{"id":8650,"date":"2020-03-17T13:26:41","date_gmt":"2020-03-17T13:26:41","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8650"},"modified":"2020-03-17T13:27:09","modified_gmt":"2020-03-17T13:27:09","slug":"edith-stein-o-homem-novo-em-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-o-homem-novo-em-cristo\/","title":{"rendered":"Edith Stein | O homem novo em Cristo"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">Na sua aproxima\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica \u00e0 Sagrada Escritura, Edith Stein descobre em Cristo um ponto focal para a compreens\u00e3o do homem e da humanidade. Embora descubramos implicitamente no seu discurso resson\u00e2ncias neo-testament\u00e1rias, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil identificar lugares concretos para os quais se dirige o seu olhar. Por isso, agora o nosso discurso n\u00e3o ser\u00e1 antropologicamente completo. Evidenciaremos simplesmente os momentos nos quais Edith relaciona as suas conclus\u00f5es em refer\u00eancia directa \u00e0 Escritura.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6740 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein_3.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"245\" \/>Dom de Deus e liberdade do homem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Mas porque Deus<\/em>, que nos criou sem n\u00f3s, <em>n\u00e3o quis salvar-nos sem n\u00f3s<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">38<\/a>. Com estas palavras de profunda resson\u00e2ncia agostiniana, Edith pretende sublinhar uma das mensagens contidas no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e Reden\u00e7\u00e3o. Deus faz-se homem para curar o homem<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">39<\/a>. Este acontecimento salvador de Deus est\u00e1 profundamente relacionado com a liberdade humana, tanto antes como depois da presen\u00e7a hist\u00f3rica de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Edith Stein h\u00e1 que salvaguardar sempre, juntamente com a gratuidade do dom de Deus, a liberdade do homem: dois aspectos que s\u00e3o fundamentais no di\u00e1logo Deus e homem e que se significam como coopera\u00e7\u00e3o. \u00ab<em>Esta coopera\u00e7\u00e3o manifestou-se<\/em> <em>no Antigo Testamento pela espera cheia de f\u00e9 do Messias prometido, pela aten\u00e7\u00e3o prestada \u00e0 descend\u00eancia em raz\u00e3o desta promessa e na prepara\u00e7\u00e3o dos caminhos do<\/em> <em>Senhor pela observ\u00e2ncia fiel dos seus mandamentos e o fervor desenvolvido no seu servi\u00e7o<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">40<\/a>. Com estas palavras, Edith aproxima-nos a um novo modo de entender a partir da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o anterior a Cristo, o significado da liberdade do homem em vistas da Reden\u00e7\u00e3o. O mesmo se poder\u00e1 aplicar \u00e0 tens\u00e3o escatol\u00f3gica pela instaura\u00e7\u00e3o definitiva do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro elemento que Edith extrai da sua aproxima\u00e7\u00e3o ao Antigo Testamento \u00e9 o sentido da presen\u00e7a redentora de Cristo no meio da hist\u00f3ria: apresenta-se como filho do pecado para libertar o homem do pecado. As pr\u00f3prias genealogias reportadas pelos evangelistas (Mt 1, 1 ss e Lc 3, 23 ss) teriam esse mesmo objectivo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abCristo veio ao mundo para arrancar os pecadores do dom\u00ednio do pecado e restabelecer a imagem de Deus nas almas profanadas. Veio ao mundo como Filho do pecado \u2013 mostra-o a sua genealogia e toda a hist\u00f3ria do Antigo Testamento \u2013, e buscou a companhia dos pecadores para tomar sobre si todo o pecado do mundo e lev\u00e1-lo consigo no madeiro ignominioso da Cruz que, desse modo, se converteu no sinal da sua vit\u00f3ria\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">41<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na compreens\u00e3o cristol\u00f3gica steiniana h\u00e1 uma palavra chave que cont\u00e9m em si o significado de Cristo para a vida do homem<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">42<\/a>: <em>Ele \u00e9 o caminho<\/em>. Esta afirma\u00e7\u00e3o, que encontramos principalmente expl\u00edcita no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">43<\/a>, cont\u00e9m em si a import\u00e2ncia de Cristo para a vida da humanidade, para que esta alcance a sua plenitude na uni\u00e3o com Deus: <em>a uni\u00e3o das duas naturezas em Cristo \u00e9 o fundamento necess\u00e1rio<\/em>&#8230; <em>\u00e9 o mediador entre Deus e os homens<\/em>, <em>o caminho fora do qual ningu\u00e9m pode ir ao Pai<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">44<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para explicar estas afirma\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o do que significa a reden\u00e7\u00e3o e a justifica\u00e7\u00e3o, Edith recorrer\u00e1 aos textos paulinos (muitos dos quais aparecem constantemente citados pelo magist\u00e9rio da Igreja) onde melhor se reflecte o sentido teol\u00f3gico da \u00abnovidade\u00bb realizada em Cristo, como o Novo Ad\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o ao primeiro Ad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem velho, consequ\u00eancia do pecado de Ad\u00e3o, \u00e9 o que perdeu a inoc\u00eancia original (Rm 5, 12. 