{"id":707,"date":"2018-10-13T10:01:12","date_gmt":"2018-10-13T10:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/?page_id=707"},"modified":"2018-10-13T10:11:55","modified_gmt":"2018-10-13T10:11:55","slug":"carta-pastoral-2018-2021","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/notas-pastorais\/carta-pastoral-2018-2021\/","title":{"rendered":"CARTA PASTORAL 2018-2021"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>JESUS CHAMOU OS QUE ELE QUIS\u2026 ELES FORAM\u2026 E FICARAM<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O nosso Plano de Pastoral<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>A nossa vida e a nossa presen\u00e7a no mundo s\u00e3o fruto dum chamamento divino, que deve ser reconhecido, acolhido e vivido. Falar da voca\u00e7\u00e3o \u00e9 falar do caminho que cada pessoa percorre para construir a sua maneira pr\u00f3pria de ser feliz e fazer felizes os outros. Cada pessoa possui uma miss\u00e3o ou voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na vida. A sua concretiza\u00e7\u00e3o exige uma resposta. Esta Carta Pastoral, em conson\u00e2ncia com o Plano Diocesano de Pastoral 2018-2021, com o lema\u00a0<em>Jesus chamou os que Ele quis\u2026 eles foram\u2026 e ficaram<\/em>, \u00e9 um convite a que cada um, e cada comunidade, procure compreender-se a si mesmo e ao seu projeto de vida \u00e0 luz de Jesus Cristo, para reviver o despertar e a alegria da fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Seguir Jesus \u00e9 viver conduzido e animado pelo Esp\u00edrito de Jesus. \u00c9 refazer fiel e criativamente o caminho de Jesus, atualizando-o na nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. \u00c9 viver e atuar movidos pelos mesmos valores que inspiraram e conduziram a vida de Jesus, e viver animado pela mesma confian\u00e7a e esperan\u00e7a que O sustiveram ao longo da sua vida, paix\u00e3o e morte. \u00c9 realizar e atualizar no mundo de hoje as pr\u00e1ticas do Reino de Deus realizadas por Jesus.<\/p>\n<p>Neste tri\u00e9nio, pretende-se descobrir o dom da voca\u00e7\u00e3o como seguimento de Jesus, como resposta ao seu chamamento.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o por um tri\u00e9nio dedicado \u00e0 voca\u00e7\u00e3o, ao seguimento de Jesus, faz-nos recentrar a vida da Igreja em Jesus \u2013 op\u00e7\u00e3o que a Igreja sempre tomou em tempos de crise e de dificuldade.<\/p>\n<p>Seguir Jesus n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o cuja iniciativa seja nossa: os disc\u00edpulos s\u00e3o destinat\u00e1rios de um convite; \u00e9 Ele quem toma a iniciativa. O conte\u00fado do convite \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus, por isso a resposta ao seu chamamento exige entrar na mesma din\u00e2mica que Ele imprimiu \u00e0 sua vida.<\/p>\n<p>O que significa dizer que a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 o caminho da santidade, e que todos somos chamados a ser santos? Recorda-nos o Papa Francisco: \u00abTodos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o pr\u00f3prio testemunho nas ocupa\u00e7\u00f5es de cada dia, onde cada um se encontra. \u00c9s uma consagrada ou um consagrado? S\u00ea santo, vivendo com alegria a tua doa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1s casado? S\u00ea santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. \u00c9s um trabalhador? S\u00ea santo, cumprindo com honestidade e compet\u00eancia o teu trabalho ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os. \u00c9s progenitor, av\u00f3 ou av\u00f4? S\u00ea santo, ensinando com paci\u00eancia as crian\u00e7as a seguirem Jesus. Est\u00e1s investido em autoridade? S\u00ea santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais\u00bb (G\u00a0<em>et Ex 14).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A VOCA\u00c7\u00c3O BATISMAL, CAMINHO DE SANTIDADE<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O chamamento \u00e0 vida<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>A vida \u00e9, por si mesma, um chamamento. A nossa exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um mero acaso, mas um chamamento \u00e0 vida por um ato do amor criador de Deus. Deus chama-nos \u00e0 vida, atrav\u00e9s dos pais, e a ser pessoa, com as qualidades que caracterizam o ser humano.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ao longo da exist\u00eancia, o homem buscou construir sentido para a sua raz\u00e3o de ser e de estar no mundo, e em todos os problemas que coloca a si mesmo \u00e9 sempre a quest\u00e3o do sentido da vida: desde sempre se interrogou sobre a sua origem, a sua rela\u00e7\u00e3o com os outros, com a hist\u00f3ria, com o Transcendente, com o seu ser no mundo, com o seu destino.<\/p>\n<p>Aos poucos, a pessoa foi tomando consci\u00eancia da sua singularidade e condi\u00e7\u00e3o. Fomos criados para que nos realizemos como pessoas, nas rela\u00e7\u00f5es que vamos estabelecendo com o mundo que nos rodeia. De Deus v\u00eam o homem e a mulher, pessoas chamadas a tornarem-se um dom rec\u00edproco para que outros tenham vida. \u00abDeus, que criou o homem por amor, tamb\u00e9m o chamou ao amor, voca\u00e7\u00e3o fundamental e inata de todo o ser humano\u00bb (<em>CCE<\/em>\u00a01604). Uma vez que \u00e9 criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, a felicidade do homem, que depende da resposta que dermos para esta vida, s\u00f3 se pode realizar plenamente na total comunh\u00e3o encontrada com o seu Criador.<\/p>\n<p>O projeto de vida, mais do que uma vontade pessoal, implica a vontade de Deus e deve ser sempre de servi\u00e7o e amor aos irm\u00e3os. \u00abPara cada um a voca\u00e7\u00e3o ao amor adquire uma forma concreta na vida quotidiana, atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de escolhas que estruturam a condi\u00e7\u00e3o de vida (casamento, minist\u00e9rio ordenado, vida consagrada, etc.), a profiss\u00e3o, as modalidades de compromisso social e pol\u00edtico, o estilo de vida, a gest\u00e3o do tempo e do dinheiro, etc. Assumidas ou n\u00e3o, conscientes ou inconscientes, trata-se de escolhas das quais ningu\u00e9m se pode eximir\u00bb (<em>Instrumentum laboris<\/em>,\u00a0<em>Os jovens, a f\u00e9 e o discernimento vocacional<\/em>. S\u00ednodo dos Bispos 2018). A busca do sentido da vida e o que fazer no futuro \u00e9 uma constante na vida de cada pessoa, e em especial dos jovens. Quando o homem n\u00e3o procura este sentido para a sua vida, vive uma frustra\u00e7\u00e3o existencial.<\/p>\n<p>Se a nossa vida \u00e9 fruto de um chamamento, \u00e9 dom que devemos a outros, devemos-lhe uma resposta.\u00a0<em>Nascemos para corresponder ao chamamento que Deus nos fez \u00e0 vida<\/em>. O primeiro chamamento \u00e9, sem d\u00favida, o chamamento \u00e0 vida, depois, atrav\u00e9s do batismo, Deus chama-nos a ser crist\u00e3os, isto \u00e9, seus disc\u00edpulos; depois chama para uma voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na Igreja e na sociedade (cf.\u00a0<em>DGC<\/em>\u00a0231). Criados homem e mulher \u00e0 imagem de Deus, todos s\u00e3o chamados a viver como filhos de Deus. Somos criaturas, n\u00e3o somos deuses, mas trazemos em n\u00f3s esta rela\u00e7\u00e3o com o Criador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A vida \u00e9 uma miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Viver \u00e9 sempre responder a um chamamento divino. Deus quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a for\u00e7a do seu Esp\u00edrito.\u00a0<em>Chamou os que ele quis<\/em>. Ao longo da hist\u00f3ria, Deus foi chamando nas mais variadas circunst\u00e2ncias: Mois\u00e9s guardava o rebanho de Jetro, seu sogro\u2026 Samuel dormia\u2026 Pedro estava a pescar\u2026 Mateus estava na banca\u2026 Zaqueu em cima de uma \u00e1rvore\u2026<\/li>\n<\/ol>\n<p>Todos temos o dom de Deus: o dom da voca\u00e7\u00e3o. Falar de voca\u00e7\u00e3o significa falar da realidade mais profunda da pessoa. A palavra\u00a0<em>voca\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0vem do voc\u00e1bulo latino\u00a0<em>vocare<\/em>, que significa chamar. \u00c9 um chamamento de Deus a cada pessoa e que, uma vez descoberta a voca\u00e7\u00e3o, requer uma tomada de decis\u00e3o livre e respons\u00e1vel. Deus toma a iniciativa e capacita-nos para a a\u00e7\u00e3o; a n\u00f3s cabe apenas responder sim ou n\u00e3o ao seu chamamento. Esta\u00a0<em>convoca\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0\u00e9 a partir de outros, com os outros e para os outros; \u00e9\u00a0<em>miss\u00e3o<\/em>. A vida s\u00f3 pode ser entendida na \u00f3tica da miss\u00e3o. O chamamento \u00e9 para escutar Jesus e para segui-lo: partilhar da sua vida, da sua miss\u00e3o (fazer a vontade do Pai); miss\u00e3o que n\u00e3o consiste em fazer coisas, mas em ser sinal do amor de Deus no mundo.\u00a0<em>\u00c9 mais importante o que fazemos da vida, do que aquilo que fazemos na vida<\/em>.<\/p>\n<p>Habitualmente, confunde-se voca\u00e7\u00e3o com profiss\u00e3o. A voca\u00e7\u00e3o nasce de uma voz interior e antecede a profiss\u00e3o. O crist\u00e3o aprende a acolher numa perspetiva vocacional todas as escolhas da exist\u00eancia, sobretudo a do estado de vida, bem como as de car\u00e1cter profissional. Profiss\u00e3o \u00e9 o exerc\u00edcio de uma atividade que nem sempre est\u00e1 em conformidade com a voca\u00e7\u00e3o, mas que dignifica a pessoa quando \u00e9 exercida com amor, esp\u00edrito de servi\u00e7o e responsabilidade. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o pulsar da verdadeira vida em n\u00f3s; quando vivida na fidelidade e na alegria confere ao exerc\u00edcio da profiss\u00e3o uma beleza particular, e \u00e9 caminho de santidade.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>A elei\u00e7\u00e3o, a filia\u00e7\u00e3o e a santidade est\u00e3o intimamente unidas. A santidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a meta, h\u00e1 de ser tamb\u00e9m o caminho. A voca\u00e7\u00e3o ou chamamento \u00e0 santidade \u00e9 uma chamada \u00e0 perten\u00e7a, \u00e0 comunh\u00e3o, \u00e0 vincula\u00e7\u00e3o filial \u2013 o ponto de partida e de retorno para a miss\u00e3o. Como cada voca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o que envolve a vida toda, temos de a enquadrar em tr\u00eas dimens\u00f5es: em rela\u00e7\u00e3o a Cristo, \u00e9 um sinal; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, \u00e9 um mist\u00e9rio; em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, \u00e9 uma miss\u00e3o e um testemunho a favor do Reino. \u00abPara um crist\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar a pr\u00f3pria miss\u00e3o na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque \u201cesta \u00e9, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santifica\u00e7\u00e3o\u201d (<em>1Ts\u00a0<\/em>4,3). Cada santo \u00e9 uma miss\u00e3o; \u00e9 um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da hist\u00f3ria, um aspeto do Evangelho\u00bb (<em>G et Ex<\/em>\u00a019). N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar a pr\u00f3pria miss\u00e3o na terra sem a conceber como um caminho de santidade. Ser santo n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio de alguns. \u00c9 voca\u00e7\u00e3o de todos. \u00abGosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o p\u00e3o para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta const\u00e2ncia de continuar a caminhar dia ap\u00f3s dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta \u00e9 muitas vezes a santidade \u201cao p\u00e9 da porta\u201d, daqueles que vivem perto de n\u00f3s e s\u00e3o um reflexo da presen\u00e7a de Deus, ou \u2013 por outras palavras \u2013 da \u201cclasse m\u00e9dia da santidade\u201d\u00bb (<em>G et Ex<\/em>\u00a07).