{"id":8783,"date":"2020-03-26T15:23:50","date_gmt":"2020-03-26T15:23:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8783"},"modified":"2020-03-26T15:23:50","modified_gmt":"2020-03-26T15:23:50","slug":"covid-19-perguntas-para-um-exame-de-consciencia-sobre-como-temos-sido-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/covid-19-perguntas-para-um-exame-de-consciencia-sobre-como-temos-sido-igreja\/","title":{"rendered":"Covid-19 | Perguntas para um exame de consci\u00eancia sobre como temos sido Igreja"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\">\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo recolhido do <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/perguntas_para_um_exame_de_consciencia_sobre_como_temos_sido_igreja.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SNPC<\/a><\/h6>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes dias negros, onde a primavera antecipada parece uma partida da natureza, v\u00eam-me muitas vezes \u00e0 ideia duas obras-primas: \u201cOs noivos\u201d, de Alessandro Manzoni, e \u201cA peste\u201d, de Albert Camus. Em ambas h\u00e1 quem viva a trag\u00e9dia na f\u00e9 crist\u00e3 e quem a perca. Pergunto-me como estamos hoje a viver n\u00f3s, crist\u00e3os, a trag\u00e9dia, todos de alguma forma amea\u00e7ados pelo inimigo vis\u00edvel. Como viver, na f\u00e9 em Cristo, estes dias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escreve-me um jovem padre amigo: \u00abTamb\u00e9m estou em isolamento, mas est\u00e1 tudo bem, gra\u00e7as a Deus. As minhas \u201covelhinhas\u201d est\u00e3o bem, algo desencorajadas por estar distantes da par\u00f3quia\u2026 mas eu procuro estar pr\u00f3ximo delas com alguns telefonemas e alguma \u201ccavaqueira\u201d, \u00e0 dist\u00e2ncia, com os meus vizinhos de casa. Enquanto isso, aproveito para tamb\u00e9m eu recuperar um pouco de for\u00e7a e coragem. Rezo e leio\u2026 Pergunto-me quanto esfor\u00e7o temos de fazer para conseguir ultrapassar um certo planeamento e um modo de conhecer Deus mais ligado aos nossos esquemas (aqueles nos quais crescemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, jovens) do que \u00e0 frescura do Evangelho \u2026 Com toda a boa vontade, tenho a impress\u00e3o de que, ainda que involuntariamente, por vezes ficamos enredados. Haveremos de falar disso de viva voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o meu pensamento \u00e9 sempre para a par\u00f3quia. Talvez este \u201cjejum\u201d eucar\u00edstico possa contribuir para fazer crescer o desejo de Deus nas pessoas\u2026 \u00e9 o que desejo, e procuro acompanh\u00e1-lo. Creio que a nossa principal miss\u00e3o, neste momento, \u00e9 precisamente esta, mais do que fazer mensagens em v\u00eddeo e catequeses pela internet. Posso estar errado, mas aponto a estimular uma f\u00e9 mais genu\u00edna e menos supersticiosa. N\u00e3o ligada ao monte e ao templo, para o dizer com a samaritana, mas ao esp\u00edrito e \u00e0 verdade. Por vezes, o sil\u00eancio \u00e0 minha volta, o olhar que n\u00e3o consegue cruzar outros olhos, a incerteza do amanh\u00e3\u2026 abrem caminhos ao medo. Que procuro confiar sempre ao Senhor\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confio-me a estas palavras para responder \u00e0s minhas perguntas sobre como viver diante do Senhor estes dif\u00edceis dias, e como caminhar com as pessoas amanh\u00e3. Tanto sofrimento e tanto horror n\u00e3o podem passar em v\u00e3o. Centro-me em tr\u00eas pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"it\">\u00abO meu pensamento \u00e9 sempre para a par\u00f3quia\u00bb<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se acredito verdadeiramente no Ressuscitado e sei que a \u00faltima palavra \u00e9 a vida, hoje estou junto da minha gente, e n\u00e3o s\u00f3 localmente. N\u00e3o me torno inalcan\u00e7\u00e1vel, n\u00e3o sou o primeiro a abandonar a barca. Se todos t\u00eam medo, tamb\u00e9m eu tenho o direito de o ter; se todos t\u00eam incertezas, tamb\u00e9m eu as tenho; se ningu\u00e9m tem respostas certas sobre o amanh\u00e3, tamb\u00e9m eu, padre, n\u00e3o as tenho. Mas tenho algo de particular, e posso diz\u00ea-lo: n\u00e3o se pode afundar uma barca na qual embarcou o pr\u00f3prio Filho de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"it\">\u00abContribuir para fazer crescer o desejo de Deus nas pessoas\u00bb<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o creio que se