Coríntios, apresenta a comunidade gerada e alimentada pela Palavra libertadora de Deus: é uma família de irmãos, onde os dons de Deus são repartidos e postos ao serviço do bem comum, numa verdadeira comunhão e solidariedade.

O Evangelho de São Lucas, apresenta-se Cristo como a Palavra que se faz pessoa no meio dos homens, a fim de levar a libertação e a esperança às vítimas da opressão, do sofrimento e da miséria. Sugere-se, também, que a comunidade de Jesus é a comunidade que anuncia ao mundo essa Palavra libertadora.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas

Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele tempo, Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

Palavra do Senhor


Palavra de Vida – Janeiro

«Vimos a sua estrela no Oriente e viemos prestar-Lhe homenagem».

Prestar homenagem a Deus é fundamental para que, diante d’Ele, nos reconheçamos tal como somos: pequenos, frágeis, sempre necessitados de perdão e de misericórdia, e, por essa razão, sinceramente dispostos à mesma atitude em relação aos outros. Esta homenagem, devida apenas a Deus, exprime-se em plenitude na adoração. A este propósito, podem ajudar-nos estas palavras de Chiara Lubich: «[…] o que significa “adorar” a Deus? É uma atitude que só podemos ter para com Ele. Adorar significa dizer a Deus: “Tu és tudo”, ou seja: “És aquele que é”. Eu tenho o privilégio imenso do dom da vida para o reconhecer. Adorar significa dizer também […] “eu sou nada”, mas não só com palavras: para adorarmos a Deus, é preciso anular-nos a nós mesmos e fazer com que Ele triunfe em nós e no mundo. […] E o caminho mais seguro, para chegar à proclamação existencial do nada que somos e do tudo que é Deus, é totalmente positivo: para anular os nossos pensamentos, basta pensar em Deus e ter os seus pensamentos, que nos são revelados pelo Evangelho; para anular a nossa vontade, basta cumprir a Sua vontade, que nos é indicada no momento presente; para anular os nossos afetos desordenados, basta ter no coração o amor para com Ele e amar os nossos próximos, partilhando com eles os seus anseios, sofrimentos, problemas e alegrias. Se formos sempre “amor”, seremos, sem nos darmos conta, “nada” para nós mesmos. Vivendo o nosso nada, afirmamos com a vida a superioridade de Deus, o facto de Ele ser tudo, abrindo-nos assim à verdadeira adoração a Deus».


Pastora Valjakka sobre Unidade dos Cristãos: juntos porque filhos de Deus

Mari Valjakka, pastora da Igreja Evangélica Luterana Finlandesa, encontrou-se com o Papa Francisco na última segunda-feira (17/01), às vésperas da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A pastora faz parte da minoria Sami, uma população indígena que no passado sofreu diversas discriminações. Para Valjakka, a harmonia com o Pontífice é profunda, em particular no cuidado da criação e na defesa das minorias.

O dever de ouvir

Considero que a proteção da criação é central para a missão da Igreja. Como seres humanos fomos criados à imagem de Deus e como imagem de Deus somos chamados a cuidar da criação. Basicamente 80% da biodiversidade do planeta se encontra em territórios habitados por povos indígenas e essas populações têm sido verdadeiramente guardiãs de seus territórios. Portanto, elas têm uma tradição centenária em relação a isso. Esses povos têm tanta sabedoria a ser transmitida, mas muitas vezes sua voz não é ouvida. Na minha opinião, a missão deve partir das margens, das periferias com as periferias, com os povos indígenas, com aqueles que são discriminados. Como cristãos, temos o dever de ouvir essas vozes que muitas vezes não são ouvidas, ou até mesmo silenciadas, porque são irmãos e irmãs em Cristo para nós.

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2022: “Vimos sua estrela no oriente…”

O Conselho de Igrejas do Oriente Médio, com sede em Beirute, Líbano, foi o organizador do grupo de redação de conteúdo da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2022. O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e o Vaticano já publicaram o material em várias línguas. As reflexões exploram como Cristãos e Cristãs são conclamados/as a ser um sinal para o mundo de Deus, trazendo unidade. Provenientes de diferentes culturas, raças e línguas, Cristãos e Cristãs compartilham uma busca comum por Cristo e um desejo comum de adorá-lo.

Embora as igrejas e o povo do Líbano tenham sofrido as consequências diárias de uma persistente crise política e econômica e enfrentado a tragédia da explosão de agosto de 2020 em Beirute, que causou centenas de mortes e deixou centenas de milhares de feridos ou desabrigados, Cristãos e Cristãs de diferentes igrejas no Líbano e países vizinhos encontraram a força espiritual para se unir e preparar os recursos, disse o Rev. Dr. Odair Pedroso Mateus, Secretário-Geral Adjunto do CMI e Diretor de sua Comissão de Fé e Ordem. “Essas pessoas nos convidam a olhar para a estrela do oriente e adorar juntos o Filho de Deus encarnado”, disse o Reverendo. “Por este precioso dom espiritual, somos gratos a Deus e a elas.” Uma das reflexões nota que, neste mundo frágil e incerto, procuramos uma luz, um raio de esperança ao longe. “Em meio ao mal, ansiamos pelo bem”, diz a reflexão. “Procuramos o bem dentro de nós, mas tantas vezes somos oprimidos por nossa fraqueza que a esperança nos falta. Nossa confiança está no Deus que adoramos.”

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