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O homem \u00e0 luz do mist\u00e9rio de Cristo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Em Jesus Cristo encontramos a imagem de Deus e a imagem do homem.\u00a0<em>\u00abVede que prova de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus. E n\u00f3s somo-lo\u00bb (<\/em>cf.<em>\u00a01Jo\u00a0<\/em>3,1). \u00ab<em>Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu \u00fanico Filho<\/em>\u2026\u00bb (cf.<em>\u00a0Jo\u00a0<\/em>3,16). O homem participa, desde o in\u00edcio, desta elei\u00e7\u00e3o filial e s\u00f3 se compreende na rela\u00e7\u00e3o integral de escuta e comunh\u00e3o com a pessoa de Jesus Cristo. O Papa S. Jo\u00e3o Paulo II, no in\u00edcio do seu minist\u00e9rio, afirmou: \u00abO homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente (\u2026) deve, com a sua inquietude, incerteza e tamb\u00e9m com a sua fraqueza e pecado, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n\u2019Ele com tudo o que \u00e9 em si mesmo, deve \u2018apropriar-se\u2019 e assimilar toda a realidade da Encarna\u00e7\u00e3o e da Reden\u00e7\u00e3o, para se encontrar a si mesmo\u00bb (<em>RH<\/em>\u00a010).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A obedi\u00eancia filial \u00e0 voz do Pai conduz naturalmente a cumprir a miss\u00e3o recebida para ser membro de um povo enviado, sacerdotal, prof\u00e9tico e de reis. \u00abSe um de n\u00f3s se questionar sobre \u201ccomo fazer para chegar a ser um bom crist\u00e3o\u201d, a resposta \u00e9 simples: \u00e9 necess\u00e1rio fazer \u2013 cada qual a seu modo \u2013 aquilo que Jesus disse no serm\u00e3o das bemaventuran\u00e7as. Nelas est\u00e1 delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida\u00bb (<em>G et ex\u00a0<\/em>63).<\/p>\n<p>Fazer a vontade de Deus envolve primariamente reconhecer a voca\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 dada por Ele e que vem sempre acompanhada dos talentos necess\u00e1rios para que ela seja cumprida. \u00abA pr\u00f3pria vida \u00e9 voca\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Deus\u00bb (<em>VD\u00a0<\/em>77). O que realmente d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida \u00e9 o momento em que o\u00a0<em>sim<\/em>\u00a0de Deus e\u00a0<em>o sim<\/em>\u00a0do homem se encontram.\u00a0<strong>Voca\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00eaxodo de si mesmo para centrar a nossa exist\u00eancia em Cristo e no seu Evangelho.\u00a0<\/strong>O que vive esta voca\u00e7\u00e3o abre-se \u00e0 novidade e p\u00f5e-se a caminho<strong>.\u00a0<\/strong>\u00abNa diversidade e especificidade de cada voca\u00e7\u00e3o, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo que nos permite p\u00f4r a render os nossos talentos, faz de n\u00f3s tamb\u00e9m instrumentos de salva\u00e7\u00e3o no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade\u00bb (Papa Francisco<em>, 55\u00ba Dia Mundial de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es<\/em>).<\/p>\n<p>A exig\u00eancia de estar no mundo, para os crentes, radica da sua participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio de Cristo. \u00abImportante \u00e9 que cada crente discirna o seu pr\u00f3prio caminho e traga \u00e0 luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf.\u00a0<em>1Cor<\/em>\u00a012,7), e n\u00e3o se esgote procurando imitar algo que n\u00e3o foi pensado para ele. Todos estamos chamados a ser testemunhas, mas h\u00e1 muitas formas existenciais de testemunho. (<em>G et Ex<\/em>\u00a011). Ser crist\u00e3o transforma a vida pessoal e comunit\u00e1ria, acrescentando-lhe uma nova dimens\u00e3o \u2013 o seguimento de Cristo e a fidelidade ao seu Evangelho. Este seguimento passa por acolher o Evangelho tal como \u00e9 proposto pelo Magist\u00e9rio da Igreja e n\u00e3o segundo as ideias ou os gostos de cada um, ou ditados por circunst\u00e2ncias pessoais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A voca\u00e7\u00e3o batismal e o encontro com Cristo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>A consagra\u00e7\u00e3o batismal \u00e9 incorpora\u00e7\u00e3o do batizado na miss\u00e3o de Cristo. Ser batizado significa assumir uma identidade, a identidade de Cristo \u2013 a pessoa de Jesus e a sua proposta transformadora. O encontro com Jesus d\u00e1 um renovado sentido \u00e0 nossa vida e abre novos horizontes de exist\u00eancia. Em Jesus, o Deus vivo vem ao nosso encontro, partilha connosco o mist\u00e9rio do seu amor, para que tenhamos vida nova e eterna. Jesus Cristo torna-se o paradigma para os que querem seguir este caminho. Foi o que aconteceu com o chamamento de Zaqueu a uma vida nova:<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00ab<em>Tendo entrado em Jeric\u00f3, Jesus atravessava a cidade. Vivia ali um homem rico, chamado Zaqueu, que era chefe de cobradores de impostos. Procurava ver Jesus e n\u00e3o podia, por causa da multid\u00e3o, pois era de pequena estatura. Correndo \u00e0 frente, subiu a um sic\u00f3moro para o ver, porque Ele devia passar por ali. Quando chegou \u00e0quele local, Jesus levantou os olhos e disse-lhe: \u00abZaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa\u00bb. Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio de alegria. Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um pecador. Zaqueu, de p\u00e9, disse ao Senhor: \u00abSenhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei algu\u00e9m em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais\u00bb. Jesus disse-lhe: \u00abHoje veio a salva\u00e7\u00e3o a esta casa, por este ser tamb\u00e9m filho de Abra\u00e3o; pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido<\/em>\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a019,1-10).<\/p>\n<p>Nesta narrativa apresenta-se um homem de nome Zaqueu, que responde ao chamamento de Jesus. Zaqueu \u00e9 um publicano, cobrador de impostos, e um homem rico, algu\u00e9m, portanto, que tem dificuldade em se desprender dos bens materiais, e que procurava ver quem era este homem que arrastava multid\u00f5es.<\/p>\n<p>Zaqueu \u00e9 impelido pelo \u2018desejo\u2019. Movido por um desejo interior, deixa tudo o que est\u00e1 a fazer e corre \u00e0 procura daquilo que o seu cora\u00e7\u00e3o quer ver: ver Jesus. Jesus viu o desejo de Zaqueu\u2026 Ele queria ver o Mestre n\u00e3o por curiosidade mas porque estava fascinado por Ele. Quando se encontra com Jesus e os seus olhares se cruzam, Jesus faz-lhe uma proposta: \u201cdesce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa\u201d. Jesus queria ajud\u00e1-lo a ser feliz na comunh\u00e3o com o Pai\/Deus. S\u00f3 quem experimenta a profundidade deste pedido e por ele se deixa tocar se torna capaz de proporcionar a outros a paix\u00e3o pela intimidade com o Senhor Jesus. Zaqueu deixou que Jesus entrasse na sua vida e o transformasse. O encontro com Jesus provocou nele uma profunda convers\u00e3o; deixou-se transformar pelo amor de Deus e de explorador dos pobres tornou-se um homem generoso, capaz de partilhar os seus bens com os pobres. Zaqueu, ao mudar de vida, d\u00e1 testemunho daquilo que Jesus faz na sua vida, e por meio deste testemunho, anuncia, n\u00e3o com palavras, mas com a sua vida, a pessoa de Jesus e o que Ele realizou. Quem faz a experi\u00eancia deste olhar de Jesus e ouve o seu chamamento encontra o sentido da vida. \u00c9 Ele a Boa Nova que inaugura uma nova maneira de viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Cada passagem do Evangelho \u00e9 um convite de Jesus a segui-Lo, que p\u00f5e o homem diante da interroga\u00e7\u00e3o fundamental: Que quero fazer da minha vida? Qual o meu caminho? A narra\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o dos primeiros disc\u00edpulos de Jesus (<em>Jo<\/em>\u00a01,35-39) diz-nos isso mesmo. O amor divino \u00e9 o acontecimento de um encontro que muda a vida de quem aceita entregar-se a este amor em Jesus. Quando Jo\u00e3o Batista indica Jesus como Salvador do mundo, Jo\u00e3o e Andr\u00e9 n\u00e3o hesitaram em segui-lo. Jesus faz-lhes uma \u00fanica pergunta: \u201c<em>Que procurais?<\/em>\u201d (<em>Jo\u00a0<\/em>1,38). Pode parecer uma pergunta vulgar, mas ela vai ao \u00edntimo da pessoa, como quem diz: o que vos move? Quais s\u00e3o os vossos anseios? De que andais \u00e0 procura na vida? \u00c9 pois uma pergunta cheia de sentido, um convite a olhar-se no mais profundo de n\u00f3s mesmo. Por sua vez, eles respondem com outra pergunta que exprime o desejo de ficar com Ele: \u201c<em>onde moras?<\/em>\u201d. Morando juntos, experimentamos o relacionamento, partilhamos algo em comum, sentimo-nos fam\u00edlia. Eles compreenderam que seguir Jesus \u00e9 encontrar a verdadeira morada da pr\u00f3pria vida. A resposta do Mestre \u00e9 um convite a confiar e a fazer uma experi\u00eancia de vida com Ele: \u201c<em>Vinde e vereis\u201d\u00a0<\/em>(<em>Jo\u00a0<\/em>1,39). Os disc\u00edpulos aceitam o convite, v\u00e3o e permanecem, passando um dia inesquec\u00edvel na companhia de Jesus. A impress\u00e3o daquele encontro vai marcar para sempre a sua vida. S. Jo\u00e3o, um dos dois, passados muitos anos e ao escrever o\u00a0<em>quarto Evangelho<\/em>, cita a hora exata daquele primeiro encontro: \u201cEram as quatro horas da tarde\u201d, para os hebreus a hora das grandes decis\u00f5es.\u00a0<em>A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o encontro com Algu\u00e9m, n\u00e3o com algo;<\/em>\u00a0\u00e9 a recorda\u00e7\u00e3o de uma hora que muda a vida quando se aceita estar com Ele e viver d\u2019Ele, reconhecendo-o como\u00a0<em>Meu Senhor e meu Deus<\/em>. O encontro com Jesus abre um novo horizonte e imprime um rumo decisivo \u00e0 vida, d\u00e1 origem a uma exist\u00eancia nova na comunh\u00e3o com Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O chamamento de Deus \u00e9 sempre um desafio. Sem uma experi\u00eancia de encontro com Cristo n\u00e3o h\u00e1 interesse nem motiva\u00e7\u00e3o para conhecer e aderir \u00e0 sua mensagem. Os chamados foram,\u00a0<em>\u201cviram onde Jesus morava e ficaram com Ele\u201d.