{"id":8877,"date":"2020-04-01T15:58:40","date_gmt":"2020-04-01T14:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8877"},"modified":"2020-03-31T20:18:01","modified_gmt":"2020-03-31T19:18:01","slug":"jose-miguel-sardica-a-quarentena-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/jose-miguel-sardica-a-quarentena-pascal\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Miguel Sardica | A quarentena pascal"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Jos\u00e9 Miguel Sardica*<\/strong><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8252 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-1024x863.jpg\" alt=\"\" width=\"159\" height=\"134\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-1024x863.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-300x253.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-768x647.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-600x506.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-1536x1294.jpg 1536w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-2048x1726.jpg 2048w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-1200x1011.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-850x716.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-480x404.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/DSC_0163-1320x1112.jpg 1320w\" sizes=\"auto, (max-width: 159px) 100vw, 159px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Comecemos pelo \u00f3bvio. \u00c0s portas do Domingo de Ramos n\u00e3o vivemos uma Quaresma como as de anos anteriores. A Quaresma de 2020 foi (e \u00e9) a da quarentena, imposta pela pandemia do coronav\u00edrus tanto por raz\u00f5es sanit\u00e1rias como sociais. Na mem\u00f3ria do povo de Deus narrada pela B\u00edblia, particularmente no livro do \u00caxodo, e no nosso calend\u00e1rio crist\u00e3o, a Quaresma, totalizando quarenta dias das Cinzas aos Ramos, representa o esfor\u00e7o, o sacrif\u00edcio, o mart\u00edrio do povo de Israel que, por quarenta anos, foragido do cativeiro no Egito, errou, no deserto do Sinai, at\u00e9 ser guiado e redimido por Mois\u00e9s no caminho de volta \u00e0 Terra Santa. Esses quarenta anos da hist\u00f3ria b\u00edblica devem ser (re)vividos por todos os crist\u00e3os nos quarenta dias de jejum, de penit\u00eancia, de algum sacrif\u00edcio e de ascese individual que nos conduzem ao Domingo de Ramos e ao Tr\u00edduo Pascal. Ali chegados, ao tempo mais sagrado do calend\u00e1rio lit\u00fargico crist\u00e3o, h\u00e1 uma sexta-feira santa, um S\u00e1bado de Aleluia e um Domingo de P\u00e1scoa, celebrativo da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, que pela sua morte remiu todos os pecados e que pela sua vida de ressuscitado se devolveu \u00e0 plenitude do Pai.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estamos ainda na Quaresma e n\u00e3o sabemos por quanto tempo mais em quarentena. Vivemos a mesma suspens\u00e3o do mundo sentida outrora pelo povo de Deus na fuga do Egito. Infelizmente, sabemos todos quantos habitam o nosso mundo, e ainda mais aqueles que nos hospitais, nos lares, nas morgues, nos dif\u00edceis e imprescind\u00edveis trabalhos de hoje, mais lidam com a doen\u00e7a, o sofrimento e a morte, que a situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria de 2020 \u00e9 extraordinariamente desafiante e sofredora no pior sentido. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se a Quaresma significa penit\u00eancia, a deste ano n\u00e3o poderia ser maior. Porque mesmo os que, com sorte, n\u00e3o lidam diretamente com a doen\u00e7a, estando s\u00e3os ou n\u00e3o tendo ningu\u00e9m de fam\u00edlia ou amizade infetado, confrontam-se com todos os outros \u201cv\u00edrus\u201d listados numa recente reflex\u00e3o do Cardeal D. Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a: o v\u00edrus do des\u00e2nimo, o v\u00edrus do pessimismo, o v\u00edrus do isolamento interior, o v\u00edrus do individualismo, o v\u00edrus da comunica\u00e7\u00e3o vazia em doses massivas, o v\u00edrus da impot\u00eancia ou o v\u00edrus das noites sem fim. Os familiares n\u00e3o se podem reencontrar, numa P\u00e1scoa que \u00e9 tempo de encontro, os amigos n\u00e3o se podem rever, em vidas que sem isso ficam mais pobres, os mortos n\u00e3o se podem velar, e todos merecem essa despedida, as ruas n\u00e3o se podem encher, quando o gregarismo \u00e9 natural ao ser humano, o otimismo e a alegria ficam adiados, porque estamos, quanto ao Covid-19, ainda muito no escuro, tateando a medo os cen\u00e1rios em que queremos acreditar para essa entidade mal\u00e9fica que se chama curva epidemiol\u00f3gica. Falta-nos o que alentaria o povo de Deus, a saber, a data do nosso S\u00e1bado de Aleluia e do nosso Domingo de Ressurei\u00e7\u00e3o em 2020.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mas eles vir\u00e3o. Tardam, por ora, mas vir\u00e3o. Porque \u00e9 da natureza das pandemias dilu\u00edrem-se na esp\u00e9cie humana, at\u00e9 se tornarem rotineiras ou in\u00f3cuas, e \u00e9 da natureza da esp\u00e9cie humana lutar para superar as dificuldades. Foi essa mensagem, de caminho e esperan\u00e7a, que o Papa nos deu na passada sexta-feira, atrav\u00e9s da sua ora\u00e7\u00e3o \u201cUrbi et Orbi\u201d. Sob uma chuva miudinha e a luz azulada dos holofotes iluminando a Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, Francisco desceu aos fi\u00e9is para orar com eles e por eles, na emerg\u00eancia global do momento. A imagem do Papa, sozinho, na imensa Pra\u00e7a despojada de tudo foi de uma beleza dantesca, como uma magn\u00edfica desola\u00e7\u00e3o. Naquela hora, ele foi um de n\u00f3s e todos n\u00f3s. A sua solid\u00e3o foi comovente, porque terr\u00edvel e inusitada. A sua mensagem foi alentadora, porque de resist\u00eancia e de f\u00e9. E por isso a P\u00e1scoa de 2020, que todos queremos, vir\u00e1 decerto, mesmo que mais tardia no calend\u00e1rio dos homens\u2026\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>*Professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Djwosa-1229900\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1045893\">Wolfgang Sauck<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1045893\">Pixabay<\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Jos\u00e9 Miguel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8886,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,148],"tags":[],"class_list":["post-8877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores-ii","category-jose-miguel-sardica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8877"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8879,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8877\/revisions\/8879"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}