{"id":9466,"date":"2020-05-28T09:00:44","date_gmt":"2020-05-28T08:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9466"},"modified":"2020-06-04T10:47:00","modified_gmt":"2020-06-04T09:47:00","slug":"oratorio-peregrino-10-um-caminho-por-etapas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/oratorio-peregrino-10-um-caminho-por-etapas\/","title":{"rendered":"Orat\u00f3rio Peregrino | 10 | Um caminho por etapas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Orat\u00f3rio Peregrino<\/strong><\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 360px;\">Um orat\u00f3rio \u00e0 maneira de um vi\u00e1tico para tempos de carestia<br \/>\nUma proposta desenvolvida em parceria com<\/h6>\n<p style=\"text-align: right; padding-left: 440px;\"><strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"padding-left: 40px; text-align: center;\">X Passo | <strong>Um caminho por etapas<\/strong><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORAR requer aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a hist\u00f3ria de uma amizade que vai desde o t\u00edmido balbuciar de quem tenta entabular um di\u00e1logo, at\u00e9 ao sil\u00eancio dos enamorados que j\u00e1 n\u00e3o necessitam de palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do momento em que haja amor, pode haver tanta beleza tanto num com noutro. Acompanhemos Teresa, passo a passo, observando-a na descri\u00e7\u00e3o das diferentes modula\u00e7\u00f5es que a nossa linguagem orante adopta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>H\u00c1 UMA ORA\u00c7\u00c3O<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>QUE CHAMAMOS \u201cVOCAL\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a Santa, esta ora\u00e7\u00e3o que fazemos com palavras exteriores \u00e9 o primeiro grau do caminho que, apesar da sua aparente simplicidade, pode e deve desembocar num di\u00e1logo com Deus, de intensidade contemplativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que ela nunca foi amiga de verborreias oracionais. \u00c9 verdade igualmente que foi inimic\u00edssima daquelas ora\u00e7\u00f5es intermin\u00e1veis do seu tempo. Tamb\u00e9m n\u00e3o lhe agradavam as devo\u00e7\u00f5es complicadas: \u201cDe devo\u00e7\u00f5es tontas, livre-nos Deus!\u201d (V 13, 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro deste tipo de ora\u00e7\u00e3o preferiu os salmos (embora n\u00e3o entendesse muitos deles); o Pai-Nosso, que comentou como comp\u00eandio e s\u00edntese da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3; a Av\u00e9-Maria, que pensou comentar depois daquele. E as ora\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. Desejava que nos seus conventos se recitassem as partes vari\u00e1veis da Missa juntamente com o sacerdote. E ela mesma fazia isto, com grande proveito, servindo-se de um \u201cmissalzito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentia, enfim, um gosto particular em repetir as \u00faltimas palavras do \u201cGl\u00f3ria\u201d dirigidas a Cristo: \u201cS\u00f3 V\u00f3s sois o santo, s\u00f3 V\u00f3s sois o Senhor, s\u00f3 V\u00f3s o alt\u00edssimo Jesus Cristo\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas um perigo advertia neste tipo de ora\u00e7\u00e3o: que faltasse a soledade, o devido recolhimento interior. Porque \u2013 dizia \u2013 n\u00e3o se pode falar ao mesmo tempo com Deus e com o mundo. \u00c9 necess\u00e1rio, insistia ela, saber com Quem falamos e o que pedimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>E H\u00c1 OUTRA ORA\u00c7\u00c3O QUE CHAMAMOS<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cMEDITA\u00c7\u00c3O\u201d OU \u201cORA\u00c7\u00c3O MENTAL\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consiste esta em pensar e entender o que dizemos, e a Quem o dizemos e quem somos n\u00f3s que ousamos falar com t\u00e3o grande Senhor (C 25, 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para faz\u00ea-la, prop\u00f5e um m\u00e9todo bem simples e alheio a toda a t\u00e9cnica (C 26): um acto interior de conhecimento pr\u00f3prio e de arrependimento. Descobrir com f\u00e9 a presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s e colocarmo-nos diante d\u2019Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encetar um di\u00e1logo interior com o Mestre: olhando-O dentro de n\u00f3s e seguindo os mist\u00e9rios da sua vida que mais sintonizem em cada momento com o nosso particular estado de \u00e2nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os temas preferidos de Teresa foram: o conhecimento da sua pr\u00f3pria vida, a vida de Cristo e a vis\u00e3o da natureza: \u201cAproveitava-me tamb\u00e9m a mim, ver o campo, a \u00e1gua ou flores. Nestas coisas encontrava eu mem\u00f3ria do Criador; digo que me despertavam e recolhiam e serviam de livro\u201d (V 9, 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por fim, para vencer as distrac\u00e7\u00f5es e outras dificuldades semelhantes recomenda: a leitura atenta, tranquila, do Evangelho ou de outro livro espiritual. Olhar uma imagem do Salvador e falar-Lhe directamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E diz finalmente ela tamb\u00e9m que habituar-se a escutar, na leitura e no sil\u00eancio, a voz interior do Mestre, com a pr\u00e1tica, contribui para diminuir o cansa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abN\u00e3o sabeis que sois templo de Deus e<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s?