{"id":9145,"date":"2020-04-21T16:24:22","date_gmt":"2020-04-21T15:24:22","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9145"},"modified":"2020-04-21T16:24:22","modified_gmt":"2020-04-21T15:24:22","slug":"pe-georgino-domingo-iii-coracao-humano-ao-ritmo-do-ressuscitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-domingo-iii-coracao-humano-ao-ritmo-do-ressuscitado\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino | DOMINGO III &#8211; Cora\u00e7\u00e3o humano ao ritmo do Ressuscitado"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica de Jerusal\u00e9m a Ema\u00fas \u00e9 relativamente curta, mas simboliza um itiner\u00e1rio exemplar de inicia\u00e7\u00e3o que, normalmente, os candidatos \u00e0 vida crist\u00e3 e inser\u00e7\u00e3o eclesial est\u00e3o chamados a percorrer. Outrora, os disc\u00edpulos eram Cl\u00e9ofas (que significa celebra\u00e7\u00e3o) e o seu inominado companheiro\/a (talvez cada um\/a de n\u00f3s, ao longo dos tempos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regressam \u00e0 aldeia, ap\u00f3s o fracasso das suas expectativas provocado pelo desfecho tr\u00e1gico da vida do seu mestre, Jesus de Nazar\u00e9. D\u00e3o largas a este estado de esp\u00edrito, lamentam o sucedido e \u201csonham\u201d retomar um passado que n\u00e3o volta. Alimentam e ampliam a amargura da frustra\u00e7\u00e3o, \u201ccurtida\u201d em conversas e atitudes. Sem horizontes de futuro onde brilhe qualquer \u201csem\u00e1foro\u201d de esperan\u00e7a. Amarrados a um presente marcado pelas chagas ainda em ferida viva e sangrante, carregam as gratas recorda\u00e7\u00f5es de um tempo feliz e vivem \u00e0 procura de sentido para a etapa que se avizinha. T\u00eam mem\u00f3ria e, com tom de amargura, relatam os factos em pormenor!\u00a0<i>Lc 24, 13-35.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1logo com o desconhecido, que se faz companheiro, mostra a dolorosa situa\u00e7\u00e3o em que se encontram e os rumores incr\u00edveis que come\u00e7avam a surgir. Constitui uma excelente amostra do sentir de tantos contempor\u00e2neos nossos, uma boa refer\u00eancia para lan\u00e7ar pontes de contacto e iniciar uma viagem comum, com o ritmo cadenciado dos passos de cada um e com a franqueza do cora\u00e7\u00e3o aberto de todos. Agora somos n\u00f3s os peregrinos de Ema\u00fas. Que tempos felizes recordamos da nossa experi\u00eancia de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo companheiro escuta, com delicada aten\u00e7\u00e3o, a resposta \u00e0 pergunta que lhes fizera. E ap\u00f3s uma breve censura, toma\u00a0\u00a0a\u00a0\u00a0palavra\u00a0\u00a0e faz&#8211;lhes a explica\u00e7\u00e3o do sucedido, situando-o no contexto das Escrituras. \u00c0 medida que fala, o cora\u00e7\u00e3o dos caminhantes gera novos sentimentos e vibra com novos ritmos que surgem progressivamente: cora\u00e7\u00e3o sem esperan\u00e7a e incapaz de ver as luzes que come\u00e7am a despontar; cora\u00e7\u00e3o acolhedor do estranho que se faz companheiro e dialoga, sem reservas; cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de Jesus que narra tudo o que nas Escrituras lhe diz respeito; cora\u00e7\u00e3o transformado, \u201ca arder\u201d, que deseja permanecer com o desconhecido a quem oferece hospedagem e convida para uma refei\u00e7\u00e3o; cora\u00e7\u00e3o agradecido que reconhece a nova forma de presen\u00e7a de Jesus nos sinais do p\u00e3o e do vinho (eucaristia); cora\u00e7\u00e3o entusiasmado no amor e pressionado pela novidade da experi\u00eancia feita que quer contar aos disc\u00edpulos; cora\u00e7\u00e3o enternecido que recebe a alegre not\u00edcia dada pela comunidade reunida: \u201cO Senhor ressuscitou e apareceu a Sim\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Pagola, te\u00f3logo espanhol, condensa a referida caminhada espiritual em dois n\u00facleos principais: A palavra que recorda Jesus, vence a nossa apatia e come\u00e7a a aquecer o cora\u00e7\u00e3o; a eucaristia que \u00e9 Jesus connosco e nos abre os olhos da f\u00e9 (Lucas sublinha com alegria: Jesus entrou para ficar com eles), Deste n\u00facleo, brota como uma torrente de \u00e1gua cristalina, a liberdade de partir em miss\u00e3o, sem medo das noites nem limites de cansa\u00e7os. Como os de Ema\u00fas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstas s\u00e3o as duas experi\u00eancias chave: sentir que o nosso cora\u00e7\u00e3o arde ao recordar a sua mensagem, sua actua\u00e7\u00e3o e sua vida inteira, sentir que, ao celebrar a eucaristia, a sua pessoa nos alimenta, nos fortalece e nos consola. Assim cresce na Igreja a f\u00e9 no Ressuscitado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ressuscitado marca o ritmo que o cora\u00e7\u00e3o humano pressente e procura assumir. Felizmente!<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem: <em>Ceia de Ema\u00fas<\/em> | Diego Vel\u00e1zquez [1618] Atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9147,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-9145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9145"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9148,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9145\/revisions\/9148"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}