trate de acrescer aquele desejo de Deus que amanh\u00e3 far\u00e1 ir as pessoas \u00e0 igreja e multiplicar\u00e1 os nossos \u201cclientes\u201d. Desejo de Deus \u00e9 o desejo de viver segundo a Verdade. Com efeito, \u00e9 mentira pensarmo-nos autores da vida, \u00e1rbitros do bem e do mal (as duas \u00e1rvores violadas em G\u00e9nesis 3), e portanto poss\u00edveis donos da Terra e dos homens, segundo a lei bestial da selva \u00aba for\u00e7a \u00e9 fundamento do direito\u00bb &#8211; como afirmam os \u00ab\u00edmpios\u00bb em Sabedoria 2,11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, padres, nem sempre dissemos isto. Por vezes, apresent\u00e1mos Deus n\u00e3o como aquele que nos dava as leis da vida, as leis que nos estruturam a partir do \u00edntimo e nos permitem viver, mas como uma esp\u00e9cie de monarca que imp\u00f5e leis e tributos, para ver se os s\u00fabditos s\u00e3o respeitadores ou n\u00e3o, porque nos tem no seu poder e quer assegur\u00e1-lo com o medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de Deus n\u00e3o tem, portanto, nada a partilhar com a poss\u00edvel influ\u00eancia ideol\u00f3gica que se pode deduzir de muitas ora\u00e7\u00f5es dirigidas a Ele. Tenho de estar atento, digo a mim pr\u00f3prio. Pedir-lhe o fim da prova\u00e7\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 engendrar a ideia de que foi Deus a enviar-nos o flagelo? Pedir para ter piedade de n\u00f3s n\u00e3o poder\u00e1 fazer pensar que Deus nos est\u00e1 a castigar? N\u00e3o \u00e9 assim. E sabemo-lo mal abrimos o Evangelho, como devem abri-lo certos transmissores muito devotos, mas talvez de muito pouca f\u00e9 crist\u00e3. Amanh\u00e3, em dias mais graciosos e menos ferozes, deveremos reaprender e voltar a ensinar o sentido da ora\u00e7\u00e3o como Jesus a ordena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"it\">\u00abEstimular uma f\u00e9 mais genu\u00edna e menos supersticiosa\u00bb<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitas formas de supersti\u00e7\u00e3o de que a religiosidade popular, e n\u00e3o s\u00f3, est\u00e1 impregnada. Todos os padres sabem bem estas coisas. Encontra-se em cada festa do padroeiro, onde n\u00e3o se compreende o que est\u00e3o a fazer as pessoas com as suas aclama\u00e7\u00f5es e os seus rituais centen\u00e1rios. Todavia, a melhor maneira de combater este perigo \u00e9 \u00abestimular uma f\u00e9 mais genu\u00edna\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que \u00e9 isso? Uma f\u00e9 mais centrada no Jesus do Evangelho, e muito menos em especula\u00e7\u00f5es de uma teologia abstrata. Mais no viver como Jesus viveu do que em saber tudo dele, como se pud\u00e9ssemos conhecer de Deus e de Jesus alguma coisa para al\u00e9m daquilo que a vida e os gestos de Jesus nos revelam. Uma f\u00e9 que impele n\u00e3o s\u00f3 para a \u201cf\u00e9 em Jesus\u201d, mas tamb\u00e9m a assumir como pr\u00f3pria, no quotidiano, a \u201cf\u00e9 de Jesus\u201d: a sua maneira de ver o mundo, o destino humano, o mist\u00e9rio santo das origens, o prop\u00f3sito da vida. Ele \u201csalvou-nos\u201d tirando-nos do desespero de nos sentirmos abandonados por um estranho Criador nas m\u00e3os de poderosos. E disse-nos que Deus \u00e9 \u201cPai\u201d amoroso e misericordioso. \u201cSalvou-nos\u201d dizendo-nos qual \u00e9 a nossa verdade de humanos: somos filhos amados pelo Pai e irm\u00e3os bondosos entre n\u00f3s. Disse-nos que a nossa dignidade de humanos n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0quilo que acumul\u00e1mos, ao poder que temos, ao sucesso, mas s\u00f3 e exclusivamente ao facto de sermos criaturas com o \u201cselo\u201d do Pai, sequiosos de infinita beleza, de \u00eaxtase da vida, intrinsecamente empastados de amor, at\u00e9 ao ponto de n\u00e3o termos descanso se n\u00e3o amarmos como o Pai ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para nos fazer compreender isto, Jesus n\u00e3o pretendeu divinizar o ser humano, elev\u00e1-lo \u00e0quilo que n\u00e3o \u00e9 (teria sacralizado a prepot\u00eancia dos prepotentes que se autoproclamavam \u201cdivinos\u201d e \u201csagrada majestade\u201d, teria justificado os super-homens), mas humanizou Deus, disse-nos que podemos viver de Deus e com Deus nos gestos da nossa humanidade. Todos podemos exprimir o Infinito nos pequenos gestos do finito, podemos cheirar a Eterno nas atitudes que realizamos no tempo. E para que n\u00e3o restassem d\u00favidas, Jesus