{"id":9739,"date":"2020-07-01T15:18:29","date_gmt":"2020-07-01T14:18:29","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9739"},"modified":"2020-07-01T15:18:29","modified_gmt":"2020-07-01T14:18:29","slug":"aveirenses-notaveis-eduardo-valente-da-fonseca-o-poeta-e-jornalista-que-fintou-a-censura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/aveirenses-notaveis-eduardo-valente-da-fonseca-o-poeta-e-jornalista-que-fintou-a-censura\/","title":{"rendered":"AVEIRENSES NOT\u00c1VEIS | Eduardo Valente da Fonseca \u2013 O poeta e jornalista que \u201cfintou\u201d a censura"},"content":{"rendered":"<p><em>Aveirenses not\u00e1veis<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Eduardo Valente da Fonseca \u2013 O poeta e jornalista que \u201cfintou\u201d a censura<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Cardoso Ferreira (textos)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">No ano de 1928, nasceu na cidade de Aveiro Eduardo Valente da Fonseca que se viria a distinguir como o jornalista que \u201cfintou\u201d a censura ao publicar hor\u00f3scopos com cr\u00edticas ao regime do Estado Novo.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como escritor, Eduardo Valente da Fonseca (Aveiro \u2013 1928 \/ 2003) colaborou nos suplementos liter\u00e1rios de diversos jornais e revistas, nomeadamente \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, \u201cJornal de Not\u00edcias\u201d, \u201cV\u00e9rtice\u201d e \u201cJornal de Letras\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das muitas obras que escreveu, destacam-se, por ordem cronol\u00f3gica de publica\u00e7\u00e3o: \u201cC\u00edtara: colect\u00e2nea de poesia\u201d (1951), \u201cOs poemas\u201d (1952), \u201cA cidade e os homens e outros poemas\u201d (1956), \u201cTempo dos manequins: poemas\u201d (1957), \u201cMitologia do nosso cotidiano: poemas\u201d (1959), \u201cTr\u00eas pintores portugueses, tr\u00eas concep\u00e7\u00f5es da nossa realidade\u201d (1961), \u201cOs Criptog\u00e2micos\u201d (1973), \u201cC\u00e3es, Pedras, Paus e Gazelas\u201d (1996), \u201cO Hor\u00f3scopo de Delfos &#8211; Um Caso Singular no Jornalismo Portugu\u00eas\u201d (1998) e \u201c71 Poemas\u201d (2001), com sele\u00e7\u00e3o dos poemas da responsabilidade de J. M. da Silva Couto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor est\u00e1 inclu\u00eddo na Antologia da Nov\u00edssima Poesia Portuguesa, de Maria Alberta Men\u00e9res e E.M. de Melo e Castro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro \u201cA Cidade e os homens e outros poemas\u201d, o autor homenageia algumas terras e regi\u00f5es portuguesas, entre as quais as cidades de Aveiro e do Porto (sua terra natal e a cidade onde ent\u00e3o residia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1966, Eduardo Valente da Fonseca publicou, numa edi\u00e7\u00e3o semiclandestina, aquele que \u00e9 considerado como o primeiro poema de homenagem a Catarina Euf\u00e9mia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo Valente da Fonseca tamb\u00e9m foi tradutor de livros, entre os quais \u201cRum\u201d, da autoria de Blaise Cendrars.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornalista de \u201cRep\u00fablica\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de uma fase inicial de colabora\u00e7\u00e3o com os jornais da cidade do Porto, com destaque para \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d e para o \u201cJornal de Not\u00edcias\u201d, Eduardo Valente da Fonseca rumou a Lisboa. Na capital, foi jornalista e rep\u00f3rter do jornal \u201cRepublica\u201d, para o qual entrou no ano de 1965 e onde se manteve at\u00e9 ao seu encerramento, ocorrido em 1976, ap\u00f3s um conflito entre socialistas e comunistas pelo dom\u00ednio do jornal no per\u00edodo que se seguiu \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 25 de Abril de 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi precisamente no \u201cRep\u00fablica\u201d que Eduardo Valente da Fonseca criou, no ano de 1973, a r\u00fabrica \u201cHor\u00f3scopos de Delfos\u201d, com a qual conseguiu \u201cfintar\u201d a censura, publicando cr\u00edticas contundentes ao regime do Estado Novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse per\u00edodo final do antigo regime eram muito poucos os textos que n\u00e3o tinham de receber o visto pr\u00e9vio da censura. Nesse nicho inclu\u00edam-se os signos, o tempo, as palavras cruzadas e os textos do ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Am\u00e9rico Thom\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como outros jornalistas, ent\u00e3o conotados com a oposi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m Eduardo Valente da Fonseca tentou encontrar uma forma de contornar o \u201cl\u00e1pis azul\u201d da censura, descobrindo que poderia publicar cr\u00edtica