18; 1 Co 15, 22), e se converteu em escravo do pecado (Rm 6, 20). O homem novo, regenerado em Cristo, \u00e9 justificado: s\u00e3o-lhe perdoados os seus pecados e, al\u00e9m disso, \u00e9 santificado e renovado no sue interior (Tt 3, 7)<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">45<\/a>, gra\u00e7as ao dom do Esp\u00edrito infundido no cora\u00e7\u00e3o do homem (cf. 1 Co 12, 11; Rm 5, 5-6)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">46<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edith quer concluir algo mais, e pergunta-se sobre como entender essa justifica\u00e7\u00e3o e esse dom da miseric\u00f3rdia de Deus de que tanto nos fala Paulo nas suas cartas. N\u00e3o basta que seja um dom ou gra\u00e7a de Cristo. \u00c9 necess\u00e1rio que o homem se prepare e receba com livre consentimento esta gra\u00e7a ou ac\u00e7\u00e3o de Deus. Uma prepara\u00e7\u00e3o que implica aceita\u00e7\u00e3o na f\u00e9 da prega\u00e7\u00e3o (Rm 10, 17), principalmente da verdade de se saber justificados s\u00f3 em virtude da reden\u00e7\u00e3o realizada em Cristo Jesus (Rm 3, 24). Se o pecador aceita este dom da reden\u00e7\u00e3o, \u00ab<em>Cristo n\u00e3o pode somente, por um chamamento de gra\u00e7a, despertar-nos e livrar-nos do peso do pecado, mas pode tamb\u00e9m tornar-nos justos, isto \u00e9, santos; encher-nos da vida divina e conduzir-nos ao Pai celeste como seus<\/em> <em>pr\u00f3prios filhos<\/em>. <em>Tornamo-nos, ent\u00e3o, pela justifica\u00e7\u00e3o<\/em>, <strong><em>filhos de Deus<\/em><\/strong>, <strong><em>tal como os<\/em><\/strong> <strong><em>homens o eram antes da queda<\/em><\/strong>\u00bb<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">47<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta obra da gra\u00e7a, o fim da reden\u00e7\u00e3o, realizou-se tamb\u00e9m num par, que, mesmo na sua novidade, se constituem no aut\u00eantico modelo da humanidade perfeita. Na sequela da denomina\u00e7\u00e3o paulina de Cristo como o Novo Ad\u00e3o, Edith acrescenta o de Maria como a Nova Eva. Os dois retomam o papel dos \u00abprimeiros pais\u00bb, constituindo-se, pela sua perfei\u00e7\u00e3o livre de todo o pecado, nos aut\u00eanticos \u00abpais\u00bb da humanidade:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abMas o olhar do juiz divino percebia ao lado do primeiro par humano e de todos aqueles que ela representava um segundo par que n\u00e3o foi tocado pela sua condena\u00e7\u00e3o: o novo Ad\u00e3o e a nova Eva, Cristo e Maria. Ele escutou o seu Fiat voluntas tua \u2013 Fiat mihi secundum verbum tuum! Cristo e Maria s\u00e3o os verdadeiros primeiros pais, os verdadeiros arqu\u00e9tipos da humanidade unida a Deus. \u00c9 Cristo e n\u00e3o Ad\u00e3o quem \u00e9 o primeiro nascido de Deus e a cabe\u00e7a da humanidade&#8230;\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">49<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A teologia paulina do Corpo de Cristo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito ou a imagem de Cristo como Cabe\u00e7a e a conseguinte imagem do seu Corpo M\u00edstico \u00e9 precisamente outro dos temas b\u00edblicos paulinos que descobrimos muito presentes no pensamento de Edith Stein. Para ela \u00e9 um tema central que define o \u00abnovo estado\u00bb dos filhos de Deus redimidos em Cristo: convertem-se em membros do seu Corpo. Por outro lado, \u00e9 uma das imagens b\u00edblicas recuperadas na compreens\u00e3o da Igreja a partir do Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que d\u00e1 realmente sentido teol\u00f3gico \u00e0 ideia do Corpo \u00e9 a centralidade de Cristo enquanto Cabe\u00e7a (cf. 1 Co 12, 12; Cl 1, 24; Ef 1, 22-23; 5, 23). Edith n\u00e3o se limita a entend\u00ea-la em paralelo com a Igreja, mas amplia o seu significado a toda a humanidade. Fazendo-se eco da afirma\u00e7\u00e3o paulina de que em Cristo <em>residia toda a plenitude<\/em> (cf. Cl 1, 19; 2, 9), afirma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abA ess\u00eancia espec\u00edfica de toda a humanidade encontrava-se n\u2019Ele plenamente realizada, e n\u00e3o s\u00f3 em parte com nos outros homens. Da sua plenitude recebemos tudo; n\u00e3o somente \u201cgra\u00e7a sobre gra\u00e7a\u201d <\/em>(Jo 1, 16),<em> mas tamb\u00e9m