<\/em>\u00a0O ardor com que eles amavam a Cristo impelia-os a fazer com que outros tamb\u00e9m O amassem. \u00c9, pois, preciso procurar modos para abrir caminhos para que o Senhor possa\u00a0<em>falar<\/em>\u00a0e\u00a0<em>chamar<\/em>. A voca\u00e7\u00e3o do homem n\u00e3o \u00e9 para desempenhar uma fun\u00e7\u00e3o, mas para viver com o Filho, para descobrir e reconhecer a pr\u00f3pria identidade filial, para ser\u00a0<em>filhos no Filho<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>Duas preocupa\u00e7\u00f5es nos devem acompanhar. Primeira: renovar e aprofundar constantemente o encontro com o Senhor, procur\u00e1-lo cada dia sem cessar; segunda: levar os outros a experimentar este encontro e acompanh\u00e1-los no caminho do Evangelho. \u00abDeixa que a gra\u00e7a do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. N\u00e3o desanimes, porque tens a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo para tornar poss\u00edvel a santidade e, no fundo, esta \u00e9 o fruto do Esp\u00edrito Santo na tua vida (cf.\u00a0<em>Gal<\/em>\u00a05,22-23)\u00bb (<em>G et Ex\u00a0<\/em>15).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Estas duas dimens\u00f5es do encontro com Cristo podemos v\u00ea-las graficamente no epis\u00f3dio dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas (<em>Lc\u00a0<\/em>24,13-35). Tamb\u00e9m eles fizeram a experi\u00eancia do encontro e foram anunciar o Ressuscitado aos outros disc\u00edpulos, que, por sua vez, j\u00e1 tinham feito a mesma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Nunca o Ressuscitado \u00e9 reconhecido logo \u00e0 primeira. \u00c9 necess\u00e1rio que se estabele\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o interpessoal a partir de um gesto que Ele mesmo realiza:\u00a0<em>\u201cJesus em pessoa aproximou-se. Estavam cegos e n\u00e3o podiam reconhec\u00ea-Lo\u201d<\/em>. H\u00e1 algo fundamental que impede estes dois disc\u00edpulos de reconhecerem Jesus:\u00a0<em>\u201cN\u00f3s esper\u00e1vamos que fosse Ele o libertador de Israel\u201d<\/em>. Para eles, o Messias era um libertador pol\u00edtico dos romanos e que vinha estabelecer o reino de David.<\/p>\n<p>O viandante desconhecido explica-lhes longamente tudo o que se refere ao Messias, a come\u00e7ar em Mois\u00e9s e nos Profetas. E f\u00ea-lo com paix\u00e3o, segundo eles pr\u00f3prios o v\u00e3o reconhecer mais tarde:\u00a0<em>\u201cN\u00e3o nos ardia o cora\u00e7\u00e3o, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?\u201d<\/em>\u00a0(<em>Lc<\/em>\u00a024,32).<\/p>\n<p>Quando Jesus entrou para ficar com eles e se sentam \u00e0 mesa, Jesus repete o gesto eucar\u00edstico: Palavra e Eucaristia levam-nos \u00e0 f\u00e9. O que os disc\u00edpulos viram e ouviram tem de ser experimentado na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o; p\u00e3o que sacia plenamente a fome de felicidade. N\u00e3o basta buscar o p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o batismal ajuda-nos a entender melhor a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre consagra\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>miss\u00e3o.<\/em>\u00a0A voca\u00e7\u00e3o inicial, o chamamento \u00e0 santidade, realiza-se atrav\u00e9s das m\u00faltiplas op\u00e7\u00f5es da vida quotidiana. \u00c9 atrav\u00e9s delas que Deus embeleza e d\u00e1 forma \u00e0 Igreja para que ela possa cumprir a sua miss\u00e3o. Todos temos de perguntar-nos:\u00a0<em>Qual a transforma\u00e7\u00e3o que o encontro com Cristo operou na minha vida e na vida da minha comunidade<\/em>? Seguir Cristo compromete. Aquele que se deixa guiar e plasmar pela f\u00e9 da Igreja torna-se como uma janela aberta \u00e0 luz do Deus vivo. Este testemunho leva-nos a ter que dizer como S\u00e3o Paulo: \u00ab<em>N\u00e3o que j\u00e1 o tenha alcan\u00e7ado ou j\u00e1 seja perfeito; mas corro para ver se o alcan\u00e7o, (\u2026) lan\u00e7ando-me para o que vem \u00e0 frente\u00bb<\/em>\u00a0(<em>Fl\u00a0<\/em>3,12-13). A situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da f\u00e9 no mundo atual impele-nos a\u00a0<em>ir \u00e0s fontes da nossa f\u00e9<\/em>\u00a0e a tornarmo-nos disc\u00edpulos e testemunhas do Deus de Jesus Cristo de uma forma mais decidida e radical. Este encontro deve renovar-se constantemente pelo testemunho pessoal, pelo an\u00fancio do\u00a0<em>querigma<\/em>\u00a0e pela a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da comunidade. Urge evitar o contrasenso de acreditar em Deus e viver como se Deus n\u00e3o existisse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Voca\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><strong>Laical<\/strong><\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>A voca\u00e7\u00e3o laical \u00e9 a primeira voca\u00e7\u00e3o na Igreja e a mais comum. Pelo facto de o batismo ser o sacramento que d\u00e1 base e condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia \u00e0 vida crist\u00e3, o fiel leigo encontra nele o caminho para pensar e viver a sua voca\u00e7\u00e3o e a sua identidade. \u00ab<em>Por leigos entende-se aqui o conjunto dos fi\u00e9is, com exce\u00e7\u00e3o daqueles que receberam uma ordem sacra ou abra\u00e7aram o estado religioso aprovado pela Igreja, isto \u00e9, os fi\u00e9is que, \u2013 por haverem sido incorporados em Cristo pelo batismo e constitu\u00eddos em Povo de Deus, e por participarem a seu modo do m\u00fanus sacerdotal, prof\u00e9tico e real de Cristo \u2013 realizam na Igreja e no mundo, na parte que lhes compete, a miss\u00e3o de todo o povo crist\u00e3o<\/em>\u00bb (<em>LG<\/em>\u00a031). S\u00e3o chamados a viver a novidade radical trazida por Cristo precisamente no meio das condi\u00e7\u00f5es normais da vida. \u00abTodo e qualquer leigo, em virtude dos dons que lhe foram concedidos, \u00e9 ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da miss\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja \u2018segundo a medida do dom de Cristo\u2019\u00a0<em>(Ef 4,7)<\/em>\u00bb (cf.\u00a0<em>LG\u00a0<\/em>36).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A vida laical \u00e9 caracterizada pelo compromisso crist\u00e3o dos leigos no mundo: na vida matrimonial, na fam\u00edlia, na escola, no trabalho, na economia, na pol\u00edtica, na comunidade. O espec\u00edfico desta voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00edndole secular \u00abO mundo torna-se assim o ambiente e o meio da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos fi\u00e9is leigos, pois tamb\u00e9m eles est\u00e3o destinados a dar gl\u00f3ria a Deus Pai em Cristo\u00bb (<em>CfL\u00a0<\/em>15). N\u00e3o podemos separar os caminhos da santifica\u00e7\u00e3o pessoal dos caminhos das a\u00e7\u00f5es concretas do dia a dia.<\/p>\n<p>Devido \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es de vida, os leigos representam uma voca\u00e7\u00e3o especial para exercerem, como fermento, o seu apostolado de f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade no meio do mundo. O leigo \u00e9, portanto, um membro pleno de uma comunidade onde o Esp\u00edrito distribui os seus carismas com criatividade sempre surpreendente, fazendo com que todos e cada um se sintam respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o e crescimento dessa mesma comunidade. Eles s\u00e3o chamados a fazer brilhar a novidade e a for\u00e7a do Evangelho em todas as dimens\u00f5es da vida.\u00a0<em>Os\u00a0<\/em>fi\u00e9is leigos devem convencer-se cada vez mais do particular significado que tem o empenhamento apost\u00f3lico na sua par\u00f3quia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>A Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 \u00e9 um processo atrav\u00e9s do qual uma pessoa \u00e9 inserida no mist\u00e9rio de Cristo, morto e ressuscitado, tornando-se disc\u00edpulo de Cristo atrav\u00e9s dos sacramentos do batismo, da confirma\u00e7\u00e3o e da eucaristia (cf. Le\u00e3o Magno,\u00a0<em>De Batismo<\/em>\u00a0I,1). Esta inicia\u00e7\u00e3o levava o catec\u00fameno a fazer uma experi\u00eancia profunda com Cristo e o seu Reino.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 era feita em etapas, com ritos, celebra\u00e7\u00f5es, gestos e s\u00edmbolos. Deus salva-nos atrav\u00e9s da Palavra, de gestos, de acontecimentos e de sinais, que s\u00e3o os mist\u00e9rios da f\u00e9. O catec\u00fameno\/catequizando tinha ritos e celebra\u00e7\u00f5es que o ajudavam a celebrar e a viver o que aprendera.<\/p>\n<p>A Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 tem hoje dois itiner\u00e1rios diferentes: um para os adultos e outro para as crian\u00e7as. Um adulto que deseje ser batizado tem de fazer uma caminhada catecumenal, no fim da qual recebe, numa mesma celebra\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3: batismo, eucaristia e confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para as crian\u00e7as em idade de catequese, situa\u00e7\u00e3o que entre n\u00f3s \u00e9 cada vez mais frequente, prop\u00f5e-se um itiner\u00e1rio de inicia\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio, muito semelhante ao dos adultos, mas adaptado ao seu n\u00edvel et\u00e1rio e \u00e0s suas capacidades. A verdade da inicia\u00e7\u00e3o pede que o batismo e a eucaristia das crian\u00e7as em idade de catequese se fa\u00e7a numa mesma celebra\u00e7\u00e3o, procurando, tanto quando poss\u00edvel, que os candidatos se aproximem dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o na mesma altura que os seus companheiros j\u00e1 batizados s\u00e3o admitidos \u00e0 eucaristia (cf.\u00a0<em>RICA<\/em>\u00a0311) A confirma\u00e7\u00e3o deve acontecer no momento em que o seu grupo de catequese a celebre.<\/p>\n<p>Os pais tamb\u00e9m est\u00e3o presentes, pois a eles pertence ajudar os filhos a crescer na f\u00e9 \u2013 sendo tamb\u00e9m para estes oportunidade para uma maior aproxima\u00e7\u00e3o com a comunidade crist\u00e3 e, ao mesmo tempo, momento para aprofundamento da sua pr\u00f3pria f\u00e9 cf.\u00a0<em>RICA<\/em>\u00a0308).<\/p>\n<p>O livro lit\u00fargico pr\u00f3prio para a rece\u00e7\u00e3o dos sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, quer dos adultos quer das crian\u00e7as em idade de catequese, \u00e9 o\u00a0<em>Ritual da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Adu<\/em>ltos.<\/p>\n<p>Diferente \u00e9 o caso do batismo das crian\u00e7as, que \u00abpor n\u00e3o terem chegado ainda ao uso da raz\u00e3o, n\u00e3o podem professar f\u00e9 pr\u00f3pria\u00bb se deve utilizar o\u00a0<em>Ritual da Celebra\u00e7\u00e3o do Batismo<\/em>\u00a0(cf.\u00a0<em>Preliminares<\/em>\u00a01). O batismo deve conferir-se com este Ritual at\u00e9 as crian\u00e7as terem o uso da raz\u00e3o que, entre n\u00f3s, \u00e9 iniciarem a catequese paroquial ou a sua matr\u00edcula na escola.