Caminho de Fé e Espiritualidade

SDEC | Departamento da Juventude

Da história da nossa Diocese faz parte um Itinerário Espiritual que muitos frutos deu, e do qual muita gente tem saudade. Se é verdade que alguns têm um mero saudosismo de atividades e de encontros humanos, mas que em nada contribuiu para a sua verdadeira formação espiritual, a verdade é que muitos jovens conseguiram com o Itinerário Espiritual fazer um verdadeiro percurso de crescimento e de amadurecimento da Fé, de descoberta e discernimento vocacional.

Não querendo repetir o passado, e tendo em conta a dimensão pequena da nossa diocese e da maioria dos arciprestados, assim como a falta de recursos de muitos grupos de jovens em poderem propor e organizar momentos marcantes de confronto com Cristo à Luz do Espírito, apresentamos uma proposta integrada, diversificada e composta por vários momentos distintos, mas articulados entre si, procurando proporcionar aos jovens da Diocese o aprofundamento da sua fé e da sua espiritualidade. Para tal, recorremos a parcerias e sinergias com outros serviços diocesanos, nomeadamente o Serviço de espiritualidade do Seminário de Aveiro e o Serviço de Vocações, Acolhimento e Formação Espiritual.

Esta proposta surge da reflexão realizada pelo Sector da Fé do DPJA, a partir das indicações do Sr. Bispo, dos padres e dos animadores da Diocese, bem como das indicações do Magistério e da reflexão teológica atual.

Após o términos da Missão Jubilar, o DPJA fez uma proposta de renovação do Itinerário Espiritual. Esta necessidade de mudança deve-se a vários fatores:

  • a autonomização do Movimento dos Convívios Fraternos, após a aprovação dos Estatutos pela Conferência Episcopal Portuguesa, dando-lhe assim autonomia própria enquanto movimento;
  • a necessidade de repensar/atualizar as várias propostas que compunham o Itinerário;
  • uma dinâmica nova que brota da Missão Jubilar e da reestruturação das estruturas diocesanas.

Surge a proposta do ATO 16:30. Esta proposta, na sua primeira versão, não teve o acolhimento dos animadores e dos jovens.

Assim, e tendo em conta o trabalho já realizado, a experiência acumulada ao longo dos anos com o Itinerário Espiritual, a experiência de algumas Equipas Arciprestais e procurando responder à realidade dos jovens atuais, surge esta nova proposta, na qual temos em conta as orientações diocesanas:

  • «Desenvolver a formação cristã dos jovens, a todos os níveis, atendendo aos seus problemas específicos e aos seus valores próprios»5 .

  • «Dê-se continuidade ao Plano Nacional, proporcionando itinerários adequados à educação da fé dos jovens da Diocese em todas as suas situações de vida»6

  • «Têm por isso de se renovar os itinerários de formação e amadurecimento cristão, de modo a proporcionar aos jovens o crescimento humano e de fé que lhes possibilite opções por valores adjacentes e inspirados no Evangelho de Jesus Cristo, cujo rosto fascinante lhes deve ser apresentado, na sua clareza e exigência»7.

  • DIOCESE DE AVEIRO, II Sínodo Diocesano de Aveiro, Documentos, p. 85 .

  • 6 DIOCESE DE AVEIRO, II Sínodo Diocesano de Aveiro, Documentos, p. 89.

  • 7 DIOCESE DE AVEIRO Caminhada Sinodal sobre os Jovens, Orientações para a Pastoral Juvenil, 2005, III, 3.

A esta proposta chamamos Trilhos, composta por diversos elementos:

1. Ato(s);

2. Outras Propostas: Encontros/retiros/exercícios espirituais.

“O itinerário de fé centra-se em Jesus Cristo e educa para o discipulado ao longo de toda a vida. Nele se incluem o testemunho de acolhimento e apreço pelos jovens, o anúncio explícito de Jesus Cristo, a participação na vida da comunidade cristã e o testemunho de fé no mundo. Nele se deve apontar, também, para a dimensão orante e para a dimensão apostólica, inseparáveis da vida cristã, e, ao mesmo tempo, proporcionar a iluminação evangélica das diversas situações e problemas que os jovens vivem ou enfrentam”8.

Lembrando que “os jovens, mesmo aqueles que frequentam as paróquias e pertencem aos movimentos apostólicos, não estão todos ao mesmo nível na vivência cristã e no grau de pertença eclesial. Por isso mesmo, as propostas pastorais têm de ser diferenciadas, tendo em conta iniciativas adequadas dos Serviços nacionais e diocesanos”9.

Não se pretende substituir as paróquias, pois “as paróquias devem proporcionar aos jo- vens as fontes da vida espiritual, lugares de acolhimento e de encontro e espaços concretos de participação, que expressem igual preocupação por parte dos membros das respetivas comunidades”10. Antes, a nossa proposta pretende ser de colaboração e de complementaridade.

8 BPJ,9
9 BPJ, 15
10 BPJ, 16

ATO(S)

FUNDAMENTAÇÃO

Partimos da consciência que a experiência da Fé não é algo estático, mas sempre algo em mudança, construção: um percurso em que Deus e Homem estabelecem um diálogo. Este aspeto revela-se ainda mais importante no caso dos jovens.

