II Domingo Advento – Ano C
Mensagem dominical das paróquias de Torreira e São Jacinto
A liturgia deste II domingo de Advento coloca em evidência a figura de João Baptista. Ele é o percursor que tem a missão de anunciar Jesus Cristo. Ele é a voz que clama no deserto e lança o convite a “preparar o caminho do Senhor”. Como podemos nós preparar esse caminho? O evangelho de joje apresenta o modo como preparar o caminho. É necessário antes de mais “endireitar os caminhos tortuosos”. Esta expressão usada por analogia a um terreno acidentado procura transmitir que a nossa vida muitas vezes encontramos dificuldades de diversas formas; ofertas de um consumismo desenfreado, pelo egocentrismo, por formas de satisfação pessoal, que nos faz esquecer os outros.
A leitura do livro de Baruc, sugere que este “caminho” de conversão é um verdadeiro êxodo da terra da escravidão para a terra da felicidade e da liberdade. Durante o percurso, somos convidados a despir-nos de todas as cadeias que nos impedem de acolher a proposta libertadora que Deus nos faz. A leitura convida-nos, ainda, a viver este tempo numa serena alegria, confiantes no Deus que não desiste de nos apresentar uma proposta de salvação, apesar dos nossos erros e dificuldades.
A Leitura de São Paulo aos Filipenses, chama a atenção para o facto de a comunidade se dever preocupar com o anúncio profético e dever manifestar, em concreto, a sua solidariedade para com todos aqueles que fazem sua a causa do Evangelho. Sugere, também, que a comunidade deve dar um verdadeiro testemunho de caridade, banindo as divisões e os conflitos: só assim ela dará testemunho do Senhor que vem.
O Evangelho de São Lucas, apresenta-nos o profeta João Baptista, que convida os homens a uma transformação total quanto à forma de pensar e de agir, quanto aos valores e às prioridades da vida. Para que Jesus possa caminhar ao encontro de cada homem e apresentar-lhe uma proposta de salvação, é necessário que os corações estejam livres e disponíveis para acolher a Boa Nova do Reino. É esta missão profética que Deus continua, hoje, a confiar-nos.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.
E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência
para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas;
endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas;
e toda a criatura verá a salvação de Deus’».
Palavra do Senhor
Palavra de Vida – Dezembro
Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor (Lc 1, 45)
Este mês, a Palavra de Vida propõe-nos mais uma bem-aventurança. É a saudação alegre e inspirada de uma mulher, Isabel, a uma outra mulher, Maria, que foi visitá-la para a ajudar. Sim, porque ambas estão à espera de um filho e ambas, profundamente crentes, acolheram a Palavra de Deus e, na sua pequenez, experimentaram o Seu poder criador.
Maria é a primeira bem-aventurada do evangelho de Lucas, aquela que experimenta a alegria da intimidade divina. Com esta bem-aventurança, o evangelista inicia a reflexão sobre a relação entre a Palavra de Deus anunciada e a fé que a sabe acolher, entre a iniciativa de Deus e a adesão livre da pessoa.
Letizia Magri

O Papa: Chipre, uma pérola de grande valor no coração do Mediterrâneo
“Chipre, encruzilhada de civilizações, traz em si a vocação inata ao encontro, favorecida pelo caráter acolhedor dos cipriotas”, disse Francisco no início de seu discurso, recordando que de Chipre, “onde se encontram Europa e Oriente, começou a primeira grande inculturação do Evangelho no continente”. “Com profunda emoção percorro os passos dos grandes missionários das origens, em particular de São Paulo, São Barnabé e São Marcos”, frisou o Papa, recordando que está entre os cipriotas como “peregrino” e que “os primeiros cristãos deram ao mundo, com a força suave do Espírito, uma mensagem de beleza sem precedentes”: “A surpreendente novidade da bem-aventurança ao alcance de todos que conquistou os corações e a liberdade de muitos. Este país possui uma herança particular em tal sentido, como mensageiro de beleza entre os continentes”. Segundo Francisco, “Chipre refulge de beleza no seu território, que deve ser protegido e salvaguardado com oportunas políticas ambientais concordadas com os vizinhos”. “Uma pérola de grande valor no coração do Mediterrâneo”, disse ainda o Papa”: Uma pérola gera a sua beleza em circunstâncias difíceis. Nasce na obscuridade, quando a ostra «padece» depois de ter sofrido uma visita inesperada que mina a sua incolumidade, como, por exemplo, um grão de areia que a irrita. Para se proteger, reage assimilando aquilo que a feriu: envolve o que é perigoso e estranho para ela e transforma-o em beleza, numa pérola”.
A Igreja é mãe, não há espaço para muros: o primeiro discurso do Papa em Chipre
Uma Igreja paciente e fraterna, sempre de braços abertos: estes são os votos do Pontífice para a comunidade católica de Chipre, que se reuniu na Catedral maronita minutos depois da chegada de Francisco à ilha. O pronunciamento do Papa foi precedido por testemunhos de religiosos.
Não há muros na Igreja
Já ao falar da rica composição da população local, o Papa mencionou o papel de Chipre no continente europeu: “Uma terra com os campos dourados, uma ilha acariciada pelas ondas do mar, mas sobretudo uma história que é entrelaçamento de povos e mosaico de encontros”. Assim é também entre os católicos: “Não há – e oxalá nunca existam – muros na Igreja Católica: é uma casa comum, é o lugar das relações, é a convivência das diversidades”.
“E não esqueçam disto! Nenhum de nós foi chamado aqui para proselitismo de pregador, jamais. O proselitismo é estéril. Não dá vida. Todos nós fomos chamados pela misericórdia de Deus, que não se cansa de chamar, não se cansa de estar próximo, não se cansa de perdoar.”

