{"id":8681,"date":"2020-03-19T10:29:39","date_gmt":"2020-03-19T10:29:39","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8681"},"modified":"2020-03-20T00:11:54","modified_gmt":"2020-03-20T00:11:54","slug":"pe-manuel-j-rocha-o-tempo-que-deus-nos-da","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-manuel-j-rocha-o-tempo-que-deus-nos-da\/","title":{"rendered":"Pe. Manuel J. Rocha | O tempo que Deus nos d\u00e1!"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>P.\u00a0Manuel J. Rocha<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabem os sentimentos que passaram por mim ao entrar na Igreja para celebrar a Eucaristia neste domingo, o terceiro da Quaresma, onde se falava da samaritana, da \u00e1gua viva, aquela que mata a sede sem ser preciso voltar ao po\u00e7o! Olhei \u00e0 volta: bancos vazios e corri-os um a um, revi as caras conhecidas, aquelas que costumavam estar ali e mais atr\u00e1s e as outras. Ningu\u00e9m!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a minha imagina\u00e7\u00e3o foi para os crist\u00e3os do sil\u00eancio, os crist\u00e3os das catacumbas do tempo dos romanos, mas tamb\u00e9m do s\u00e9culo vinte, do pa\u00eds de Tom\u00e1s Halik, a Rep\u00fablica Checa comunista, ordenado sacerdote no sil\u00eancio de uma pequena sala sem a pr\u00f3pria m\u00e3e ter tido conhecimento do sucedido. Lembrei-me do cardeal vietnamita Van Thuan que conheceu a pris\u00e3o durante 13 nos, depois expulso do seu pa\u00eds, e dos lindos poemas\/ora\u00e7\u00f5es que compunha em latim, em comunh\u00e3o com o sil\u00eancio da sua apertada cela com a coniv\u00eancia de um dos seus guardas. Lembrei-me de Asia Bibi e tantos outros obrigados a celebrar a sua f\u00e9 e a viv\u00ea-la no sil\u00eancio, da Coreia do Norte, etc. Mas todos estes inimigos que os impediam e impedem de viver a sua f\u00e9, \u00e0s claras, tinham rosto, armas na m\u00e3o, ideologias a defender, ordens para cumprir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ali! Fug\u00edamos de quem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamam-lhe Coronavirus ou Covid-19. Veio l\u00e1 das bandas da China e, p\u00e9 ante p\u00e9, entrou no sil\u00eancio das nossas vidas, de todos os pa\u00edses. N\u00e3o escolheu os mais pobres ou os mais ricos, os mais novos ou os mais velhos, mais ou menos conhecidos. Quando pens\u00e1vamos que \u00e9ramos imunes, mostrou-nos que todos podemos ser infetados; quando olh\u00e1vamos a vida como se fossemos sozinhos, disse-nos que todos precisamos uns dos outros; quando confi\u00e1vamos nas novas tecnologias, nos novos rem\u00e9dios, nos examos e diagn\u00f3sticos. Mostrou a nossa fragilidade e fez-nos curvar a cabe\u00e7a, regressar a casa e viver aqueles momentos\u00a0 que j\u00e1 n\u00e3o faz\u00edamos ideia de que fosse poss\u00edvel: estar em casa; a refei\u00e7\u00e3o mais demorada e a conversa mais em dia; o tempo que parece n\u00e3o terminar, os jogos daquele tempo que \u00e9 preciso ressuscitar\u2026 eu sei l\u00e1: um simples v\u00edrus que veio de mansinho de t\u00e3o longe e p\u00f5e-nos, a todos, em sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00f3s est\u00e1vamos ali! Portas fechadas para celebrar o Jesus presente na Sua Palavra que vamos partilhar e no seu Corpo que vamos comungar, n\u00e3o s\u00f3 por n\u00f3s, mas por todos aqueles que, naquele domingo, costumam marcar presen\u00e7a, encher os bancos, rezar em comunidade e cantar a alegria do domingo com o barulho da pequenada ou ao atraso dos pap\u00e1s. Ali n\u00e3o. Era sil\u00eancio demasiado, com cheiro a vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto me veio \u00e0 mem\u00f3ria e transformou-se em realidade quando respondi com entusiasmo ao convite do celebrante: \u201cO Senhor esteja convosco!\u201d E eu respondi: \u201cEle est\u00e1 no meio de n\u00f3s!\u201d N\u00f3s?\u00a0 Nos quem? Sim n\u00f3s. Eu estava ali, mas n\u00e3o era s\u00f3 eu. Era eu e v\u00f3s todos os que n\u00e3o tivestes possibilidade de participar corporalmente, mas participastes atrav\u00e9s de um computador, de uma TV ou da r\u00e1dio. Eu estava l\u00e1 convosco. Estava l\u00e1 por v\u00f3s e por todos aqueles que n\u00e3o podem celebrar a Eucaristia naquela manh\u00e3 de domingo. Eu estava l\u00e1 e v\u00f3s comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que fez escrever estas linhas foi um senhor chamado Naam\u00e3 que era oficial do Rei da S\u00edria. Era leproso e algu\u00e9m o mandou ao profeta de Israel onde se poderia curar. Mas o profeta manda-lhe dizer uma coisa muito simples: \u201c\u2026 Vai banhar-te sete vezes nas \u00e1guas do rio Jord\u00e3o\u201d. Ele achou aquilo muito estranho porque, no seu pensar, tinha rios muito melhores na sua terra e, desiludido, preparava-se para demandar ao seu pa\u00eds. At\u00e9 que, um dos seus empregados lhe recorda que, sendo uma coisa t\u00e3o simples, porque n\u00e3o experimentava? E ele deixou-se convencer. Mergulhou sete vezes no rio Jord\u00e3o e ficou limpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era simples, mas era aquilo que lhe cabia a ele para se poder curar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como n\u00f3s, todos n\u00f3s e cada um de n\u00f3s. Nestes tempos mais complicados porque estamos a passar, temos de fazer a nossa parte: ouvir as mensagens que nos chegam, as ordens que nos d\u00e3o, sem alarmismos, mas com consci\u00eancia da seriedade da situa\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a de que \u00e9 um tempo\u2026 \u00a0e que a separa\u00e7\u00e3o de hoje ser\u00e1 o abra\u00e7o de amanh\u00e3. \u00c9 um tempo para aproveitar com otimismo, atrav\u00e9s do di\u00e1logo, da conversa em fam\u00edlia, da aten\u00e7\u00e3o aos mais pequenos, da ora\u00e7\u00e3o e do sil\u00eancio, do pensar na vida e na ajuda. \u00c9 o tempo que o Senhor nos d\u00e1 porque s\u00f3 Ele \u00e9 o senhor da vida e do futuro. \u00a0E, no pr\u00f3ximo domingo, l\u00e1 estaremos, se Deus quiser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; P.\u00a0Manuel J.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8682,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,151,91,14],"tags":[],"class_list":["post-8681","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-covid-19","category-olhares-ii","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8681"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8681\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8683,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8681\/revisions\/8683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}