{"id":9838,"date":"2020-08-20T08:00:39","date_gmt":"2020-08-20T07:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9838"},"modified":"2020-07-08T22:46:42","modified_gmt":"2020-07-08T21:46:42","slug":"pensamento-de-edith-stein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | Edith Stein no Carmelo &#8211; O POSTULANTADO"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Edith Stein no Carmelo &#8211; O POSTULANTADO<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<p><strong>1. O ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a sua entrada, a 14 de Outubro de 1933, at\u00e9 15 de Abril de 1934, dia da sua tomada de h\u00e1bito, Edite Stein passar\u00e1 6 meses de prova\u00e7\u00e3o, durante o tempo de postulantado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O postulantado \u00e9 o per\u00edodo inicial de prova\u00e7\u00e3o num duplo sentido: a candidata prova a si mesma a idoneidade para o caminho que escolheu, e a comunidade avalia se a candidata \u00e9 apta para iniciar a vida religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Edite entra no Carmelo de Col\u00f3nia era prioresa a M. Josefa do Sant\u00edssimo Sacramento, e mestra de novi\u00e7as e subprioresa a M. Teresa Renata do Esp\u00edrito Santo. Al\u00e9m de Edite estavam na fase de forma\u00e7\u00e3o duas novi\u00e7as e uma postulante para leiga. Todas elas muito mais jovens do que Edite, quase 20 anos menos. A Doutora Stein tinha 42 anos de idade e uma forma\u00e7\u00e3o que superava muit\u00edssimo a de qualquer das monjas da comunidade. No entanto, tudo isto n\u00e3o foi causa de inadapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida no convento sup\u00f4s uma mudan\u00e7a radical, fundamentalmente na sua actividade. Antes eram o estudo, as aulas e as confer\u00eancias que ocupavam o seu tempo. Agora a vida regular. A maior parte do dia dedicada \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao trabalho manual. A ora\u00e7\u00e3o\u00a0 n\u00e3o sup\u00f4s certamente para ela uma mudan\u00e7a forte, pois esta constitu\u00eda, desde h\u00e1 v\u00e1rios anos, o centro da sua vida. Mas, sem d\u00favida, muitas das formas e ritos n\u00e3o s\u00f3 eram novos para ela, mas \u00e0s vezes a sobrecarga de cerim\u00f3nias e rituais eram dif\u00edceis de assimilar por serem tantas e t\u00e3o marcadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra mudan\u00e7a era o modo de recitar o Of\u00edcio Divino. Ela tinha-o vivido profundamente segundo o estilo coral dos beneditinos de Beuron, onde passava a Semana Santa. A solenidade da liturgia beneditina era algo que ela admirava muit\u00edssimo e na qual mergulhava gostosamente. Sendo este embora um aspecto que tanto aprecia, sabe adaptar-se ao costume carmelita de simplicidade e sobriedade, ao mesmo tempo que sabe avaliar a raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o postulantado, a candidata vai entrando progressivamente no hor\u00e1rio comunit\u00e1rio. Normalmente, n\u00e3o tinham que participar em todas as ora\u00e7\u00f5es. Edite, no entanto, conseguiu libertar-se dalgumas destas normas j\u00e1 que fora do convento estava acostumada a rezar todo o Of\u00edcio Divino. Assim acontecia, por exemplo, com a ora\u00e7\u00e3o de matinas. Um compromisso de entrega que vai mais al\u00e9m das normas estabelecidas e que diz muito da autenticidade da sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Edite entrou em Col\u00f3nia, o convento estava a preparar uma nova funda\u00e7\u00e3o na sua terra. E, de facto, foi admitida em vista a integrar-se depois na nova comunidade. Para Edite era mais um aliciante, j\u00e1 que isto significava que ia viver muito perto da sua fam\u00edlia, com a qual poderia manter um contacto mais pr\u00f3ximo, especialmente com a sua m\u00e3e. Mas, de momento, tinha que prosseguir a sua forma\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que ponto Edite tinha antes da sua entrada um profundo conhecimento do Carmelo, demonstra-o o facto de que j\u00e1 durante este per\u00edodo de postulantado, contribuiu com a prepara\u00e7\u00e3o de alguns escritos carmelitanos: uma biografia de Santa Teresa (<em>Amor com<\/em> <em>amor<\/em>) (OC V, 555 ss), e, quase certamente, o artigo <em>Sobre a hist\u00f3ria e o esp\u00edrito do<\/em> <em>Carmelo<\/em> (OC V, 555 ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Valorizando as pequenas coisas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais importante deste tempo de postulante vai ser o aprofundamento e o enraizamento nos valores essenciais da vida carmelitano-teresiana.