{"id":9817,"date":"2020-07-08T17:39:16","date_gmt":"2020-07-08T16:39:16","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9817"},"modified":"2020-07-08T17:39:16","modified_gmt":"2020-07-08T16:39:16","slug":"pensamento-de-edith-stein-o-talante-humanista-em-edith-stein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pensamento-de-edith-stein-o-talante-humanista-em-edith-stein\/","title":{"rendered":"Pensamento de Edith Stein | O Talante Humanista em Edith Stein"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>O Talante Humanista em Edith Stein<\/strong><\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho*<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong style=\"text-align: justify;\">1. A pessoa \u00e9 que conta<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um facto que encontramos sempre presente em Edite, como uma constante em cont\u00ednua ascens\u00e3o, \u00e9 o seu talante humanista. N\u00e3o somente no plano te\u00f3rico, mas, em primeiro lugar, no plano existencial. A verdade do ser humano n\u00e3o foi s\u00f3 o motor de busca e preocupa\u00e7\u00e3o antes da sua convers\u00e3o. O tema e a preocupa\u00e7\u00e3o continuam a ser uma realidade muito presente nela, que qualifica, em certo sentido, toda a sua actividade profissional e pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma mulher como Edite, que desde sempre se preocupou pela \u201cpessoa\u201d em si e no seu contexto, n\u00e3o faz sen\u00e3o levar \u00e0 pr\u00e1tica umas convic\u00e7\u00f5es que, sem d\u00favida, lhe facilitaram o caminho para a f\u00e9 e que este encontro com a f\u00e9 enriqueceu. As suas cartas de \u201cacompanhamento espiritual\u201d s\u00e3o toda uma catequese de humanidade: \u201cQuando estiveres com outras pessoas pensa nisto: que existe algo comum que \u00e9 mais forte do que o que separa e procura estar ligado a isso&#8230; Deus \u00e9 quem v\u00ea o interior das pessoas. Ele v\u00ea o mal, mas tamb\u00e9m o mais pequeno gr\u00e3ozinho de ouro, que a n\u00f3s ami\u00fade nos passa despercebido e que desde logo n\u00e3o falta em nenhuma parte. Cr\u00ea neste gr\u00e3ozinho presente em toda a pessoa, e para isso pede que te seja concedido um olhar penetrante\u201d (Ct 897).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Edite o ser humano, a pessoa humana, \u00e9 o maior tesouro que possu\u00edmos. Por isso, h\u00e1-de ser acolhido e respeitado na sua mais \u00edntima dignidade. Este princ\u00edpio presidir\u00e1 todas as suas actividades, especialmente aquelas relacionadas directamente com o trato com as pessoas. Todas as suas confer\u00eancias s\u00e3o um ros\u00e1rio de princ\u00edpios que evidenciam os valores inalien\u00e1veis do ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta aprecia\u00e7\u00e3o da pessoa como mist\u00e9rio, imagem do Deus vivo, leva-a a manter um trato paciente e amoroso, especialmente com aqueles que mais o necessitam: \u201cN\u00e3o \u00e9s tu s\u00f3 a que comete muitas faltas: todas as cometemos. Mas o Senhor \u00e9 paciente e rico em miseric\u00f3rdia. Na sua Provid\u00eancia pode tirar proveito tamb\u00e9m das nossas faltas, se as pomos diante do altar. Um cora\u00e7\u00e3o contrito e humilhado Tu, \u00f3 Deus, n\u00e3o o desprezas (Salmo 50). Este \u00e9 um dos meus vers\u00edculos preferidos\u201d (Ct 942). O seu modo de acompanhar \u00e9 misericordioso e bondoso. O pr\u00f3prio Deus \u00e9 para ela modelo de actua\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edite ter\u00e1 sempre em conta aspectos como a individualidade da pessoa, o seu ser \u00fanico e especial, a liberdade e responsabilidade, assim como a dimens\u00e3o social e comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, talvez, o que nela mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a sua vis\u00e3o do \u201cpr\u00f3prio\u201d, dos seus dinheiros, das suas coisas. Sabe que tudo aquilo de que disp\u00f5e \u00e9 algo ao servi\u00e7o da pessoa, n\u00e3o s\u00f3 dela, mas tamb\u00e9m de quem o puder necessitar. Mencionamos j\u00e1 como se preocupa sempre de ajudar materialmente os mais pobres \u00e0 sua volta. Mesmo assim, os seus pr\u00f3prios aforros, o seu sal\u00e1rio, est\u00e3o dispon\u00edveis. Nas suas cartas a Ingarden aprecia-se com nitidez: \u201c\u00e9 uma conclus\u00e3o errada se voc\u00ea toma isto como uma prova de amizade. Com isto n\u00e3o quero negar a amizade. Mas julgo que faria o mesmo por um desconhecido, que estivesse na sua situa\u00e7\u00e3o. E se eu n\u00e3o acreditasse nisto, talvez tivesse reparos em oferec\u00ea-lo a si\u201d (Ct 774).