{"id":9127,"date":"2020-04-17T14:51:21","date_gmt":"2020-04-17T13:51:21","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=9127"},"modified":"2020-04-17T14:51:21","modified_gmt":"2020-04-17T13:51:21","slug":"bioetica-e-sociedade-a-morte-e-o-morrer-perante-a-angustia-e-a-solidao-da-morte-pelo-covid-19-cultivar-a-sensibilidade-etica-da-proximidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/bioetica-e-sociedade-a-morte-e-o-morrer-perante-a-angustia-e-a-solidao-da-morte-pelo-covid-19-cultivar-a-sensibilidade-etica-da-proximidade\/","title":{"rendered":"Bio\u00e9tica e sociedade | A MORTE E O MORRER &#8211; Perante a ang\u00fastia e a solid\u00e3o da morte pelo COVID-19, cultivar a sensibilidade \u00e9tica da proximidade."},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Bio\u00e9tica e sociedade<br \/>\n(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Carlos Costa Gomes*<\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8127 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Carlos-Costa-Gomes.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"250\" \/>A solid\u00e3o e ang\u00fastia de quem se confronta com a morte provocada pelo Coronav\u00edrus \u00e9 um drama tr\u00e1gico e eticamente desumano. \u00c9 igualmente desumano e eticamente censur\u00e1vel morrer sozinho por outra causa de morte, muitas vezes separado por cortinas dos companheiros de enfermaria, sem consolo nem presen\u00e7a de quem mais se gosta. Se \u00e9 verdade que antes do COVID-19 o morrer sozinho j\u00e1 acontecia, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que o Coronav\u00edrus veio agravar esta realidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Por\u00e9m e felizmente, muitos profissionais e unidades de sa\u00fade promovem a emenda de erros no acompanhamento no processo de morrer e abrem, desta forma, a possibilidade da ressocializa\u00e7\u00e3o da morte e servi\u00e7os que ajudam, em muito, a respeitar a dignidade da pessoa doente que enfrenta a mais radical experi\u00eancia da sua vida: a morte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Morrer no hospital, como referimos, em muitos casos, \u00e9 morrer sozinho e longe da fam\u00edlia, atualmente por imposi\u00e7\u00e3o de ordem sanit\u00e1ria, falecer num hospital (ou num lar no caso de um idoso) \u00e9 condi\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria para morrer isolado e longe da humaniza\u00e7\u00e3o eticamente procurada pelos profissionais de sa\u00fade no processo de morrer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Morre-se sem o olhar e o toque dos entes queridos. Morre-se sem o aperto de m\u00e3o dos filhos ou dos pais. Morre-se sem o beijo dos netos ou dos filhos. Morre-se sem o abra\u00e7o da esposa ou do marido, do companheiro ou da companheira. Morre-se numa humanidade desumana. Quando muito, que \u00e9 muito, morre-se com o toque das luvas pl\u00e1sticas e do olhar plastificado pela viseira ou dos \u00f3culos dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">As cerim\u00f3nias f\u00fanebres reduzidas a uma dezena de presen\u00e7as, onde o conforto e o consolo dos amigos \u00e9 nulo; onde o corpo nu da pessoa que morre \u00e9 envolto em dois sacos pl\u00e1sticos na urna fechada, que n\u00e3o permite o \u00faltimo e derradeiro adeus\u2026 Tudo muito r\u00e1pido e sem que a abra\u00e7o possa abra\u00e7ar os bra\u00e7os vazios de abra\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A ang\u00fastia e a solid\u00e3o, a dor e o sofrimento de quem morre nesta condi\u00e7\u00e3o e o sofrimento e a ang\u00fastia de quem impotentemente assiste \u00e0 partida de quem faz a \u00faltima e a mais radical viagem sem poder olhar, tocar e abra\u00e7ar. A morte \u00e9 o corte mais brutal que desune as pessoas; por isso \u00e9 ainda mais desumano quando se morre sem o relacionamento que as une.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Pouco sabemos sobre este v\u00edrus, mas todos sabemos que a morte como a \u00faltima experi\u00eancia da vida \u00e9 tamb\u00e9m aquela que mais apela \u00e0 nossa humanidade. Sabemos de igual modo que a morte, nestas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o pode ficar reduzida \u00e0 coisifica\u00e7\u00e3o de um corpo embrulhado num saco pl\u00e1stico. Antes de tudo isto acontecer, \u00e9 poss\u00edvel acolher a \u201cvirtude da companhia\u201d e que dulcifique a sensibilidade \u00e9tica da proximidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio (re)encontrar uma \u00e9tica de proximidade que ajude a humanizar o processo de morrer de quem morre por esta doen\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 pelo os que partem mas tamb\u00e9m para o luto dos que ficam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Presidente do Centro de Estudos de Bio\u00e9tica<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Professor e investigador do Instituto de Bio\u00e9tica da UCP | Membro da Academia &#8216;Fides et Ratio&#8217;<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/sferrario1968-214554\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=929400\">Stefano Ferrario<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=929400\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9128,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,72,136,13],"tags":[],"class_list":["post-9127","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-bioetica-e-sociedade","category-carlos-costa-gomes","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9127"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9129,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9127\/revisions\/9129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}