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A VOCA\u00c7\u00c3O DA FAM\u00cdLIA: COM O OLHAR FIXO EM JESUS<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A voca\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio<\/strong><\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li>A voca\u00e7\u00e3o essencial do homem concretiza-se no\u00a0<em>ser para o outro<\/em>. \u00c9 por meio do\u00a0<em>outro<\/em>\u00a0que o homem se encontra a si mesmo. \u00ab<em>N\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3<\/em>\u00bb (<em>Gn<\/em>\u00a02,18). A voca\u00e7\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, ao amor, foi, desde o princ\u00edpio, inscrita por Deus no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No primeiro par humano, o ser humano afirma-se como algu\u00e9m que se descobre e constr\u00f3i na rela\u00e7\u00e3o com o outro. O matrim\u00f3nio \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o natural inscrita por Deus Criador no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher: \u00ab<em>O homem deixar\u00e1 pai e m\u00e3e para se unir \u00e0 sua mulher; e os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne<\/em>\u00bb (<em>Gn\u00a0<\/em>2,24). Esta total rela\u00e7\u00e3o vincula a doa\u00e7\u00e3o de um ao outro com a finalidade de cada um dar ao outro algo de si mesmo:\u00a0<em>\u201cEu recebo-te por minha esposa\/marido e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, todos os dias da nossa vida\u201d.<\/em>Amar \u00e9, pois, sair de si para ir ao encontro do outro e faz\u00ea-lo feliz em todas as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Esta comunh\u00e3o de vida e de amor do homem e da mulher, que na sua complementaridade f\u00edsica e espiritual garantem a transmiss\u00e3o da vida, \u00e9 o n\u00facleo fundamental da voca\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da humanidade e, por isso mesmo, sua c\u00e9lula fundante e fundamental. \u00abPortanto, o olhar da Igreja volta-se para os esposos como o cora\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia inteira, que, por sua vez, levanta o seu olhar para Jesus\u00bb (<em>AL\u00a0<\/em>78).<\/p>\n<p>O valor fundamental do matrim\u00f3nio \u00e9 o amor. O matrim\u00f3nio \u00e9 o \u00edcone do amor de Deus por n\u00f3s. A voca\u00e7\u00e3o matrimonial \u00e9 ser no mundo um sinal de que Deus nunca desiste de amar o ser humano, porque, \u00abem virtude do sacramento, os esposos s\u00e3o investidos numa aut\u00eantica miss\u00e3o, para que possam tornar vis\u00edvel, a partir das realidades simples e ordin\u00e1rias, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a dar a vida por ela\u00bb (<em>AL\u00a0<\/em>121).<\/p>\n<p>O matrim\u00f3nio \u00e9, no pleno sentido da palavra, um chamamento espec\u00edfico \u00e0 santidade dentro da comum voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Os esposos crist\u00e3os encontram na vida matrimonial e familiar a mat\u00e9ria da sua santifica\u00e7\u00e3o pessoal, isto \u00e9, da sua pessoal identifica\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo: sacrif\u00edcios e alegrias, gozos e ren\u00fancias, o trabalho no lar e fora dele; s\u00e3o os elementos com que, \u00e0 luz da f\u00e9, constroem o edif\u00edcio da Igreja. \u00abO matrim\u00f3nio \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o, sendo uma resposta \u00e0 chamada espec\u00edfica para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso, a decis\u00e3o de se casar e formar uma fam\u00edlia deve ser fruto de um discernimento vocacional\u00bb (<em>AL<\/em>\u00a072).<\/p>\n<p>A comunh\u00e3o do homem e da mulher pode caminhar para a sua perfei\u00e7\u00e3o, porque Deus faz parte dessa comunh\u00e3o. Acresce, por\u00e9m, falar positivamente da fam\u00edlia e do sacramento do matrim\u00f3nio, pois a fam\u00edlia \u00e9 uma boa not\u00edcia para o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia da fam\u00edlia na vida do ser humano<\/strong><\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li>O encontro entre um homem e uma mulher, a partir do amor e da decis\u00e3o de constitu\u00edrem uma fam\u00edlia, partilhando alegrias e tristezas, contrariedades e sonhos, faz parte do projeto de Deus. A fam\u00edlia \u00e9 fruto e express\u00e3o do matrim\u00f3nio, tem in\u00edcio na comunh\u00e3o conjugal,\u00a0<em>na qual o homem e a mulher \u201cmutuamente se d\u00e3o e recebem um ao outro<\/em>\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O casal humano nasce com a voca\u00e7\u00e3o de formar uma comunh\u00e3o de vida no amor, seja para amparo m\u00fatuo, seja para a procria\u00e7\u00e3o. Aben\u00e7oando os novos seres, Deus diz-lhes: \u00ab<em>Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra<\/em>\u00bb (<em>Gn\u00a0<\/em>1,28). Deste modo, os esposos tornam-se cooperadores com Deus no dom da vida a uma nova pessoa humana. \u00abA fecundidade \u00e9 o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da entrega plena e rec\u00edproca dos esposos\u00bb (<em>FC\u00a0<\/em>28).<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 chamada a ser ber\u00e7o da vida, a concretiza\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o matrimonial e cora\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor. \u00c9 na fam\u00edlia que se encontra e desenvolve a vida humana e crist\u00e3, que fazemos a aprendizagem quando nos aceitamos uns aos outros com o nosso cora\u00e7\u00e3o, a nossa personalidade e as nossas aspira\u00e7\u00f5es. Os pais, com o seu exemplo de vida e a palavra, s\u00e3o os primeiros e os mais determinantes educadores, procurar\u00e3o que os filhos se desenvolvam, com equil\u00edbrio e harmonia, na disposi\u00e7\u00e3o de viver com fidelidade a voca\u00e7\u00e3o recebida de Deus, educando-os para o amor e despertar o desejo latente nos seus cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 o lugar natural onde se aprende a viver com Deus. Foi o ambiente que Deus elegeu para que o seu Filho crescesse.\u00a0<em>\u00abDesceu com eles, voltou para Nazar\u00e9 e era-lhes submisso. Sua m\u00e3e guardava todas estas coisas no seu cora\u00e7\u00e3o. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a, diante de Deus e dos homens\u00bb<\/em>\u00a0(<em>Lc<\/em>\u00a02,51-52). Jesus cresce em gra\u00e7a e em sabedoria sob o olhar dos pais, dos parentes e dos amigos, ouvindo as hist\u00f3rias e partilhando as preocupa\u00e7\u00f5es de todos. Atrav\u00e9s dos gestos quotidianos dos seus pais, Jesus aprende e amadurece a sua miss\u00e3o. Anunciar o projeto de amor do Pai e apontar aos homens os caminhos da vida definitiva encontra na fam\u00edlia um espa\u00e7o privilegiado para se expressar, para crescer e para se desenvolver. A voca\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 e de Maria foi mostrar que Jesus, contra toda a expectativa, era o Salvador. A fam\u00edlia \u00e9, tamb\u00e9m, a primeira experi\u00eancia de Igreja que uma pessoa recebe, pois nela a pessoa recebe uma primeira e elementar inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, recebe os sacramentos mais importantes e tem a primeira experi\u00eancia da caridade.<\/p>\n<p>A for\u00e7a da fam\u00edlia reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar. A alian\u00e7a de amor e fidelidade na qual vive a Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 ilumina o princ\u00edpio que d\u00e1 forma a cada fam\u00edlia, tornando-a capaz de enfrentar as vicissitudes da vida. Como comunidade de f\u00e9 que encontra a sua raiz no batismo e no sacramento do matrim\u00f3nio, a fam\u00edlia \u00e9 chamada \u00e0 santidade \u00abSede santos, diz o Senhor, porque Eu sou santo\u00bb (<em>Lv\u00a0<\/em>11,45; cf.\u00a0<em>1Pd\u00a0<\/em>1,16). Esta voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade concretiza-se por meio da\u00a0<em>caridade conjugal<\/em>. Como refere o Papa Francisco na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em>A Alegria do Amor<\/em>(cf. 315-317), a realidade humana que participa mais de perto na vida \u00edntima e na fecundidade criadora de Deus \u00e9 a fam\u00edlia: chamados a serem imagem da comunh\u00e3o que existe entre as tr\u00eas pessoas da Sant\u00edssima Trindade, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo; eles s\u00e3o a imagem da uni\u00e3o entre Cristo e a Igreja sua esposa (cf.\u00a0<em>Ef<\/em>\u00a05,32); e s\u00e3o eles que participam diretamente no poder criador de Deus quando geram os filhos e os ajudam a crescer.<\/p>\n<p>Ainda que esteja desestruturada ou a passar por momentos dif\u00edceis, a fam\u00edlia n\u00e3o deixa de ser a refer\u00eancia da vida de cada homem ou mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia,\u00a0<em>igreja dom\u00e9stica<\/em><\/strong><\/p>\n<ol start=\"13\">\n<li>\u00c0 maneira da fam\u00edlia de Jesus, toda a fam\u00edlia \u00e9 portadora de uma mensagem. A\u00a0<em>igreja dom\u00e9stica<\/em>oferece ao mundo a realidade recebida e torna-se, ela mesma, um modelo, um estilo de vida. \u00abCom o testemunho e tamb\u00e9m com a palavra, as fam\u00edlias falam de Jesus aos outros, transmitem a f\u00e9, despertam o desejo de Deus e mostram a beleza do Evangelho e do estilo de vida que nos prop\u00f5e. Assim os esposos crist\u00e3os pintam o cinzento do espa\u00e7o p\u00fablico, colorindo-o de fraternidade, sensibilidade social, defesa das pessoas fr\u00e1geis, f\u00e9 luminosa, esperan\u00e7a ativa. A sua fecundidade alarga-se, traduzindo-se em mil e uma maneiras de tornar o amor de Deus presente na sociedade\u00bb (<em>AL<\/em>184).<\/li>\n<\/ol>\n<p>As tarefas que a fam\u00edlia \u00e9 chamada a desenvolver brotam do seu pr\u00f3prio ser e manifestam o seu desenvolvimento din\u00e2mico e existencial. Pela sua especificidade, a miss\u00e3o das fam\u00edlias crist\u00e3s \u00e9 um verdadeiro minist\u00e9rio: s\u00e3o chamadas a testemunhar o amor na abertura \u00e0s necessidades eclesiais e do mundo. Os pais n\u00e3o s\u00f3 comunicam o Evangelho aos filhos, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. \u00abA pr\u00f3pria vida da fam\u00edlia torna-se itiner\u00e1rio de f\u00e9 e, em certo modo, inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e escola dos seguidores de Cristo\u00bb (<em>FC<\/em>\u00a039). Est\u00e1 vocacionada para enriquecer e promover, com os seus pr\u00f3prios dinamismos de amor e de comunh\u00e3o, um clima de f\u00e9 e oferecer o ambiente pr\u00f3prio para uma saud\u00e1vel educa\u00e7\u00e3o humana, afetiva e crist\u00e3: gerar testemunhos capazes de mostrar a beleza e a santidade da voca\u00e7\u00e3o conjugal e familiar. \u00abA beleza do dom rec\u00edproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos, s\u00e3o apenas alguns dos frutos que tornam \u00fanica e insubstitu\u00edvel a resposta \u00e0 voca\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, tanto para a Igreja como para a sociedade inteira\u00bb (<em>AL<\/em>\u00a088).