{"id":9508,"date":"2020-06-04T10:52:36","date_gmt":"2020-06-04T09:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9508"},"modified":"2020-06-04T10:52:36","modified_gmt":"2020-06-04T09:52:36","slug":"aveirenses-notaveis-anselmo-morais-sarmento-e-filhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/aveirenses-notaveis-anselmo-morais-sarmento-e-filhas\/","title":{"rendered":"AVEIRENSES NOT\u00c1VEIS | Anselmo Morais Sarmento e filhas"},"content":{"rendered":"<p><em>Aveirenses not\u00e1veis<\/em><\/p>\n<h2 class=\"160106TtulosPrincipais\" style=\"text-align: center;\"><strong><span class=\"160106TtulosPrincipais1\" style=\"color: #000000;\">Anselmo Morais Sarmento e filhas<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Cardoso Ferreira (textos)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Anselmo Evaristo de Morais Sarmento (Aveiro, 1847 &#8211; Bu\u00e7aco, 1900) notabilizou-se como editor e empres\u00e1rio ligado \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social. Uma das filhas foi a primeira portuguesa licenciada em Engenharia Civil, tr\u00eas filhas tiraram o curso de Medicina, e o filho licenciou-se em Direito.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filho de Bento Augusto de Morais Sarmento e de Guilhermina Carlota de Almeida Morais, Anselmo Evaristo de Morais Sarmento nasceu em Aveiro, no dia 5 de julho de 1847. Do seu casamento com a portuense Rita de C\u00e1ssia Oliveira Morais, nasceram quatro filhas e um filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia Morais, \u00e0 qual Anselmo Evaristo de Morais Sarmento pertencia, era uma destacada fam\u00edlia de liberais aveirenses que assumiram papel relevante nas lutas entre liberais e miguelistas. O seu tio, Clemente de Morais Sarmento foi um dos aveirenses que ficaram na hist\u00f3ria como os \u201cm\u00e1rtires da liberdade\u201d, devido \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o na revolta de 16 de maio de 1828, pelo que foi enforcado e decapitado na cidade do Porto, no dia 9 de outubro de 1829, tendo a sua cabe\u00e7a sido exposta ao p\u00fablico, suspensa de alto poste, em frente \u00e0 casa onde vivera sua m\u00e3e, em Aveiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m o pai, ent\u00e3o ainda de menor idade, e os restantes tios foram perseguidos pelos miguelistas, o mesmo acontecendo \u00e0 sua av\u00f3, na altura j\u00e1 vi\u00fava, que esteve encarcerada, durante meses, por ser m\u00e3e daqueles liberais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anselmo de Morais Sarmento fixou resid\u00eancia na cidade do Porto, sendo considerado como uma figura de grande prest\u00edgio social naquela cidade, \u201conde se evidenciou pela sua inconfund\u00edvel personalidade, pelas excelsas qualidades de car\u00e1ter e pelos seus invulgares sentimentos altru\u00edstas\u201d, sendo conhecido por repartir, com os mais necessitados, parte dos lucros obtidos com o seu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido \u00e0 sua atividade profissional, como editor de prest\u00edgio, fundador e propriet\u00e1rio de diversos jornais, Anselmo de Morais Sarmento tinha no seu c\u00edrculo de amigos homens como Te\u00f3filo Braga, Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortig\u00e3o, Antero de Quental, Oliveira Martins e E\u00e7a de Queir\u00f3s, com destaque para o primeiro, cuja amizade entre as respetivas fam\u00edlias perdurou para al\u00e9m da sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos pol\u00edticos, assumiu frontalmente a defesa dos ideais republicanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 9 de junho de 1900, ao noticiar a morte de Anselmo de Morais Sarmento, ocorrida no dia anterior, no Bu\u00e7aco, terra onde tinha casa, o jornal \u201cA Voz P\u00fablica\u201d, referia que ele tinha sido \u201ceditor de v\u00e1rias obras de inven\u00e7\u00e3o e de cr\u00edtica, tais como a \u00abHist\u00f3ria da Literatura Portuguesa\u00bb, de Te\u00f3filo Braga, \u00abPrimaveras Rom\u00e2nticas\u00bb, de Antero de Quental\u201d, entre outras, e que \u201cfundou v\u00e1rios peri\u00f3dicos, tanto pol\u00edticos como art\u00edsticos\u201d, nos quais \u201cescreveram muitos dos mais distintos jornalistas portugueses contempor\u00e2neos\u201d. Para al\u00e9m disso, real\u00e7ava o facto de ter