«Uma boa síntese contemporânea do que é a fé está no Catecismo da Igreja Católica (=CIC) e em documentos eclesiásticos posteriores que têm o CIC como ponto de referência. O Capítulo 3 da 1a secção (142-157) chama-se “Homo Deo respondet”11. O título é adequado porque a fé é entendida como um diálogo constante entre o Deus que se revela a Si mesmo (CIC 142) e a humanidade que tenta responder adequadamente à revelação de Deus (CIC 143)12».

11 Tradução: A resposta do Homem a Deus.
12 ALBERTO, RUI, Acreditar em Deus, Um estudo empírico-teológico das representações sociais dos adolescentes, [Porto], Edições Salesianas, [2016], p. 18. Nas citações respeitamos a grafia do autor.

CONCRETIZAÇÃO

Percebe-se então a Fé como algo dinâmico:

«A fé deve ser pensada como uma realidade analógica e não dicotómica. Mais que uma experiência que existe ou não, a fé é realidade que pode assumir muitas intensidades e maturidades. O Novo Testamento descreve um percurso que leva da conversão e fé inicial ao seguimento de Cristo que reconfigura a totalidade da existência, e que só encontra resolução no horizonte escatológico da plena comunhão com o Deus que Se revelou a Si mesmo.

O NT tem clara noção que a fé pode crescer. Jesus censura aos discípulos a pequenez da sua fé (Mt 6,30; 8,26; 14,3; 16,8; 17,20 Lc 12,28), os discípulos pedem para crescer na fé (Lc 17,5). No corpus paulino a questão é ainda mais explícita. Com os Coríntios, Paulo usa a metáfora dos diferentes graus de desenvolvimento humano para descrever a gradualidade da fé; há quem tenha fé como as crianças e não como os adultos (1Cor 13,2). Não ficam esquecidos os débeis na fé (Rm 14,1). Em Rm 12,6, num contexto onde se tenta discernir ministérios, sugere-se que Deus dá diferentes “quantidades” de fé a diferentes pessoas. Paulo sente a responsabilidade pessoal de ajudar os cristãos de Tessalónica e de Filipos a completarem o seu caminho de fé (1Tes 3,10, Fil 1,25). Obviamente este crescimento na fé deve ser entendido em sentido subjectivo. A fé é uma realidade analógica (capaz de evoluir) na medida em que o sujeito se envolve, com todas as suas dimensões, num maior ou menor grau, com o diálogo iniciado por Deus»13.

É a mesma preocupação que movia Paulo, que move o DPJA a fazer esta proposta de crescimento na fé. Este «itinerário de fé centra-se em Jesus Cristo e educa para o discipulado ao longo da vida. Nele se incluem o testemunho de acolhimento e apreço pelos jovens, o anúncio explícito de Jesus Cristo, a participação na vida da comunidade cristã e o testemunho de fé no mundo. Nele [aponta-se] para a dimensão orante e para a dimensão apostólica»14 .

13 ALBERTO, Acreditar em Deus, p. 31.

14 BPJ, 9.

CONCEÇÃO

Ato(s): usamos a palavra ATO para definir este itinerário de Fé. Ato tem uma significação polissémica. Ato tanto pode significar uma ação, como pode significar uma parte de uma peça de teatro. O plural (Atos), transporta-nos para o livro dos Atos dos Apóstolos, que literariamente se apresenta sem um fim, sem uma conclusão, pois na verdade, é um livro não terminado, pois é continuado, no tempo e na história, pelos discípulos de Jesus.

É com esta variedade de significados que queremos definir este itinerário: ações concretas, no tempo e no espaço, que são parte de algo maior – de um caminho, para ajudar os jovens discípulos de Jesus da nossa diocese, deste tempo, a aprofundar a sua espiritualidade, isto é, o seu ser cristão. Ato(s) na construção do discípulo de Cristo.

Esta proposta procura ser um caminho constituído por quatro momentos/atos:

  1. O ato da mudança/desafio (10º ano). A passagem da Catequese da Adolescência para a Pastoral Juvenil. Um encontro de fim de semana (sexta a domingo) em que se procura ajudar a perceber que há vida para lá do Crisma. Uma proposta atrativa, que desafie os jovens que se encontram no caminho do Sacramento da Confirmação a continuar o seu caminho de fé.
  2. O ato da construção/integração/maturação (18-21 anos de idade). Um olhar crente para a vida na sua integralidade. Um encontro de fim de semana (sábado e domingo) em que se procura olhar para várias dimensões da vida, confrontá-las com o Evangelho, e procurar propostas/respostas de crescimento. Procura-se dar ferramentas de discernimento e crescimento.
  3. Dividido em dois atos:
    1. (a)  O ato da vivência/reflexão (olhar para dentro) (22-30 anos de idade). Um momento de autorreflexão e de encontro íntimo com Deus. Refletir opções toma- das, avaliar.
    2. (b)  O ato da vivência/reflexão (olhar para dentro) (22-30 anos de idade e ter realizado o primeiro encontro). O aprofundar o caminho realizado anteriormente.

 

 

OUTRAS PROPOSTAS:

ENCONTROS/RETIROS/EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

Encontros, retiros e exercícios espirituais, em parceria com o CUFC, Serviço de Espiritualidade do Seminário, Jesuítas e outros órgãos que possam vir a colaborar connosco.