<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 o primeiro ambiente humano onde se forma\u00a0<em>o homem interior<\/em>. \u00abDiante das fam\u00edlias e no meio delas, deve ressoar sempre de novo o primeiro an\u00fancio, que \u00e9 o mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necess\u00e1rio e deve ocupar o centro da atividade evangelizadora\u00bb (<em>AL<\/em>\u00a058). Como tal, cada fam\u00edlia deve aprender a viver e a conjugar os tempos do trabalho com aqueles da festa. O Domingo, dia do Senhor, dia\u00a0 da escuta da Palavra e participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia, \u00e9 um tempo privilegiado para a constru\u00e7\u00e3o familiar como realidade de comunh\u00e3o e abertura \u00e0 comunidade e \u00e0 caridade. Ser\u00e1, pois, para o casal e para a fam\u00edlia, uma fonte de permanente renova\u00e7\u00e3o do amor que impedir\u00e1 o desgaste, o cansa\u00e7o e o desencanto a que poder\u00e1 estar sujeita a vida conjugal e familiar. A Palavra de Deus \u00e9 fonte de vida e espiritualidade para a fam\u00edlia. Para desenvolver a espiritualidade da comunh\u00e3o \u00e9 preciso prever tempos de encontro e de partilha comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Queridos por Deus, o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia est\u00e3o interiormente ordenados a complementarem-se em Cristo e t\u00eam necessidade da sua gra\u00e7a para serem curados de todas as feridas.<\/p>\n<p>Neste sentido, \u00e9 fundamental ajudar os jovens a descobrir a sua voca\u00e7\u00e3o, acompanhar os noivos no seu itiner\u00e1rio de f\u00e9, ajudar os esposos a descobrirem as verdadeiras dimens\u00f5es da vida, apoiar os casais a construir uma comunh\u00e3o e apoiar os pais na cria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos filhos, e que os casais se ajudem uns aos outros na constru\u00e7\u00e3o da comunidade familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade<\/strong><\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li>O Papa Francisco ofereceu \u00e0 Igreja, no final dos dois s\u00ednodos dos bispos sobre a fam\u00edlia no mundo atual, a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>. Numa linguagem simples e concreta, o Papa Francisco conduz-nos a descobrir antes de mais a beleza e o valor do matrim\u00f3nio crist\u00e3o como obra-prima e gra\u00e7a de Deus criador para constituir uma fam\u00edlia feliz. Matrim\u00f3nio e fam\u00edlia s\u00e3o um dom de Deus e, simultaneamente, uma voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o espec\u00edfica do ser humano \u00abA alegria do amor que se vive nas fam\u00edlias \u00e9 tamb\u00e9m o j\u00fabilo da Igreja\u00bb (cf.\u00a0<em>AL<\/em>\u00a01).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Como sinal vivo e concreto do amor e da salva\u00e7\u00e3o de Deus, que a fam\u00edlia \u00e9 chamada a ser no seio da comunidade, \u00e9 imprescind\u00edvel que as fam\u00edlias crist\u00e3s sejam instrumento e incentivo \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia pela pr\u00f3pria fam\u00edlia. Seria importante que, nas par\u00f3quias, se criassem grupos de casais e revitalizassem movimentos e grupos que ajudassem no acolhimento das pessoas e na ajuda \u00e0s fam\u00edlias que vivem com dificuldades, nomeadamente de compreens\u00e3o perante o modelo de fam\u00edlia que constituem. Estas dificuldades com que as fam\u00edlias se deparam devem-nos levar a pensar e repensar a realidade e formas de atuar, nomeadamente quando h\u00e1 v\u00ednculos que ainda as ligam \u00e0 suposta alegria de ser fam\u00edlia em Igreja: pedido dos sacramentos, envio dos filhos \u00e0 catequese\u2026 Mais do que incrementar a tens\u00e3o que j\u00e1 se vive no seio de muitas fam\u00edlias, acolher, respeitar, compreender, integrar e ajudar s\u00e3o gestos que a diocese, as par\u00f3quias n\u00e3o podem descurar. \u201cSe algu\u00e9m quiser seguir uma mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e se aproximar \u00e0 procura de Deus, n\u00e3o esbarrar\u00e1 com a frieza de uma porta fechada\u201d (<em>EG<\/em>\u00a047).<\/p>\n<p>A Exorta\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>\u00a0prop\u00f5e \u00e0 miss\u00e3o de pastores cuidar sobretudo de quatro pontos mais urgentes do ponto de vista pastoral: a prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, o acompanhamento dos casais jovens, o apoio \u00e0 fam\u00edlia na transmiss\u00e3o da f\u00e9, a maior integra\u00e7\u00e3o eclesial dos divorciados a viver em nova uni\u00e3o (cf. Documento\u00a0<em>Acompanhar, Discernir, Integrar a fragilidade<\/em>\u00a0da Diocese de Aveiro, aprovado em 26\/11\/2017).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>III. ENVIADOS PARA ANUNCIAR O EVANGELHO DE JESUS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A voca\u00e7\u00e3o, uma experi\u00eancia de sedu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"15\">\n<li>Saber-se chamado pessoalmente por Deus \u00e9 a experi\u00eancia-chave de toda a voca\u00e7\u00e3o e de todo o projeto de vida. Somos fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus, que pensou em cada um de n\u00f3s ainda antes de existirmos. \u00ab<em>Quando ainda estava no ventre materno, o Senhor chamou-me, quando ainda estava no seio da minha m\u00e3e, pronunciou o meu nome. Fez da minha palavra uma espada afiada, escondeu-me na concha da sua m\u00e3o. Fez da minha mensagem uma seta penetrante, guardou-me na sua aljava. (\u2026) O meu Deus tornou-se a minha for\u00e7a. Disse-me: \u00abN\u00e3o basta que sejas meu servo, s\u00f3 para restaurares as tribos de Jacob, e reunires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti luz das na\u00e7\u00f5es, para que a minha salva\u00e7\u00e3o chegue at\u00e9 aos confins da terra<\/em>\u00bb (<em>Is\u00a0<\/em>49,1-6).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o, qualquer que ela seja, \u00e9 sempre um mist\u00e9rio pessoal, uma experi\u00eancia \u00fanica. \u00c9 sempre Deus que chama, dos mais variados modos, atrav\u00e9s dos mais variados meios e em qualquer idade: \u00ab<em>Seduziste-me Senhor, e eu deixei-me seduzir<\/em>\u00bb (<em>Jer\u00a0<\/em>20,7). A voca\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, uma\u00a0<em>sedu\u00e7\u00e3o<\/em>, uma\u00a0<em>conquista do cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(<em>Os\u00a0<\/em>2,16) por parte de Deus para uma vida de comunh\u00e3o com Ele.<\/p>\n<p>O Senhor, que pronunciou com infinita ternura o nome de cada um desde o ventre materno, quer fazer de n\u00f3s luz para as na\u00e7\u00f5es; quer que a nossa vida resplande\u00e7a no mundo a luz que Ele mesmo infundiu no mais \u00edntimo de n\u00f3s mesmos. Por\u00e9m, para descobrirmos essa luz, que somos chamados a partilhar, devemos conhecer-nos a n\u00f3s mesmos: por entre sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias e conhecimentos, d\u00favidas e medos, desejos e aspira\u00e7\u00f5es, capacidades e limita\u00e7\u00f5es. Deixar-se seduzir e \u2018apanhar\u2019 por Jesus, \u00e9 o primeiro passo para transformar e encontrar a vida. O esfor\u00e7o para formar uma atitude pessoal de escuta, aliado ao sil\u00eancio, abre-nos aos outros e, de modo especial, \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00f3s e no mundo. \u00ab<em>Tudo posso naquele que me fortalece<\/em>\u00bb (<em>Flp<\/em>\u00a04,13).<\/p>\n<p>Ao abordarmos o tema da voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos esquecer o contexto cultural atual: uma cultura originada pelo individualismo, pelo vazio de valores e refer\u00eancias, pela precariedade, pela indecis\u00e3o, em que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio combater Deus, mas simplesmente se prescinde d\u2019Ele; um homem confrontado com os limites das ci\u00eancias e da t\u00e9cnica, seduzido socialmente e voltado para si mesmo. \u00abQuando a vida interior se fecha nos pr\u00f3prios interesses, deixa de haver espa\u00e7o para os outros, j\u00e1 n\u00e3o entram os pobres, j\u00e1 n\u00e3o se ouve a voz de Deus, j\u00e1 n\u00e3o se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem\u00bb (<em>EG<\/em>\u00a01). Por sua vez, os jovens t\u00eam receio e medo de fazer op\u00e7\u00f5es e assumir compromissos exigentes e duradoiros. Derivado da cultura dominante, sente-se a falta de uma\u00a0<em>cultura vocacional<\/em>\u00a0que se repercute em v\u00e1rios \u00e2mbitos: crise da voca\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f3nio, \u00e0 vida pol\u00edtica, \u00e0 vida associativa\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a f\u00e9 crist\u00e3 j\u00e1 n\u00e3o ocupar um lugar de relevo na vida real, n\u00e3o deixa de ser verdade que as novas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam uma atitude alegre e festiva diante da vida, procuram dar um sentido \u00e0s suas vidas\u2026 e continuam a colocar-se as grandes quest\u00f5es sobre a exist\u00eancia humana. \u00abO mist\u00e9rio do homem s\u00f3 no mist\u00e9rio do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente [\u2026] Cristo, novo Ad\u00e3o, na pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua voca\u00e7\u00e3o sublime\u00bb (<em>GS<\/em>\u00a022).<\/p>\n<p>O projeto de Deus para uma pessoa n\u00e3o \u00e9 algo preestabelecido, mas um apelo que se faz atrav\u00e9s de media\u00e7\u00f5es concretas. Deus respeita a originalidade e a peculiaridade de cada pessoa. Na resposta que dela espera, a n\u00f3s cabe-nos motivar e estimular cada ser humano a dizer\u00a0<em>sim<\/em>\u00a0a Deus com a peculiaridade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A voca\u00e7\u00e3o e o seguimento de Cristo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"16\">\n<li>Deus chama para enviar. Os disc\u00edpulos por excel\u00eancia s\u00e3o os Doze, grupo formado pelos que Jesus chamou pelo pr\u00f3prio nome (<em>Mc<\/em>\u00a03,13-19), os que o acompanharam sempre como testemunhas do que fez e disse, para serem enviados a anunciar e tornar presente o reinado de Deus (<em>Mc<\/em>\u00a06,7-13).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Jesus faz dois chamamentos com a mesma finalidade: o seguimento. O primeiro chamamento \u00e9 bem conhecido. \u00ab<em>Passando ao longo do mar da Galileia, viu Sim\u00e3o e Andr\u00e9, seu irm\u00e3o, que lan\u00e7avam as redes ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes Jesus: \u201cVinde comigo e farei de v\u00f3s pescadores de homens\u201d. Deixando logo as redes seguiram-no. Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e Jo\u00e3o, seu irm\u00e3o, que estavam no barco a consertar as redes, e logo os chamou. E eles deixaram no barco seu pai Zebedeu com os assalariados e partiram com Ele<\/em>\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a01,16-20). Este primeiro chamamento n\u00e3o se completa at\u00e9 que Jesus convoque o grupo dos Doze (<em>Mc<\/em>\u00a03,13-19). Este convite tem como finalidade estarem com Ele e serem enviados a anunciar a boa not\u00edcia.