{"id":8820,"date":"2020-03-30T15:14:12","date_gmt":"2020-03-30T14:14:12","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8820"},"modified":"2020-04-15T20:55:07","modified_gmt":"2020-04-15T19:55:07","slug":"edith-stein-empatizar-com-os-sentimentos-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-empatizar-com-os-sentimentos-de-cristo\/","title":{"rendered":"Edith Stein | Empatizar\u00a0com os sentimentos de Cristo"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Javier Sancho Ferm\u00edn*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edith Stein conhece diversos caminhos para alcan\u00e7ar e exercitar a empatia com Cristo: a ora\u00e7\u00e3o, a liturgia, a eucaristia-adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">33<\/a>, e a leitura-medita\u00e7\u00e3o dos Evangelhos. Dada a inten\u00e7\u00e3o que preside ao nosso trabalho, procuraremos limitar-nos s\u00f3 ao \u00faltimo deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Edith Stein o objectivo de toda a forma\u00e7\u00e3o ou educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 consiste em figurar a \u00abforma de Cristo\u00bb<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">34<\/a>. O caminho do seguimento de cristo n\u00e3o se esgota em imitar os seus actos, mas h\u00e1-de levar \u00e0 configura\u00e7\u00e3o com Ele, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o em \u00aboutros Cristos\u00bb. Nesse caminho joga um papel importante a capacidade de empatizar com Cristo, de fazer pr\u00f3prios os seus mesmos sentimentos. Por isso, n\u00e3o estranha de modo nenhum a afirma\u00e7\u00e3o de que \u00ab<em>o Evangelho \u00e9 o livro que nunca devemos deixar de estudar<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">35<\/a><\/em>\u00bb. Precisamente porque a\u00ed nos encontramos com a imagem mais fiel que possu\u00edmos do Cristo Deus e Homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crist\u00e3o, seguidor de Cristo, n\u00e3o se pode conformar com cumprir uns preceitos. Todo o homem foi chamado em Cristo a alcan\u00e7ar a plenitude do sue ser e a transformar-se novamente em filho de Deus. E isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pelo caminho do seguimento: \u00ab<em>Quem pertence a Cristo<\/em> <em>tem que viver toda a vida de Cristo<\/em>. <em>Tem que alcan\u00e7ar a<\/em> <em>maturidade de Cristo e percorrer o caminho da Cruz at\u00e9 o Gest\u00e9mani e o G\u00f3lgota<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">36<\/a>. Ancorada possivelmente neste princ\u00edpio chave para compreender a cristologia steiniana, p\u00f5e especial acento em procurar reviver os sentimentos de Cristo acerca do mist\u00e9rio da P\u00e1scoa, da Reden\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o se trata simplesmente de uma t\u00e9cnica sentimentalista, mas de aproximar-se da compreens\u00e3o mais existencial do que significa o mist\u00e9rio de Cristo, para depois o transformar em vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abSe estais alegres, vede-O ressuscitado: s\u00f3 O imaginar como saiu do sepulcro vos alegrar\u00e1. Com quanta claridade e com que formosura! que majestade! qu\u00e3o vitorioso e alegre! Como quem se saiu t\u00e3o bem da batalha onde ganhou um t\u00e3o grande reino, o qual quer todo para v\u00f3s e a Si mesmo com ele&#8230; Se estais em trabalhos ou tristes, vede-O a caminho do Horto: que afli\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande levava em sua alma, pois, com ser a mesma paci\u00eancia, confessa essa afli\u00e7\u00e3o e dela se queixa. Ou vede-O atado \u00e0 coluna, cheio de dores, Sua carne toda feita em peda\u00e7os pelo muito que vos ama; tanto padecer, perseguido por uns, cuspido por outros, negado pelos Seus amigos, desamparado por eles, sem ningu\u00e9m que seja por Ele, gelado de frio, posto em tanta soledade&#8230; Ou vede-O carregado com a cruz, que nem O deixavam tomar f\u00f4lego&#8230; Andemos juntos, Senhor; por onde fordes, tenho de ir; por onde passardes, tenho de passar\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">37<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas palavras de Teresa aproximam-nos do convite que Edith nos vai fazer, embora com um estilo algo diferente. Vejamos alguns exemplos pr\u00e1ticos. Como ponto de partida, poder\u00edamos tomar a vis\u00e3o geral que ela nos oferece sobre o conte\u00fado de todo o caminhar terreno de cristo, onde se sublinha o sentimento central que preside a toda a sua vida e aos seus mist\u00e9rios de amor. Ser\u00e1 esta uma das chaves para interpretar