\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz\u00edamos que o amor eterno com que Deus nos ama nos faz nascer de novo e nos faz semelhantes ao pr\u00f3prio Deus, participantes da sua divindade. Diz\u00edamos ainda que este amor se manifestou na pessoa do Ressuscitado \u00e0 Madalena transformando o seu amor humano em divino. Vamos agora ver mais de perto este Amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este amor \u00e9 Cristo Jesus e n\u00f3s tocamos este amor quando o vemos pessoa como n\u00f3s, pessoa com cora\u00e7\u00e3o, com sentimentos, Pessoa que se baixa e tem compaix\u00e3o com os enfermos; predilec\u00e7\u00e3o pelos pobres; miseric\u00f3rdia com os pecadores, ternura para com as crian\u00e7as; a fortaleza na den\u00fancia da hipocrisia, da do orgulho e da viol\u00eancia; mansid\u00e3o diante dos opositores; o zelo pela gloria do Pai e o jubilo pelos seus misteriosos e providentes des\u00edgnios de gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pessoa que sofre a tristeza da trai\u00e7\u00e3o do amigo, o abatimento da solid\u00e3o, a ang\u00fastia da morte, o abandono filial e obediente nas m\u00e3os do Pai. Em Cristo Jesus vemos a fonte do amor, o seu Cora\u00e7\u00e3o, onde sem cessar jorra um amor infinito para com o Pai e um amor eterno para com cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Cora\u00e7\u00e3o humano est\u00e1 unido \u00e0 Pessoa do Verbo Eterno. Jesus \u00e9 o Verbo Eterno feito Pessoa. \u00c9 uma Pessoa que em si re\u00fane duas naturezas, a divina e a humana. Jesus \u00e9 ao mesmo tempo perfeito na sua divindade e perfeito na sua humanidade; igual ao Pai em tudo o que se refere \u00e0 natureza divina e igual a n\u00f3s, em tudo o que se refere \u00e0 natureza humana; verdadeiro filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. Por causa da uni\u00e3o de Jesus \u00e0 Pessoa do Verbo de Deus podemos dizer: em Jesus, Deus ama ao modo humano. E vice-versa, o sofrimento humano e a gl\u00f3ria humana adquirem intensidade e for\u00e7a divinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Cora\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante a muitos outros, cora\u00e7\u00e3o de uma pessoa, e ao mesmo tempo \u00fanico, porque \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do Filho de Deus. Cada pessoa habita de algum modo no seu cora\u00e7\u00e3o e no Cora\u00e7\u00e3o do Homem de Nazar\u00e9 habita Deus. Ele \u00e9 \u00abtemplo de Deus\u00bb, por ser Cora\u00e7\u00e3o do homem Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus filho est\u00e1 unido com o Pai como Verbo Eterno, \u00abDeus de Deus, Luz da luz\u2026 gerado n\u00e3o criado\u00bb. O filho est\u00e1 unido com o Pai no Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 o \u201csopro\u201d do Pai e do Filho e \u00e9 na Trindade a Pessoa-Amor. O Cora\u00e7\u00e3o do Homem Jesus Cristo \u00e9 no sentido trinit\u00e1rio, \u201ctemplo de Deus\u201d. \u00c9 o templo interior do Filho que est\u00e1 unido ao Pai no Esp\u00edrito Santo mediante a unidade da Divindade. \u00c9 um mist\u00e9rio grande o deste Cora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 \u201ctemplo de Deus\u201d e \u201cmorada do Alt\u00edssimo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo que \u00e9 templo de Deus \u00e9 tamb\u00e9m \u201cmorada de Deus entre os homens\u201d, o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus no seu templo interior abra\u00e7a todos os homens. Neste templo todos se encontram abra\u00e7ados pelo amor eterno, todos escutam a promessa de Jesus \u00e0 sua vida: \u00abAmei-te com amor eterno. Por isso me \u00e9s t\u00e3o querido.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que esta for\u00e7a do amor eterno que est\u00e1 no Cora\u00e7\u00e3o divino penetre o nosso cora\u00e7\u00e3o e sintamos habitar em n\u00f3s o Esp\u00edrito de Amor. Que os nossos cora\u00e7\u00f5es se tornem \u201ctemplos santos de Deus\u201d e \u201cmoradas do Alt\u00edssimo\u201d no meio dos homens. \u00ab<sup>6<\/sup>N\u00e3o sabeis que sois templo de Deus e que o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s?\u00a0 Pois o templo de Deus \u00e9 santo, e esse templo sois v\u00f3s.\u00bb (1Cor 3,16)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Ora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u00abPodemos viver em comunh\u00e3o perp\u00e9tua com o Amor,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Unindo-nos \u00e0 Sua vontade.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Que n\u00e3o encontre resist\u00eancia na nossa alma.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Que nela reine sempre o ambiente da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Neste ar puro n\u00e3o se perde essa voz de Deus<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Que deve imperar na nossa alma.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Que ela seja como uma participa\u00e7\u00e3o d\u2019Ele.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Deus, em Si, faz sempre o que quer;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Que n\u00f3s perdidos como nadas na sua imensidade,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Fa\u00e7amos tamb\u00e9m o que Ele quer.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Como seremos mais semelhantes a Ele,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Sen\u00e3o fazendo a sua divina vontade?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Ao agir em conformidade com Deus, somos outro Deus;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Numa palavra, somos Ele.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Carmelo de Cristo Redentor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/photos\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1149473\">Free-Photos<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1149473\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orat\u00f3rio Peregrino Um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9468,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[91,152],"tags":[],"class_list":["post-9466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares-ii","category-oratorio-peregrino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9466"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9506,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9466\/revisions\/9506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}