sido \u201cdotado de \u00e2nimo bondoso e esmoler\u201d, pelo que \u201ca not\u00edcia da sua morte causou ontem grande impress\u00e3o de tristeza nas classes populares\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi sepultado no cemit\u00e9rio de Agramonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Editor, jornalista e empres\u00e1rio de jornais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1864, Anselmo de Morais Sarmento fundou, na cidade do Porto, a tipografia \u201cImprensa Portuguesa\u201d, a qual, apesar de estar conotada com as for\u00e7as liberais e republicanas, teve uma relevante atividade editorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os jornais que fundou e dirigiu, destacam-se: \u201cA Actualidade\u201d, o qual tinha como redator Camilo Castelo Branco, \u201cGazeta Liter\u00e1ria do Porto\u201d, \u201cIdeia Nova \u2013 Di\u00e1rio Democr\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre abril d 1877 e maio de 1878, E\u00e7a de Queir\u00f3s colaborou no \u201cA Actualidade\u201d, tendo publicado quinze cartas, ou textos epistolares, as quais, em 1940, deram origem ao livro \u201cCartas de Londres\u201d. Curiosamente, Anselmo de Morais Sarmento e E\u00e7a de Queir\u00f3s, que quase tinham a mesma idade, faleceram no mesmo ano de 1900, o primeiro, no m\u00eas de junho, e o segundo, em agosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Filhas Laurinda, Aur\u00e9lia, Guilhermina e Rita<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas filhas mais velhas de Anselmo Evaristo de Morais Sarmento \u2013 Laurinda, Aur\u00e9lia e Guilhermina \u2013 licenciaram-se em Medicina, na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto, enquanto a mais nova \u2013 Rita \u2013 foi a primeira portuguesa a obter a licenciatura em Engenharia Civil, curso que tirou na Academia Polit\u00e9cnica do Porto. O filho \u2013 Joaquim \u2013 formou-se na Universidade de Coimbra, em Direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Laurinda<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laurinda nasceu no dia 28 de outubro de 1867. Aos 18 anos, na Academia Polit\u00e9cnica do Porto, frequentou as cadeiras de F\u00edsica Geral, Qu\u00edmica Inorg\u00e2nica Geral, Qu\u00edmica Org\u00e2nica Geral e Biol\u00f3gica. Mais tarde, na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto, foi admitida \u00e0s cadeiras de Patologia e Terap\u00eautica Externas, Medicina Operat\u00f3ria e Patologia Interna. Distinguiu-se na disciplina de Obstetr\u00edcia ou Partos, na qual foi \u201caprovadas com louvor\u201d. No dia 9 de novembro de 1891, defendeu o seu \u201cAto Grande\u201d, tornando-se a seguir \u00e0 sua irm\u00e3 Aur\u00e9lia, na segunda mulher a obter a licenciatura de Medicina na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aur\u00e9lia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aur\u00e9lia de Morais Sarmento nasceu no dia 4 de junho de 1869. Com 16 anos de idade, matriculou-se na Academia Polit\u00e9cnica do Porto, nas cadeiras que faziam parte do plano de estudos como sendo obrigat\u00f3rias para o ingresso na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto. Durante o ano letivo de 1885-1886 frequentou e obteve a aprova\u00e7\u00e3o \u00e0s disciplinas de F\u00edsica Geral, Qu\u00edmica Inorg\u00e2nica Geral e Qu\u00edmica Org\u00e2nica Geral e Biol\u00f3gica. No dia 30 de setembro de 1886 inscreveu-se na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto, realizando em julho do ano seguinte os \u00faltimos exames preparat\u00f3rios de Bot\u00e2nica e de Zoologia na Academia Polit\u00e9cnica. No ano letivo de 1890-1891, juntamente com a irm\u00e3 Laurinda, conclui o curso. Ambas foram bem-sucedidas nos exames de Cl\u00ednica M\u00e9dica, Cl\u00ednica Cir\u00fargica, Higiene e Medicina Legal e de Obstetr\u00edcia ou Partos. Neste \u00faltimo exame. ambas obtiveram a distin\u00e7\u00e3o de \u201caprovada com louvor\u201d. Em 1891, Aur\u00e9lia defendeu o \u201cAto Grande\u201d na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto, o que lhe granjeou o m\u00e9rito de ter sido a primeira mulher a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aur\u00e9lia casou com J\u00falio Gustavo Romanoff Salvini, cantor l\u00edrico e professor de m\u00fasica radicado no Porto, filho do polaco Gustavo Romanoff Salvini, que tinha liga\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia imperial russa dos Romanov.