{"id":9417,"date":"2020-05-24T08:00:59","date_gmt":"2020-05-24T07:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9417"},"modified":"2020-05-21T10:05:23","modified_gmt":"2020-05-21T09:05:23","slug":"luis-manuel-pereira-da-silva-tres-notas-a-pretexto-do-quinto-aniversario-da-laudato-si","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-pereira-da-silva-tres-notas-a-pretexto-do-quinto-aniversario-da-laudato-si\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva | Tr\u00eas notas a pretexto do quinto anivers\u00e1rio da Laudato Si\u2019"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Casa comum<\/em><\/strong> | Por uma ecologia integral<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-7998\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"170\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg 739w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-217x300.jpg 217w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-768x1064.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-600x831.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1109x1536.jpg 1109w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1478x2048.jpg 1478w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1200x1662.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-850x1178.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-480x665.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1320x1829.jpg 1320w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-scaled.jpg 1848w\" sizes=\"auto, (max-width: 170px) 100vw, 170px\" \/>Em 24 de maio de 2015, o Papa Francisco \u2018deu\u2019 ao mundo a sua segunda enc\u00edclica (e at\u00e9 agora, \u00faltima, somando-se-lhe cinco <em>exorta\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas<\/em>), depois de <em>Lumen Fidei,<\/em> feita ainda a quatro m\u00e3os, dado que se sabe ter tido interven\u00e7\u00e3o do Papa em\u00e9rito, Bento XVI. A esta segunda enc\u00edclica o Papa d\u00e1 um t\u00edtulo \u2013 <em>Laudato Si\u2019<\/em> (Louvado Sejas!) &#8211; recuperado do Santo de que tomou o nome, S. Francisco de Assis, autor do c\u00e9lebre \u2018c\u00e2ntico das criaturas\u2019, que come\u00e7a os seus versos utilizando, precisamente, esta express\u00e3o \u2018louvado sejas, meu Senhor\u2019. O pretexto que nos d\u00e1 este anivers\u00e1rio (5 anos decorridos) serve-me de motivo para tra\u00e7ar tr\u00eas notas ou sublinhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Em primeiro lugar, registo a minha convic\u00e7\u00e3o de que o futuro guardar\u00e1 a data \u20185\u2019 de cada d\u00e9cada como momento a recordar. J\u00e1 eram guardados os anos \u20181\u2019, invocando a recorda\u00e7\u00e3o da primeira enc\u00edclica dedicada a mat\u00e9rias de doutrina social da Igreja, a <em>Rerum Novarum<\/em>, publicada em 1891 pelo Papa Le\u00e3o XIII. Era recordada a data \u20187\u2019, invocando a publica\u00e7\u00e3o da <em>Populorum Progressio<\/em>, sa\u00edda da pena de Paulo VI e particularmente famosa pela afirma\u00e7\u00e3o de que o progresso \u2018deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo\u2019 (n.14). A <em>Laudato si\u2019<\/em> d\u00e1, certamente, o pretexto para que se recordem os anos \u20185\u2019 de cada d\u00e9cada, dado que a tem\u00e1tica \u2018ecologia\u2019 tinha sido, naturalmente, abordada em diversos documentos, mas nunca com o estatuto que a publica\u00e7\u00e3o como tema central de uma enc\u00edclica lhe confere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Em segundo lugar, penso merecer registo a constata\u00e7\u00e3o da ousadia do Papa em publicar esta enc\u00edclica numa \u00e9poca em que proliferam as ecologias. E, face \u00e0s ditas ecologias radicais, o Papa prop\u00f5e-se afirmar uma ecologia \u2018integral\u2019 que, como recorda no n\u00famero 11, \u2018requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ci\u00eancias exatas ou da biologia e nos p\u00f5em em contacto com a ess\u00eancia do ser humano.\u2019 O Papa, ao propor uma ecologia integral, visa, na minha perspetiva, fundamentalmente, tr\u00eas objetivos: deslocar a problem\u00e1tica do comportamento perante o mundo do mero \u00e2mbito t\u00e9cnico-cient\u00edfico, colocando-o no \u00e2mbito da \u00e9tica e da moral; suplantar os riscos das ecologias ditas radicais que somem o humano no natural e pretendem nivelar a dignidade humana perante a suposta \u2018igual dignidade\u2019 dos restantes seres criados e, em terceiro lugar, olhar o ser humano n\u00e3o apenas como sujeito da ecologia (enquanto ator e protagonista da a\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica), mas tamb\u00e9m como seu pr\u00f3prio objeto. N\u00e3o haver\u00e1 ecologia sem a humanidade, o que, em tempos que tantos se prop\u00f5em considerar a economia como um advers\u00e1rio da ecologia, se torna um tremendo desafio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Em terceiro lugar, o Papa apresenta uma proposta ecol\u00f3gica que suplanta os limites not\u00f3rios de grande parte das propostas ecologistas difundidas. O Papa vai \u00e0 raiz da raz\u00e3o pela qual se deve ser cuidador (do ambiente, dos ambientes, do ser humano\u2026): \u00e9 que a vida \u00e9 um dom e, por isso, uma miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada. De um dom eu cuido; n\u00e3o maltrato, n\u00e3o estrago, n\u00e3o destruo. Esta vis\u00e3o contrap\u00f5e-se \u00e0 que \u00e9, habitualmente, proposta. A ecologia \u00e9, hoje, e, com ela, muita educa\u00e7\u00e3o ambiental, sustentada no medo: medo das cat\u00e1strofes, medo da abertura do buraco do ozono, medo das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Medo, medo, medo! E o medo, \u00e9 sabido, \u00e9 advers\u00e1rio da liberdade e da verdadeira autonomia. O medo \u00e9 uma estrat\u00e9gia da heteronomia. S\u00f3 fa\u00e7o porque temo; quando o medo desaparecer, deixo de fazer. E essa \u00e9 a verdadeira fragilidade das ecologias deste tipo: assentam no medo, pelo que precisam de o alimentar, pois sabem que, quando este terminar, regressam os comportamentos destruidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa sai deste c\u00edrculo\u2026 A sua proposta parte do reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o criatural do mundo e do ser humano: as criaturas devem a sua vida ao Criador e d\u2019Ele recebem a miss\u00e3o de cuidar do que lhes \u00e9 confiado. Num tal registo, a motiva\u00e7\u00e3o para cuidar n\u00e3o nasce do medo: nasce do Amor. Ao longo da enc\u00edclica, o Papa fala 56 vezes do amor. E esta \u00e9 a novidade radical desta enc\u00edclica perante as ecologias vigentes. Quem ousaria falar de amor ao formular uma proposta ecol\u00f3gica?<\/p>\n<p>S\u00f3 algu\u00e9m chamado Francisco, embrenhado da mesma \u2018loucura\u2019 e ousadia do outro Francisco que n\u00e3o se coibiu de tratar a morte por \u2018irm\u00e3\u2019&#8230;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura e autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230;&#8217;<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo originalmente publicado em <a href=\"http:\/\/teologicus.blogspot.com\/search?q=eutan%C3%A1sia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.teologicus.blogspot.com<\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jplenio-7645255\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3156440\">My pictures are CC0. When doing composings:<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3156440\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casa comum |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9419,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,155,55,13],"tags":[],"class_list":["post-9417","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-casa-comum-por-uma-ecologia-integral","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9417"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9417\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9424,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9417\/revisions\/9424"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}