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este modo generoso de p\u00f4r o seu pequeno sal\u00e1rio ao alcance de quem o necessita, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o outro dado da sua preocupa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica pelo ser humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. A educa\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do ser humano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto na sua vida pessoal, como no trato com os outros, especialmente no campo educativo e formativo, vem sempre ao de cima o princ\u00edpio do respeito \u00e0 dignidade da toda a pessoa humana. Desde sempre soube respeitar as decis\u00f5es de quantos estavam a seu lado, especialmente se estas decis\u00f5es surgiam de um profundo convencimento fruto de uma busca sincera. Nas orienta\u00e7\u00f5es pessoais \u00e0s suas \u201cdirigidas\u201d, percebe-se sempre o seu prop\u00f3sito de educar para a liberdade e a responsabilidade. Tudo isto o descobrimos numa infinidade de atitudes e conselhos que ela mesma toma para si. Mencionamos algumas delas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A riqueza de conhecimentos e a sua atitude de acolhimento positivo do humano, fazem dela uma mulher de vis\u00e3o alargada e de uma modernidade que contrasta fortemente com a mentalidade da sua \u00e9poca, e que ao mesmo tempo a tornam admir\u00e1vel. Assim se demonstra neste gesto que refere a uma sua aluna: \u201cDe vis\u00e3o alargada como era, facilitou-nos \u00e0s colegiais, a n\u00f3s colegiais do internato, a primeira ida ao teatro. Representava-se Hamlet de Shakespeare. (&#8230;) Que cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o amplo tinha para o nobre e belo ao lado da sua mais \u00edntima uni\u00e3o com Deus! Assim a conhecemos\u201d (Posselt 86).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu respeito pela pessoa surge do profundo conhecimento que tem do humano, e que a orienta por um caminho de respeito, profundamente realista. Confessa-nos na sua autobiografia que \u201ctinha aprendido que s\u00f3 raramente se melhora os homens pelo facto de lhes dizer quatro verdades&#8230;\u201d Atitude que, certamente, n\u00e3o a desanima no seu prop\u00f3sito de ajudar o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se nalgum ponto temos que buscar a profunda sensibilidade pelo humano, como valor fundamental, n\u00e3o o encontremos simplesmente numa simples teoria antropol\u00f3gica. Para Edite Stein a raiz do seu comportamento e a valoriza\u00e7\u00e3o excelsa do humano surge do seu encontro com Deus, da descoberta e da experi\u00eancia desse amor. Um amor que n\u00e3o \u00e9 algo abstracto, nem se encerra numa simples experi\u00eancia pessoal. O amor de Deus tem um rosto vis\u00edvel nos membros da sua Igreja. A voca\u00e7\u00e3o individual que cada um recebe \u00e9 um sinal da imensid\u00e3o deste amor, que se pode manifestar sempre de formas novas e diferentes, e, por isso, cada um h\u00e1-de buscar onde, como e de que maneira exprimir esse amor na sua vida. Esta seria a meta para a qual Edite se prop\u00f5e conduzir a todos os que entram em contacto com ela e est\u00e3o dispostos a buscar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um amor, portanto, que se torna vis\u00edvel a todos atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o dos homens e das mulheres que vivem unidos intimamente com Deus. S\u00f3 a partir da experi\u00eancia interior do amor, se pode fazer participar os outros de tal dom. \u201co facto de servir \u00e9 o efeito do amor\u201d (SF 521). Por isso, para Edite uma experi\u00eancia de Deus que n\u00e3o se traduza em vida, em servi\u00e7o, em testemunho, em miss\u00e3o educativa, n\u00e3o \u00e9 aut\u00eantica experi\u00eancia do Deus Amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste mesmo amor, Edite deduz a bondade de todo o ser humano \u2013 n\u00e3o em v\u00e3o a busca da verdade do homem lhe tinha aberto o caminho para Deus \u2013. E, apesar de ser v\u00edtima do \u00f3dio nazi, vai manter sempre esta vis\u00e3o positiva do ser humano, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10.72px; font-weight: bold; text-align: right;\">* Javier Sancho.<\/span><em style=\"font-size: 10.72px; font-weight: bold; text-align: right;\">\u00a0100 Fichas sobre Edith Stein.\u00a0<\/em><span style=\"font-size: 10.72px; font-weight: bold; text-align: right;\">Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas, 2008. Pp. 44-45.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/photos\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=918596\">Free-Photos<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=918596\">Pixabay<\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9818,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":["post-9817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9817"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9817\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9819,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9817\/revisions\/9819"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}