e compreender tudo o resto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abNem por sua natureza nem por livre decis\u00e3o houve em Cristo nada que opusesse resist\u00eancia ao amor. Em cada momento da sua exist\u00eancia viveu entregue sem reservas ao amor divino. Mas, ao fazer-se homem, tomou sobre si toda a carga dos pecados humanos, abra\u00e7o-se com eles no seu amor misericordioso, escondendo-os na sua pr\u00f3pria alma, com aquele Ecce venio com o qual inaugurou a sua vida terrena, expressamente repetido no sue baptismo, e com o Fiat de Gets\u00e9mani. Assim se foi consumando o sue sacrif\u00edcio de expia\u00e7\u00e3o, primeiro no sue interior, e depois em todas as dores ao longo da sua exist\u00eancia, mas de modo mais espantoso no Jardim das Oliveiras e na Cruz, porque ali chegou mesmo a cessar de momento o gozo que na sua alma redundava da sua uni\u00e3o hipost\u00e1tica, para que assim ficasse mais totalmente \u00e0 merc\u00ea da dor, at\u00e9 provar o mais total abandono de Deus. O Consumatum\u00a0 est indicar\u00e1 o fim deste holocausto expiat\u00f3rio, e o Pater, in manus tuas commendo spiritum meum ser\u00e1 o retorno definitivo \u00e0 eterna e inalter\u00e1vel uni\u00e3o de amor\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">3<\/a>8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta vis\u00e3o do sentimento central que preside \u00e0 vida de cristo, o amor, Edith Stein complet\u00e1-lo-\u00e1 dizendo que, juntamente com esse amor, encontrar-nos-emos, no desenvolvimento de toda a sua vida terrena, com outro conte\u00fado fundamental: fazer e levar a cabo a vontade do Pai<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">39<\/a>. A partir da chave do amor e do cumprimento da vontade do Pai, aproxima-se de alguns dos textos evang\u00e9licos que de um modo mais evidente nos apresentam os sentimentos de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deles \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da \u00daltima Ceia. Edith come\u00e7a por nos oferecer o texto evang\u00e9lico de Mt 26, 26-28: \u00ab<em>Enquanto comiam<\/em>, <em>Jesus tomou o p\u00e3o<\/em>, <em>aben\u00e7oou-o<\/em>, <em>partiu-o<\/em> <em>e deu-o aos seus disc\u00edpulos<\/em>, <em>dizendo<\/em>: <em>Tomai e comei<\/em>, <em>isto \u00e9 o meu corpo<\/em>. <em>E tomando um c\u00e1lice e dando gra\u00e7as<\/em>, <em>deu-lho dizendo<\/em>: <em>bebei todos dele<\/em>, <em>este \u00e9 o meu<\/em> <em>sangue da alian\u00e7a que ser\u00e1 derramado por muitos para o perd\u00e3o dos pecados<\/em>\u00bb. A seguir, Edith faz o seu coment\u00e1rio. Para tal, servir-se-\u00e1 dos conhecimentos que tem das tradi\u00e7\u00f5es judaicas: \u00ab<em>A b\u00ean\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e do vinho faziam parte do rito da<\/em> <em>ceia pascal<\/em>\u00bb. E, de seguida, faz uma leitura complexa de quanto esta realidade implica:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abMas ambas recebem aqui um sentido completamente novo. Com elas come\u00e7a a vida da Igreja. Sem d\u00favida, ser\u00e1 a partir do Pentecostes que aparecer\u00e1 abertamente como comunidade vis\u00edvel e cheia do Esp\u00edrito. Mas \u00e9 aqui, na ceia pascal, que se realiza o enxerto dos sarmentos na vide, que torna poss\u00edvel a efus\u00e3o do Esp\u00edrito. As antigas ora\u00e7\u00f5es de b\u00ean\u00e7\u00e3os converteram-se na boca de Cristo em palavra criadora de vida. Os frutos da terra converteram-se na sua carne e no seu sangue, cheios da sua vida. A cria\u00e7\u00e3o vis\u00edvel, na qual Cristo j\u00e1 entrou pela sua encarna\u00e7\u00e3o, est\u00e1 agora unida a ele de uma maneira nova e misteriosa. As subst\u00e2ncias que servem para mantimento do corpo humano transformam-se radicalmente e, por sua recep\u00e7\u00e3o crente, transformam tamb\u00e9m os homens: incorporados numa unidade de vida com Cristo e cheios da sua vida divina. A for\u00e7a da Palavra criadora de vida est\u00e1 vinculada ao sacrif\u00edcio. A Palavra fez-se carne para oferecer a vida que recebeu; para se oferecer a si mesmo e a cria\u00e7\u00e3o redimida pela sua oferenda como sacrif\u00edcio de louvor ao Pai. Pela \u00faltima ceia do Senhor a comida pascal da Antiga Alian\u00e7a converteu-se na comida pascal da nova Alian\u00e7a\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">40<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edith oferece-nos um exemplo claro de como da capacidade de empatizar os sentimentos de Cristo se pode passar a uma compreens\u00e3o teol\u00f3gica das verdades