pol\u00edtica e social numa r\u00fabrica de astrologia, inserida no suplemento dominical do jornal. E assim surgiram os \u201cHor\u00f3scopos de Delfos\u201d que conseguiram enganar a censura at\u00e9 poucas semanas antes do 25 de Abril de 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da rubrica \u201cHor\u00f3scopos de Delfos\u201d teve o apoio de Ra\u00fal Rego, que ent\u00e3o dirigia o \u201cRep\u00fablica\u201d, e de outros jornalistas e colaboradores do jornal, entre os quais, Jos\u00e9 Magalh\u00e3es Godinho, \u00c1lvaro Guerra, \u00c1lvaro Belo Marques, Victor Direito, M\u00e1rio Mesquita, Jaime Gama, Afonso Pra\u00e7a, Fernando Cascais, Fernando Assis Pacheco, Figueiredo Filipe, Carlos Albino, Jos\u00e9 Alcambar, Miguel Serrano, Jos\u00e9 Manuel Barroso, Ant\u00f3nia de Sousa, Helena Marques, Gon\u00e7alves Andr\u00e9, Pedro Foyos, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Letrista e colaborador de cinema<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9741\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Eduardo-Valente-da-Fonseca-1-676x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"125\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Eduardo-Valente-da-Fonseca-1-676x1024.jpg 676w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Eduardo-Valente-da-Fonseca-1-198x300.jpg 198w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Eduardo-Valente-da-Fonseca-1-768x1164.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Eduardo-Valente-da-Fonseca-1-600x909.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Eduardo-Valente-da-Fonseca-1-480x727.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Eduardo-Valente-da-Fonseca-1.jpg 792w\" sizes=\"auto, (max-width: 125px) 100vw, 125px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo Valente da Fonseca tamb\u00e9m foi autor de algumas letras de can\u00e7\u00f5es interpretadas por artistas de renome nacional. Um dos seus poemas integrou o disco \u201cFado Nosso\u201d, de Jo\u00e3o Braga, editado em 2009. Nessa obra discogr\u00e1fica surgem tamb\u00e9m textos de Manuel Alegre, Lu\u00eds de Cam\u00f5es, Vinicius de Moraes, David Mour\u00e3o-Ferreira, entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m o seu poema \u201cCanto do Ceifeiro\u201d, musicado por Francisco Fernandes, foi inclu\u00eddo no disco \u201cCanc\u00f5es da Cidade Nova \u201c, de Francisco Fanhais, gravado em 1970, e que tinha poemas de, entre outros, Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel Alegre, Garcia Lorca e Ant\u00f3nio Aleixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntamente com Monique Rutler, Eduardo Valente da Fonseca foi respons\u00e1vel pelos di\u00e1logos do filme, um misto de document\u00e1rio e de fic\u00e7\u00e3o, \u201cVelhos S\u00e3o os Trapos\u201d, estreado em 1980, e rodado no ano anterior, com realiza\u00e7\u00e3o de Monique Rutler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um depoimento sobre Eduardo Valente da Fonseca<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Poeta, escritor e jornalista de Abril, Eduardo conversava com a relva molhada, entrevistava ilustres figuras da sociedade portuguesa e gatos peludos e at\u00e9 enamorados. Lembro-o de figura delgada segurando um saco de pl\u00e1stico com os seus livros encapados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ir\u00f3nico, divertido e fugitivo de tudo o que silencia a liberdade, lutou pelos cravos com este hor\u00f3scopo que teve a oportunidade de escrever no jornal \u201cRep\u00fablica\u201d. Recorde-se que os signos, o tempo, as palavras cruzadas e os textos de Am\u00e9rico Thom\u00e1s eram as \u00fanicas letras que n\u00e3o eram confiscadas pelo l\u00e1pis azul. E nesta fenda, Eduardo deixou recados que ainda hoje deixam o repto de fazermos mais e melhor, de fazermos \u00abdieta de conversas patetas\u00bb\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Texto de Mariana Jones em http:\/\/www.blogclubedeleitores.com\/2010\/05\/o-horoscopo-de-delfos-eduardo-valente.html<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>(A rubrica \u00abAveirenses not\u00e1veis\u00bb \u00e9 promovida em parceria com o jornal diocesano <a href=\"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Correio do Vouga<\/a>)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses not\u00e1veis Eduardo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9740,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[114,65],"tags":[],"class_list":["post-9739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aveirenses-notaveis","category-cardoso-ferreira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9739"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9744,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9739\/revisions\/9744"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}