\u00a0 Uma confirma\u00e7\u00e3o do que no mundo buscava e vivia. Nunca se considerou no cimo do caminho. Ainda havia muito a percorrer. Vai perceber, neste primeiros meses, a necessidade do pequeno, do que noutros ambientes n\u00e3o tem qualquer import\u00e2ncia e que, no entanto, constitui um factor essencial no crescimento da carmelita para a santidade. Numa das suas cartas, datada de 21 de Novembro de 1933, lemos: \u201cDe todos os modos, pensei muito em si estas semanas. Uma vez devido ao que h\u00e1 algum tempo escreveu sobre o \u201c<em>trabalhinho<\/em> <em>espiritual<\/em>\u201d de Santa Teresinha. Neste \u201c<em>trabalhinho<\/em>\u201d funda-se uma parte essencial da vida carmelita, e isto parece-me que \u00e9 um <em>grand\u00edssimo<\/em> trabalho, um trabalho silencioso de perfura\u00e7\u00e3o que <em>tem a for\u00e7a de romper as rochas<\/em>\u201d (Ct 1061). Aqui \u00e9 onde Edite vai fundamentar tudo o que se h\u00e1-de construir em favor dos outros: \u201ccada dia sinto esta paz como um magn\u00edfico dom da gra\u00e7a que n\u00e3o pode ser dado s\u00f3 para mim\u201d (Ct 1069).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cpequeno caminho\u201d espiritual vive-se no quotidiano, nas pequenas e humildes tarefas da casa, na conviv\u00eancia. Parece ser que nalgumas das tarefas dom\u00e9sticas Edite encontrou a ocasi\u00e3o para exercitar a sua humildade. O seu forte nunca foram os trabalhos de casa e agora tem que participar directamente neles. Uma das monjas testemunha: \u201c\u00c9 certo que se falava da sua torpeza nos trabalhos dom\u00e9sticos e tamb\u00e9m de uma certa distrac\u00e7\u00e3o, que surgia da sua preocupa\u00e7\u00e3o com os problemas intelectuais. No entanto, n\u00e3o sab\u00edamos que fosse uma pessoa intelectualmente t\u00e3o importante. Com o motivo da sua tomada de h\u00e1bito o Arquiabade Walzer falou do facto de que Edite tinha um nome no mundo. Foi s\u00f3 ent\u00e3o que me dei conta de que era uma personalidade importante\u201d (Positio 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia uma s\u00e9rie de exig\u00eancias ou restri\u00e7\u00f5es contidas nas normas da Ordem: por exemplo, n\u00e3o ter visitas durante este tempo e limitar a correspond\u00eancia ao m\u00e1ximo, havendo per\u00edodos nos quais n\u00e3o se podiam escrever cartas (Advento e Quaresma). Dada a sua traject\u00f3ria como \u201cacompanhante espiritual\u201d, antes da sua entrada, pediu licen\u00e7a para poder continuar a escrever cartas atrav\u00e9s das quais poder continuar a exercer este servi\u00e7o que ela considerava \u201cum trabalho apost\u00f3lico\u201d (Positio 63). Entre essas cartas n\u00e3o faltava, cada semana, a carta dirigida a sua m\u00e3e. Por todos os meios e apesar da incompreens\u00e3o, n\u00e3o queria romper a rela\u00e7\u00e3o com a sua m\u00e3e, e menos ainda na situa\u00e7\u00e3o em que se viam submetidos os judeus na Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este per\u00edodo de tempo, que durou seis meses, foi suficiente para que Edite se reafirmasse na voca\u00e7\u00e3o e no convento escolhido. Apesar das poss\u00edveis dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o, soube integrar-se neste novo ambiente, vivendo sempre do essencial, do que tinha motivado a sua entrada: interceder pelo seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece ser, pelos dados que possu\u00edmos, que a escolha do convento de Col\u00f3nia foi, at\u00e9 certo ponto, casual, embora o facto da funda\u00e7\u00e3o na Sil\u00e9sia fosse uma motiva\u00e7\u00e3o importante. No entanto, h\u00e1 um elemento essencial que favoreceu no fundo a sua escolha e perman\u00eancia na comunidade de Col\u00f3nia. \u00c9 que, apesar da estreiteza da vida do Carmelo, neste convento ela percebeu que existia a suficiente liberdade de esp\u00edrito que favorecia o crescimento pessoal e comunit\u00e1rio, maduro no seguimento de Cristo. Deduz-se das suas cartas que para ela este \u00e9 um elemento substancial na hora de escolher o convento: \u201cSabia que a minha amiga e eu aliment\u00e1vamos o desejo de entrar numa Ordem contemplativa. Aconselhou-nos no momento de escolher que procur\u00e1ssemos um mosteiro onde se deixasse espa\u00e7o para a liberdade de esp\u00edrito. Era assim no Carmelo de Col\u00f3nia, mas isto n\u00e3o acontecia em todas as partes\u201d (Positio 74).<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Javier Sancho.<em> 100 Fichas sobre Edith Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 60-61.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/LoggaWiggler-15\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=211086\">LoggaWiggler<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=211086\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9841,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-9838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9838"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9842,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9838\/revisions\/9842"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9841"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}