j\u00e1 a nossa natureza a fim de que imitemos, cada um com o seu modo de ser particular, o arqu\u00e9tipo, do mesmo modo que cada membro de uma mesma unidade\u00a0 de forma viva concretiza ao sue modo a ess\u00eancia do todo e que todos os membros reunidos constituem o todo. Eis a figura do Salvador tal como os Evangelhos a tra\u00e7aram sem artif\u00edcios; est\u00e1 cheia de mist\u00e9rios e \u00e9 inesgot\u00e1vel. Cristo \u00e9 inteiramente homem e, por esta raz\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico a nenhum outro homem\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">50<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este olhar amplo sobre o sentido do Corpo de Cristo implica que \u00abessa humanidade\u00bb, mesmo quando alcan\u00e7a o seu pleno sentido como humanidade redimida, n\u00e3o pode fechar-se em sentido absoluto apenas \u00e0 comunidade crist\u00e3: \u00ab<em>n\u00e3o h\u00e1 nada<\/em> <em>humano \u2013 fora do pecado \u2013 que n\u00e3o tenha pertencido \u00e0 unidade de vida deste corpo&#8230; Pois bem, a vida da gra\u00e7a derrama-se nos membros, porque est\u00e3o j\u00e1 por natureza unidos \u00e1 cabe\u00e7a e s\u00e3o capazes, enquanto ess\u00eancias espirituais e em virtude da sua livre receptividade, de acolher neles a mesma vida divina&#8230; Toda a humanidade \u00e9 a humanidade de Cristo&#8230;<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">51<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas afirma\u00e7\u00f5es steinianas, em cujas consequ\u00eancias agora penetramos, t\u00eam um enorme peso na hora de descobrir o mist\u00e9rio da unidade de toda a fam\u00edlia humana. \u00c9 evidente que ela n\u00e3o esquece outras concep\u00e7\u00f5es do significado dado ao Corpo de Cristo: como a que se limita \u00e0 Igreja ou a que pretende incluir a todas as criaturas espirituais, como os anjos, fundamentando-se em Ef 1, 20<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">52<\/a>. Mas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abSem desprezar este sentido amplo que se justifica, pode e deve-se, no entanto, falar da humanidade enquanto corpo m\u00edstico de Cristo sem sentido estrito. Efectivamente, a humanidade \u00e9 a porta pela qual o Verbo de Deus entrou na cria\u00e7\u00e3o, a natureza humana recebeu-o e unicamente com os homens e n\u00e3o com a natureza inferior nem com os anjos foi como se uniu na unidade do conjunto original. E enquanto cabe\u00e7a da humanidade que une em si o superior e o inferior, Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a da Cria\u00e7\u00e3o inteira\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">53<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma linha, Edith aproxima-se do texto de Ef 3, 15: \u00ab<em>de quem toma nome<\/em> <em>toda a fam\u00edlia no c\u00e9u e na terra<\/em>\u00bb. Toda a humanidade forma uma \u00fanica fam\u00edlia, de tal modo que o homem aparece como um ser social por natureza e voca\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">54<\/a>. Todos os homens s\u00e3o filhos de Deus desde o seu nascimento. A vida do homem consistir\u00e1 em deixar que se torne efectiva nele esta condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caminho de Cristo \u2013 caminho da humanidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>O caminho da ra\u00e7a humana parte de Cristo para chegar a Cristo<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">55<\/a>. Esta afirma\u00e7\u00e3o steiniana coloca-nos na din\u00e2mica da import\u00e2ncia de Cristo para a compreens\u00e3o antropol\u00f3gica da B\u00edblia. Edith relaciona directamente o \u00ab<em>fa\u00e7amos o ser<\/em> <em>humano \u00e0 nossa imagem, como semelhan\u00e7a nossa<\/em>\u00bb (Gn 1, 26), com o pr\u00f3logo de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00ab<em>tudo se fez pelo Verbo<\/em>\u00bb (Jo 1, 3) e o texto paulino de Cl 1, 15-17: \u00ab<em>Ele \u00e9 imagem<\/em> <em>de Deus invis\u00edvel, Primog\u00e9nito de toda a criatura, porque n\u2019Ele foram criadas todas as<\/em> <em>coisas&#8230; tudo foi criado por Ele e para Ele&#8230;<\/em>\u00bb. As consequ\u00eancias de ler estes textos juntos parecem evidentes: Cristo \u00e9 a origem, a meta, o caminho e o modelo para alcan\u00e7ar a plenitude<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">56<\/a>. E a Cristo adere a pessoa na medida em que entra a viver na uni\u00e3o do seu Corpo<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">57<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a\u00ed, Edith Stein poder\u00e1 a firmar com toda a sua for\u00e7a a import\u00e2ncia de se configurar com a vida evang\u00e9lica de Cristo e com os mist\u00e9rios que marcam os tra\u00e7os essenciais da sua apari\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria. Resume