{"id":895,"date":"2017-05-21T15:21:08","date_gmt":"2017-05-21T15:21:08","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=895"},"modified":"2020-04-07T20:48:04","modified_gmt":"2020-04-07T19:48:04","slug":"u-g-a-r-i-t","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/u-g-a-r-i-t\/","title":{"rendered":"Por detr\u00e1s da B\u00edblia I &#8211; Ugarit"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0000ff;\">POR DETR\u00c1S DA B\u00cdBLIA\u00a0<em>I\u00a0<\/em><\/span><\/h1>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>UGARIT\u00a0<\/strong><em>1, 2, 3, 4, 5 e 6<\/em><\/h4>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. J\u00falio Franclim do Couto e Pacheco<\/p>\n<pre>(Leia, no final desta introdu\u00e7\u00e3o, \r\nalguns dos principais mitos de Ugarit)<\/pre>\n<p>Ugarit (actual Ras Shamra) foi uma antiga e cosmopolita cidade portu\u00e1ria, situada na costa mediterr\u00e2nea do norte da S\u00edria, alguns quil\u00f3metros ao norte da cidade moderna Lataquia.\u00a0 Ugarit enviava tributo ao Egipto e mantinha v\u00ednculos diplom\u00e1ticos e comerciais com a antiga Chipre), documentados nos arquivos recuperados do s\u00edtio arqueol\u00f3gico e corroborados pela cer\u00e2mica cipriota e mic\u00e9nica descoberta ali. O apogeu da cidade ocorreu de cerca de 1450 at\u00e9 1\u00a0200 a.C..<\/p>\n<p>A cidade e a civiliza\u00e7\u00e3o estiveram esquecidas at\u00e9 1928, quando acidentalmente descobre no seu campo um t\u00famulo antigo que fazia parte da necr\u00f3pole de Ugarit. As escava\u00e7\u00f5es revelaram uma cidade importante, ber\u00e7o da cultura urbana, com uma pr\u00e9-hist\u00f3ria que alcan\u00e7a o VI mil\u00e9nio a.C., porto de entrada da rota comercial que levava \u00e0s terras \u00e0 volta dos rios Tigre e Eufrates.<\/p>\n<p>Durante as escava\u00e7\u00f5es foram encontrados diversos dep\u00f3sitos de tabuinhas de argila na escrita cuneiforme, constituindo uma biblioteca do pal\u00e1cio, outra biblioteca de um templo e duas bibliotecas privadas, todas da \u00faltima fase de Ugarit, \u00e0 volta de 1200 a.C.. As tabuinhas descobertas foram escritas em quatro l\u00ednguas: sum\u00e9rio, hurrita, ac\u00e1dio (o idioma da diplomacia na \u00e9poca), e ugar\u00edtico (at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida).<\/p>\n<p>Quanto aos textos, \u00e9 muito importante o Ciclo de Baal. Trata-se duma compila\u00e7\u00e3o escrita de relatos orais. Consta de tr\u00eas: \u00abA Luta de de Baal e Yam\u00bb, \u00abO Pal\u00e1cio de Baal\u00bb, e \u00abO Combate de de Baal e Mot\u00bb. N\u00e3o se conserva completo, embora existam muitas c\u00f3pias fragmentadas que permitiram recompor quase por completo.<\/p>\n<p>Estes textos permitiram-nos conhecer o Pante\u00e3o de deuses de Ugarit, bem como algumas das rela\u00e7\u00f5es e mitos que existem sobre eles.<\/p>\n<p>No Pante\u00e3o encontramos um par principal, pais de quase todos os deuses. Trata-se de El, deus anci\u00e3o, e <em>Athylt (Asherah)<\/em> sua esposa. No caso de El insiste-se no seu car\u00e1cter vener\u00e1vel, \u00e9 um deus\u00a0 criador. \u00c9 mostrado entronizado e com barba e coroa, tamb\u00e9m aparece com uma tiara de cornos.<\/p>\n<p>Do deus <em>Yam<\/em> n\u00e3o conhecemos a sua representa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o deus do mar (Yam) e dos rios (Nahar), \u00e9 negativo e ca\u00f3tico, est\u00e1 em luta com Baal para apoderar-se do trono.<\/p>\n<p><em>Kothar <\/em>\u00e9 o deus artes\u00e3o, respons\u00e1vel pelo fabrico de armas e constru\u00e7\u00e3o de pal\u00e1cios.<\/p>\n<p><em>Anat<\/em> e <em>Athart (Ashtarte)\u00a0<\/em>formam um par de deusas que aparecem sempre unidas a Baal, s\u00e3o suas companheiras e ajudam-no na guerra.<\/p>\n<p>Durante este II mil\u00e9nio o papel de Astarte est\u00e1 muito dilu\u00eddo. Anat \u00e9 uma deusa guerreira, representada com cornos e asas.<\/p>\n<p>Baal recebe o ep\u00edteto de \u00abFilho de Dagon\u00bb. \u00c9 o deus do raio e da tormenta. Recebe culto em todo o Pr\u00f3ximo Oriente porque traz a chuva (e com ela a vida). Tem a sua sede no monte Safon\u00a0 e relaciona-se com a imagem do Touro. O seu nome \u00e9 <em>Haddu<\/em> j\u00e1 que Baal \u00e9 um cargo: Senhor.<\/p>\n<p><em>Mot<\/em> \u00e9 a morte e \u00e9 o inimigo mais poderoso de Baal, muito mais que Yam. Mot faz refer\u00eancia \u00e0 derrota do Leviatan (o que tamb\u00e9m aparece na mitologia hebraica). <em>Shapash <\/em>\u00e9 a deusa do sol, ser\u00e1 o Shemesh fen\u00edcio. \u00c9 uma divindade que ajuda os homens. <em>Pidray <\/em>e <em>Talay <\/em>s\u00e3o filhas de Baal relacionadas com diferentes tipos de chuva. <em>Athtar<\/em>, o terr\u00edvel, aparece em maldi\u00e7\u00f5es e recebe culto pelos semitas do sul. S\u00f3 se sabe que ele tenta acabar com Baal.<\/p>\n<p>Os textos encontrados revestem-se de particular interesse pelo facto de se conhecer melhor a mitologia cananeia e ugar\u00edtica que tiveram uma grande influ\u00eancia na hist\u00f3ria e no culto de Israel, particularmente o culto a Baal, Astarte, Asherah.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">Leia aqui os relatos \u00e9picos de <em>Ugarit<\/em><\/h5>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/0055056158f63b51e9f00\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ugarit 1 &#8211;\u00a0\u00c9pico de Baal &#8211; Luta de Baal e Yam<\/a><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/005505615c700d4719154\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ugarit 2 &#8211; Mito do Pal\u00e1cio de Baal<\/a><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/005505615b806bb8da487\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ugarit 3 &#8211; Luta de Baal e Mot<\/a><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/0055056154200aba6b720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ugarit 4 &#8211; O mito da luta de Ba&#8217;lu e M\u00f4tu<\/a><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/00550561570726b028a08\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"color: #000000;\">Ugarit 5 &#8211; \u00c9pico de Aqhat<\/span><\/a><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/005505615c7ffd8b7c680\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Ugarit 6 &#8211; Lenda do Rei Keret ou Kirta<\/strong><\/span><\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR DETR\u00c1S DA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":896,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,78,13,54,61],"tags":[],"class_list":["post-895","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-mitos-de-ugarit","category-olhares","category-pe-julio-franclim-do-couto-e-pacheco","category-por-detras-da-biblia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=895"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/895\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8993,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/895\/revisions\/8993"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}