<\/p>\n<p>O segundo chamamento de Jesus aos disc\u00edpulos \u00e9 uma cena de fundo com conte\u00fado vocacional. Jesus, a s\u00f3s com eles, pergunta-lhes o que \u00e9 que as pessoas dizem dele e o que \u00e9 que eles pr\u00f3prios dizem. Diante da pergunta de Jesus, Pedro, em nome de todos, responde: \u00ab<em>Tu \u00e9s o Messias<\/em>\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a08,29). Esta resposta parece n\u00e3o ser satisfat\u00f3ria, e Jesus proibe-lhes que falem acerca dele (<em>Mc<\/em>\u00a08,27-30). Falava-lhes abertamente, pela primeira vez, do caminho para a cruz (<em>Mc<\/em>\u00a08,31-32). Jesus volta a ensinar-lhes e refere-se \u00e0 sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Pedro tem uma rea\u00e7\u00e3o inesperada, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conceber um Cristo que sofre e morre: Pedro pensa realmente como os homens e n\u00e3o como Deus (<em>Mc<\/em>8,33).<\/p>\n<p>Este segundo chamamento \u00e9 um convite a seguir Jesus, dirigido n\u00e3o s\u00f3 a Pedro, mas a todos. Depois do chamamento \u00e0 vida, somos chamados \u00e0 filia\u00e7\u00e3o divina, tornando-nos filhos adotivos de Deus atrav\u00e9s do sacramento do Batismo. Somos tamb\u00e9m chamados \u00e0 santidade (cf.\u00a0<em>Ef<\/em>\u00a01,4-5;\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a05,48) e \u00e0 escolha de um estado de vida. Como o batismo de Jesus no Jord\u00e3o representou o in\u00edcio da sua miss\u00e3o prof\u00e9tica, assim o batismo crist\u00e3o \u00e9 a fonte e a origem de toda a voca\u00e7\u00e3o. Todos, ao serem batizados, recebem o mesmo Esp\u00edrito que animou a vida de Jesus; assumem os desafios da humanidade. Pelo batismo fomos sepultados com Cristo na sua morte para sermos pessoas ressuscitadas, plenas de vida nova no amor e na verdade (cf<em>. Rm<\/em>\u00a06,4-11). Pela \u00e1gua da fonte batismal todas as pessoas s\u00e3o enxertadas em Cristo (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>\u00a06,3), inseridas no seu Corpo (cf.\u00a0<em>1Cor<\/em>\u00a012,13) para, na diversidade de carismas (cf.\u00a0<em>1Cor<\/em>\u00a012,4-31), servirem \u00e0 comunidade e \u00e0 humanidade. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de tudo, chamamento para o seguimento de Cristo. Mas, ao mesmo tempo, esta gra\u00e7a batismal permite e exige a diferen\u00e7a e a diversidade de carismas, minist\u00e9rios e fun\u00e7\u00f5es. Cada batizado \u00e9 chamado a uma voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e realiza-a em diferentes estados da vida, por caminhos espec\u00edficos apontados por Deus: o ser padre, pai, m\u00e3e, solteiro, religioso, leigo.<\/p>\n<ol start=\"17\">\n<li>O seguimento \u00e9 a \u00fanica resposta ao amor incondicional de Jesus. A rela\u00e7\u00e3o pessoal com Jesus, a identifica\u00e7\u00e3o com Ele, com o seu projeto e caminho, \u00e9 o que define o disc\u00edpulo. Pedro e seu irm\u00e3o Andr\u00e9 deixam imediatamente as redes da pesca e seguem Jesus; Tiago e Jo\u00e3o deixam o pai Zebedeu com os assalariados na barca e partiram com Ele; Levi deixa a oficina de cobran\u00e7a de impostos e segue-O (<em>Mc<\/em>\u00a01,16; 1,19-20; 2,14). O\u00a0<em>chamamento<\/em>\u00a0sup\u00f5e em quem o recebe a capacidade de elaborar um projeto de vida que possa ser criativamente vivido como resposta ao chamamento de Deus. N\u00e3o \u00e9 apenas um convite ao seguimento, mas tamb\u00e9m uma convoca\u00e7\u00e3o a permanecer no seu amor (<em>Jo<\/em>\u00a015,9), a assumir o projeto do Reino de Deus e a participar da sua miss\u00e3o \u2013 a de caminhar ao encontro do Ressuscitado. O disc\u00edpulo \u00e9, pois, algu\u00e9m apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e o acompanha ao longo da sua vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ser disc\u00edpulo de Jesus implica despojamento e ren\u00fancia. N\u00e3o poderemos descobrir a chamada especial e pessoal que Deus pensou para n\u00f3s, se ficarmos fechados em n\u00f3s mesmos. Quando Deus chama, e chama cada pessoa a uma miss\u00e3o concreta, est\u00e1 no fundo do seu chamamento um convite a seguir um caminho que n\u00e3o est\u00e1 isento da cruz: \u00ab<em>Se algu\u00e9m quer seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me<\/em>\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a08,34). \u00c9 o chamamento para seguir Jesus Cristo, assumindo existencialmente as suas condi\u00e7\u00f5es de vida, com a capacidade de amar \u2013 um caminho de amor em crescendo e de discernimento. Sendo convite para uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade com a Trindade, a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 chamamento para amar, chamamento ao servi\u00e7o (<em>1Jo<\/em>\u00a04,7-21;\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a010,45). Somos chamados a seguir Jesus, a pessoa e a mensagem de vida (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a09,57-62; 14,25-27; 18,18-30); a viver as bemaventuran\u00e7as (<em>Mt<\/em>\u00a05,1ss; 6,20-38) e a realizar os valores do Reino; a dar continuidade \u00e0 sua obra e miss\u00e3o na terra (<em>Mt<\/em>28,16-20;\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a016,15-20;\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a020,21-23); a anunciar a esperan\u00e7a do reino futuro (<em>Lc<\/em>\u00a021,29-36).<\/p>\n<p>O caminho do seguimento de Cristo<em>\u00a0\u00e9 chamamento \u00e0 comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o<\/em>; comporta sempre uma miss\u00e3o que se realiza na especificidade das rela\u00e7\u00f5es familiares, eclesiais e sociais. Ao sermos chamados a qualquer estado de vida (sacerdotal, consagra\u00e7\u00e3o, matrimonial) assumimos um compromisso espec\u00edfico com a comunidade humana, de ajud\u00e1-la a encontrar a felicidade. Se \u00e9 verdade que o \u00fanico e mesmo Esp\u00edrito distribuiu os seus dons a cada um conforme ele quer (<em>1Cor<\/em>\u00a012,11), tamb\u00e9m \u00e9 verdade que todo o dom \u00e9 para utilidade de todos, para o bem da comunidade (<em>1Cor\u00a0<\/em>12,7). Esta vis\u00e3o do seguimento de Cristo como chamamento \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o leva-nos a descobrir a vida de fraternidade, de caridade. A nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 um chamamento para amar a Deus, mas n\u00e3o ama a Deus quem n\u00e3o ama o seu pr\u00f3ximo (<em>1Jo<\/em>\u00a04,20). \u00c9 esta vida de comunh\u00e3o que d\u00e1 autenticidade \u00e0 nossa voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que o disc\u00edpulo amadure\u00e7a no conhecimento e seguimento de Jesus, deve alimentar-se: da Palavra de Deus, que \u00e9 caminho de aut\u00eantica convers\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o; da Eucaristia, lugar privilegiado do encontro do disc\u00edpulo com Jesus Cristo; da ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, o lugar onde o disc\u00edpulo, alimentado pela Palavra e pela Eucaristia, cultiva uma rela\u00e7\u00e3o de profunda amizade com Jesus Cristo; e no encontro com os pobres, os aflitos e os enfermos, com quem Jesus se identifica na par\u00e1bola do Ju\u00edzo Final (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025).<\/p>\n<p>Temos de sair de n\u00f3s mesmos, das nossas certezas, dos nossos h\u00e1bitos, dos nossos ambientes. Para promover a gl\u00f3ria de Deus e a salva\u00e7\u00e3o de todos \u00ab<em>Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura\u2026 Eu estarei convosco<\/em>\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a016,15).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Voca\u00e7\u00e3o Sacerdotal<\/strong><\/p>\n<ol start=\"18\">\n<li>Uma pessoa s\u00f3 vive a sua voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 fundamental numa voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Entre aqueles que O seguem, Jesus escolhe alguns para um especial minist\u00e9rio. \u00c9 o que se encontra de modo evidente na voca\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos: \u00ab<em>Elegeu doze para andarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar dem\u00f3nios<\/em>\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a03,14-15), convidando-os a tomar conta do seu rebanho (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a021,15-19); e no chamamento de Paulo, \u00abservo do Senhor Jesus Cristo, chamado para ser ap\u00f3stolo, separado para o Evangelho de Deus\u00bb (<em>Rm<\/em>\u00a01,1; cf.\u00a0<em>1Cor<\/em>\u00a01,1).<\/li>\n<\/ol>\n<p>O Filho, caminho que conduz ao Pai (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a014,6), chama todos aqueles que o Pai lhe deu, isto \u00e9, os que correspondem ao seu des\u00edgnio, a um seguimento que d\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua exist\u00eancia. Todos, na Igreja, s\u00e3o consagrados no batismo e na confirma\u00e7\u00e3o, mas o minist\u00e9rio ordenado e a vida consagrada sup\u00f5em, cada qual, uma distinta voca\u00e7\u00e3o e uma forma espec\u00edfica de consagra\u00e7\u00e3o, com vista a uma miss\u00e3o peculiar (<em>VC<\/em>\u00a031). A alguns, Cristo pede uma ades\u00e3o total, que implica o desapego de tudo (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>19,27) para viver na intimidade com Ele e segui-lo para onde quer que v\u00e1.<\/p>\n<p>Na origem da voca\u00e7\u00e3o sacerdotal est\u00e1 uma esp\u00e9cie de elei\u00e7\u00e3o que Deus faz livremente, e fora de toda a considera\u00e7\u00e3o meramente humana, a favor de uma pessoa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 entrega de uma miss\u00e3o: \u00ab<em>N\u00e3o fostes v\u00f3s que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a v\u00f3s e vos destinei a ir e dar muito fruto, e fruto que permane\u00e7a<\/em>\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a015,16).<\/p>\n<p>No Novo Testamento verificamos a preocupa\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos em providenciar para que, depois da sua morte, seja continuada a miss\u00e3o pastoral que Cristo lhes confiou. Eles mesmos confiaram-na, por sua vez, a homens \u2018provados\u2019, seus colaboradores, assistidos pelo Esp\u00edrito, a quem mais tarde se chamou \u201cbispos\u201d (cf.\u00a0<em>At<\/em>\u00a020,25-28;\u00a0<em>Tit<\/em>\u00a01,5;\u00a0<em>2Tim<\/em>\u00a01,6). Estes, por sua vez, associaram \u00e0 sua miss\u00e3o outros colaboradores chamados \u201cpresb\u00edteros\u201d, cuja voca\u00e7\u00e3o \u00e9 seguir Jesus, \u00fanico e verdadeiro sacerdote.