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Guilhermina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilhermina de Morais Sarmento nasceu no dia 4 de julho de 1870. Teve por padrinho de batismo Te\u00f3filo Braga, que mais tarde viria a ser Presidente da Rep\u00fablica. Com 17 anos de idade, Guilhermina matriculou-se na Academia Polit\u00e9cnica do Porto, para frequentar as cadeiras obrigat\u00f3rias para o ingresso na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto. No primeiro ano letivo (1887-1888), concluiu, com distin\u00e7\u00e3o, as disciplinas de Qu\u00edmica Inorg\u00e2nica Geral, Bot\u00e2nica e F\u00edsica Geral, tendo, at\u00e9, merecido uma men\u00e7\u00e3o de louvor referente a esta \u00faltima cadeira, a qual foi concedida pelo Conselho Escolar. No ano seguinte, concluiu as cadeiras de Qu\u00edmica Org\u00e2nica e Anal\u00edtica e de Zoologia, obtendo a classifica\u00e7\u00e3o de 15 valores em ambas, obtendo uma nova distin\u00e7\u00e3o escolar. No dia 15 de outubro de 1889, matriculou-se na Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto, onde as irm\u00e3s mais velhas se preparavam para concluir os respetivos cursos. Durante o primeiro ano, ficou aprovada nas cadeiras de Anatomia, de Fisiologia, de Farmacologia ou Mat\u00e9ria M\u00e9dica, de Anatomia Patol\u00f3gica e Patologia Geral. Apesar do falecimento da M\u00e3e em novembro de 1892, quando Guilhermina frequentava o 4.\u00ba ano do curso, apresentou-se com sucesso aos exames de Patologia e Terap\u00eautica Externas, Patologia Interna e Medicina Operat\u00f3ria. No \u00faltimo ano letivo, realizou com \u00eaxito as cadeiras de Cl\u00ednica M\u00e9dica, Cl\u00ednica Cir\u00fargica, Obstetr\u00edcia ou Partos, assim como a de Higiene e Medicina Legal. Era a \u00fanica mulher entre os 28 diplomados quando realizou o \u00faltimo exame, em 11 de julho de 1894. Apresentou-se para o \u201cAto Grande\u201d no dia 6 de outubro de 1894. Foi a quarta m\u00e9dica formada pela Escola M\u00e9dico-Cir\u00fargica do Porto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rita<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rita de Morais Sarmento nasceu no dia 11 de fevereiro de 1872. No ano letivo de 1887-1888, matriculou-se na Academia Polit\u00e9cnica do Porto, onde frequentou as cadeiras de Geometria Anal\u00edtica, Desenho de Figura, Paisagem e Ornato e Qu\u00edmica Inorg\u00e2nica Geral, que integravam o plano curricular do 1.\u00ba ano do curso de Engenheiros Civis de Obras P\u00fablicas. Concluiu a frequ\u00eancia desse ano aprovada a todas as disciplinas e com a men\u00e7\u00e3o de distin\u00e7\u00e3o na cadeira de Qu\u00edmica Inorg\u00e2nica. No ano seguinte. frequentou as cadeiras de C\u00e1lculo Diferencial e Integral, F\u00edsica Geral e Desenho de Arquitectura e Aguadas. O resultado obtido nesta \u00faltima disciplina valeu-lhe uma men\u00e7\u00e3o de distin\u00e7\u00e3o. Nos anos letivos de 1890-1891 e 1891-1892, era a \u00fanica senhora entre os estudantes da Academia Polit\u00e9cnica, o mesmo voltando a acontecer no 5\u00ba ano do curso. No dia 30 de junho de 1894, fez o seu \u00faltimo exame do curso, o que fez dela a primeira senhora a conquistar um diploma em Engenharia Civil, em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 25 de setembro de 1898, casou com Ant\u00f3nio dos Santos Lucas, doutorado em Matem\u00e1tica, professor catedr\u00e1tico e diretor da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, e ainda, no ano de 1914, Ministro das Finan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses not\u00e1veis Anselmo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9509,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,114,65,13],"tags":[],"class_list":["post-9508","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-aveirenses-notaveis","category-cardoso-ferreira","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9508"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9508\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9510,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9508\/revisions\/9510"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}