evang\u00e9licas, fruto de uma observa\u00e7\u00e3o-reflex\u00e3o dos elementos que comp\u00f5em a narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica. Mas a sua reflex\u00e3o n\u00e3o conclui a\u00ed. Descobre ainda no \u00ab<em>deu gra\u00e7as<\/em>\u00bb novos elementos intu\u00eddos \u00e0 luz do conhecimento da vida de Cristo e da sua prefigura\u00e7\u00e3o no Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abQuando o Senhor tomou o c\u00e1lice deu gra\u00e7as; podemos pensar aqui nas ora\u00e7\u00f5es de b\u00ean\u00e7\u00e3o, que cont\u00eam uma ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Criador. Sabemos tamb\u00e9m que Cristo costumava dar gra\u00e7as quando antes de um milagre levantava os olhos ao Pai do c\u00e9u<\/em><a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">41<\/a><em>. D\u00e1 gra\u00e7as porque se sabe de antem\u00e3o escutado. D\u00e1 gra\u00e7as pela for\u00e7a divina de que \u00e9 portador e porque vai mostrar aos olhos dos homens a omnipot\u00eancia do Criador. D\u00e1 gra\u00e7as pela obra da reden\u00e7\u00e3o que pode levar a cabo, e d\u00e1-as por meio dessa obra, que \u00e9 a glorifica\u00e7\u00e3o da Trindade divina, porque renova e embeleza a sua imagem deformada. Deste modo, podemos considerar a perp\u00e9tua oferenda sacrificial de Cristo \u2013 na Cruz, na missa e na gl\u00f3ria eterna do c\u00e9u \u2013 como uma \u00fanica ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as \u2013 como eucaristia \u2013: ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela cria\u00e7\u00e3o, a reden\u00e7\u00e3o e a consuma\u00e7\u00e3o. Cristo oferece-se a si mesmo em nome de toda a cria\u00e7\u00e3o, cujo primeiro modelo \u00e9 Ele pr\u00f3prio e \u00e0 qual desceu para a renovar a partir de dentro e lev\u00e1-la \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o. Convida tamb\u00e9m toda a cria\u00e7\u00e3o a unir-se a Ele para oferecer ao Criador a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que lhe \u00e9 devida\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">42<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 s\u00f3 um exemplo que nos ilumina no nosso modo de nos aproximarmos aos sentimentos de Cristo \u00abescondidos\u00bb nas palavras dos Evangelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos presente em Edith outro exemplo que talvez seja mais f\u00e1cil e esclarecedor. Aqui j\u00e1 n\u00e3o se trata de desvelar o segredo de uns vers\u00edculos evang\u00e9licos, mas de contemplar em diversos momentos um gesto que se repete ao longo da vida de Jesus: a sua ora\u00e7\u00e3o em sil\u00eancio ao Pai. Ao contemplar esta realidade t\u00e3o presente ao longo da vida terrena de Jesus, Edith quer captar aquilo que se torna essencial para compreender como h\u00e1-de ser a nossa ora\u00e7\u00e3o, partindo dos sentimentos de Cristo; sentimentos que se manifestam de um modo mais evidente precisamente a\u00ed na ora\u00e7\u00e3o, onde abre com confian\u00e7a a sua interioridade ao Pai. Embora o texto seja um pouco longo julgamos que em si mesmo nos oferece as chaves para penetrarmos empaticamente nos sentimentos de Cristo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abOs Evangelhos contam-nos que ele, talvez com mais frequ\u00eancia, orava solit\u00e1rio, no sil\u00eancio da noite, no cimo do monte ou no deserto afastado dos homens. A sua vida p\u00fablica foi precedida por quarenta dias e quarenta noites de ora\u00e7\u00e3o (Mt 4, 1-2). Antes de eleger e de enviar os doze ap\u00f3stolos retirou-se para a solid\u00e3o de um monte a fim de orar (Lc 6, 12). No Monte das Oliveiras preparou-se para subir o G\u00f3lgota. O que orou ao Pai, nessa hora mais dura de sua vida, \u00e9-nos dado em poucas palavras, palavras que nos foram dadas como estrelas que nos guiam nas nossas horas de Gets\u00e9mani: \u201cPai, se \u00e9 poss\u00edvel passe de mim este c\u00e1lice, mas n\u00e3o se fa\u00e7a a minha vontade mas a tua\u201d (Lc 22, 40). Essas palavras s\u00e3o como um rel\u00e2mpago que momentaneamente nos <strong>deixam entrever a vida \u00edntima de Jesus<\/strong>, o mist\u00e9rio insond\u00e1vel do seu ser humano e divino e do seu di\u00e1logo com o Pai. Sem d\u00favida alguma, esse di\u00e1logo nunca foi interrompido durante a sua vida. Cristo orava intimamente, n\u00e3o s\u00f3 quando se afastava da multid\u00e3o, mas tamb\u00e9m quando se encontrava no meio dos homens. <strong>E uma vez permitiu-nos olhar<\/strong> <strong>longa e profundamente o segredo desse \u00edntimo di\u00e1logo<\/strong>. Foi pouco antes da hora