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio ordenado n\u00e3o \u00e9 uma mera fun\u00e7\u00e3o. Na continuidade do minist\u00e9rio apost\u00f3lico, \u00e9 chamado a testemunhar a prioridade da iniciativa divina no acontecimento da salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 o sinal carism\u00e1tico (imprime car\u00e1cter) de que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 dom de Deus e n\u00e3o conquista humana. A ordena\u00e7\u00e3o confere sacramentalmente um carisma e uma miss\u00e3o: n\u00e3o h\u00e1 carisma sem miss\u00e3o e nem miss\u00e3o sem carisma. A voca\u00e7\u00e3o dos ministros ordenados (bispo, presb\u00edtero e di\u00e1cono) \u00e9 a do servi\u00e7o na e para a comunidade \u00e0 volta da Eucaristia, raiz e eixo de toda a comunidade crist\u00e3. O diaconado faz parte do minist\u00e9rio ordenado, mas n\u00e3o lhe cabe a representa\u00e7\u00e3o de Cristo como \u201ccabe\u00e7a e pastor\u201d. \u00c9 colocado \u00abperante a Igreja como prolongamento vis\u00edvel e sinal sacramental de Cristo no seu pr\u00f3prio estar diante da Igreja e do mundo, como origem permanente e sempre nova da salva\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>PDV<\/em>\u00a016).<\/p>\n<ol start=\"19\">\n<li>O minist\u00e9rio ordenado habilita o presb\u00edtero a agir\u00a0<em>in persona Christi<\/em>. A sua miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dele, mas \u00e9 a pr\u00f3pria miss\u00e3o de Jesus. E isto \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o a partir de for\u00e7as humanas, mas s\u00f3 com o dom de Cristo e do seu Esp\u00edrito mediante o \u201csacramento\u201d: \u00ab<em>Recebei o Esp\u00edrito Santo; a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-\u00e3o perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhes-\u00e3o retidos<\/em>\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a020,22-23). Afirma a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Pastores dabo vobis:\u00a0<\/em>\u00abOs presb\u00edteros s\u00e3o, na Igreja e para a Igreja, uma representa\u00e7\u00e3o sacramental de Jesus Cristo Cabe\u00e7a e Pastor\u2026\u00bb (<em>PDV<\/em>\u00a015) \u2013 pastor segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus. Pelo dom que recebem no sacramento da Ordem, os bispos e os presb\u00edteros, configurados \u00e0 imagem do bom pastor ou do mestre que lava os p\u00e9s dos seus disc\u00edpulos, tornam-se sinal vis\u00edvel e eficaz da presen\u00e7a e da presid\u00eancia de Cristo, bom pastor, \u00e0 sua Igreja. Por meio do gesto da imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, que transmite o dom do Esp\u00edrito, tornam-se testemunhas qualificadas e autorizadas de Jesus Cristo. Tornam atual a salva\u00e7\u00e3o operada por Jesus \u00ab<em>Fazei isto em mem\u00f3ria de mim<\/em>\u00bb\u00a0<em>Lc\u00a0<\/em>22,19;\u00a0<em>1Cor<\/em>\u00a011,24). S\u00e3o chamados a colocar-se ao servi\u00e7o do Evangelho e do povo de Deus e habilitados a continuar o mesmo minist\u00e9rio de reconciliar, de apascentar o rebanho de Deus e de ensinar (cf.\u00a0<em>At<\/em>\u00a020,28;\u00a0<em>1Ped<\/em>\u00a05,2). O presb\u00edtero \u00e9 tamb\u00e9m representante da Igreja (atua\u00a0<em>in persona ecclesiae<\/em>), condensa o que a Igreja \u00e9 chamada a ser e a fazer. Representa e testemunha a comunidade a que preside, dirigindo-a, alimentando-a com a Palavra e fortalecendo-a com os sacramentos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Duas dimens\u00f5es devem estar sempre presentes na vida dos sacerdotes e di\u00e1conos (o mesmo se diga dos consagrados): a dimens\u00e3o humana e a dimens\u00e3o espiritual. \u00c9 essencial estar presente e pr\u00f3ximo dos irm\u00e3os e consciencializar-se que a identidade presbiteral n\u00e3o se mede por aquilo que o sacerdote faz nem pelo modo como organiza a par\u00f3quia, mas sim em ser disc\u00edpulo verdadeiramente enamorado do Senhor, cuja vida e minist\u00e9rio se fundam na \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com Deus, ao mesmo tempo que a ideia de \u2018funcion\u00e1rio\u2019 d\u00e1 lugar a uma verdadeira configura\u00e7\u00e3o a Cristo, Bom Pastor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Semin\u00e1rio, cora\u00e7\u00e3o da Diocese<\/strong><\/p>\n<ol start=\"20\">\n<li>O Semin\u00e1rio \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Igreja aveirense. Enquanto comunidade edificada por Cristo, a nossa diocese de Aveiro deve dar muitas gra\u00e7as a Deus por este dom: a comunidade formativa que vive em Lisboa e em Aveiro, o pr\u00e9-semin\u00e1rio, a pastoral das voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e at\u00e9 pela beleza do edif\u00edcio. Dedicado ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, o nosso Semin\u00e1rio de Santa Joana deve estar, cada vez mais, no centro das nossas alegrias e preocupa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O pedido de Jesus \u00ab<em>A messe \u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos; por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe<\/em>\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a010,2), tem de despertar e ressoar profundamente na nossa vida de disc\u00edpulos de Jesus e na vida de todas as comunidades crist\u00e3s da nossa Diocese. Ningu\u00e9m se pode excluir desta miss\u00e3o; \u00e9 necess\u00e1rio continuar a chamar porque a seara onde o Evangelho se semeia \u00e9 o mundo, e os oper\u00e1rios s\u00e3o poucos para a dimens\u00e3o da messe. Este mandato de Jesus \u00ab<em>pedir que haja oper\u00e1rios\u2026<\/em>\u00bb n\u00e3o \u00e9 exclusivo do bispo, dos sacerdotes, di\u00e1conos ou consagrados, mas sim uma obriga\u00e7\u00e3o de todos. A nossa Diocese pode e deve empenhar-se mais nesta nobre miss\u00e3o da vida da Igreja; estamos numa \u00e1rea geogr\u00e1fica populosa, onde h\u00e1 bastantes crian\u00e7as e jovens, pelo que temos de promover uma cultura vocacional em todos os setores da vida diocesana.<\/p>\n<p>A forma de nos tornarmos presentes \u00e9 o empenhamento a intensificarmos a ora\u00e7\u00e3o ao \u00abSenhor da messe, para que mande oper\u00e1rios para a sua seara\u00bb (<em>Lc\u00a0<\/em>10, 2), o acompanhamento, por parte das par\u00f3quias, da vida do semin\u00e1rio, a proximidade com os seminaristas e a partilha das necessidades do Semin\u00e1rio. Lan\u00e7o o desafio para que em todas as par\u00f3quias se criem grupos de ora\u00e7\u00e3o pelo nosso Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Voca\u00e7\u00e3o de Consagra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"21\">\n<li>A designa\u00e7\u00e3o \u201cVida Consagrada\u201d refere-se a um conjunto de carismas e institui\u00e7\u00f5es nas quais podemos englobar: ordens e institutos religiosos dedicados \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o ou \u00e0s obras de apostolado; sociedades de vida apost\u00f3lica; institutos seculares e outros grupos de consagrados; formas novas ou renovadas de vida consagrada; a ordem das virgens, as vi\u00favas e os eremitas consagrados; e todos aqueles que, no segredo do seu cora\u00e7\u00e3o, se entregam a Deus com uma especial consagra\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<em>VC<\/em>\u00a02).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A vida consagrada, que reflete o pr\u00f3prio modo de viver de Cristo, \u00e9 como uma \u00e1rvore que se desenvolve de forma admir\u00e1vel e frondosa no campo do Senhor e, a partir de uma semente lan\u00e7ada por Deus, vai-se desenvolvendo e aperfei\u00e7oando nas mais variadas formas que a constituem: mon\u00e1stica, mendicante e apost\u00f3lica. \u00c9 um estado de vida caracterizado pela pr\u00e1tica dos conselhos evang\u00e9licos (pobreza, obedi\u00eancia, castidade) para, deste modo, tornarem mais vis\u00edvel o ser disc\u00edpulos de Cristo. Os consagrados t\u00eam, por esta raz\u00e3o, um lugar especial na vida da Igreja e constituem uma riqueza no corpo eclesial, que n\u00e3o deixa de nos surpreender cada dia com novas formas de consagra\u00e7\u00e3o. Pela sua consagra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se tornam estranhos \u00e0 humanidade ou in\u00fateis para o mundo. Est\u00e3o presentes nele de um modo profundo e cooperam espiritualmente com os homens para que a cidade terrena se funde sempre em Deus e se dirija para Ele.<\/p>\n<p>Ciente da riqueza que constitui, para a comunidade eclesial, o dom da vida consagrada na variedade dos seus carismas e das suas institui\u00e7\u00f5es, espera-se que alimentem o desejo de uma comunh\u00e3o cada vez mais plena entre os crist\u00e3os,\u00a0<em>para que o mundo creia<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong>ALGUNS<\/strong><strong>\u00a0DESAFIOS PASTORAIS PARA SERMOS DISC\u00cdPULOS DE JESUS<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1\u00ba Descobrir o caminho que Deus pede \u00e0 nossa Diocese de Aveiro<\/strong><\/p>\n<ol start=\"22\">\n<li>O caminho s\u00f3 se faz caminhando. Jesus, depois de ter chamado os disc\u00edpulos, prop\u00f4s-lhes, com palavras e com gestos, o mist\u00e9rio e a realidade do Reino de Deus. Agora, envia-os ao mundo para testemunhar e anunciar este Reino. N\u00e3o escondeu que encontrariam dificuldades. Esta situa\u00e7\u00e3o desafia-nos profundamente a imaginar e organizar novas formas de ser Igreja e a pensar a reorganiza\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Toda a renova\u00e7\u00e3o aut\u00eantica exige coragem, dinamismo e convers\u00e3o interior de pessoas e estruturas. \u00abComo podemos despertar a grandeza e a coragem de escolhas de amplo alcance, de impulsos de cora\u00e7\u00e3o para enfrentar desafios educativos e afetivos?\u201d. J\u00e1 repeti muitas vezes: arrisca! Arrisca! Quem n\u00e3o arrisca n\u00e3o caminha. \u201cMas se eu errar?\u201d. Bendito o Senhor! Errar\u00e1s mais se permaneceres parado, parada\u00bb (Papa Francisco,\u00a0<em>Discurso na Villa Nazareth<\/em>, 18\/6\/2016). \u00c9 este o desafio que a todos se nos coloca; ter a aud\u00e1cia suficiente para romper com certos preconceitos, medos e comodismos. A alegria do Evangelho \u00e9 a nossa miss\u00e3o. Em fidelidade a Cristo e \u00e0 miss\u00e3o confiada \u00e0 Igreja, exorto todos os fi\u00e9is, em particular os jovens, para que tenham o cora\u00e7\u00e3o aberto ao chamamento do Senhor Jesus que convida a segui-lo \u2013 a enamorarem-se por Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2\u00ba Fortalecer a Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 como caminho para ser disc\u00edpulo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"23\">\n<li>A resposta ao chamamento sup\u00f5e um caminho de f\u00e9. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel haver na Igreja voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, religiosa ou laical se houver educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Num mundo jovem muito diferenciado, apesar do desinteresse e da apatia dos jovens em termos de f\u00e9, n\u00e3o faltam sinais de esperan\u00e7a, de vitalidade religiosa e espiritual, que se podem aproveitar se soubermos ser criativos, permanecendo fi\u00e9is ao que queremos transmitir. Temos de garantir a transmiss\u00e3o do n\u00facleo fundamental da nossa f\u00e9: o mist\u00e9rio de Cristo morto e ressuscitado. A Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, nas suas v\u00e1rias etapas, tem de estar muito presente na vida de todos os batizados. Somente crist\u00e3os convencidos da sua f\u00e9 podem ser testemunhas do Ressuscitado e membros ativos da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o particular deve ser dada aos jovens no aprofundamento da sua f\u00e9 e nas suas escolhas vocacionais que s\u00e3o chamados a fazer. \u00c9 necess\u00e1rio saber escutar os jovens, dar-lhes a palavra, confiar neles e acompanh\u00e1-los; proporcionar-lhes experi\u00eancias que deem sentido \u00e0 sua vida, ajud\u00e1-los a discernir as a\u00e7\u00f5es dos seus cora\u00e7\u00f5es e orient\u00e1-los nos momentos particularmente significativos.<\/p>\n<p>Para que isto aconte\u00e7a, uma pastoral juvenil que se quer seja s\u00f3lida, bem articulada, eficaz e transversal a toda a pastoral da Igreja deve:<\/p>\n<p>1\u00ba Aprofundar o conceito teol\u00f3gico de voca\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>2\u00ba Apresentar a voca\u00e7\u00e3o com um rosto verdadeiramente eclesial, como rela\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o, valorizando a experi\u00eancia e a espiritualidade;<\/p>\n<p>3\u00ba Trabalhar bem o humano e o crist\u00e3o antes de partir para a quest\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es espec\u00edficas;<\/p>\n<p>4\u00ba Criar momentos fortes de sil\u00eancio e recolhimento, que possibilitem o encontro com Deus.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3\u00ba Anunciar o Evangelho da fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<ol start=\"24\">\n<li>H\u00e1 necessidade de estimular uma pastoral de aten\u00e7\u00e3o integral \u00e0 fam\u00edlia, com maior investimento na prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do matrim\u00f3nio (prepara\u00e7\u00e3o remota, pr\u00f3xima, imediata). Trata-se de facilitar uma inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 em que a fam\u00edlia se encontre com Cristo, viva no seu amor e fale d\u2019Ele aos outros \u2013 o que implica aprender um modo de viver e viver em fam\u00edlia, na perspetiva do Evangelho. Os pais precisam de ser testemunho. Pais que n\u00e3o vivem nem celebram a f\u00e9 ter\u00e3o dificuldade em integrar-se e ajudar os filhos a inserirem-se adequadamente na Igreja. Os novos tempos pedem-nos conhecimento da f\u00e9, familiaridade com a Palavra de Deus, entendimento do que se prop\u00f5e \u2013 pelo que temos de capacitar os pais atrav\u00e9s de uma conveniente forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que os ajude numa viv\u00eancia aut\u00eantica da f\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A pastoral familiar exige que para al\u00e9m da Equipa Diocesana exista, em todos os arciprestados e em todas as par\u00f3quias, uma Equipa de Pastoral Familiar que cuide de todas as fam\u00edlias, n\u00e3o esquecendo o acompanhamento de quem est\u00e1 em segundas n\u00fapcias e pretende a sua integra\u00e7\u00e3o no seio da comunidade eclesial.<\/p>\n<p>Na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, no dia 26 de novembro de 2017, foi aprovado o Documento \u00ab<em>Acompanhar, Discernir, Integrar \u2013 Crit\u00e9rios de orienta\u00e7\u00e3o pastoral para aplica\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo VIII da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Amoris Laetitia\u00bb\u00a0<\/em>para toda a Diocese de Aveiro, que passou a fazer parte integrante da Pastoral Familiar Diocesana, sendo acompanhado com um Guia Pr\u00e1tico para fazer o discernimento e de uma Introdu\u00e7\u00e3o que ajudar\u00e1 no discernimento com os casais que v\u00eam ao nosso encontro.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o pela pastoral familiar deve estar no centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es pastorais quer diocesanas quer paroquiais, levando \u00e0 pr\u00e1tica as orienta\u00e7\u00f5es propostas a toda a Diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4\u00ba Cultivar uma pastoral vocacional<\/strong><\/p>\n<ol start=\"25\">\n<li>Comprometer-se sem estar enamorado, no m\u00ednimo \u00e9 voluntarismo. \u00abCada crist\u00e3o e cada comunidade h\u00e3o de discernir qual \u00e9 o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da pr\u00f3pria comodidade e ter a coragem de alcan\u00e7ar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho\u00bb (<em>EG<\/em>\u00a020). Jesus percorreu um caminho e ensinou, a todas as pessoas chamadas, a percorrerem um itiner\u00e1rio conforme o seu testemunho de vida e a hist\u00f3ria de cada pessoa. Falar de \u00abpastoral vocacional significa aprender o estilo de Jesus, que passa pelos lugares da vida di\u00e1ria, se det\u00e9m sem pressa e, olhando para os irm\u00e3os com miseric\u00f3rdia, os conduz ao encontro com Deus Pai\u00bb (Papa Francisco,\u00a0<em>Discurso aos participantes no Congresso de pastoral vocacional<\/em>, 21\/10\/ 2016).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A Igreja sente-se chamada e ao mesmo tempo convocada a chamar. H\u00e1 em toda a pessoa um dom de Deus a ser descoberto. \u201cTodos e cada um dos membros da Igreja devem ser mediadores da proposta vocacional. O minist\u00e9rio do apelo vocacional diz respeito a todo o crist\u00e3o: aos pais, aos catequistas, aos educadores, aos professores, em especial aos professores de EMRC e n\u00e3o apenas aos Bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos ou aos consagrados da vida religiosa e secular\u201d (CEP,\u00a0<em>Bases para a pastoral vocacional<\/em>, 22). A Igreja onde as voca\u00e7\u00f5es podem desabrochar \u00e9 aquela que escuta o clamor do povo e vive em processo permanente de renova\u00e7\u00e3o. Cada crist\u00e3o deve assumir a responsabilidade de discernir qual a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 qual Deus o chama, e n\u00f3s, como Igreja, temos a responsabilidade de ajudar a que a pessoa seja acompanhada e formada de acordo com a peculiar voca\u00e7\u00e3o e minist\u00e9rio para o qual tenha sido chamada. Uma comunidade de testemunhas \u00e9 o ambiente necess\u00e1rio para a fecundidade vocacional.<\/p>\n<p>A anima\u00e7\u00e3o vocacional n\u00e3o pode reduzir-se \u00e0 capacidade de ser bons animadores e a a\u00e7\u00f5es pontuais e isoladas, mas a um cont\u00ednuo trabalho em profundidade. Precisamos de aperfei\u00e7oar as atividades pastorais que j\u00e1 realizamos e criar iniciativas novas que respondam aos novos problemas. A vida comunit\u00e1ria, a vida espiritual e a vida apost\u00f3lica devem ser capazes de inspirar experi\u00eancias novas. Procuremos envolver as comunidades, os pastores, os pais, os catequistas e os educadores num novo e promissor despertar vocacional, para que todos assumam a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o. Comunidades que, em conjunto, partilham, rezam, celebram e ajudam a discernir sobre os sinais e a vontade de Deus tornam-se terreno f\u00e9rtil para que as pessoas, segundo as diversas voca\u00e7\u00f5es, possam viver o discipulado mission\u00e1rio de Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5\u00ba Todos somos necess\u00e1rios para a convers\u00e3o pastoral<\/strong><\/p>\n<ol start=\"26\">\n<li>A riqueza duma\u00a0<em>Igreja ministerial<\/em>\u00a0\u00e9 reflexo do envolvimento de todas as inst\u00e2ncias da a\u00e7\u00e3o pastoral. N\u00e3o se chega \u00e0 meta e ao objetivo permanecendo confortavelmente sentados, esperando que tudo venha ao nosso encontro. \u00c0 semelhan\u00e7a dos ap\u00f3stolos, os batizados s\u00e3o chamados a dar testemunho ousado e coerente, e presente em todos os \u00e2mbitos da vida, desde os novos are\u00f3pagos ao \u00e1trio dos gentios de hoje. \u00abOs disc\u00edpulos do Senhor s\u00e3o chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (cf.<em>\u00a0Mt\u00a0<\/em>5,13-16). S\u00e3o chamados a testemunhar, de forma sempre nova, uma perten\u00e7a evangelizadora\u00bb (<em>EG<\/em>\u00a092). O convite que Jesus dirigiu aos ap\u00f3stolos \u201cVinde e vede\u201d deve tornar-se o caminho a seguir. Tr\u00eas verbos nos ajudam a estruturar este estilo pastoral: sair, ver, chamar. Precisamos efetivamente de animadores que arrisquem a convidar os jovens para ver mais longe, com propostas que os jovens encontrem sintonia entre a palavra e o gesto.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel seguir a Cristo sem uma profunda vida de ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 na ora\u00e7\u00e3o que o crente acede ao conhecimento do Pai e \u00e9 na ora\u00e7\u00e3o que o Pai comunica ao crente a capacidade de atuar santamente. Apelo a toda a Diocese e a todas as comunidades e movimentos para intensificarem a ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contemplando Maria, a jovem que acolheu a vontade do Senhor, m\u00e3e e mestra de discernimento, de seguimento incondicional e de ass\u00edduo servi\u00e7o, e a vida de Santa Joana Princesa, nossa padroeira, compreenderemos a beleza da vida entregue ao projeto de Deus. Guiados pelo seu exemplo seremos capazes de discernir, fazer op\u00e7\u00f5es vocacionais para que esta beleza se torne vida e resplande\u00e7a no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pai Santo,<\/p>\n<p>fonte perene de exist\u00eancia e de amor,<\/p>\n<p>Tu manifestas, no ser humano,<\/p>\n<p>o esplendor da tua gl\u00f3ria,<\/p>\n<p>e colocas no seu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>a semente do teu chamamento.<\/p>\n<p>Faz de n\u00f3s teus aut\u00eanticos disc\u00edpulos,<\/p>\n<p>no matrim\u00f3nio, no sacerd\u00f3cio e na vida consagrada<\/p>\n<p>e, abrindo-nos ao dinamismo do Esp\u00edrito,<\/p>\n<p>cheguemos a ser imagem<\/p>\n<p>do teu ser e do teu amor.<\/p>\n<p>\u00c1men.<\/p>\n<p>_______<\/p>\n<p>Aveiro, setembro de 2018<\/p>\n<p><em>\u2020<\/em>\u00a0Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos,<em>\u00a0Bispo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; JESUS CHAMOU OS QUE ELE QUIS\u2026 ELES FORAM\u2026 E FICARAM \u00a0 O nosso Plano de Pastoral A nossa vida e a nossa presen\u00e7a no mundo s\u00e3o fruto dum chamamento divino, que deve ser reconhecido, acolhido e vivido. Falar da voca\u00e7\u00e3o \u00e9 falar do caminho que cada pessoa percorre para construir a sua maneira pr\u00f3pria de ser feliz e fazer [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":708,"parent":668,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/707"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=707"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/707\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":709,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/707\/revisions\/709"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/668"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/emrc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}