{"id":911,"date":"2017-05-22T13:32:23","date_gmt":"2017-05-22T13:32:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=911"},"modified":"2017-05-21T13:33:05","modified_gmt":"2017-05-21T13:33:05","slug":"solenidade-da-ascensao-do-senhor-ano-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/solenidade-da-ascensao-do-senhor-ano-a\/","title":{"rendered":"Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor (Ano A)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Franclim Pacheco (texto)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-912 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Ascens\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"716\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Ascens\u00e3o.jpg 716w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Ascens\u00e3o-300x164.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Ascens\u00e3o-548x300.jpg 548w\" sizes=\"auto, (max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><\/p>\n<p>Breve coment\u00e1rio<\/p>\n<p>O texto do evangelho deste domingo \u00e9 o final do Evangelho segundo Mateus. Um olhar ao texto mostra-nos que o autor se centra em dois aspectos complementares: a figura de Jesus e o estatuto dos disc\u00edpulos que s\u00e3o protagonistas da experi\u00eancia pascal, a \u00fanica em rela\u00e7\u00e3o aos \u00abonze\u00bb.<\/p>\n<p>Quando o evangelho de Mateus \u00e9 escrito, os crist\u00e3os de origem judaica estavam em crise de identidade. Tinham continuado a frequentar a sinagoga e a observar as tradi\u00e7\u00f5es judaicas. A partir do ano 80 come\u00e7am os problemas de reivindica\u00e7\u00e3o de herdeiros das promessas do Antigo Testamento. Come\u00e7a uma separa\u00e7\u00e3o profunda que leva \u00e0 expuls\u00e3o dos crist\u00e3os das sinagogas por parte do grupo dos fariseus. Ora, Mateus escreve o seu Evangelho para ajudar esta comunidade a superar a crise e encontrar uma resposta para os sus problemas. Jesus \u00e9 o verdadeiro Messias, o novo Mois\u00e9s, no qual culmina todas a hist\u00f3ria do Antigo Testamento.<\/p>\n<p>O grupo mutilado, ap\u00f3s a perda de Judas, acolhe o convite de Jesus e do anjo (28,7.10). Infelizmente a comunidade \u00e9 uma realidade humana, sempre imperfeita e, por isso, o pecado e a trai\u00e7\u00e3o podem estar presentes mesmo entre quem \u00e9 amigo de Jesus. S\u00e3o chamados disc\u00edpulos, n\u00e3o s\u00e3o mestres porque um s\u00f3 \u00e9 o Mestre (Mt 23,8), mas Jesus vai envi\u00e1-los a ensinar. Dirigem-se para a Galileia. \u00c9 na \u00abGalileia das na\u00e7\u00f5es\u00bb, zona da Palestina mais em contacto com aqueles que n\u00e3o pertencem a Israel. \u00c9 ali, onde ressoou o primeiro an\u00fancio do reino dos c\u00e9us ao \u00abpovo imerso nas trevas e na sombra da morte\u00bb (4,12-16), que se retoma agora o contacto de Jesus ressuscitado com os disc\u00edpulos que ser\u00e3o encarregados de continuar a miss\u00e3o com a sua autoridade e garantia da sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Jesus ressuscitado espera-os num monte. O \u00abmonte\u00bb, no evangelho de Mateus, n\u00e3o \u00e9 apenas um lugar geogr\u00e1fico: sobre um monte Jesus revela a vontade definitiva de Deus (5,1; 8,1); sobre o monte retira-se para rezar (14,23); sentado sobre o monte acolhe a multid\u00e3o e cura os doentes (15,29); sobre um alto monte revela-se aos disc\u00edpulos como o enviado de Deus (17,1.5). O \u00faltimo encontro acontece num monte da Galileia, lugar dos encontros hist\u00f3ricos de revela\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos reconhecem Jesus como o seu \u00abSenhor\u00bb, prostrando-se, numa atitude de humilde adora\u00e7\u00e3o. Mas a f\u00e9 pascal n\u00e3o est\u00e1 isenta daquela d\u00favida que acompanha a f\u00e9 hist\u00f3rica da comunidade (\u00abhomens de pouca f\u00e9!\u00bb &#8211; 8,26). S\u00f3 a presen\u00e7a e a palavra de Jesus faz superar a d\u00favida e fazer amadurecer a f\u00e9 dos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>A primeira palavra de Jesus \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o solene sobre a sua senhoria universal, referindo a iniciativa divina: \u00abFoi-me dado todo o poder\u2026\u00bb. Mediante a ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus foi constitu\u00eddo no pleno exerc\u00edcio do seu poder e, como o pr\u00f3prio Deus, pode ser proclamado \u00abSenhor do c\u00e9u e da terra\u00bb (11,25).<\/p>\n<p>A segunda palavra de Jesus \u00e9 uma ordem dada aos disc\u00edpulos: Ide, fazei disc\u00edpulos todos os povos\u00bb. A primeira miss\u00e3o hist\u00f3rica dos disc\u00edpulos era destinada \u00e0s ovelhas perdidas da casa de Israel\u00bb, excluindo os pag\u00e3os e samaritanos. Agora, a nova miss\u00e3o dos disc\u00edpulos n\u00e3o tem limites nem restri\u00e7\u00f5es, fazendo com que toda a humanidade tenha uma rela\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a a Jesus ressuscitado atrav\u00e9s do sinal baptismal e do pleno acolhimento e actua\u00e7\u00e3o do seu ensino. Este baptismo \u00e9 dado \u00abem nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u00bb, f\u00f3rmula trinit\u00e1ria \u00fanica em todo o Novo Testamento. O Pai \u00e9 o novo rosto de Deus revelado por Jesus aos disc\u00edpulos; assim como a identidade profunda de Jesus \u00e9 conhecida pelo Pai que se revela aos pequeninos. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o poder ben\u00e9fico e salvador de Deus revelado nos gestos e nas palavras da miss\u00e3o hist\u00f3rica de Jesus. \u00c9 a \u00fanica vez, em todo o Novo Testamento, que lemos esta f\u00f3rmula do rito baptismal.<\/p>\n<p>Tal como a condi\u00e7\u00e3o para a perten\u00e7a salv\u00edfica \u00e0 antiga Alian\u00e7a era o acolhimento e a actua\u00e7\u00e3o \u00edntegra de tudo o que Deus tinha ordenado por meio de Mois\u00e9s, assim o requisito fundamental para a perten\u00e7a \u00e0 comunidade dos disc\u00edpulos do Senhor Jesus \u00e9 observar, praticar fielmente a vontade de Deus que ele revelou e ensinou de modo pleno e definitivo.<\/p>\n<p>A \u00faltima palavra de Jesus \u00e9 uma promessa que vale como garantia de encorajamento e confian\u00e7a: \u00abEis que Eu estou convosco\u00bb. Aquele que, antes de nascer, tinha sido apresentado como <em>Emanuel<\/em>, Deus connosco; o mesmo que declarou que onde dois ou tr\u00eas se reunissem em seu nome: \u00abEu estarei no meio deles\u00bb, apresenta-se agora com toda a autoridade divina para garantir a sua presen\u00e7a, n\u00e3o provis\u00f3ria ou pontual, mas constante: \u00abEu estarei convosco todos os dias at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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