{"id":9569,"date":"2020-06-09T17:32:43","date_gmt":"2020-06-09T16:32:43","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9569"},"modified":"2020-06-09T17:32:43","modified_gmt":"2020-06-09T16:32:43","slug":"oratorio-peregrino-12-cristo-ponto-de-chegada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/oratorio-peregrino-12-cristo-ponto-de-chegada\/","title":{"rendered":"Orat\u00f3rio Peregrino | 12 | Cristo Ponto de Chegada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Orat\u00f3rio Peregrino<\/strong><\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 360px;\">Um orat\u00f3rio \u00e0 maneira de um vi\u00e1tico para tempos de carestia<br \/>\nUma proposta desenvolvida em parceria com<\/h6>\n<p style=\"text-align: right; padding-left: 440px;\"><strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"padding-left: 40px; text-align: center;\">XII Passo | Cristo Ponto de Chegada<\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Um dia descobrimos que orar \u00e9 procurar o Amigo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Soubemos por Teresa que Ele estava no mais profundo do nosso ser.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Determin\u00e1mos empreender o caminho at\u00e9 Ele e, para isso,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">tivemos em conta certas exig\u00eancias, uma certa bagagem,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">baseada na f\u00e9 e na nossa pr\u00f3pria psicologia.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Percorremos as etapas pr\u00e9vias.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Aceit\u00e1mos a sugest\u00e3o de seguir este m\u00e9todo simples e eficaz<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">chamado ora\u00e7\u00e3o de recolhimento. E, chegados ao fim\u2026 o que acontece?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u00c9 que sabemos que demasiadas t\u00e9cnicas de vazio mental<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">conseguem realmente levar o homem at\u00e9 ao seu EU profundo,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">mas para confront\u00e1-lo simplesmente com isso,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">com um GRANDE VAZIO.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Ser\u00e1 at\u00e9 aqui que conduz<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">o recolhimento teresiano?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\n<p><strong><em>CRISTO: PONTO DE CHEGADA<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Teresa, recolher-se n\u00e3o \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o que se justifique por si mesma. \u00c9 apenas um meio para fazer-se presente ao OUTRO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 belo descobrir a pr\u00f3pria interioridade como uma possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, mas a descoberta de n\u00f3s mesmos como templo ou castelo luminoso \u2013 por muito paradis\u00edaco que o imaginemos \u2013 n\u00e3o seria suficiente. Seria um tanto frustrante se n\u00e3o cheg\u00e1ssemos a descobrir Aquele que nele habita e em Quem somos, nos movemos e existimos. A alma sem a presen\u00e7a de Deus, o recolhimento sem a descoberta de Cristo, seria como um c\u00e9u sem Deus, um sacr\u00e1rio sem Eucaristia, uma soledade sem companhia. Numa palavra: um VAZIO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso Teresa apressa-se a tornar urgente o encontro com Cristo e a oferecer-nos todo um leque de possibilidades para nos relacionarmos com Ele por meio da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos uma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>EDUCA\u00c7\u00c3O PARA A PRESEN\u00c7A<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltamos a insistir. Para a Madre, o maior aliciante que podemos ter quando buscamos a Deus \u00e9 que Ele mesmo, antes de n\u00f3s, eternamente antes, j\u00e1 nos busca a n\u00f3s. Olha-nos antes que olhemos para Ele. Est\u00e1 a falar connosco quando ainda somos incapazes de articular uma palavra. O nosso esfor\u00e7o por descobri-l\u2019O \u00e9 t\u00e3o s\u00f3 uma resposta do nosso amor ao seu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro conselho de pedagogia teresiana neste sentido \u00e9 que aprendamos a \u201ccolocar-nos na presen\u00e7a de Cristo\u201d. Dirigindo-se \u00e0s suas filhas, diz-lhes: \u201cProcurai logo, filhas, pois estais s\u00f3s, arranjar companhia. E que melhor que a do mesmo Mestre\u2026 Representai-vos o mesmo Senhor junto de v\u00f3s e vede com que amor e humildade vos est\u00e1 ensinando. E crede-me, enquanto puderdes, n\u00e3o estejais sem t\u00e3o bom amigo\u201d (C 26, 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este esfor\u00e7o que a Santa nos pede n\u00e3o consiste em for\u00e7ar, por exemplo, a imagina\u00e7\u00e3o para nos representarmos figurativamente Jesus diante de n\u00f3s. N\u00e3o. \u00c9 antes uma esp\u00e9cie de \u201catitude\u201d \u2013 feita de convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e de esfor\u00e7o psicol\u00f3gico \u2013 de nos tornamos presentes a Deus, sabendo que Ele est\u00e1 ali. Trata-se, pois, de um exerc\u00edcio de f\u00e9 e de amor, misturado com concentra\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos agora olhar para o cora\u00e7\u00e3o de Jesus como nosso ponto de chegada, como terra firme onde queremos poisar os nossos p\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00abEra tudo muito bom\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A complac\u00eancia de Deus significa Amor. Amor no qual tudo foi feito