nasce de um povo desprezado, numa fam\u00edlia pobre, gosta de estar com gente de m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o, com pecadores e publicanos, com aqueles que n\u00e3o t\u00eam nenhum t\u00edtulo para al\u00e9m da sua nua (e por vezes amb\u00edgua) humanidade. Em todos eles v\u00ea um tra\u00e7o indel\u00e9vel e inegoci\u00e1vel da sua semelhan\u00e7a com o Pai. Jesus disse-nos que a pessoa \u00e9 \u201cdivina\u201d se vive plenamente a sua humanidade quotidiana de criatura humana. Se vive para aquilo que intrinsecamente \u00e9, se tende para alcan\u00e7ar o prop\u00f3sito para o qual foi criado: t\u00e3o humano que faz transparecer a sua origem divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o gostaria de cair na mesma armadilha de quantos instrumentalizam o sofrimento e o medo para se assegurar que amanh\u00e3, quando Deus quiser, as igrejas fiquem finalmente cheias. Hoje, n\u00f3s, padres, somos chamados a estar com as pessoas. Este nosso estar-com \u00e9 j\u00e1 um sinal de que Deus n\u00e3o abandonou o seu povo. Mas temos tamb\u00e9m a obriga\u00e7\u00e3o de orar meditando sobre o que est\u00e1 a acontecer. Na quietude dos dias demasiado longos, ser\u00e1 que n\u00e3o podemos, n\u00e3o devemos, preocupar-nos em rever a nossa hist\u00f3ria e perguntarmo-nos se, precisamente n\u00f3s, peritos da \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o negligenci\u00e1mos dizer com clareza que a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 tanto no\u00e7\u00e3o aprendida que faz conhecer a defini\u00e7\u00e3o exata de Deus, mas antes luz para dar sentido \u00e0 vida? Ou que ela \u00e9 o significado \u00faltimo dos nossos dias e do nosso \u201cfazer\u201d? E considero urgente perguntarmo-nos se n\u00e3o acab\u00e1mos por apoiar quem \u00e9 respons\u00e1vel pelo desastre atual meticulosamente anunciado pelos desastres precedentes. Fomos sentinelas da Vida, ou acab\u00e1mos por estar \u2013 sem nos apercebermos \u2013 do lado de quem ofendia esta vida, oferecendo benef\u00edcios a uma parte da popula\u00e7\u00e3o mundial e desprezando quem estava do lado de fora dos beneficiados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata aqui de op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas feitas ou n\u00e3o feitas pela Igreja. Pergunto-me se a nossa teologia e a nossa pastoral ter\u00e3o querido permanecer crist\u00e3s, isto \u00e9, dignas do \u00fanico Jesus da hist\u00f3ria que transparece do Evangelho. Do Jesus que ousou definir-se como Vida e portador de Vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto rid\u00edculos poderosos se perguntam se o coronav\u00edrus \u00e9 chin\u00eas ou americano, enquanto estes poderosos evitam enfrentar o problema de que o sistema por eles imposto com inaudita viol\u00eancia \u00e9 compat\u00edvel com a vida no planeta, a n\u00f3s, padres, cabe a obriga\u00e7\u00e3o de nos perguntarmos se n\u00e3o descuid\u00e1mos alguma coisa de importante na transmiss\u00e3o do Evangelho. Qualquer coisa como a Bela Not\u00edcia tal como a deixou Jesus de Nazar\u00e9, e como hoje, desesperadamente, procura evidenci\u00e1-la o papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos de o fazer, enquanto h\u00e1\u2026 t\u00e3o pouco para fazer nas igrejas fechadas.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"autor\">P. Felice Scalia, SJ<br \/>\nIn\u00a0<a href=\"https:\/\/www.stampalibera.it\/2020\/03\/20\/la-riflessione-di-padre-felice-scalia-la-fede-ai-tempi-del-coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Stampa Libera<\/a><br \/>\nTrad.: Rui Jorge Martins<\/span><\/div>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/icame-2431734\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2217668\">Isa\u00edn Calder\u00f3n<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2217668\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo recolhido do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8784,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,13],"tags":[],"class_list":["post-8783","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-covid-19","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8783"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8783\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8785,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8783\/revisions\/8785"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}