do Gets\u00e9mani, imediatamente antes de partir para ali: ao acabar a \u00faltima ceia, na qual reconhecemos o momento do nascimento da Igreja: \u201cEle que amou os seus&#8230; amou-os at\u00e9 ao fim\u201d (Jo 13, 1). Sabia que era a \u00faltima reuni\u00e3o, e quis dar-lhes tudo quanto podia. Tinha que conter-se para n\u00e3o dizer mais, pois sabia que n\u00e3o o compreenderiam, que n\u00e3o poderiam\u00a0 compreender nem sequer o pouco que tinham recebido. Teria que vir o Esp\u00edrito da Verdade para lhes abrir os olhos. E depois de lhes ter dito e feito tudo o que devia, levantou os olhos ao c\u00e9u e falou na presen\u00e7a deles com o Pai (Jo 17). A essa ora\u00e7\u00e3o chamamos-lhe ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">43<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta longa cita\u00e7\u00e3o, que, entretanto, \u00e9 para n\u00f3s t\u00e3o esclarecedora, teria que concluir com uma afirma\u00e7\u00e3o que, na mesma obra que estamos a citar, Edith faz sobre o cap\u00edtulo 17 do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00ab<em>a ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus desvela o mist\u00e9rio da vida<\/em> <em>interior<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">44<\/a>. E embora Edith n\u00e3o se aventure a comentar este texto, est\u00e1 a convidar-nos, com base no que antes realizou, que procuremos exercitar a capta\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica dos sentimentos de Cristo a partir da sua ora\u00e7\u00e3o sacerdotal, que nos desvela, juntamente com os seus sentimentos mais profundos, \u00ab<em>a iman\u00eancia rec\u00edproca das pessoas divinas e<\/em> a<em> inhabita\u00e7\u00e3o de Deus na alma<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">45<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">*Javier Sancho Ferm\u00edn. <strong>A B\u00edblia<\/strong> <strong>com olhos<\/strong> <strong>de mulher.<\/strong> Edith Stein e a Sagrada Escritura. Edi\u00e7\u00f5es Carmelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">33<\/a> Edite faz refer\u00eancia continuamente nas suas confer\u00eancias \u00e0 necessidade de viver eucaristicamente. Isso consistir\u00e1 principalmente em penetrar empaticamente nos mist\u00e9rios da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, como caminho para a aut\u00eantica e verdadeira cristifica\u00e7\u00e3o. Cf. <em>Educa\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<\/em>, em Obras 34-35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">34<\/a> Edite Stein falar\u00e1 deste tema em quase todas as suas confer\u00eancias e escritos de car\u00e1cter pedag\u00f3gico. Temos um exemplo claro em <em>A arte materna da educa\u00e7\u00e3o<\/em>, em Obras 101-118.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">35<\/a> <em>Sobre a hist\u00f3ria e o esp\u00edrito do Carmelo<\/em>, em Obras 278.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">36<\/a> <em>O mist\u00e9rio do Natal<\/em>, em Obras 385.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">37<\/a> <em>Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/em> (cap. 26, 4-6), em Santa Teresa, Obras Completas, Ed. Carmelo, Pa\u00e7o de Arcos. 2000, pp. 449-450.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">38<\/a> CC 229-230.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">39<\/a> Cf. p. ex. <em>A Exalta\u00e7\u00e3o da Cruz<\/em>, em Obras 222.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">40<\/a> <em>A ora\u00e7\u00e3o da Igreja<\/em>, em Obras 395.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">41<\/a> Cf. Jo 11, 41-42.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">42<\/a> <em>A ora\u00e7\u00e3o da Igreja<\/em>, em Obras 395-396.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">43<\/a> Ib. 400-401. (O negrito \u00e9 nosso).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">44<\/a> Ib. 403.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">45<\/a> Ib.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem: <em>A \u00daltima Ceia<\/em>. <small>Tintoretto [1518-1594]<\/small><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8826,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[133,13],"tags":[],"class_list":["post-8820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-duas-asas","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8820"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9120,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8820\/revisions\/9120"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}