e sem Ele nada existe. Encontramos a cria\u00e7\u00e3o como manifesta\u00e7\u00e3o da complac\u00eancia do Pai, em especial na cria\u00e7\u00e3o do homem, quando Deus \u201ccontemplou tudo o que tinha feito, viu que era tudo muito bom\u201d (Gen 1,31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o por Amor e no Amor leva-nos a descobrir o Amor do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus como aquela terra firme onde podemos colocar os p\u00e9s para olhar com confian\u00e7a e esperan\u00e7a todas as coisas. Nesta terra firme que \u00e9 o Amor do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus descobrimos a harmonia e a beleza do mundo, o sentido da vida, os valores que abrem todas as coisas ao infinito. Nesta terra firme do Amor, com Deus, n\u00f3s descobrimos a Bondade de todas as coisas e rezamos: \u201c\u00c9 tudo muito bom!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passemos do acto criador de Deus para o rio Jord\u00e3o e o monte Tabor e escutemos a voz do Pai que diz: \u00abEste \u00e9 o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complac\u00eancia; escutai-O\u00bb (Mt 17,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A eterna complac\u00eancia do Pai acompanha o Filho em toda a sua \u201cvida\u201d, quando Ele se fez homem, quando acolheu a miss\u00e3o messi\u00e2nica a realizar no mundo, quando dizia que o seu alimento era cumprir a vontade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, Cristo cumpriu esta vontade fazendo-se obediente at\u00e9 \u00e0 morte na Cruz, e ent\u00e3o aquela eterna complac\u00eancia do Pai no Filho, que pertence \u00e0 intimidade do mist\u00e9rio Trinit\u00e1rio, torna-se parte da hist\u00f3ria do homem. O Filho fez-se homem e enquanto tal, teve um cora\u00e7\u00e3o de homem, como o nosso, com o qual amou e respondeu ao amor. Antes de tudo ao Amor do Pai e por isso no Seu Cora\u00e7\u00e3o encontra-se a plenitude da complac\u00eancia do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a complac\u00eancia salv\u00edfica. Com ela, o Pai, abra\u00e7a e envolve todos os outros filhos, abra\u00e7a-nos a n\u00f3s no Cora\u00e7\u00e3o de Cristo. Abra\u00e7a e envolve todos n\u00f3s, por quem o Filho Eterno se fez homem, por quem assumiu um cora\u00e7\u00e3o humano, por quem deu a vida. No Cora\u00e7\u00e3o de Jesus cada um de n\u00f3s e o pr\u00f3prio mundo encontra-se com a complac\u00eancia do Pai, com o Amor do Pai, com a Miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da plenitude deste Cora\u00e7\u00e3o amoroso recebemos gra\u00e7a sobre gra\u00e7a (Jo 1, 16). Em Jesus \u00e9 o amor que dita a plenitude do seu Cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 um cora\u00e7\u00e3o cheio de amor do Pai, cheio de modo divino e ao mesmo tempo humano. \u00c9 verdadeiramente o cora\u00e7\u00e3o humano de Deus-Filho. Um cora\u00e7\u00e3o cheio de amor Filial: tudo o que Ele fez e disse sobre a terra, d\u00e1 testemunho deste amor de Filho para com o seu Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, este Cora\u00e7\u00e3o amoroso revela continuamente o amor do Pai. Na verdade, \u201co Pai amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho \u00fanico, para que todo o que n\u2019Ele cr\u00ea tenha a vida eterna\u201d (Jo 3,16). O Cora\u00e7\u00e3o de Jesus est\u00e1 cheio de amor pelas criaturas que somos n\u00f3s e pelo nosso mundo. Est\u00e1 cheio! Uma plenitude que n\u00e3o se esgota, n\u00e3o tem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Amor \u00e9 a plenitude do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e desta plenitude todos n\u00f3s recebemos gra\u00e7a sobre gra\u00e7a. S\u00f3 precisamos que a medida do nosso cora\u00e7\u00e3o se dilate e se disponha a participar na superabund\u00e2ncia de amor que se derrama sobre n\u00f3s como gra\u00e7a do Eterno Pai, como complac\u00eancia com que o Pai se compraz em n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fa\u00e7amos sil\u00eancio e deixemos que estas palavras fa\u00e7am eco dentro de n\u00f3s, lentamente vamos sentir o amor do cora\u00e7\u00e3o de Jesus como terra firme dos nossos p\u00e9s, como nossa seguran\u00e7a, como nossa paz:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEncontrei, por fim o centro, o lugar do meu descanso e recolhimento, e quero que tu tamb\u00e9m o encontres. Vivamos dentro do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus contemplando o grande mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade, de modo que todos os nossos louvores e adora\u00e7\u00f5es saiam do Cora\u00e7\u00e3o do nosso Jesus aperfei\u00e7oadas e unidas \u00e0s suas. Assim viveremos unidas \u00e0 Humanidade de Nosso Senhor e abismadas na sua Divindade.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">Carmelo de Cristo Redentor<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/TanteTati-77004\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1644831\">TanteTati<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1644831\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orat\u00f3rio Peregrino Um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9571,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[152],"tags":[],"class_list":["post-9569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oratorio-peregrino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9569"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9572,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9569\/revisions\/9572"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9571"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}