assim a traject\u00f3ria de Cristo, modelo e caminho da traject\u00f3ria que a humanidade inteira deve seguir na sua conquista da plenitude:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>\u00abAs ora\u00e7\u00f5es e os gestos da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica representam-nos continuamente&#8230; a hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, e ajudam-nos a entrar cada vez mais no seu sentido. E o pr\u00f3prio Sacrif\u00edcio vai imprimindo em n\u00f3s o mist\u00e9rio central da nossa f\u00e9, ponto cardeal da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e da Reden\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>Os mist\u00e9rios do cristianismo formam um conjunto indivis\u00edvel. Se mergulhamos num deles, somos conduzidos tamb\u00e9m a todos os outros. Assim, o caminho de Bel\u00e9m conduz for\u00e7osamente ao G\u00f3lgota, e o pres\u00e9pio \u00e0 Cruz&#8230; Quando a Virgem levou o Menino ao Templo foi-lhe profetizado que uma espada haveria de trespassar o seu cora\u00e7\u00e3o (Lc 2, 35), que aquele Menino seria ocasi\u00e3o de queda e de ressurrei\u00e7\u00e3o para muitos, um sinal de contradi\u00e7\u00e3o (Lc 2, 34). \u00c9 o an\u00fancio do sofrimento, da luta entre a Luz e as trevas, que j\u00e1 se tinha manifestado no pres\u00e9pio de Bel\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><em>(&#8230;) Da luz que resplandece do pres\u00e9pio projecta-se a sombra da Cruz. A Luz extingue-se nas trevas de Sexta-Feira Santa, mas ilumina como sol na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s da paix\u00e3o e da cruz \u00e0 gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o: \u00e9 o caminho do Filho de Deus feito carne. Com o Filho do homem, atrav\u00e9s do sofrimento e da morte, \u00e0 gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caminho de cada um de n\u00f3s, o caminho de toda a humanidade\u00bb<\/em><a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">58<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">38<\/a> Ib. 541.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">39<\/a> Cf. EPH 18.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">40<\/a> SFSE 541.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">41<\/a> <em>A eleva\u00e7\u00e3o da Cruz<\/em>, em Obras 239.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">42<\/a> Estudei os elementos que configuram a cristologia de Edite Stein nos meus dois livros anteriormente citados. Remeto a eles para um maior aprofundamento do tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">43<\/a> Cf. Jo 14, 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">44<\/a> SFSE 534-535.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">45<\/a> Ib. 535.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">46<\/a> Ib. 536.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">47<\/a> Ib. 537-538 (o negrito \u00e9 meu).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">49<\/a> SFSE 533.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">50<\/a> SFSE 539.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">51<\/a> Ib. 538.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">52<\/a> Cf. Ib. 542. Uma vis\u00e3o mais pormenorizada da eclesiologia de Edite Stein, pode ver-se no meu livro <em>Uma espiritualidade para hoje segundo Edite Stein<\/em>, 169 ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">53<\/a> SFSE 542.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">54<\/a> Mensch 22. A B\u00edblia de Jerusal\u00e9m anotando este texto de Ef 3, 15, indica: \u00abO termo grego traduzido aqui por fam\u00edlia, designa o grupo social que deve a sua exist\u00eancia e unidade a um mesmo antepassado. Pois bem, a origem de todo o agrupamento humano ou ang\u00e9lico remonta a Deus, Pai supremo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">55<\/a> SFSE 539.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">56<\/a> Cf. SFSE 124-130. 257. 369.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">57<\/a> Cf. EPH 18.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">58<\/a> <em>O mist\u00e9rio do Natal<\/em>, em Obras 390-391.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Capri23auto-1767157\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2501965\">Capri23auto<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2501965\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8652,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,13],"tags":[],"class_list":["post-8650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8650"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8650\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8654,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8650\/revisions\/8654"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}